{"id":1521,"date":"2010-04-14T19:24:58","date_gmt":"2010-04-14T18:24:58","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1521"},"modified":"2010-04-17T17:30:19","modified_gmt":"2010-04-17T16:30:19","slug":"ulisses-o-modelo-do-homem-ocidental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1521","title":{"rendered":"Ulisses o Modelo do Homem Ocidental"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n <\/strong><\/p>\n<p><strong> Ulisses ou a Mediania<\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p>Conta a lenda que Ulisses, numa viagem \u00e0 pen\u00ednsula ib\u00e9rica, fundou no Tejo a cidade Olissipo, hoje Lisboa.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Ulisses foi um rei lend\u00e1rio de \u00cdtaca e grande her\u00f3i do cerco de Tr\u00f3ia onde se distinguiu por excepcional coragem, prud\u00eancia e sagacidade.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Ele \u00e9 a figura central da Odisseia (parte da Il\u00edada) onde Homero ( 700 a.C.) conta a viagem de Ulisses, no seu regresso de Tr\u00f3ia para a p\u00e1tria. At\u00e9 chegar \u00e0 sua terra \u00cdtaca, na Gr\u00e9cia, teve muitas aventuras e dificuldades. A odisseia dura dez anos.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Aportado \u00e0 ilha da deusa Circe, esta advertiu-o dos perigos que o esperavam ao longo da sua viagem. Falou-lhe do perigo das Sereias que \u201ccom suas vozes enfeiti\u00e7antes criavam o desejo ansioso de escut\u00e1-las sempre\u201d e alertou-o para os monstros Sila e Caribdes. Apesar de avisado, Ulisses conta, com tristeza, que Sila, o monstro das seis cabe\u00e7as, atacou o barco \u201ce em cada uma das suas bocarras \u00e1vidas sumiu-se um dos meus companheiros\u201d.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A viagem \u00e9 o s\u00edmbolo da vida de cada um de n\u00f3s e Ulisses \u00e9 o s\u00edmbolo do homem que acorda para a vida, desperta para si mesmo. Circe (a intelig\u00eancia) ajuda a prever os perigos.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Ulisses, depois de ter vencido os outros, acorda para si e para a vida adulta, come\u00e7a a viagem de regresso; p\u00f5e-se a caminho, na procura da sua terra. A sua terra (\u00cdtaca) significa o seu eu (a descoberta da sua pessoa). A viagem significa o seu caminho (curr\u00edculo), a sua vida. Ulisses procura, na vida, o seu eu mais profundo (a ipseidade).<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Geralmente as pessoas passam a vida sem se descobrirem a si mesmas, s\u00e3o levadas a distrair-se com o que aparece e acontece no seu caminhar; confundem o ter com o ser, conseguem apenas o caminho do combate at\u00e9 Troia. Fazem o que os outros mandam ou esperam delas. Subjugam-se \u00e0s necessidades imediatas ou superficiais, procurando compensar desilus\u00f5es com ilus\u00f5es. <strong>Mesmo na escola n\u00e3o aprendem a aprender, nem a conhecerem-se a si mesmas. <\/strong>Aprendem coisas sobre as coisas para melhor poderem servir os interesses daqueles que guiam a sociedade e aprendem compet\u00eancias para se poderem safar na vida com um emprego.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Ulisses, para se conhecer bem a si mesmo, quer investigar a realidade at\u00e9 ao fundo e as ilus\u00f5es que a acompanham. No seu caminhar descobre que o sentido n\u00e3o vem das coisas (de fora) mas que ele \u00e9 que d\u00e1 sentido \u00e0s coisas (o sentido vem de dentro). A autoridade \u00e9 ele.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Ao aproximar-se da ilha das sereias que, com o seu canto, o queriam desviar do seu caminho, Ulisses deu ordem aos marinheiros para o amarrarem ao mastro do navio e tapou os ouvidos dos companheiros com cera. As Sereias gritavam bem alto: <strong>\u201cN\u00e3o fujas, Ulisses, generoso Ulisses, Ulisses famoso, honra da Gr\u00e9cia! P\u00e1ra defronte da praia, para ouvir a nossa voz.\u201d<\/strong> O barco de Ulisses, por\u00e9m continuava a sua rota. De facto todo o mortal que at\u00e9 a\u00ed passara pela ilha das sereias n\u00e3o tinha conseguido libertara-se delas, n\u00e3o chegando mais a casa, \u00e0 sua terra. Ulisses, com a sua t\u00e1ctica, conseguiu gozar da melodia das sereias e ao mesmo tempo n\u00e3o se arredar do caminho da sua vontade. A sensualidade e o esp\u00edrito, o exterior e o interior s\u00e3o integrados no Homem com intelig\u00eancia e vontade. Sem uma meta acompanhada da raz\u00e3o e da vontade n\u00e3o se vai longe.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Para n\u00e3o ser dominado pelas influ\u00eancias exteriores (ilus\u00f5es) e para se poder tornar ele mesmo compromete-se com algo superior. N\u00e3o chega seguir s\u00f3 a linha horizontal da vida (o instinto, a opini\u00e3o ocasional); Ulisses amarra-se, com a ajuda do pr\u00f3ximo, ao mastro do navio que significa a linha vertical, a esfera superior que lhe d\u00e1 for\u00e7a para ser livre muito embora reconhecendo-se como parte do todo. Assim p\u00f4de saborear o prazer da m\u00fasica e a beleza das sereias. Manteve, ao mesmo tempo, a sua liberdade sem se perder nelas. O seu eu profundo conseguiu dominar o seu ego superficial, impedindo que o barco, seu corpo, se perdesse nas bocarras \u00e1vidas de Sila.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Ulisses dignifica o corpo e o esp\u00edrito! O seu eu adulto, orientado pelo esp\u00edrito da liberdade, consegue viver na harmonia dum corpo s\u00e3o em alma s\u00e3.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Os crist\u00e3os chamam a esse esp\u00edrito da liberdade e da uni\u00e3o de tudo em todos, a aquisi\u00e7\u00e3o da natureza de Cristo. Nela a corporeidade (Jesus) complementa-se na espiritualidade (Cristo); nela se acaba com a polaridade dos contr\u00e1rios, com a polaridade de esp\u00edrito e mat\u00e9ria.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A Odisseia prepara-nos o caminho para a realidade da complementaridade de instinto e vontade, sentimento e raz\u00e3o, de corpo e esp\u00edrito. N\u00f3s somos ao mesmo tempo actores e espectadores da vida. Para descobrirmos o nosso verdadeiro eu temos que descobrir o mundo em n\u00f3s, n\u00e3o nos limitando ao ser de espectadores.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A sociedade Oriental est\u00e1 mais virada para o destino, subjuga-se mais \u00e0 natureza, deixando-se viver mais no n\u00f3s, na fam\u00edlia, no grupo. A sociedade Ocidental fixa-se mais na afirma\u00e7\u00e3o do eu e da vontade; n\u00e3o aceita o destino, quer a emancipa\u00e7\u00e3o do Homem, quer transformar o mundo. Por isso o Ocidental criou toda uma tecnologia que o ajuda no alcance da meta que se prop\u00f5e.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A vida \u00e9 esfor\u00e7o e compromisso! Com Ulisses n\u00e3o h\u00e1 crise!<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p>Jornalista Livre<\/p>\n<p>https:\/\/antonio-justo.eu\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ulisses ou a Mediania Ant\u00f3nio Justo Conta a lenda que Ulisses, numa viagem \u00e0 pen\u00ednsula ib\u00e9rica, fundou no Tejo a cidade Olissipo, hoje Lisboa. Ulisses foi um rei lend\u00e1rio de \u00cdtaca e grande her\u00f3i do cerco de Tr\u00f3ia onde se distinguiu por excepcional coragem, prud\u00eancia e sagacidade. 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