{"id":1577,"date":"2010-06-24T09:34:00","date_gmt":"2010-06-24T08:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1577"},"modified":"2010-06-24T09:34:00","modified_gmt":"2010-06-24T08:34:00","slug":"a-praga-da-divida-publica-ameaca-os-estados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1577","title":{"rendered":"A PRAGA DA D\u00cdVIDA P\u00daBLICA AMEA\u00c7A OS ESTADOS"},"content":{"rendered":"<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong> Uma Compara\u00e7\u00e3o entre a Alemanha e Portugal<\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p><strong> Situa\u00e7\u00e3o na Alemanha<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A d\u00edvida do estado Alem\u00e3o \u00e9 de 1.716.987 milh\u00f5es de euros. Devido aos juros, a d\u00edvida aumenta 4.481 \u20ac por segundo. A cada um dos cidad\u00e3os alem\u00e3es corresponde uma d\u00edvida de 21.003 \u20ac. E isto num estado com uma economia forte!&#8230;<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O Estado n\u00e3o tem reserva. A poupan\u00e7a do Estado n\u00e3o chega sequer para amortizar os juros.<\/p>\n<p>Na Alemanha, at\u00e9 hoje s\u00f3 o chanceler Konrad Adenauer (1949-57) conseguiu uma reserva de poupan\u00e7a de 4.000 milh\u00f5es \u20ac.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O endividamento da Alemanha ainda merece um certo desconto. O pre\u00e7o da Uni\u00e3o da Alemanha com as transfer\u00eancias anuais de milhares de milh\u00f5es de euros da Alemanha ocidental para a Alemanha socialista (antiga DDR) \u00e9 horrendo. Al\u00e9m disso, segundo as estat\u00edsticas, um ter\u00e7o do que os alem\u00e3es produzem, num ano, s\u00e3o gastos com o estado social (assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, desemprego, etc.).<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Na Alemanha o governo seguia a regra de que as novas d\u00edvidas a fazer de ano para ano n\u00e3o podiam ultrapassar os investimentos que o Estado faz. Tem orientado o endividamento ao crescimento do PIB. Entretanto o Tribunal Constitucional alem\u00e3o exigiu um trav\u00e3o para o endividamento. Como consequ\u00eancia do trav\u00e3o das d\u00edvidas imposto pela Constitui\u00e7\u00e3o, os Governos ter\u00e3o de cumprir o determinado a partir de 2011, isto \u00e9, com o tempo, ter\u00e3o de se safar sem recorrer a cr\u00e9ditos. A Alemanha federal ter\u00e1 de reduzir at\u00e9 2016, as d\u00edvidas novas, a um m\u00e1ximo de 0,35% do PIB.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A seguir-se a l\u00f3gica da pr\u00e1tica governativa, at\u00e9 agora, isto significar\u00e1s que, a longo prazo, os governos aumentar\u00e3o os impostos para contrabalan\u00e7arem o trav\u00e3o das d\u00edvidas. Em vez disso seria necess\u00e1rio um Estado mais magro e pol\u00edticos menos gulosos!<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Por outro lado a situa\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 mesmo m\u00e1: a d\u00edvida externa total no mundo \u00e9 de 98% do PIB mundial. Isto imprime, no comportamento dos pa\u00edses, uma din\u00e2mica de endividamento e de infla\u00e7\u00e3o crescente.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong> Situa\u00e7\u00e3o em Portugal<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A d\u00edvida p\u00fablica do Estado portugu\u00eas cresce assustadoramente passando de 125,9 mil milh\u00f5es \u20ac em 2009 para 142,9 mil milh\u00f5es \u20ac em 2010 (isto \u00e9, para 85,4% do produto interno bruto).<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O endividamento privado da economia portuguesa atingiu 115% do PIB em 2009. As pessoas e empresas privadas endividam-se perante os bancos nacionais e os bancos nacionais endividam-se perante os bancos estrangeiros. As na\u00e7\u00f5es dos bancos credores, como no caso da Alemanha, v\u00eaem-se obrigadas a apoiar as na\u00e7\u00f5es \u00e0 beira da fal\u00eancia para que estas possam amortizar as d\u00edvidas dos seus bancos e assim impedir que a insolv\u00eancia destes atinjam os seus. <strong>Quando as d\u00edvidas privadas e do Estado se efectuam na circula\u00e7\u00e3o interna do pa\u00eds, a situada n\u00e3o \u00e9 muito m\u00e1; o problema surge no momento em que as d\u00edvidas s\u00e3o contra\u00eddas no estrangeiro.<\/strong> Neste caso vale a l\u00f3gica da economia privada. Por isso, a compara\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses com d\u00edvidas carece de objectividade linear e conduz ao erro. As d\u00edvidas do Estado reprimem os investimentos privados. Segundo se pode verificar no diagrama do NY Times ( http:\/\/www.nytimes.com\/interactive\/2010\/05\/02\/weekinreview\/02marsh.html ) os empr\u00e9stimos\/dividas s\u00e3o maioritariamente intra-europeus. O mal est\u00e1 para os pa\u00edses que t\u00eam de recorrer a cr\u00e9dito internacional. Para a EU (Uni\u00e3o Europeia) o problema n\u00e3o \u00e9 grande porque o proveito fica nela (nos pa\u00edses credores).<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>No que respeita ao PIB per capita com poder de compra, como refere o DN, numa escala dos pa\u00edses, a m\u00e9dia europeia situa-se no \u00edndice 100; o Luxemburgo atinge o \u00edndice 268, a Alemanha 116, a Gr\u00e9cia 95, Portugal 78 e em situa\u00e7\u00e3o pior que Portugal temos apenas os 8 pa\u00edses europeus do antigo bloco socialista.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Privadamente os portugueses encontram-se super-endividados tal como o Estado. Os portugueses t\u00eam investido em produtos consumistas e o Estado tem seguido uma pol\u00edtica aleat\u00f3ria de investimentos em projectos de prest\u00edgio n\u00e3o produtivos. As pol\u00edticas em curso s\u00e3o insuficientes e contra-produtivas porque sobrecarregam o consumidor e as pequenas e m\u00e9dias empresas. Portugal permanece incorrig\u00edvel e os governos s\u00e3o irrespons\u00e1veis e n\u00e3o t\u00eam compet\u00eancia para governar um pa\u00eds que apesar da sua posi\u00e7\u00e3o marginal tem grandes potencialidades que continuar\u00e3o a ser desaproveitadas.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Na Europa, os impostos directos e indirectos s\u00e3o de tal ordem elevados que, feitas bem as contas, 75% do que uma pessoa ganha fica para o Estado.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>De ano para ano os Governos recorrem a empr\u00e9stimos servindo-se deles para descontar parte dos juros dos cr\u00e9ditos anteriores. A montanha das d\u00edvidas cresce continuamente sem haver amortiza\u00e7\u00e3o mesmo nos anos das vacas gordas. Combate-se a crise das d\u00edvidas com novas d\u00edvidas. J\u00e1 ningu\u00e9m conta com a possibilidade de as pagar. Um princ\u00edpio financeiro diz que as d\u00edvidas de hoje s\u00e3o os impostos de amanh\u00e3. O Estado financia-se atrav\u00e9s de impostos e de d\u00edvidas. O endividamento adia a carga para o futuro devido aos juros e amortiza\u00e7\u00f5es a saldar.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Em cada or\u00e7amento de fam\u00edlia as despesas n\u00e3o devem superar as entradas. Os governos contam com a fal\u00eancia fazendo valer uma pol\u00edtica partid\u00e1ria apenas interessada em adiar a cat\u00e1strofe! Para dan\u00e7arinos do poder o stress da d\u00edvida conduz a irracionalidades mas n\u00e3o a ins\u00f3nias.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Uma dona de casa que se comportasse no governo da casa como os governos se comportam com o or\u00e7amento do Estado, j\u00e1 h\u00e1 muito estaria sujeita ao esc\u00e1rnio dos vizinhos, n\u00e3o teria fiadores e encontrar-se-ia em apuros com a justi\u00e7a. Os pol\u00edticos exploram o estado como se este fosse rico; permitem-se mordomias, carros de servi\u00e7o de luxo, fun\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias em conselhos ficais de bancos, de empresas, contribuindo assim para a corrup\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o se preocupam com o futuro dos outros, com o futuro da civiliza\u00e7\u00e3o. A bancarrota e a guerra s\u00e3o as solu\u00e7\u00f5es conhecidas do passado. As elites n\u00e3o se preocupam porque sabem que as fal\u00eancias e a guerra s\u00e3o pagas pelos trabalhadores e pelos soldados rasos. Os que provocam as insolv\u00eancias safam-se a tempo!<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O Estado e os seus pol\u00edticos s\u00e3o esbanjadores vivendo em coniv\u00eancia com os poderosos. Apesar do momento crucial em que nos encontramos d\u00e3o-se, descaradamente, ao luxo de aumentar os seus ordenados! <strong>Poupam naqueles que n\u00e3o se podem defender<\/strong>. <strong>Com o tempo n\u00e3o restar\u00e1 ao povo outra op\u00e7\u00e3o sen\u00e3o sair para a rua em defesa da justi\u00e7a e da democracia.<\/strong> Infelizmente a lei da vida parece dar raz\u00e3o aos que fazem uso da viol\u00eancia e da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>O pre\u00e7o da fal\u00eancia dos bancos foi a credibilidade da pol\u00edtica, o pre\u00e7o da crise dos estados ser\u00e1 a democracia.<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p>antoniocunhajustp@googlemail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma Compara\u00e7\u00e3o entre a Alemanha e Portugal Ant\u00f3nio Justo Situa\u00e7\u00e3o na Alemanha A d\u00edvida do estado Alem\u00e3o \u00e9 de 1.716.987 milh\u00f5es de euros. 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