{"id":1552,"date":"2010-05-20T11:05:22","date_gmt":"2010-05-20T10:05:22","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1552"},"modified":"2010-05-20T11:05:22","modified_gmt":"2010-05-20T10:05:22","slug":"poder-entre-legitimacao-e-deslegitimacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1552","title":{"rendered":"PODER ENTRE LEGITIMA\u00c7\u00c3O E DESLEGITIMA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong> O PODER E O DINHEIRO CORROMPEM<\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p>A crise do sistema financeiro e pol\u00edtico chegou ao rubro. A desconfian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es e a desilus\u00e3o acerca da ordem estabelecida conduz \u00e0 nostalgia duma ordem ideal.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A normalidade do dia a dia manifesta-se num jogo de for\u00e7as entre pot\u00eancia e fraqueza de grupos e de indiv\u00edduos; poder, viol\u00eancia, resist\u00eancia e in\u00e9rcia s\u00e3o os seus acompanhantes circunstanciais naturais. A normalidade do poder parece dar lugar \u00e0 normalidade da viol\u00eancia.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Segundo Max Weber \u201c poder significa a chance de impor a pr\u00f3pria vontade tamb\u00e9m contra resistentes, dentro duma rela\u00e7\u00e3o social\u201d.<\/strong> O poder estende-se do Estado \u00e0 fam\u00edlia, da posi\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica \u00e0 posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, social ou psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A inseguran\u00e7a estrutural em que nos encontramos torna-nos mais conscientes para a nossa situa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia. A vontade quer-nos a caminho, a caminho do Sol, contra a rotina do dia a dia, \u00e0 semelhan\u00e7a do tub\u00e9rculo que estende o bot\u00e3o na procura da luz do Sol. Toda a natureza se encontra irmanada, a caminho, na consci\u00eancia de que quem para morre, tal como a \u00e1gua que para apodrece, reduzindo-se a h\u00famus para os outros. Trata-se de andar, por vezes, de seguir o impulso do movimento, como o Hamster na sua roda. <strong>\u201cTudo fl\u00fai\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Poder \u00e9 a for\u00e7a do embri\u00e3o que, na sua vontade de encontrar o sol, move o que lhe oferece resist\u00eancia, do caminho. Poder participa da realidade \u2018instintiva\u2019 do embri\u00e3o na procura do ch\u00e3o atrav\u00e9s da gravidade e no erguer do tronco na procura do Sol. Na defini\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade est\u00e1 a vontade de Sol, de saber, de verdade, de sexualidade, de transcend\u00eancia. N\u00e3o s\u00f3 \u00e9 tend\u00eancia e desloca\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m sentido. O ambiente oferece-lhe resist\u00eancia o que o obriga a uma certa viol\u00eancia e a entrar numa rela\u00e7\u00e3o interactiva. <strong>A vontade do poder est\u00e1 impl\u00edcita no desejo da pr\u00f3pria vantagem (realiza\u00e7\u00e3o), da subsist\u00eancia.<\/strong> Pot\u00eancia e impot\u00eancia andam juntos.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Contra a in\u00e9rcia, contra a entropia surge uma vontade consciente ou inconsciente que resiste \u00e0 apatia\/letargia e desencadeia tamb\u00e9m o agir do outro. <strong>A cultura, os estados, a fam\u00edlia surgiram de vontades contra o clima, contra o ambiente, contra a resigna\u00e7\u00e3o individual\u2026<\/strong> As rela\u00e7\u00f5es de poder institucionalizam-se e expressam-se em diferentes modelos de ordens sociais ao longo dos tempos (chefes de tribo, reis, presidentes, imperadores, papas). Cada conglomerado social, com os seus bi\u00f3topos naturais, elabora as suas normas mais ou menos elementares que possibilitam uma rela\u00e7\u00e3o normal e habitual, com maior ou menor toler\u00e2ncia e capacidade para a iniciativa individual\/grupal numa tend\u00eancia de identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Cada \u00e9poca tem a sua cor local e a sua express\u00e3o de poder<strong> <\/strong>que condiciona as consci\u00eancias individuais, seus anseios, satisfa\u00e7\u00f5es e insatisfa\u00e7\u00f5es. Cada pessoa nasce numa situa\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o com autoridades, leis, costumes, opini\u00e3o p\u00fablica, ideais circundantes, procurando orientar-se e afirmar-se nela e atrav\u00e9s dela. Vive embebida na norma que o h\u00e1bito torna normal e evidente num determinado espa\u00e7o e tempo (bi\u00f3topo). <strong>Adapta-se a esta pris\u00e3o de mimetismo, do habitual\/moda, justificando-a inconscientemente com a necessidade de justificar a sua exist\u00eancia atrav\u00e9s dum olhar cr\u00edtico, pela janela do passado ou do futuro.<\/strong> Uma vontade de ser e aparecer afirma-se tamb\u00e9m contra o caos, contra a in\u00e9rcia do habitual no sentido aparentemente \u201cfuturo\u201d, dado pela resist\u00eancia a tradi\u00e7\u00f5es ou a novos valores.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A rotina poupa-nos for\u00e7a; \u00e9 como que o ponto morto entre inspira\u00e7\u00e3o e expira\u00e7\u00e3o. Nesse ponto se descansa mas apenas para ganhar for\u00e7as para uma nova caminhada. Tudo tem um ritmo com uma orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o expl\u00edcita. As normas e as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o as saias da m\u00e3e a que o beb\u00e9 se agarra para se erguer. Por sua vez, a tend\u00eancia do erguer-se legitima o portador das saias ao exerc\u00edcio da autoridade e at\u00e9 ao abuso do poder contra aquele que as n\u00e3o deixa ou se contenta em continuar gatinhando. No caos dos elementos est\u00e1 presente uma tend\u00eancia ordeira que possibilita a conviv\u00eancia dos indiv\u00edduos no respeito m\u00fatuo e pressup\u00f5e uma ordem de espiral ascendente. Naturalmente que o desenvolvimento no sentido duma estrutura superior subentende um novo momento de repouso, de <strong>caos que possibilita a revolu\u00e7\u00e3o<\/strong> de alguns contra a normalidade.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O exagero do poder institucionalizado, a sua viol\u00eancia, cria, por sua vez, potencialidades e fomenta a capacidade criativa nos indiv\u00edduos, num movimento espiral ascendente de ac\u00e7\u00e3o-reac\u00e7\u00e3o-ac\u00e7\u00e3o. A actividade da liberdade, que pressup\u00f5e a capacidade de dizer sim e de dizer n\u00e3o, \u00e9 naturalmente condicionada pela forma\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o. A capacidade de reflectir e de descobrir a normalidade distingue-nos do mundo animal e vegetal que permanece encerrado no ciclo vital, num repetir cont\u00ednuo \u00e0 maneira das esta\u00e7\u00f5es do ano. Os nossos h\u00e1bitos s\u00e3o formados na geografia das estruturas institucionais e no tempo das express\u00f5es sociais. O Sol permanece sempre o mesmo, a terra e o tempo tamb\u00e9m, o que se muda sociol\u00f3gica e individualmente s\u00e3o as esta\u00e7\u00f5es e n\u00f3s com elas, em cont\u00ednuo fluir. A rotina do poder e o poder da rotina s\u00e3o apenas condicionadores rec\u00edprocos possibilitadores de ciclones e anticiclones, de Ver\u00e3o e de Inverno. A regularidade das esta\u00e7\u00f5es traz com elas o elemento revolucion\u00e1rio, apenas moment\u00e2neo na prepara\u00e7\u00e3o da pr\u00f3xima esta\u00e7\u00e3o. (Os revolucion\u00e1rios que tivemos at\u00e9 hoje, com a excep\u00e7\u00e3o do Mestre da Galileia n\u00e3o passaram de \u00e1rvores de folha caduca que se alimentaram do humos da car\u00eancia e da ignor\u00e2ncia do pr\u00f3ximo.)<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Temos o pretensiosismo de contradizer o Inverno com se o progresso n\u00e3o fosse apenas o passado visto da perspectiva dum outro momento (esta\u00e7\u00e3o),<\/strong> em diferido. Todos n\u00f3s procuramos seguran\u00e7a e orienta\u00e7\u00e3o (ordem social) uns olhando mais para o retrovisor e outros fixando-se mais no sentido do p\u00e1ra-brisas, n\u00e3o notando por\u00e9m o que se encontra para l\u00e1 do retrovisor e do p\u00e1ra-brisas. <strong>Vivemos da luta contra a vontade alienadora do passado ou contra a vontade alienante do futuro<\/strong> tornando-nos assim incapacitados para reconhecer a realidade para al\u00e9m da perspectiva do m\u00f3vel; sim porque a realidade \u00e9 aperspectiva. Abdicamos da capacidade de nos transformar transformando e fixamo-nos apenas numa din\u00e2mica do poder do passado e do poder do futuro numa linha de tempo linear ou c\u00edclico.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Uma identidade aberta que transcenda os condicionantes rotineiros, pode abrir uma brecha na rotina atrav\u00e9s da reflex\u00e3o ou de contradi\u00e7\u00e3o, uma brecha para l\u00e1 do retrovisor e do p\u00e1ra-brisas que conduza a uma nova identidade na complementaridade.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 natural que as diferentes estruturas de personalidades (\u2018boas\/m\u00e1s\u2019) e a sua reac\u00e7\u00e3o em diferentes situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o moralmente determin\u00e1veis, a n\u00edvel cient\u00edfico; de facto personalidades mais positivas podem reagir como as mais negativas; h\u00e1 momentos de disson\u00e2ncia em toda a pessoa (\u201cpecado original\u201d). \u00c9 dif\u00edcil ter-se uma imagem realista das condi\u00e7\u00f5es de origem do bem e do mal. Daqui a dificuldade da adequa\u00e7\u00e3o de castigo e a quest\u00e3o da liberdade ou determinismo de comportamentos e a consequente dificuldade de julgar. <strong>O Homem \u00e9 um ser em processo entre natura e cultura e o poder uma sua constante.<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>As institui\u00e7\u00f5es domesticam o poder ou deveriam domestic\u00e1-lo contra toda a prepot\u00eancia interna e externa.<\/strong> <strong>O abuso dos chefes tribais, as guerras civis foram evitadas com a institui\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio do poder do Estado.<\/strong> A justi\u00e7a passou do foro privado para o p\u00fablico. As pessoas n\u00e3o s\u00e3o santas nem anjos precisam de controlo e de institui\u00e7\u00f5es com a divis\u00e3o de poderes. O problema mais que nas institui\u00e7\u00f5es est\u00e1 na falta de moralidade do Estado e dos seus representantes. Estes, alheios \u00e0 honra e \u00e0 dignidade humana, conseguem defraudar a rep\u00fablica instaurando nela as suas coutadas. \u00c9 um dado cient\u00edfico que o dinheiro e o poder em regra corrompem. O Estado tem inst\u00e2ncias de controlo dos poderosos mas estas n\u00e3o funcionam. O problema maior est\u00e1 no facto de serem os poderosos os membros das inst\u00e2ncias de controlo!<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O sentido do estado vem da necessidade do povo se organizar num determinado espa\u00e7o para manter a justi\u00e7a e defender-se de agressores<strong>. Para Blaise Pascal \u201da justi\u00e7a sem a for\u00e7a \u00e9 impotente; a for\u00e7a sem a justi\u00e7a \u00e9 tir\u00e2nica\u201d.<\/strong> Uma solu\u00e7\u00e3o de conflitos, a um n\u00edvel de justi\u00e7a equitativa, precisa dum espa\u00e7o tamb\u00e9m para a impot\u00eancia pol\u00edtica, para aqueles que n\u00e3o t\u00eam voz. A impot\u00eancia da justi\u00e7a \u00e9 a oportunidade do mais forte.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Plat\u00e3o desenvolve a teoria da justi\u00e7a contra a alega\u00e7\u00e3o <strong>sofista do direito do mais forte<\/strong>. Poder e vontade de viver andam juntos. <strong>Plat\u00e3o apela para o dom\u00ednio do corpo (paix\u00f5es) atrav\u00e9s da alma (virtudes). Thomas Hobbes v\u00ea na condi\u00e7\u00e3o humana o seu ser de lobo contra os outros (Homo homini lupus!). Segundo ele, este s\u00f3 pode ser dominado pela raz\u00e3o e atrav\u00e9s dum Estado poderoso. <\/strong>Com a cria\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o a legitima\u00e7\u00e3o do poder n\u00e3o fica abandonada \u00e0s for\u00e7as da natureza, ao mais forte. A legitima\u00e7\u00e3o do poder atrav\u00e9s de Deus ou do povo \u00e9 organizada em regras do poder estatal. Aqui o direito do mais forte ou do grupo \u00e9 contrabalan\u00e7ado com o direito do indiv\u00edduo, com o direito privado. O indiv\u00edduo abdica do poder de fazer justi\u00e7a pelas pr\u00f3prias m\u00e3os outorgando o poder individual no Estado. O Estado, em contrapartida, promete garantir o exerc\u00edcio da liberdade a todos. O abuso do poder por parte dos governantes e seus iguais deslegitima-os levando o cidad\u00e3o \u00e0 desobedi\u00eancia c\u00edvica e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de grupos guerrilha, como era o caso antes do estado de direito, a uma regress\u00e3o aos tempos b\u00e1rbaros. Para Arist\u00f3teles o Homem \u00e9 o zoon politikon. Viol\u00eancia acontece onde n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o, onde n\u00e3o acontece reconhecimento.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Rousseau contradiz Hobbes afirmando que o Homem \u00e9, por natureza, bom, e que a sociedade \u00e9 que o estraga.<\/strong> Esta vis\u00e3o rom\u00e2ntica tem um sentido apenas corrector da redu\u00e7\u00e3o do homem a lobo. De facto uma cidadania ovina continua a desconhecer a realidade do cordeiro e do lobo no ribeiro do Estado.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma estrat\u00e9gia da sobreviv\u00eancia e n\u00e3o apenas a lei da selec\u00e7\u00e3o natural como queria erradamente o darwinismo social. At\u00e9 as plantas mostram uma certa sociabilidade na distribui\u00e7\u00e3o das ra\u00edzes no solo. Afirma\u00e7\u00e3o, resist\u00eancia e coopera\u00e7\u00e3o fazem parte da mesma realidade. Sem a aspira\u00e7\u00e3o para a luz, sem o poder n\u00e3o haveria ac\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia mostra-nos viol\u00eancia e poder, numa rela\u00e7\u00e3o ambivalente. No poder est\u00e1 o reconhecimento do outro e a consci\u00eancia do n\u00f3s. Da\u00ed a necessidade de reconhecer poder ao outro, seja ele embora o mais pequeno. Uma \u00e1rvore frondosa deve ser consciente da sombra que faz aos arbustos que impede crescer debaixo dela. Uma rep\u00fablica adulta ter\u00e1 de reconhecer a realidade dos v\u00e1rios bi\u00f3topos que tem capacitando-os para agir e n\u00e3o s\u00f3 para reagir. <strong>Aos seus representantes n\u00e3o chega a legitima\u00e7\u00e3o exterior atrav\u00e9s dos votos, eles ter\u00e3o de ser modelos \u00edntegros de \u00e9tica aplicada.<\/strong> A crise de hoje tem tamb\u00e9m a ver com uma mentalidade parasita de adaptados sem personalidades exemplares. O sistema n\u00e3o suporta personalidades e vive duma mediania fomentadora de oportunistas espertos e n\u00e3o de intelig\u00eancias.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>H\u00e1 um abismo entre um discurso fundamental e um discurso situacional, moral pr\u00e1tico. \u00c9tica e pol\u00edtica aplicadas encontram-se muito distantes daquele. O <strong>direito deveria estar ao servi\u00e7o do bem-comum e limitar o poder<\/strong>. \u201cA confian\u00e7a \u00e9 boa mas o controlo \u00e9 melhor\u201d. O poder corrompe porque quanto mais se tem mais se quer ter. Urge distribuir o poder porque poder e dinheiro em demasia estragam o car\u00e1cter. <strong>Actualmente, na Europa o poder pol\u00edtico e jur\u00eddico n\u00e3o tem o poder de limitar os poderosos<\/strong>; estes apoderaram-se das institui\u00e7\u00f5es e adaptaram-nas ao seu formato; as na\u00e7\u00f5es encontram-se, por isso, a caminho do desastre. Os pol\u00edticos com os poderosos n\u00e3o podem solucionar o problema porque s\u00e3o parte dele.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Apesar da situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em que nos encontramos, se n\u00e3o houvesse institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o haveria continuidade; elas s\u00e3o como que a estrada onde o m\u00f3vel (indiv\u00edduo e cultura) passa. A institui\u00e7\u00e3o global mais antiga da humanidade, a Igreja Cat\u00f3lica, \u00e9 perita em preservar a mem\u00f3ria e pretende englobar o tempo linear e o tempo c\u00edclico, o espa\u00e7o e o tempo, a iman\u00eancia e a transcend\u00eancia como prev\u00ea a f\u00f3rmula da trindade. O seu problema est\u00e1 sempre na resist\u00eancia que oferece a um presente com as suas certezas de dia a dia. <strong>Sem institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o haveria mem\u00f3ria e deixaria de haver a transmiss\u00e3o do facho cultural duma gera\u00e7\u00e3o \u00e0 outra.<\/strong> A percep\u00e7\u00e3o do presente s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel no \u00e2mbito de percep\u00e7\u00e3o do passado e do futuro sem descurar a realidade em que assenta a paisagem. <strong>A institui\u00e7\u00e3o, tal como o poder devem estar presentes na consci\u00eancia quotidiana mas s\u00f3 em segundo plano, doutro modo tornam-se em amea\u00e7a \u00e0 liberdade do membro. <\/strong>A presen\u00e7a do poder (institui\u00e7\u00e3o \/ pessoa) deve ser discreta e nunca tornar marginal a presen\u00e7a do indiv\u00edduo. O poder como o indiv\u00edduo encontram-se numa rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua de servi\u00e7o \u00e0 comunidade e seus valores. A pessoa \u00e9 a alma da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O indiv\u00edduo s\u00f3 o \u00e9 no e com o grupo, precisando de quem o represente numa ordem de valores e interesses comuns. Em si o indiv\u00edduo n\u00e3o deveria estar acima do grupo nem vice-versa, como podemos ver na f\u00f3rmula trinit\u00e1ria de 3=1. <strong>O Homem n\u00e3o \u00e9 \u201ca medida de todas as coisas\u201d como queria Prot\u00e1goras. O Homem s\u00f3 \u00e9 todo com todas as coisas.<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A complexidade social aliada \u00e0 velocidade duma vida acelerada provoca nos governados e governantes incapacidades de di\u00e1logo fomentando no povo uma consci\u00eancia saudosista retr\u00f3grada e na pol\u00edtica um activismo progressista leviano. A cont\u00ednua mudan\u00e7a n\u00e3o permite a reflex\u00e3o da experi\u00eancia feita. <strong>As mudan\u00e7as das condi\u00e7\u00f5es sociais d\u00e3o-se t\u00e3o rapidamente que impedem a responsabilidade pol\u00edtica, social e individual.<\/strong> Uma luta pela imposi\u00e7\u00e3o de interesses espec\u00edficos distrai a na\u00e7\u00e3o duma ocupa\u00e7\u00e3o objectiva e desperdi\u00e7am-se as energias em discuss\u00f5es est\u00e9reis pelo poder. O sucesso de uns n\u00e3o pode acontecer \u00e0 custa dos outros, como \u00e9 costume. Respeito e reconhecimento de parte a parte; um estado paternalista n\u00e3o possibilita uma rela\u00e7\u00e3o equilibrada entre os cidad\u00e3os. Para uma rela\u00e7\u00e3o integral do Homem e da sociedade n\u00e3o chega j\u00e1 o di\u00e1logo \u00e9 necess\u00e1ria uma ortopraxia do tri\u00e1logo numa rela\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o eu-tu-n\u00f3s! Nesta realidade nova, ningu\u00e9m \u00e9 igual ao outro mas torna-se atrav\u00e9s do outro.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>\u00a9Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\">antoniocunhajusto@googlemail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O PODER E O DINHEIRO CORROMPEM Ant\u00f3nio Justo A crise do sistema financeiro e pol\u00edtico chegou ao rubro. A desconfian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es e a desilus\u00e3o acerca da ordem estabelecida conduz \u00e0 nostalgia duma ordem ideal. A normalidade do dia a dia manifesta-se num jogo de for\u00e7as entre pot\u00eancia e fraqueza de grupos e de indiv\u00edduos; &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1552\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">PODER ENTRE LEGITIMA\u00c7\u00c3O E DESLEGITIMA\u00c7\u00c3O<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,4,5,7],"tags":[],"class_list":["post-1552","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-educacao","category-escola","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1552","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1552"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1552\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1553,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1552\/revisions\/1553"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1552"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1552"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1552"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}