{"id":1541,"date":"2010-05-06T13:05:49","date_gmt":"2010-05-06T12:05:49","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1541"},"modified":"2010-05-06T13:05:49","modified_gmt":"2010-05-06T12:05:49","slug":"correntes-migratorias-antigamente-a-escravidao-hoje-a-emigracao-uma-perspectiva-para-a-discussao-em-voga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1541","title":{"rendered":"CORRENTES MIGRAT\u00d3RIAS: Antigamente a escravid\u00e3o, hoje a emigra\u00e7\u00e3o ( uma perspectiva para a discuss\u00e3o em voga )"},"content":{"rendered":"<p><strong>CORRENTES MIGRAT\u00d3RIAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Antigamente a escravid\u00e3o, hoje a emigra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p>Emigra\u00e7\u00e3o e colonialismo andam de m\u00e3os dadas, numa Hist\u00f3ria de conquistas, destrui\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. A sociedade produz vencedores e vencidos, ricos e pobres. O territ\u00f3rio de Portugal e Espanha foram primeiramente colonizados pelos Fen\u00edcios, Gregos e Romanos, assumindo at\u00e9 a l\u00edngua dos colonizadores, para mais tarde passarem a ser colonizadores no s\u00e9culo XV e XVI. O desejo de dom\u00ednio e de liberta\u00e7\u00e3o andam de m\u00e3os dadas. A coloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pelas elites e a emigra\u00e7\u00e3o d\u00e1-se no seio do povo! <strong>A pobreza, o clima, as cat\u00e1strofes e a m\u00e1 pol\u00edtica p\u00f5em o povo em marcha no sentido do Norte.<\/strong> O direito de emigrar deve ser um direito humano!<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Na emigra\u00e7\u00e3o o povo procura sa\u00eddas da car\u00eancia na busca de melhorar a qualidade de vida. A \u00e2nsia de liberta\u00e7\u00e3o e a demanda de novas oportunidades \u00e9 uma constante na humanidade como vemos j\u00e1 no \u00eaxodo do povo hebreu. Levam consigo costumes, ideias e o gene. Rompem assim as fronteiras de pa\u00edses, ra\u00e7as e culturas.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Quem est\u00e1 bem n\u00e3o abandona a terra; satisfaz o seu esp\u00edrito aventureiro indo de f\u00e9rias ao estrangeiro.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A m\u00e1 pol\u00edtica \u00e9 castigada com a emigra\u00e7\u00e3o. Cada sistema econ\u00f3mico e pol\u00edtico t\u00eam as mesmas estruturas embora com ligeiras adapta\u00e7\u00f5es: Antigamente a escravid\u00e3o, hoje a emigra\u00e7\u00e3o! N\u00e3o conhece mudan\u00e7as qualitativas, apenas quantitativas. A dor e a felicidade n\u00e3o s\u00e3o quantific\u00e1veis, mant\u00eam-se constantes, tal como a elite e o povo!<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Na discuss\u00e3o pol\u00edtica, o tema da emigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria ser aproveitado para tirar dele dividendos. Todos os partidos, se forem honestos, ter\u00e3o de confessar o \u201cmea culpa\u201d em vez de atirarem pedradas aos telhados dos outros. <strong>A emigra\u00e7\u00e3o por necessidade \u00e9 a grande calamidade dos nossos tempos,<\/strong> tal com outrora a escravid\u00e3o e a servid\u00e3o. S\u00f3 uma discuss\u00e3o acad\u00e9mica distante poder\u00e1 ignorar as trag\u00e9dias humanas que se escondem sob o rosto levantado duma casa constru\u00edda na terra para os da terra. Sa\u00edram sem casa e morrem longe da casa e da terra.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Os factores de emigra\u00e7\u00e3o s\u00e3o complexos e os problemas humanos que ela encobre tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Discurso sobre Emigra\u00e7\u00e3o com Diferentes Conota\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Como uma discrimina\u00e7\u00e3o latente conota a emigra\u00e7\u00e3o com \u201cpopulacho\u201d, muitos acad\u00e9micos n\u00e3o suportam que se fale duma cultura dos \u201csenhores doutores\u201d e subservi\u00eancia cunhal para n\u00e3o dizer cunhada. Portugal sempre foi hip\u00f3crita no trato das quest\u00f5es de emigra\u00e7\u00e3o. A m\u00e1 consci\u00eancia da na\u00e7\u00e3o, a inveja de muitos e a irresponsabilidade pol\u00edtica que v\u00ea saldadas muitas d\u00edvidas do Estado com as remessas dos emigrantes, t\u00eam o descaramento de conduzir um discurso leviano e enganador baseado nas diferen\u00e7as entre a emigra\u00e7\u00e3o dos anos 60\/70 e as de hoje, <strong>como se a emigra\u00e7\u00e3o de ontem fosse uma emigra\u00e7\u00e3o de necessidade e a de hoje uma emigra\u00e7\u00e3o de liberdade.<\/strong> Como se os erros de ontem desculpassem os mesmos erros de hoje. Vive-se dum discurso abusador dos emigrantes, entre miserabilismo e eufemismo. <strong>O perfil dos novos emigrantes comunga da mesma realidade do dos anos 60\/70: a necessidade.<\/strong> Usam-se argumentos de mau pagador e confundem-se alhos com bugalhos ao colocar-se no mesmo panel\u00e3o emigrantes, luso descendentes, funcion\u00e1rios do estado e contratados especiais de universidades ou de grandes empresas! O Portugal progressista parece s\u00f3 conhecer especialistas que saem do pa\u00eds!&#8230; Os emigrantes (Auswanderer) da Alemanha em Portugal s\u00e3o tamb\u00e9m eles emigrantes \/imigrantes, s\u00f3 que com um outro estatuto, que n\u00e3o o dos emigrantes portugueses. N\u00e3o foi a necessidade econ\u00f3mica mas a mais valias do lazer, de sol e do cora\u00e7\u00e3o portugu\u00eas que os levou a ir para Portugal gozar da sua reforma, no entardecer da sua vida. Na Alemanha quando a opini\u00e3o p\u00fablica fala dos seus emigrantes, f\u00e1-lo manifestando pesar. Pesar por ter alimentado e formado os seus cidad\u00e3os e os ver sair, quando deveriam ficar para produzir para a na\u00e7\u00e3o. <strong>Na Alemanha, em assuntos de emigra\u00e7\u00e3o, assiste-se a um discurso de cidadania e de interesses de povo quando em Portugal (nos ambientes oficiais) se fala n\u00e3o de cidad\u00e3os mas de emigrantes de cara suja e de emigrantes de cara lavada!<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Aos acomodados do sistema, \u00e9-lhe inc\u00f3moda a tecla da necessidade e da m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o, mas muitos dos que falam com eufemismos sobre a emigra\u00e7\u00e3o de hoje, s\u00e3o aqueles que se ganham bons honor\u00e1rios em projectos e semin\u00e1rios blablabla para ou sobre emigrantes. O ide\u00e1rio portugu\u00eas sobre os emigrantes desmascara-se a si mesmo quando, emigrantes de hoje, se sentem na necessidade de se distanciarem dos seus antigos companheiros de destino, afirmando que t\u00eam melhores qualifica\u00e7\u00f5es que os de ontem, quando, em grande partem v\u00eam substituir os emigrantes de ontem nos mesmos trabalhos. Antigamente respondia-se \u201cn\u00e3o v\u00e1 o sapateiro al\u00e9m da chinela\u201d; em linguagem mais democr\u00e1tica talvez seja mais adequado dizer-se: n\u00e3o v\u00e1 a chinela al\u00e9m do sapateiro. Os nossos emigrantes hoje, como ontem, s\u00e3o vulner\u00e1veis no mercado de trabalho. N\u00e3o falo naturalmente dos destacados do estado e de muitos da segunda e terceira gera\u00e7\u00e3o integrados na vida social do pa\u00eds de imigra\u00e7\u00e3o. A ilus\u00e3o e a miopia impedem-nos de reconhecer a realidade prec\u00e1ria em que se encontram.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 uma dor de alma assistir-se ao esvaziamento de Portugal. O esfor\u00e7o de Portugal feito na forma\u00e7\u00e3o escolar n\u00e3o \u00e9 eficiente se ao mesmo tempo n\u00e3o cria lugares de emprego que lhes d\u00ea sa\u00edda para a vida. \u00c9 verdade que o ensino universit\u00e1rio em Portugal duplicou nos \u00faltimos dez anos sem que o mercado de trabalho lhes d\u00ea sa\u00edda. V\u00e3o ent\u00e3o para o estrangeiro ocupar lugares, as mais das vezes n\u00e3o correspondentes \u00e0 sua qualifica\u00e7\u00e3o. <strong>O contribuinte pagou a sua forma\u00e7\u00e3o e v\u00ea-o sair para ir enriquecer outras economias.<\/strong> H\u00e1 alguns acad\u00e9micos altamente qualificados que s\u00e3o contratados pelo estrangeiro como fazem grandes empresas internacionais junto das universidades dos v\u00e1rios pa\u00edses. Seriam necess\u00e1rios pactos entre universidades nacionais e estrangeiras, entre universidades e empresas nacionais e estrangeiras para que Portugal n\u00e3o s\u00f3 exporte m\u00e3o-de-obra mas tenha contrapartidas. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para projectos profissionais nem familiares. Os finalistas de cursos ficam \u00e0 deriva. A situa\u00e7\u00e3o obriga, a necessidade manda e cada qual safe-se como puder.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>A emigra\u00e7\u00e3o, para pa\u00edses de express\u00e3o portuguesa, deveria ter prioridade alta para o pa\u00eds de envio e de acolhimento.<\/strong> O portugu\u00eas \u00e9 dos poucos povos no mundo que mais se adapta e integra no pa\u00eds de acolhimento, sem criar problemas.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Atacar a emigra\u00e7\u00e3o de ontem e justificar a de hoje \u00e9 cumplicidade com os exploradores do povo.<\/strong> Demagogos da palavra deveriam apostar menos no orgulho balofo colectivo para apostar no orgulho da produ\u00e7\u00e3o colectiva e individual da na\u00e7\u00e3o. Precisa-se dum portuguesismo de obras e n\u00e3o apenas de garganta empertigada. O orgulho nacional \u00e9, de facto, o pouco que ainda resta a muitos que, para desviarem a vista de si mesmos, olham para a incompet\u00eancia pol\u00edtica nacional com um sentimento indeciso de saudade masoquista!<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Uma mudan\u00e7a de paradigma face \u00e0 di\u00e1spora portuguesa n\u00e3o se alcan\u00e7a com medidas centradas apenas em aspectos estat\u00edsticos, como \u00e9 o caso do Observat\u00f3rio da Emigra\u00e7\u00e3o para informar sobre fluxos migrat\u00f3rios, de semin\u00e1rios de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, de iniciativas formativas\/informativas e de sensibiliza\u00e7\u00e3o, por vezes mais preocupadas em aplicar fundos da Uni\u00e3o Europeia e em dar ajudas de custo aos soldados do partido. Os dinheiros bem aplicados no apoio a associa\u00e7\u00f5es seriam mais rent\u00e1veis.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Membro do Conselho Consultivo da \u00e1rea Consular de Frankfurt, Alemanha<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CORRENTES MIGRAT\u00d3RIAS Antigamente a escravid\u00e3o, hoje a emigra\u00e7\u00e3o Ant\u00f3nio Justo Emigra\u00e7\u00e3o e colonialismo andam de m\u00e3os dadas, numa Hist\u00f3ria de conquistas, destrui\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. A sociedade produz vencedores e vencidos, ricos e pobres. 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