{"id":1609,"date":"2010-11-13T02:23:15","date_gmt":"2010-11-13T01:23:15","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1609"},"modified":"2010-11-13T02:23:15","modified_gmt":"2010-11-13T01:23:15","slug":"encontramo-nos-no-comeco-do-fim-da-nacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1609","title":{"rendered":"Encontramo-nos no Come\u00e7o do Fim da Na\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong> O Paternalismo Estatal revela-se contra o Povo e contra a Na\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Um amigo mandou-me a cita\u00e7\u00e3o seguinte, acrescentando-lhe o seu testemunho.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 imposs\u00edvel levar o pobre \u00e0 prosperidade atrav\u00e9s de legisla\u00e7\u00f5es que punem os ricos pela prosperidade.<br \/>\n Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.<br \/>\n O governo n\u00e3o pode dar para algu\u00e9m aquilo que n\u00e3o tira de outro algu\u00e9m.<br \/>\n Quando metade da popula\u00e7\u00e3o entende a ideia de que n\u00e3o precisa de trabalhar, pois a\u00a0 outra metade da popula\u00e7\u00e3o ir\u00e1 sustent\u00e1-la, e quando esta outra metade entende\u00a0 que n\u00e3o vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, ent\u00e3o chegamos ao come\u00e7o do fim de uma na\u00e7\u00e3o. \u00c9 imposs\u00edvel multiplicar riqueza dividindo-a.&#8221; Adrian Rogers, 1931<\/p>\n<p>\u201cGostava de ler um coment\u00e1rio teu\u00a0sobre este texto de Rogers.<\/p>\n<p>Eu vou relatar o que se passa com a cidade de B.K: 48 % do or\u00e7amento est\u00e1 a ser gasto em obriga\u00e7\u00f5es sociais a desempregados ou gente que ganha pouco. A cidade que outrora era bem cuidada, est\u00e1\u00a0irreconhec\u00edvel! \u00a0A cidade n\u00e3o tem feito obras, at\u00e9 o rel\u00f3gio da esta\u00e7\u00e3o na pra\u00e7a da Europa est\u00e1 h\u00e1 anos parado! Neste momento na Alemanha, \u00a0que tem uma popula\u00e7\u00e3o de 65 (82) milh\u00f5es, 20 milh\u00f5es est\u00e3o aposentados! 3,5 milh\u00f5es de lares est\u00e3o\u00a0falidos.\u00a0Quando uma pessoa tem\u00a0demasiadas d\u00edvidas entra em fal\u00eancia. A partir desse momento o Estado d\u00e1-lhe uma nova oportunidade. Se durante 6 anos n\u00e3o ficar a dever a ningu\u00e9m, fica com o curr\u00edculo limpo de novo e n\u00e3o tem de pagar as d\u00edvidas antigas. Claro que quem nunca mais v\u00ea o dinheiro s\u00e3o, por exemplo, \u00a0os senhorios dos apartamentos (nosso caso &#8211; a\u00a0um inquilino que nos ficou a dever 2000 euros\u00a0\u00a0foi-lhe perdoada a d\u00edvida e n\u00f3s ficamos a ver navios&#8230; da\u00ed que nenhum particular quer mais investir na constru\u00e7\u00e3o de casas&#8230;\u201d Fim da cita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Limito-me a fazer uma reflex\u00e3o espont\u00e2nea. A tese de Adrian Rogers est\u00e1 a tornar-se realidade. Com a agravante que o Estado, em vez de se esfor\u00e7ar por manter uma classe m\u00e9dia alargada, capaz de suprir as defici\u00eancias estruturais e sociais do resto da na\u00e7\u00e3o, destr\u00f3i-lhe as bases, favorecendo os super-ricos contra uma classe m\u00e9dia honrada e contra uma popula\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria digna. <strong>A vida desonrada de uns e a arrog\u00e2ncia e a soberba dos outros legitimam o caos e o desrespeito de leis que n\u00e3o foram concebidas no esp\u00edrito do povo e da na\u00e7\u00e3o<\/strong>. O Estado, de dia para dia, perde a autoridade moral e revela-se, al\u00e9m disso, incompetente para gerir uma comunidade cada vez mais complexa. Onde a injusti\u00e7a e o dolo imperam, a resposta consequente ser\u00e1 o logro e a revolta. Hipocrisia, manipula\u00e7\u00e3o, oportunismo e sobranceria tornam-se virtudes da cidadania!<\/p>\n<p>Na Europa, os pol\u00edticos europeus est\u00e3o cada vez mais desacreditados. Assim j\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rias <br \/>\n peti\u00e7\u00f5es de assinaturas para diminu\u00edrem o n\u00famero de deputados. Tem-se a ideia de estamos num governo mundial efectivo. Os deputados de cada pa\u00eds s\u00e3o vistos, por muitos, como uma sobrecarga extra e car\u00edssima, que n\u00e3o traz proveito algum. Igualmente muitos queixam-se, em emails, do disp\u00eandio sup\u00e9rfluo dos deputados de Bruxelas. \u201cEst\u00e3o l\u00e1 para se governarem a si pr\u00f3prios. S\u00e3o sanguessugas a extorquir ainda mais sobretudo a classe m\u00e9dia\u201d e conclui-se: <strong>N\u00e3o havendo na\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 motivo para haver parlamentos.<\/strong> De facto, homens med\u00edocres, mas bons soldados dos partidos, como no caso do director do Banco de Portugal, depois de ter deixado ir o pa\u00eds \u00e0 ru\u00edna, s\u00e3o promovidos para a Europa ou para organiza\u00e7\u00f5es mundiais. Os Judas da na\u00e7\u00e3o s\u00e3o os novos cavaleiros andantes de ideologias organizadas nas fam\u00edlias partid\u00e1rias ou em irmandades mundiais. Para se justificarem basta-lhes ouvir o relinchar do povo long\u00ednquo, certos de que da bosta do cavalo saem bons cogumelos\u2026<\/p>\n<p>\n Na Europa encontramos grande parte da sociedade desencorajada e Estados indiferentes. Depara-se com muita actividade sexual e com muito activismo mas com produtividade insuficiente. Hoje mesmo nas not\u00edcias do ZDF foi referido que apesar dos incentivos\u00a0financeiros para os casais terem filhos, em 2009 houve de novo menos nascimentos. Enquanto em 2008\u00a0houve 682 000 nascimentos, em 2009 j\u00e1 s\u00f3 houve 665 000.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A sociedade e seus governos cada vez se tornam mais virtuais, sem fundamento real que ofere\u00e7a perspectivas de futuro para a maioria. N\u00e3o h\u00e1 credibilidade numa sociedade que se orienta apenas por leis e princ\u00edpios externos alheios \u00e0 rela\u00e7\u00e3o interpessoal e social. No lugar duma comunidade nacional deparamos com um Estado an\u00f3nimo de esp\u00edrito parasit\u00e1rio em que a massa extensa (res publica) \u00e9 considerada um agregado de coisas instrumento, de indiv\u00edduos objecto reduzidos a clientes, contribuintes e energ\u00famenos isolados sem fam\u00edlia nem p\u00e1tria nem povo. A lei e o princ\u00edpio n\u00e3o pressup\u00f5em sujeitos, partem de \u00a0objectos. A res publica , na pr\u00e1tica, reduz o cidad\u00e3o a coisa, a res cogitans. <strong>A dignidade humana deixa de estar imanente ao homem e \u00e0 comunidade<\/strong>. Esta vem de fora, \u00a0\u00e9 substitu\u00edda pelo dinheiro. Quem n\u00e3o tem dinheiro n\u00e3o tem dignidade e quem n\u00e3o tem trabalho digno torna-se miser\u00e1vel. De pessoa e de comunidade passa-se a indiv\u00edduo e a sociedade desconexa. <strong>A pessoa deixa de ser fonte de valor.<\/strong> No Estado paternalista a dignidade adquirida no trabalho para a comunidade, torna-se imposs\u00edvel, dado o cidad\u00e3o dependente se tornar num objecto, pertencente \u00e0 massa abstracta pensada e a maior parte da actividade ser transformada em trabalho prec\u00e1rio. A dignidade individual respons\u00e1vel, numa cultura consumista e consumidora \u00e9 determinada pelo \u00fanico valor v\u00e1lido, o Dinheiro e a rela\u00e7\u00e3o individual \u00e9 substitu\u00edda pela rela\u00e7\u00e3o de cliente em competitividade meramente mercantil.<strong> O valor passa a ser um abstracto despersonalizado e quantificado no dinheiro. O cidad\u00e3o \u00e9 considerado como cliente para o shopping<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Os governos n\u00e3o levam a s\u00e9rio o destino do seu povo.<\/strong> Criam leis de apoio \u00e0s multinacionais de maneira a o Estado acarretar com os custos de medidas fomentadoras do desemprego dos seus cidad\u00e3os. O povo, ao ver a corrup\u00e7\u00e3o da sua fina-flor n\u00e3o se sente disposto a trabalhar por ordenados de mis\u00e9ria. F\u00e1-lo mas numa atitude de escravo revoltado.<\/p>\n<p>Nos tempos em que a democracia social dos anos 70 e 80 prometia funcionar, conheci pessoas alem\u00e3s que viviam da assist\u00eancia social e faziam f\u00e9rias de vez em quando na \u00cdndia; conheci imigrantes que viviam melhor com o apoio social do que outros do trabalho; conheci tamb\u00e9m pessoas que queriam trabalhar e n\u00e3o lhes era dada oportunidade; conheci milion\u00e1rios humildes que trabalhavam, de manha \u00e0 noite, solid\u00e1rios com os seus trabalhadores. Os tempos mudaram-se e a atmosfera tornou-se \u00e1spera. Optou-se pelo globalismo e este precisa dum proletariado barato dispon\u00edvel e igual em todo o mundo. Neste sector social realiza-se a igualdade. O mercado de trabalho passa a ser regulado por grupos de interesses longe do povo. Com o tempo, na sapata da sociedade, quem trabalha \u00e9 burro. Os vencimentos de certas elites tornaram-se num grito de guerra para quem os alimenta. <strong>O Estado paternalista tem o seu pre\u00e7o. Produz oportunistas e pobres. O globalismo produz pobres envergonhados e ricos desavergonhados.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os Estados, expurgados dos seus valores culturais espec\u00edficos, sem valores interiores e sem capacidade de regulamenta\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, encontram-se a caminho da bancarrota.<\/strong> As na\u00e7\u00f5es, na sua concorr\u00eancia entre si, agarram-se aos super-ricos e multiplicam-nos. Os pol\u00edticos e as ideologias tornaram-se dependentes e s\u00f3sias das grandes multinacionais e do turbo-capitalismo. O Estado delega na classe m\u00e9dia activa a tarefa de aguentar com os encargos sociais a pagar a uma classe prec\u00e1ria cada vez maior. A pol\u00edtica, para manter o precariado calmo e silencioso d\u00e1-lhe, como esmola, o que tira, a mais, \u00e0 classe m\u00e9dia. As ideologias pol\u00edticas arrimam-se ao Turbo-capitalismo n\u00e3o havendo, de momento nenhuma for\u00e7ar capaz de defender os interesses da calasse m\u00e9dia respons\u00e1vel e de valorizar as potencialidades dum precariado travado.<\/p>\n<p>A insatisfa\u00e7\u00e3o social revela-se na absten\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es ou no abandono dos partidos tradicionalmente portadores das suas esperan\u00e7as. Espera-nos uma sociedade com muitos partidos em parlamentos ainda mais incapazes.<\/p>\n<p>Tal como na bolsa se joga, irresponsavelmente, com o valor dinheiro, assim jogam os Governos com a produtividade dos seus s\u00fabditos. Adiam a derrocada sacrificando a classe m\u00e9dia aos deserdados sociais. <strong>A imoralidade da \u201cfina-flor\u201d \u00e9 de tal modo absorvente que s\u00f3 suporta uma sociedade h\u00famus que a alimente. O embondeiro n\u00e3o suporta arbustos debaixo dele; chega-lhe a erva\u2026<\/strong><\/p>\n<p>A sociedade que sustentamos e em que vivemos \u00e9 altamente hip\u00f3crita e irrespons\u00e1vel. A ideologia materialista e racionalista, em voga, conduz a uma atitude utilitarista e individualista. O problema \u00e9 que de um Estado social passamos a uma forma de estado paternalista que abandonou a sua miss\u00e3o de mediador. O princ\u00edpio da responsabilidade individual e institucional deixou de ter valor. As na\u00e7\u00f5es encontram-se \u00e0 chuva porque destru\u00edram o seu tecto metaf\u00edsico. J\u00e1 Boethius reconhecia que quanto mais um ser racional orienta a sua raz\u00e3o em direc\u00e7\u00e3o a Deus mais livre \u00e9 e quanto mais a raz\u00e3o se orienta no sentido descendente e baixa, na direc\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, menos livre se torna.<\/p>\n<p>O s\u00e9culo passado atingiu o z\u00e9nite duma \u00e9poca dial\u00e9ctica em que o materialismo e o racionalismo se tornaram o \u00f3pio do Estado e do cidad\u00e3o. O s\u00e9culo XXI sair\u00e1 da sua crise no sentido dum humanismo crist\u00e3o que supere a dial\u00e9ctica mecanicista e o di\u00e1logo de sujeito objecto no sentido duma nova consci\u00eancia integral orientada por uma matriz do tri\u00e1logo pessoal numa rela\u00e7\u00e3o eu-tu-n\u00f3s segundo o paradigma da trindade e da teoria da Informa\u00e7\u00e3o da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o somos fruto do destino mas criadores de destino.<\/strong> O destino \u00e9 pr\u00f3prio do reino material mec\u00e2nico (ci\u00eancia). No reino espiritual j\u00e1 n\u00e3o domina o destino mas o sentido da rela\u00e7\u00e3o pessoal providencial. Tudo est\u00e1, com a divindade, nas nossas m\u00e3os. O mesmo Boetius dizia:\u201d Donde vem o mal se h\u00e1 Deus? Mas donde vem o bem, se n\u00e3o O h\u00e1?\u201d<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p><a href=\"..\/\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Paternalismo Estatal revela-se contra o Povo e contra a Na\u00e7\u00e3o Ant\u00f3nio Justo Um amigo mandou-me a cita\u00e7\u00e3o seguinte, acrescentando-lhe o seu testemunho. &#8220;\u00c9 imposs\u00edvel levar o pobre \u00e0 prosperidade atrav\u00e9s de legisla\u00e7\u00f5es que punem os ricos pela prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. 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