{"id":1554,"date":"2010-05-27T10:43:23","date_gmt":"2010-05-27T09:43:23","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1554"},"modified":"2010-08-18T17:05:32","modified_gmt":"2010-08-18T16:05:32","slug":"da-republica-a-partidocracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1554","title":{"rendered":"DA REP\u00daBLICA \u00c0 PARTIDOCRACIA"},"content":{"rendered":"<p><strong> OS DAN\u00c7ARINOS DO PODER E AS REP\u00daBLICAS <br \/>\n <\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p>A Rep\u00fablica encontra-se muito d\u00e9bil. Temos assistido \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o em produto \u201crepublicano\u201d atrav\u00e9s da retorta do partido. A falta de conceitos pr\u00f3prios, de her\u00f3is e de personalidades de consci\u00eancia nacional, impediu a concretiza\u00e7\u00e3o de modelos v\u00e1lidos e uma atitude de autoconfian\u00e7a. A exist\u00eancia duma Constitui\u00e7\u00e3o de cunho ideol\u00f3gico e dum Tribunal Constitucional demasiado dependente do governo e indiferente \u00e0 coisa p\u00fablica, s\u00e3o sintomas duma sociedade portuguesa distra\u00edda e dividida. Por tudo isto, <strong>nem a Constitui\u00e7\u00e3o portuguesa nem o Tribunal Constitucional se encontram presentes na consci\u00eancia do povo,<\/strong> apesar das irregularidades governamentais. Falta-lhes a autoridade moral para se imporem, tamb\u00e9m porque a Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficientemente forte e coerente para possibilitar exames de conformidade constitucional sob crit\u00e9rios baseados num Estado de Direito provado.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>A Rep\u00fablica n\u00e3o produziu modelos de identifica\u00e7\u00e3o<\/strong>; quando muito produziu catalizadores de projec\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gico-partid\u00e1ria sem capacidade para equacionar valores integrais. A crise vem p\u00f4r a descoberto a sua fragilidade.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 crassa a diferen\u00e7a entre a Rep\u00fablica alem\u00e3 e a Rep\u00fablica portuguesa. Uma compara\u00e7\u00e3o entre as duas, a n\u00edvel de constitui\u00e7\u00e3o, tribunal constitucional e de telejornal leva \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de duas formas de estar de qualidade diferente (assunto importante para doutorandos e estrategas pol\u00edticos). <strong>O Tribunal Constitucional portugu\u00eas subserve, pelo menos tacitamente, o governo e a burocracia. N\u00e3o se conseguiu afirmar no controlo da aplica\u00e7\u00e3o do direito<\/strong>, nem se afirma na defesa da soberania nacional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, ao contr\u00e1rio do que acontece no Trib. Const. Alem\u00e3o que n\u00e3o aceita tudo o que o governo faz e, com certa regularidade, obriga o Parlamento e o Governo a elaborar\/revogar leis em defesa da justi\u00e7a social. Quanto \u00e0 compara\u00e7\u00e3o dos telejornais, o fio condutor da TV portuguesa \u00e9 emocional. Portugal deixa-se conduzir pelos sentimentos e por isso fomenta pol\u00edtica emocional e teatral. <strong>Um povo, cultural e civilmente desconfigurado, d\u00e1 origem a uma rep\u00fablica de formato partid\u00e1rio. <\/strong>Esta realidade exige uma reforma radical do indiv\u00edduo e da sociedade.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Com o golpe-de-estado de Abril de 1974, Portugal retomou a democracia ajustando o processo hist\u00f3rico portugu\u00eas ao tempo. Ao mesmo tempo, perdeu definitivamente a vis\u00e3o de Na\u00e7\u00e3o real presente no mundo. Cedeu as suas zonas de influ\u00eancia hist\u00f3rica ao bloco sovi\u00e9tico, abdicando assim da sua voca\u00e7\u00e3o atl\u00e2ntica e correspondente poder estrat\u00e9gico. As raz\u00f5es estrat\u00e9gicas e os interesses, que tinham determinado a perten\u00e7a de Portugal e da Turquia \u00e0 NATO, deixam de ser trunfo para Portugal. A sua orienta\u00e7\u00e3o exclusiva no sentido da Europa Central atrai\u00e7oa a sua voca\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica universalista. Esta op\u00e7\u00e3o, em termos hist\u00f3ricos, revela-se como retr\u00f3grada favorecendo um globalismo euroc\u00eantrico de cunho americano.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O longevo definhar da Na\u00e7\u00e3o, come\u00e7ado com o dom\u00ednio filipino e acentuado com o terramoto de Lisboa (1755) e as invas\u00f5es francesas, concretiza-se agora na redu\u00e7\u00e3o de Na\u00e7\u00e3o, de perigo chauvinista, a Estado alienado. A vontade nacional portadora da na\u00e7\u00e3o d\u00e1 lugar \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de interesses individuais, isto \u00e9, de grupos (uma revitaliza\u00e7\u00e3o elaborada das tend\u00eancias tribais na pol\u00edtica). Com a \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d, o s\u00edmbolo armilar da bandeira reduziu-se a uma recorda\u00e7\u00e3o e \u00e0 presen\u00e7a lus\u00f3fona e migrante no mundo, acompanhada de alguns foguetes de vista em institui\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O golpe militar, na forma como se deu, foi a sequ\u00eancia de ilus\u00f5es m\u00edopes na ced\u00eancia ao bloco de Leste, como a queda do socialismo real demonstrou. O andar da Hist\u00f3ria contradisse as apostas feitas. Contudo, a Hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 uma via de sentido \u00fanico e a pol\u00edtica pode seguir novas dimens\u00f5es.<strong> O que falta \u00e9 uma via que assuma a dimens\u00e3o do povo que n\u00e3o tem tido quem o descreva nem quem lhe d\u00ea express\u00e3o. <\/strong>A na\u00e7\u00e3o continua a ser um jardim infantil quando poderia j\u00e1 ser uma universidade.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o se pode acusar o 25 de Abril pelos erros hist\u00f3ricos que cometeu<\/strong> porque os seus actores apenas revitalizaram a miopia reinante, de h\u00e1 s\u00e9culos, que se reduz a uma pol\u00edtica do \u00e1men \u00e0s na\u00e7\u00f5es fortes da Europa num pioneirismo queque e ocasional ideol\u00f3gico de alguns, sem programa aferido. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa, a Inglaterra, embora continuando europeia, soube defender as suas rela\u00e7\u00f5es e interesses no Atl\u00e2ntico e no \u00cdndico. J\u00e1 <strong>a instaura\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica<\/strong>, embora correspondesse a uma acomoda\u00e7\u00e3o \u00e0 Hist\u00f3ria, passou \u00e0 margem do povo. Este associou, com raz\u00e3o, a rep\u00fablica \u00e0 ideia de desordem. A Rep\u00fablica e a Hist\u00f3ria persiste na continuidade de produzir pobres para alguns que vivem dos pobres e remediados. A rep\u00fablica implanta-se em 1910 em nome da crise e do descontentamento do povo. Em 1924 a revista \u201cSeara Nova\u201d expressava a opini\u00e3o popular nas palavras: \u201cS\u00f3 a ditadura nos pode salvar\u201d; em 1926 d\u00e1-se o golpe militar que instala a ditadura militar at\u00e9 1933, seguindo-se-lhe o Estado Novo (1933-1974). O golpe militar de 1974 restaura o regime democr\u00e1tico. D\u00e1-se assim um aferimento ao desenvolvimento dos povos avan\u00e7ados. A Hist\u00f3ria continua a ser feita de vencedores e dos que os suportam. Vista da perspectiva do Povo, a mis\u00e9ria permanece, s\u00f3 mudam e aumentam as moscas.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>O problema portugu\u00eas<\/strong> actual vem das elites e da mentalidade comum aliada \u00e0 perda da perspectiva atl\u00e2ntica, facto este que colocou Portugal na margem da Europa. Trata-se agora de acordarmos para n\u00f3s portugueses e para a realidade contextual, doutro modo, <strong>a continuar a l\u00f3gica da pol\u00edtica at\u00e9 agora seguida, acordaremos espanh\u00f3is.<\/strong> N\u00e3o podemos continuar com uma <strong>pol\u00edtica fogo de artif\u00edcio, nem com um centralismo<\/strong> fruto de complexos de inferioridade de pol\u00edticos que compensam a car\u00eancia da prov\u00edncia numa capital (metr\u00f3pole) de projectos de prest\u00edgio empolgado. <strong>A crise econ\u00f3mica e de sentido pode proporcionar uma reflex\u00e3o s\u00e9ria sobre a discrep\u00e2ncia entre a realidade de vida do povo e as esquisitices frentex duma pol\u00edtica para ingl\u00eas ver.<\/strong> As pot\u00eancias internacionais a que nos encostamos n\u00e3o oferecem garantia de futuro e s\u00e3o regidas, tamb\u00e9m elas, por for\u00e7as an\u00f3nimas, propensas a levar-nos \u00e0 cat\u00e1strofe ou, quando muito, a eternizar a realidade da Hist\u00f3ria que vive dum progressismo enganador, que mant\u00e9m, persistentemente, a rela\u00e7\u00e3o estanque e cont\u00ednua entre povo de situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e elite que desbarata as energias daquele. (O povo su\u00ed\u00e7o, apesar de tudo, mant\u00e9m a sua identidade.)<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>No tempo em que \u00e9ramos na\u00e7\u00e3o e povo sab\u00edamos aliar-nos \u00e0s for\u00e7as reais determinantes do desenvolvimento como foi o caso do aproveitamento dos cruzados, dos templ\u00e1rios, dos judeus e dos Fugger.<\/strong> Ent\u00e3o consegu\u00edamos sincronizar governa\u00e7\u00e3o com terra, povo e na\u00e7\u00e3o, numa perspectiva universal. Desde que trocamos os interesses da terra pelos da ideologia emanada por pot\u00eancias europeias, aceitamos ser confinados \u00e0 ideia de Estado passando a ser governados por estadistas \u00e0 imagem de feitores da fazenda nacional (Recordem-se os feitores portugueses dos senhores ingleses do vinho do Porto, destes ficou-nos a \u201chonra\u201d daqueles terem universalizado o nome do Vinho do Douro). <strong>A terra perde a for\u00e7a da gravita\u00e7\u00e3o, perde o valor; a realidade d\u00e1 lugar ao formal, ao s\u00edmbolo; o centro de gravita\u00e7\u00e3o passa a ser a ideologia.<\/strong> O sol da ideologia vem de fora, o que leva as consci\u00eancias \u00e0 inseguran\u00e7a e a circular fora do seu \u00e2mbito de ac\u00e7\u00e3o, fora da na\u00e7\u00e3o. Deixa-se a pr\u00f3pria iniciativa para se seguir o progresso dos outros, dos de fora. Compensa-se alguma desilus\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o com o fado, mas com o canto de alguma boa musa livresca c\u00e1 da terra.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>De aventureiros do real passamos a aventureiros do sonho e da ideologia (iluminismo apenas franc\u00eas e bloco sovi\u00e9tico). Do mar das \u00e1guas salgadas passamos para o mar das ideologias, insufladas por ideais estranhos. As \u00e1guas salgadas fomentaram o hero\u00edsmo, a individua\u00e7\u00e3o; as ondas da ideologia geram o acomodamento, a resigna\u00e7\u00e3o. Agora que as ideologias perdem a pr\u00f3pria dignidade e a legitima\u00e7\u00e3o da terra e da pessoa, somos governados por mercen\u00e1rios de interesses estrangeiros ainda n\u00e3o mastigados, sacrificando Na\u00e7\u00e3o e Povo a um internacionalismo barato. Povo e pol\u00edticos andam esfalfados de tanto correr. <strong>A pol\u00edtica corre atr\u00e1s do factual banal e o povo atr\u00e1s do telejornal.<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Os usufruidores do Sol de Abril necessitam j\u00e1 n\u00e3o de cr\u00edtica, mas de compaix\u00e3o porque o \u00fanico m\u00e9rito de que se podiam vangloriar legitimamente, e que constou da reposi\u00e7\u00e3o da democracia, est\u00e1 a ser rapidamente gasto. O sonho gerou uma democracia de oportunidade para o mais forte e uma partidocracia na continuidade da pol\u00edtica do s\u00e9c. XIX.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Os dan\u00e7arinos do poder, sem modelo de Estado reflectido, nem consci\u00eancia de povo, governam na sequ\u00eancia da velha tradi\u00e7\u00e3o feudal, um pouco atenuada, num elitismo de fachada, sem conte\u00fados s\u00e9rios de esquerda nem de direita.<\/strong> Antigamente viviam de honras, coutos e das herdades da na\u00e7\u00e3o; em tempos democr\u00e1ticos seguem o modelo mais popular de feitores de fazenda, feitores dum Estado sem rumo. A elite progrediu no nome, de Senhores passaram a feitores; o factor povo permanece imut\u00e1vel. Vive-se de projecto em projecto e do brio de os aplicar at\u00e9 antes do estrangeiro. Portugal frentex, de actores risonhos e de cabe\u00e7a erguida, sem povo, reduzido <strong>a Lisboa<\/strong>, longe da terra, n\u00e3o olha para tr\u00e1s, com lugar s\u00f3 para alfacinhas.<\/p>\n<p><strong> O Mal da Na\u00e7\u00e3o \u00e9 a sua Governa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>No poleiro da na\u00e7\u00e3o, de \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d em \u201crevolu\u00e7\u00e3o \u201d, <\/strong>os<strong> galos continuar\u00e3o a cantar sucessivamente a gasta can\u00e7\u00e3o<\/strong> contra o regime anterior, encobrindo a sua mis\u00e9ria ao povo e n\u00e3o dizendo porque este continua, como ent\u00e3o, na companhia das na\u00e7\u00f5es da cauda da Europa. Vive-se dum facilitismo de conte\u00fados abrilhantados por requintes administrativos caprichosos e da fulgur\u00e2ncia de rostos mascarados nas televis\u00f5es. H\u00e1 a ideia de que, para o proletariado, chega um pouco de futebol e de sexo (bem presente nas escolas aliada \u00e0 libertinagem) como se bastasse a Portugal tornar-se dia e noite num bordel.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A n\u00edvel interno, <strong>destru\u00edram-se as escolas profissionais<\/strong> e humilharam-se as pequenas e m\u00e9dias empresas em favor das multinacionais; a rudimentar agricultura que t\u00ednhamos foi destru\u00edda em favor das pot\u00eancias agr\u00e1rias europeias; as pescas tamb\u00e9m. As pequenas e m\u00e9dias empresas s\u00e3o regulamentadas de cima para baixo sem experi\u00eancia nem vis\u00e3o nacional. Pol\u00edticos tornam-se comparsas de secret\u00e1ria emanando projectos e projectos-lei, preparados por assessores, \u00e0 margem da realidade, contra a vontade dos empres\u00e1rios. <strong>Amigos do alheio julgam que um estado se p\u00f5e em ordem com leis de controlo empresarial, num Estado sem pol\u00edtica profissional nem empresarial.<\/strong> O mesmo se constata na pol\u00edtica de ensino.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A inveja e um esp\u00edrito rival tacanho, vis\u00edvel tamb\u00e9m a n\u00edvel de acad\u00e9micos e de administra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o reconhece a necessidade dum <strong>empresariado e dum operariado forte<\/strong> queixando-se at\u00e9 que n\u00e3o possuem o privil\u00e9gio destes, o privil\u00e9gio de poder fugir aos impostos; como se na fuga aos impostos estivesse a oportunidade da na\u00e7\u00e3o. <strong>N\u00e3o h\u00e1 colabora\u00e7\u00e3o e interc\u00e2mbio entre poder pol\u00edtico e empresarial; apenas a subjuga\u00e7\u00e3o ou uma rela\u00e7\u00e3o de cumplicidade com as empresas grandes que proporcionam tachos parasitas a pol\u00edticos e comparsas.<\/strong> Fora disto, cada qual que se safe. Na Alemanha as pequenas e m\u00e9dias empresas s\u00e3o apoiadas e respeitadas pelo Estado. <strong>Constato que empresas pequenas alem\u00e3s que empregam emigrantes portugueses os levam para Espanha, Ar\u00e1bia Saudita, It\u00e1lia, onde trabalham para elas. Portugal exporta pessoas \u00e0 deriva que outros aproveitam.<\/strong> Uma Universidade abstracta e n\u00e3o relacionada com empresas locais, produz bons t\u00e9cnicos te\u00f3ricos que depois se corrompem nas filas do desemprego ou se perdem nos meandros da emigra\u00e7\u00e3o. As remessas emigrantes superiores a um bilh\u00e3o e meio de Euros por ano n\u00e3o deveriam desobrigar a elite portuguesa de continuar a adiar Portugal.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>No centen\u00e1rio da Rep\u00fablica o \u00fanico facit poss\u00edvel seria: acabar com o nepotismo, com o esp\u00edrito capelinha e com a patidocracia para come\u00e7ar com uma rep\u00fablica nas m\u00e3os de pessoas com esp\u00edrito de povo e n\u00e3o de jacobinos seculares ou quejandas. Os festejos da Rep\u00fablica provar\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Portugal sobrevive na depend\u00eancia das remessas da Uni\u00e3o Europeia e de Emigra\u00e7\u00e3o, com boas estradas e uma tecnologia moderna da administra\u00e7\u00e3o do Estado, a troco da soberania e da pr\u00f3pria iniciativa na qualidade de pa\u00eds. N\u00e3o avan\u00e7a porque <strong>n\u00e3o tem ideia pr\u00f3pria de si e dos outros<\/strong>; abdica de pensar para se deixar levar por uma elite de esp\u00edrito parasita com mentalidade de <strong>feitores.<\/strong> De feitores de ideias e de interesses estrangeiros num pa\u00eds violado<strong>. <\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Um Portugal novo precisa<\/strong> duma nova gera\u00e7\u00e3o com uma mentalidade que rompa com a tradi\u00e7\u00e3o oportunista e com o nepotismo vaidoso em vigor. <strong>Portugal n\u00e3o pode continuar envelhecendo no piso da maratona, sempre a correr, a correr sempre e s\u00f3 atr\u00e1s do progresso.<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O sacrif\u00edcio dos portugueses tem-se repetido ciclicamente como as rep\u00fablicas e tem sido em v\u00e3o. S\u00f3 serve uma elite arrogante e persistente de sempre novos-ricos (na sequ\u00eancia dos antigos bar\u00f5es gerados \u00e0 custa dos bens roubados \u00e0 Igreja) que traduz mal as novidades do estrangeiro.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Um grande problema da sociedade portuguesa \u00e9 o facto de ser pequena e as suas elites se encontrarem aparentadas entre si continuando a tradi\u00e7\u00e3o da velha sobranceria dos de \u201csangue azul\u201d ou duma honra empolgada herdada dos mouros.<\/strong> O entrela\u00e7amento de interesses pol\u00edticos, econ\u00f3micos e culturais num parentesco elitista m\u00e9dio-superior impede a criatividade e a concorr\u00eancia, reduzindo a administra\u00e7\u00e3o e as empresas a lacaios da pol\u00edtica. Esta situa\u00e7\u00e3o d\u00e1 continuidade ao esp\u00edrito senhorial de feitores. A nossa elite progrediu de bar\u00f5es para novos-ricos superficiais que se contentam em boiar na onda internacional com uma democracia de Ant\u00f3nios, Jos\u00e9s e Maneis, \u00e0 imagem das telenovelas: uma democracia prolet\u00e1ria \u201cprogressista\u201d que acabou tamb\u00e9m com o rosto individual do nome de fam\u00edlia. Este reserva-se aos doutores e \u00e0s vedetas de casa.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Encontramo-nos num sistema de esp\u00edrito golpista que s\u00f3 conhece o Estado e, por falta de ideias pr\u00f3prias, aposta na confus\u00e3o. Tudo vem de cima como se constata numa mentalidade de vaca leiteira pol\u00edtica, econ\u00f3mica e cultural. <strong>O tecto metaf\u00edsico do Estado \u00e9 constitu\u00eddo por uma perspectiva superior de bocas direccionadas para as tetas da vaca leiteira.<\/strong> Os mam\u00f5es encontram-se conectados ao Estado, o resto \u00e9 vaca (Povo) a pastar na relva (Na\u00e7\u00e3o). A moral \u00e9 o leite pasteurizado, j\u00e1 t\u00e3o avan\u00e7ado e espiritualizado que n\u00e3o deixa reconhecer o esp\u00edrito da teta. A crise do sistema acentua-se porque j\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 as elites mamam o povo como tamb\u00e9m parte do povo j\u00e1 se ajeita a seguir o exemplo dos grandes, querendo para ele um Estado vaca tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Portugal tem uma face moderna, \u00e0 frente na moda; apraz-se nos seus peritos, aceita tudo o que vem de fora porque n\u00e3o tem nada para guardar ou defender. <strong>A elite pol\u00edtica esfor\u00e7a-se apenas por jogar na liga internacional.<\/strong> O povo educado para a ingenuidade deixa-se levar pelos espertos e j\u00e1 se sente contente em poder assistir ao jogo nas bancadas. Aposta no internacionalismo e nos da gala internacional participando em <strong>objectos de prest\u00edgio<\/strong> ou em projectos estranhos como o Afeganist\u00e3o destinado \u00e0 derrota, e na compra de armamento estrat\u00e9gico como se tiv\u00e9ssemos algo portugu\u00eas a defender e o povo fosse rico. As nossas \u00e1guas foram entregues \u00e0s frotas dos vizinhos, <strong>a agricultura aos franceses<\/strong>, o com\u00e9rcio aos chineses e a ind\u00fastria \u00e0s internacionais; tudo isto sem compensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>A elite atrai\u00e7oou a sua alma atl\u00e2ntica de portugal para seguir os ventos de Leste e depois encostar-se \u00e0 Europa central, esqueceu-se da Am\u00e9rica Latina, da \u00c1sia e da \u00c1frica e com isto abandonou o futuro.<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O Estado, na falta duma pol\u00edtica lusa, refugia-se agora na vaidade das grandezas da l\u00edngua e na figura que alguns portugueses fazem pelo mundo. Gloria-se por ser pioneiro na aplica\u00e7\u00e3o das <strong>tecnologias na administra\u00e7\u00e3o estatal<\/strong> (que favorece ainda mais o centralismo hegem\u00f3nico) como se a na\u00e7\u00e3o fosse apenas constitu\u00edda pela sua administra\u00e7\u00e3o. <strong>A partidocracia com os seus bar\u00f5es e os seus \u201cboys\u201d serve-se, n\u00e3o fomenta a consci\u00eancia de cidadania. Basta-lhe apoiantes, coladores de cartazes e os ardinas da pol\u00edtica e do Estado.<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>At\u00e9 gente bem formada repete, como o papagaio, os refr\u00e3es de Abril sem base nem capacidade cr\u00edtica. A maioria vive do ouviu dizer, do \u201cest\u00e1 escrito\u201d ou do \u201ctem que ser\u201d.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A pobreza obriga. Trabalha durante a semana na perspectiva do \u201cDomingo\u201d. N\u00e3o h\u00e1 reflex\u00e3o nem consci\u00eancia de na\u00e7\u00e3o. Vive do dia a dia. N\u00e3o nota a destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do ensino e da fam\u00edlia; sem bases anal\u00edticas, n\u00e3o suporta modelos nem exemplos, vive da ideologia com seus santos. Pensa-se que no estrangeiro, para se viver, basta abanar a \u00e1rvore das patacas. O irrealismo das nossas elites e o seu distanciamento do povo verifica-se tamb\u00e9m nas discrep\u00e2ncias de sal\u00e1rios e nos vencimentos que as elites exigem para os seus servi\u00e7os, muitas vezes superiores aos do estrangeiro. Cobertos pelos mantos da pol\u00edtica e das ordens (advogados, m\u00e9dicos e alguma \u201cconfraria\u201d) constituem guetos desintegrados da Rep\u00fablica.<strong> <\/strong><strong>Falta a coes\u00e3o social e pol\u00edtica.<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>Exploram as pequenas e m\u00e9dias empresas sem lhes deixar possibilidades de fundo de meneio para inovar e investir. Uma mentalidade de honra empolgada em bachar\u00e9is, professores, mestres e doutores n\u00e3o suporta a honra do trabalho manual. A ilegalidade torna-se para o trabalhador numa necessidade e na procura desesperada da honra numa na\u00e7\u00e3o violada.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Na realidade, tal como \u00e0 superf\u00edcie do mar, nas ondas, assistimos a duas for\u00e7as aparentemente contr\u00e1rias: coes\u00e3o e dispers\u00e3o das quais surge harmonia e vida como podemos verificar na praia. O problema da harmonia social est\u00e1 na dispers\u00e3o sem uma for\u00e7a coesiva integradora e numa matriz de pensamento tamb\u00e9m ele de car\u00e1cter polar (Divide para definir, divide e impera). Falta a vis\u00e3o da perspectiva do profundo que reconhece todo o movimento, todo o desejo como complementar. Na falta desta consci\u00eancia dominam as for\u00e7as contradit\u00f3rias repetitivas de afirma\u00e7\u00e3o\/nega\u00e7\u00e3o \u00e0 custa do pr\u00f3ximo. \u00c1gua re\u00fane for\u00e7a e fraqueza numa uni\u00e3o integral que reconhece conex\u00f5es e integra toda a realidade; o mesmo se deveria dar dentro dum povo e entre todos os povos. A realidade da superf\u00edcie supera-se na experi\u00eancia da profundidade comum a tudo. N\u00e3o chegam as for\u00e7as (horizontais) bipolares do di\u00e1logo mas sim a realidade bipolar da rela\u00e7\u00e3o eu \u2013 tu integrada na dimens\u00e3o do n\u00f3s (todo integral). A matriz pol\u00edtico-social e de pensamento que orientou a Hist\u00f3ria das na\u00e7\u00f5es e dos povos n\u00e3o tem respeitado o princ\u00edpio da coes\u00e3o. Para a ultrapassar ter\u00edamos de passar da matriz bipolar da dimens\u00e3o do di\u00e1logo Eu \u2013 tu (ego\u00edsmo &#8211; altru\u00edsmo), para a matriz integradora do terceiro elemento, a dimens\u00e3o complementar do tri\u00e1logo eu-tu-n\u00f3s. A filosofia subjacente ao partido (n\u00e3o inteiro), apesar da nova consci\u00eancia subjacente \u00e0 f\u00edsica qu\u00e2ntica e \u00e0 Trindade, continua a basear-se na for\u00e7a dispersiva, na auto-afirma\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a um tu tornado objecto.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OS DAN\u00c7ARINOS DO PODER E AS REP\u00daBLICAS Ant\u00f3nio Justo A Rep\u00fablica encontra-se muito d\u00e9bil. Temos assistido \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o em produto \u201crepublicano\u201d atrav\u00e9s da retorta do partido. A falta de conceitos pr\u00f3prios, de her\u00f3is e de personalidades de consci\u00eancia nacional, impediu a concretiza\u00e7\u00e3o de modelos v\u00e1lidos e uma atitude de autoconfian\u00e7a. A exist\u00eancia duma &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1554\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">DA REP\u00daBLICA \u00c0 PARTIDOCRACIA<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[4,5,7],"tags":[],"class_list":["post-1554","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao","category-escola","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1554","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1554"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1554\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1585,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1554\/revisions\/1585"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1554"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1554"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1554"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}