{"id":1525,"date":"2010-04-22T11:09:34","date_gmt":"2010-04-22T10:09:34","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1525"},"modified":"2010-04-22T11:09:34","modified_gmt":"2010-04-22T10:09:34","slug":"revolucao-do-25-de-abril-uma-historia-mal-contada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1525","title":{"rendered":"REVOLU\u00c7\u00c3O DO 25 DE ABRIL: UMA HIST\u00d3RIA MAL CONTADA"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong> O Povo Portugu\u00eas n\u00e3o gera Revolu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p>As revolu\u00e7\u00f5es portuguesas s\u00e3o comoa ponte de Lisboa. Antes do golpe de estado chamava-se \u201cPonte Salazar\u201d depois passou a chamar-se\u201cPonte 25 de Abril\u201d. Apenas mudam a fachada e a lata. <strong>O povo, tal como o rio Tejo, cansado de in\u00fameras voltas e de tantos despejos, sempre pac\u00edfico e adaptado, tem permanecido igual a si mesmo, ao longo da Hist\u00f3ria: vagaroso mas internacional<\/strong><strong>(1)<\/strong>.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>De \u00e9poca para \u00e9poca, alguns insatisfeitos do sistema, os filhos dos senhores do regime, provocam um golpe de estado, apoderam-se dele e mudam-lhe o nome.<\/strong> Povo e golpistas conhecem-se de ginjeira: aquilo a que d\u00e3o o nome de revolu\u00e7\u00f5es, pouco mais se trata do que da troca de nomes, dum acerto de contas e de acomoda\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria dos vizinhos; o m\u00e9rito do acontecimento est\u00e1 em dar ocasi\u00e3o \u00e0 necessidade do povo festejar e aplaudir ou, quando muito, resolver alguns deveres de casa esquecidos. Os actores sabem que a injusti\u00e7a n\u00e3o \u00e9 boa mas a justi\u00e7a seria inc\u00f3moda. Optam ent\u00e3o pela vida dos dos \u201cbrandos costumes\u201d sem a preocupa\u00e7\u00e3o de fazer justi\u00e7a.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Arranjam um nome monstro para justificarem as suas ac\u00e7\u00f5es e branquearem as suas inten\u00e7\u00f5es. No caso do 25 de Abril, um grupo de cretinos (2) aplicou ao regime autorit\u00e1rio de Salazar o nome explosivo de fascismo, metendo-o (internacionalizando-o) assim no mesmo rol de Franco, Mussolini, Hitler e Pinochet. Ent\u00e3o, a na\u00e7\u00e3o inteira passou a dar-se conta do monstro e resolveu dar ca\u00e7a ao fantasma. Este vai recebendo cada vez mais atributos at\u00e9 que passa de lobo a Minotauro. A partir deste momento o povo perde a ideia passando a viver do medo do labirinto. Entretanto v\u00e3o surgindo alguns lobitos e o povo vai distraindo o medo no \u201cJogo ao Lobo\u201d!<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O pa\u00eds da Europa com as maiores desigualdades sociais entret\u00e9m-se em argumenta\u00e7\u00f5es opiniosas deixando as coisas importantes para os nomes engordados em nome das classes desfavorecidas. J\u00e1 habituado \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o e \u00e0 atitude governativa arrogante e distante, o povo servil, filho da \u201crevolu\u00e7\u00e3o da liberdade\u201d at\u00e9 aceita a censura em nome da democracia. <strong>O estado portugu\u00eas j\u00e1 h\u00e1 s\u00e9culos n\u00e3o tem povo, chega-lhe a popula\u00e7\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 h\u00e1 s\u00e9culos que abdicou de o pretender ser, contentando-se em viver na sombra da Face Oculta do Estado<\/strong>. Deixou o palco da na\u00e7\u00e3o aos dan\u00e7arinos do poder!<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>O 25 de Abril passou \u2013 A Revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 por fazer<\/strong><\/p>\n<p><strong>Golpistas abusam do Nome Revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Com o golpe de estado de Abril, o regime autorit\u00e1rio \u00e9 acabado no meio da guerra colonial. O povo portugu\u00eas, o que quer \u00e9 esquecer a guerra e os pol\u00edticos o que querem \u00e9 a confus\u00e3o para se poderem organizar e n\u00e3o terem de assumir responsabilidade pela trai\u00e7\u00e3o dos interesses da na\u00e7\u00e3o, dos retornados e do povo nativo. Segundo o reconhecido historiador Jos\u00e9 Saraiva, o abandono das prov\u00edncias ultramarinas constituiu <strong>\u201ca p\u00e1gina mais negra da Hist\u00f3ria de Portugal\u201d.<\/strong> Disto n\u00e3o se fala; <strong>reduz-se a hist\u00f3ria a folclore e a governa\u00e7\u00e3o ao jogo do rato e do gato\u2026<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O 25 de Abril assenta em p\u00e9s de barro. Fez um golpe de Estado e deu-lhe o nome de revolu\u00e7\u00e3o. Os seus actores n\u00e3o pensavam em revolu\u00e7\u00e3o. Foram surpreendidos pelos acontecimentos que eles pr\u00f3prios provocaram e alguns, entre eles, (especialmente Otelo S. de Carvalho) <strong>serviram-se do comunismo\/socialismo para legitimarem e darem uma projec\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica ao movimento dos oficiais descontentes. O 25 de Abril foi um golpe de Estado que surgiu de motivos pessoais e antipatri\u00f3ticos de alguns, mas nunca uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/strong> O novo regime come\u00e7ou mal e com actos ingl\u00f3rios tal como acontecera na implanta\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica. Mas disto n\u00e3o deve rezar a Hist\u00f3ria, o povo precisa de festa e os governantes de distarc\u00e7\u00e3o. N\u00e3o importa viver, interessa \u00e9 ir-se vivendo!<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O programa MFA (Movimento das For\u00e7as Armadas) pretendia Democracia, Descoloniza\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento. Os primeiros dois anos foram uma confus\u00e3o maluca. Tudo era facho e qualquer jovem adolescente se armava em guarda de com\u00edcios, por vezes at\u00e9 de metralhadora na m\u00e3o. Recordo que quem tinha um emprego bom, ou uma casa digna, logo era apelidado de \u201cfacho\u201d, pelo povo gozador, num misto de atmosfera de inveja e admira\u00e7\u00e3o. Depois com a nova constitui\u00e7\u00e3o tudo ficou camarada e irm\u00e3o: camarada de facho na m\u00e3o!<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Os partidos, sem m\u00e9rito, passam a viver do prazer de terem organizado as suas fileiras. Desfavorecem a politiza\u00e7\u00e3o do povo para fomentarem o partidarismo e um discurso p\u00fablico dirigido \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o do poder.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Entretanto, o povo sente-se humilhado e deprimido; o seu sentimento de identidade definha, sendo compensado apenas no sentimento duma grandeza promissora dos irm\u00e3os da lusofonia e da madrasta Uni\u00e3o Europeia. O sentimento de identidade nacional baseado no cristianismo, na cultura nacional e na ideia das grandezas dos descobrimentos n\u00e3o agradam \u00e0s novas elites internacionalistas. A m\u00e1 experi\u00eancia do povo com a pr\u00f3pria elite, sem sentimento de na\u00e7\u00e3o nem de povo, leva-o a sentir-se apenas como inquilino an\u00f3nimo de alguns senhores da pra\u00e7a p\u00fablica, dos canonizados da democracia. Sente-se filho de pai inc\u00f3gnito!<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Portugal continua preso numa mentalidade de arrendat\u00e1rio de ideologias e senhorios mercen\u00e1rios que o povo tem de acatar para ir vivendo! Portugal, apesar de golpes de estado e de pseudo-revolu\u00e7\u00f5es, continua a sofrer na pele a experi\u00eancia de outrora: a experi\u00eancia dos ingleses senhores das quintas do vinho do porto que viviam na Inglaterra e tinham em Portugal os seus feitores portugueses a cuidar dos seus interesses. <strong>O Estado portugu\u00eas tornou-se numa feitoria de alguns mercen\u00e1rios. Daqui vem a sabedoria portuguesa que, muitas vezes, diz: \u201c isto \u00e9 para ingl\u00eas ver\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>As nossas elites intelectuais n\u00e3o s\u00e3o em nada inferiores \u00e0s europeias. O problema est\u00e1 no seu individualismo e na sua falta de consci\u00eancia de povo, e de esp\u00edrito colectivo! As elites pol\u00edticas vivem do nome, interessando-se, a n\u00edvel de pa\u00eds, apenas por terem Lisboa, como sala de visitas de Portugal onde elas podem receber vaidosamente os amigos. <strong>Colaboram com um internacionalismo interessado em destruir as na\u00e7\u00f5es para depois poderem surgir como salvadores e implantar um governo mundial de burocratas e tecnocratas contra os bi\u00f3topos nacionais.<\/strong><\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>O povo, antigamente, sofria sob a bandeira do trono e do altar; hoje sofre sob a lama das massas a toque de caixa partid\u00e1ria que segue o ritmo das multinacionais.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A grande diferen\u00e7a: <strong>Hoje o povo n\u00e3o se pode queixar, porque os seus opressores v\u00eam do seu meio e parte deles s\u00e3o eleitos democraticamente.<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>J\u00e1 Ov\u00eddeo escrevia nas Metamorfoses: \u201cO destino conduz os de boa vontade e arrasta os de m\u00e1 vontade\u201d. Com a celebra\u00e7\u00e3o do 35\u00b0 anivers\u00e1rio do golpe, j\u00e1 seria tempo de Portugal ir \u00e0 cata dos de boa vontade!&#8230;<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O anivers\u00e1rio do golpe de estado poder\u00e1 deixar de ser um pretexto para se tornar numa oportunidade. Urge descobrir a na\u00e7\u00e3o e ter a vontade de se assumir como povo. O grande povo e a na\u00e7\u00e3o valente que \u201cdeu novos mundos ao mundo\u201d tem-se manifestado incapaz de se descobrir a si.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Um Estado \u00e9 como uma planta. Se adoece, os parasitas cobrem-na facilmente<\/strong>. O pa\u00eds tem-se modernizado; n\u00e3o tem inimigos nem \u00f3dios mas encontra-se ap\u00e1tico e doente. Depois do golpe de Estado, o fanatismo republicano e o oportunismo continua a tradi\u00e7\u00e3o da \u201capagada e vil tristeza\u201d dum conservadorismo m\u00edope e dum progressismo cego! Os c\u00e3es de guarda do Estado contentam-se em morder e em ladrar alto e o rebanho atemorizado l\u00e1 se vai movendo no respeito \u00e0 pr\u00f3pria l\u00e3 que v\u00ea nos dentes deles!<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Acabe-se com o louvor do golpe e dos golpistas. N\u00e3o notaram ainda que a revolu\u00e7\u00e3o se encontra, desde h\u00e1 s\u00e9culos, por fazer! Para nos levarmos a s\u00e9rio teremos de descobrir primeiro o povo e a na\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o seremos capazes de enfrentar as desgra\u00e7as hist\u00f3ricas, sejam elas progressistas ou conservadoras. H\u00e1 que aceit\u00e1-las, para nos podermos mudar e assim mudar o rumo portugu\u00eas para o bem-estar de todos, nacionais e estrangeiros. Para isso precisam-se mulheres e homens adultos! <strong>\u201cO povo unido jamais ser\u00e1 vencido\u201d, cantam as sereias, na certeza de que ele se embala na m\u00fasica e n\u00e3o se descubre como povo! N\u00e3o vale a pena o queixume. Quem se queixa \u00e9 pobre ou n\u00e3o pode! Trata-se de mudar mudando-se! A na\u00e7\u00e3o precisa de todos.<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>(1) <\/strong>Salvaguardem-se as diferen\u00e7as regionais da popula\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 muito diferenciada e rica, tal como os seus rios e a sua paisagem!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Povo Portugu\u00eas n\u00e3o gera Revolu\u00e7\u00f5es Ant\u00f3nio Justo As revolu\u00e7\u00f5es portuguesas s\u00e3o comoa ponte de Lisboa. Antes do golpe de estado chamava-se \u201cPonte Salazar\u201d depois passou a chamar-se\u201cPonte 25 de Abril\u201d. Apenas mudam a fachada e a lata. 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