{"id":1642,"date":"2011-01-03T11:21:41","date_gmt":"2011-01-03T10:21:41","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1642"},"modified":"2011-01-03T11:21:41","modified_gmt":"2011-01-03T10:21:41","slug":"boa-disposicao-e-ma-disposicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1642","title":{"rendered":"Boa Disposi\u00e7\u00e3o e m\u00e1 Disposi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong> <span style=\"font-size: large;\">Como o vento na natureza assim as ideias nas viv\u00eancias<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O estado de \u00e2nimo e o estado do tempo s\u00e3o duas manifesta\u00e7\u00f5es de realidades compartilhadas: o sol na natureza e o Esp\u00edrito na pessoa. Sol e Esp\u00edrito, como natureza e pessoa, est\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o directa: chove em mim, chove na natureza! No bom tempo interior e exterior h\u00e1 sol, alegria e ideias positivas, no mau tempo h\u00e1 chuva, tristeza e ideias negativas. Fazemos parte duma realidade em reciprocidade mais ampla do que a do pr\u00f3prio bi\u00f3topo de que julgamos ser senhores.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Certamente que j\u00e1 lhe aconteceu, depois de ter passado um dia calmo e sereno, com algu\u00e9m da sua rela\u00e7\u00e3o, de repente, ao dizer algo, desencadear-se uma tempestade de sentimentos e rel\u00e2mpagos de ideias cada vez mais incendi\u00e1rias. A atmosfera chega, por vezes, a carregar-se de tal modo que faz desaparecer o sol que antes brilhava nos dois. Esquece-se que as ideias e em parte os sentimentos s\u00e3o apenas fen\u00f3menos \u00e0 superf\u00edcie do pr\u00f3prio ser e se comportam como o tempo.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>As ideias tornam-se como f\u00f3sforos a raspar na caixa do sentimento. <strong>As ideias como o vento arrastam atr\u00e1s delas a chuva e o sentimento<\/strong>. <strong>Quanto mais f\u00faria sopra do vento das ideias mais as ondas das emo\u00e7\u00f5es se levantam e encrespam<\/strong>. L\u00e1 fora, na natureza, como c\u00e1 dentro, no nosso esp\u00edrito, h\u00e1 tempos de altas e baixas press\u00f5es.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A paisagem da nossa alma tem muito de comum com a paisagem da natureza l\u00e1 \u201cfora\u201d. Como nela, h\u00e1 chuva, abertas e sol na nossa alma, no nosso cora\u00e7\u00e3o. Os princ\u00edpios e as leis que as regulam s\u00e3o semelhantes e h\u00e1 algo de comum tamb\u00e9m. Quando h\u00e1 sol na natureza, no nosso cora\u00e7\u00e3o tudo se torna, dentro e fora, mais leve e o horizonte revela-se mais largo.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>For\u00e7as, que, por vezes, se revelam m\u00e1s em tempos de tempestade, se bem vistas, podem tornar-se produtivas, como acontece no uso do vento para fins energ\u00e9ticos se forem orientadas. O mesmo se diga em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ideias. Em cada pessoa como na natureza h\u00e1 energias cicl\u00f3nicas e anticicl\u00f3nicas, mar\u00e9s-altas e baixas, euforias e depress\u00f5es.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>No mar da vida, para se levar uma vida equilibrada, h\u00e1 que aproveitar o vento prop\u00edcio para melhor se abordar \u00e0 costa. Em tempo de nevoeiro torna-se perigoso arribar. \u00c9 preciso esperar o bom tempo das ideias, das ideias benignas e da calmaria do cora\u00e7\u00e3o para se abordar ao outro e ent\u00e3o resolver os problemas com horizontes largos e duradouros. Em mim como no outro, nas ideologias como nas sociedades, os mesmos estados do tempo!<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>As rajadas do vento e das ideias, como a calmaria do estado do tempo l\u00e1 fora e o estado da atitude de esp\u00edrito em n\u00f3s, s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es naturais a compreender para se aceitar a realidade pr\u00f3pria e do outro. Depois da tempestade avizinha-se o nevoeiro e normalmente \u00e9 precisa a predisposi\u00e7\u00e3o para se olhar em redor na descoberta dum arco-\u00edris anunciador de sol. Esta \u00e9 uma oportunidade para se descobrir a si no outro. E \u201cdepois da tempestade vem sempre a bonan\u00e7a\u201d, n\u00e3o fossemos n\u00f3s natura e n\u00e3o nos v\u00edssemos n\u00f3s no espelho da natureza. Como na natureza tamb\u00e9m na panor\u00e2mica humana h\u00e1 diferentes bi\u00f3topos de caracteres e mentalidades como se pode verificar da observa\u00e7\u00e3o de discuss\u00f5es acirradas entre optimistas e pessimistas, entre o comunista e o capitalista, entre a reac\u00e7\u00e3o da pessoa em estado euf\u00f3rico ou depressivo. O pessimista naturalmente que preferir\u00e1 dizer \u201cdepois da bonan\u00e7a vem a tempestade\u201d. \u00c9 sempre uma quest\u00e3o de perspectiva. Se um olha na direc\u00e7\u00e3o do dia o outro olha na direc\u00e7\u00e3o da noite! A natureza e n\u00f3s, somos dia e noite! No fim, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que vale e j\u00e1 antes os dois tinham raz\u00e3o, situando-se o problema apenas na perspectiva de cada um! <strong>O problema n\u00e3o est\u00e1 na natureza mas na rosa-dos-ventos!<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong> <span style=\"font-size: large;\">Criar em n\u00f3s uma inst\u00e2ncia do bom humor<\/span><\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 pessoas muito sens\u00edveis que reagem como micro climas. A boa ou m\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o influencia a compreens\u00e3o dos outros e do que dizem. Na verdade, at\u00e9 o tempo se torna c\u00famplice do nosso humor. Os mesmos temporais, as mesmas bonan\u00e7as do tempo, lutas e discuss\u00f5es da pessoa e da institui\u00e7\u00e3o; o mesmo acontece em casa, na fam\u00edlia como na polis e na disputa entre os partidos e na discuss\u00e3o de opini\u00f5es; tudo isto se encontra submetido \u00e0s mesmas for\u00e7as e leis a descobrir. Os problemas surgem principalmente do facto de cada indiv\u00edduo ou grupo ter uma vis\u00e3o perspectiva da realidade quando esta \u00e9 a-perspectiva. Tudo apenas um problema do tempo l\u00e1 \u201cfora\u201d e c\u00e1 \u201cdentro.\u201dAssim acontecem as ventanias e as tempestades destruidoras na natureza, e as rajadas que devastam a sociedade, a fam\u00edlia, as amizades e as pessoas.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Como nas pessoas assim nas montanhas. Se na base h\u00e1 nevoeiro certamente que l\u00e1 em cima brilha o sol. Se nos encontramos na depress\u00e3o, no vale, na comba da tristeza, certamente que s\u00f3 veremos no outro o escuro do nevoeiro do sop\u00e9 da montanha e a pr\u00f3pria escurid\u00e3o nos atemoriza porque vemos fora o que est\u00e1 dentro. Como me encontrava no sop\u00e9 n\u00e3o podia ver a montanha toda no outro e em mim.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Ao fim e ao cabo todos fazemos parte da mesma montanha. Se dum lado da encosta h\u00e1 chuva do outro haver\u00e1 sol. A paisagem que hoje sorri ao sol amanh\u00e3 chora \u00e0 chuva. Tudo sofre e se alegra a seu tempo. \u00c0 depress\u00e3o (tristeza) do sentimento dum lado corresponde a press\u00e3o (alegria) do outro lado.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Urge aceitar os sentimentos como se aceita o tempo para se evitar o curto-circuito de ideias e a consequente trovoada dos sentimentos. Se me encontro no fundo do vale, do lado da encosta sombria das ideias \u00e9 melhor esperar por uma aberta ou tentar subir a encosta at\u00e9 encontrarmos o sol e assim nos podermos orientar melhor numa perspectiva para al\u00e9m do nevoeiro. <strong>No nevoeiro e na tristeza certamente que pintaremos a vida e o outro com cores escuras, n\u00e3o podendo deslumbrar nelas a beleza da realidade arco-\u00edris<\/strong>. Os problemas ocasionais passam com uma simples mudan\u00e7a de perspectiva; os grandes permanecem tanto no sop\u00e9 como na encosta da montanha. Estes por\u00e9m s\u00f3 devem ser resolvidos com efici\u00eancia na fase soalheira da vida. Doutro modo formam-se opini\u00f5es e tomam-se decis\u00f5es que criam maiores problemas ainda, por falta de horizontes mais largos.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A quest\u00e3o ser\u00e1 encontrar a balan\u00e7a numa vida consciente da tempestade e da bonan\u00e7a. As diferentes esta\u00e7\u00f5es manifestam diferentes riquezas em interdepend\u00eancia em n\u00f3s e nos outros, entre o c\u00e1 dentro e o l\u00e1 (c\u00e1) fora, que s\u00e3o parte da mesma realidade.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A disposi\u00e7\u00e3o, o bom ou o mau humor, determina a nossa viv\u00eancia. <strong>Somos mais que o mimetismo das nossas ideias e sentimentos.<\/strong> Para mudar a viv\u00eancia n\u00e3o chega mudar as circunst\u00e2ncias exteriores porque tamb\u00e9m as nossas ideias e sentimentos provocam, muitas vezes, a cor do ambiente, a cor das circunst\u00e2ncias exteriores. \u00c0 dist\u00e2ncia v\u00ea-se mais. A causa da nossa m\u00e1 rela\u00e7\u00e3o est\u00e1, muitas vezes, em pensar nela. N\u00e3o chega esperar pelo tempo que cura todas as feridas. Importante \u00e9 p\u00f4r-se o problema e esperar-se pela solu\u00e7\u00e3o mais tarde. Para os problemazitos do dia-a-dia, muitas vezes basta tirar o cobertor escuro das ideias com que envolvemos o parceiro e nos envolvemos a n\u00f3s. Na cama dos sentimentos \u00e9 preciso arredar os pijamas das nossas ideias e procurar tocar com a pr\u00f3pria m\u00e3o no corpo nu do outro. Ent\u00e3o, na nudez do outro descobrirei a pr\u00f3pria nudez, e sentirei nele o calor primaveril que me incendiar\u00e1 tamb\u00e9m a mim.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Se a ocasi\u00e3o n\u00e3o proporcionar tanta proximidade, basta um louvor verdadeiro. O louvor \u00e9 como o sol que derrete as roupagens das neves mais resistentes.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Agradecer e louvar \u00e9 um acto nobre que reconhece a realidade do dia e da noite, do bom e do mau humor no todo e em cada um. J\u00e1 Dem\u00f3crito vivia a felicidade atrav\u00e9s duma conduta de vida razo\u00e1vel comedida.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pedagogo e Te\u00f3logo<\/p>\n<p>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como o vento na natureza assim as ideias nas viv\u00eancias Ant\u00f3nio Justo O estado de \u00e2nimo e o estado do tempo s\u00e3o duas manifesta\u00e7\u00f5es de realidades compartilhadas: o sol na natureza e o Esp\u00edrito na pessoa. Sol e Esp\u00edrito, como natureza e pessoa, est\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o directa: chove em mim, chove na natureza! 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