{"id":1497,"date":"2010-04-04T00:44:28","date_gmt":"2010-04-03T23:44:28","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1497"},"modified":"2010-04-04T00:44:28","modified_gmt":"2010-04-03T23:44:28","slug":"os-poderosos-nao-gostam-de-corajosos-%e2%80%93-medo-e-o-seu-negocio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1497","title":{"rendered":"Os Poderosos n\u00e3o gostam de Corajosos \u2013 Medo \u00e9 o seu Neg\u00f3cio"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>P\u00c1SCOA \u00c9 TEMPO DE MUDAN\u00c7A \u2013 RESSURREI\u00c7\u00c3O LIBERTA DO MEDO<\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p>Morte e ressurrei\u00e7\u00e3o fazem do Cristianismo uma impertin\u00eancia, uma afronta. Unir a morte \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o torna-se numa exig\u00eancia a cada pessoa, um apelo \u00e0 mudan\u00e7a radical de vida (metan\u00f3ia) para a responsabilidade. \u201cFazei jejum e estai atentos\u201d apela a Boa Nova. A compreens\u00e3o do acontecimento pascal pressup\u00f5e o \u00e0-vontade com a vida, uma rela\u00e7\u00e3o aberta com a morte, uma recusa ao medo.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o foi crucificada pelos poderosos. A hist\u00f3ria repete-se ininterruptamente. Quem se encontra do lado dos vencedores tem dificuldade em compreender o povo crucificado, os que perdem. Reprimimos o perder porque este faz parte de n\u00f3s e est\u00e1 presente nas nossas fraquezas n\u00e3o assumidas: medo da velhice, medo de perder o emprego, medo da separa\u00e7\u00e3o, de adoecer, da pobreza, das cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas, da m\u00e1 figura, etc. Por medo, se desprezam os velhos, os fracos e doentes e se evitam os pobres. A nossa vaidade e superficialidade leva-nos a viver na escravid\u00e3o, a viver fora de n\u00f3s, a desmiolar-nos da nossa dignidade e dela abdicarmos para os vendilh\u00f5es se mascararem com ela e nos venderem a ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>Os Media vivem da mensagem <strong>\u201ctende medo\u201d, \u201cs\u00eade ovelhas\u201d.<\/strong> Antigamente tamb\u00e9m a religi\u00e3o ganhava pontos com o medo do inferno; hoje o neg\u00f3cio com o medo passou para os Media e para a pol\u00edtica que, com diversos medos, alienam o povo de si mesmo, da sua ipseidade e do Estado.<\/p>\n<p>P\u00e1scoa, morte-ressurrei\u00e7\u00e3o significa encarar o medo de frente e venc\u00ea-lo. Assumir o pr\u00f3prio ser investindo na diferen\u00e7a. <strong>Afinal n\u00f3s s\u00f3 temos medo de perder o que outros nos roubaram!<\/strong> A P\u00e1scoa ajuda-nos a dar conta disso! \u201cFazei jejum e estai atentos\u201d!<\/p>\n<p>Ressurrei\u00e7\u00e3o, liberta\u00e7\u00e3o significa dizer sim \u00e0 vida, lutar contra a banalidade do factual, contra o politicamente correcto (o medo de n\u00e3o ser como os figurinos querem!). Morte e ressurrei\u00e7\u00e3o acontecem aqui e agora. O amor n\u00e3o conhece o medo. Porque temos medo de despir os vestidos da desonra que nos vestiram?<\/p>\n<p>Martin Heidegger dizia \u201c O ter medo \u00e9 o estar-no-mundo como tal\u201d. Ao considerarmo-nos como \u201cser e tempo\u201d reduzimos a perspectiva da nossa exist\u00eancia, reduzimos a vida a espa\u00e7o e tempo. O medo torna as coisas e as pessoas insignificantes, deixa-nos abandonados a n\u00f3s mesmos, ao anonimato da gota no oceano.<\/p>\n<p>A TV fomenta o medo \u00e9 hist\u00e9rica tornando-se na escrava dos pol\u00edticos e da economia ajudando os pol\u00edticos a impor programas antipopulares e anestesiando o povo para aguentarem a injusti\u00e7a e o roubo da sua dignidade . Um prov\u00e9rbio alem\u00e3o afirma: \u201cdiz-me de que tens medo e eu digo-te o partido que eleges\u201d. A opini\u00e3o \u00e9 o dogma da (des)informa\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>A ci\u00eancia e a t\u00e9cnica prometem acabar com medos existenciais. O medo por\u00e9m permanece constante. O desconhecido e o incerto metem medo e a autoridade confunde respeito com medo. Se hoje temos mais medo \u00e9 porque temos mais que perder, \u00e9 porque queremos ter e n\u00e3o ser.<\/p>\n<p>Somos emigrantes da vida,sempre a caminho\u2026 Vivemos de esperan\u00e7as ilus\u00f3rias no mercado das vaidades, tudo \u00e0 margem da Esperan\u00e7a, por isso, esta \u00e9 defraudada na espera. E quem espera desespera! \u201cDeixai os mortos enterrar os seus mortos\u201d. V\u00f3s estais vivos. A P\u00e1scoa \u00e9 mist\u00e9rio de Vida. Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 liberta\u00e7\u00e3o dos medos e dos entorpecimentos da vida. O fundamento do cristianismo \u00e9 f\u00e9, esperan\u00e7a e amor, tudo na din\u00e2mica e perspectiva da trindade, o outro lado do medo, no mist\u00e9rio do ser.<\/p>\n<p>Na ressurrei\u00e7\u00e3o, os crist\u00e3os cr\u00eaem que com a morte a vida continua duma outra forma. Por isso a P\u00e1scoa \u00e9 a festa mais importante da cristandade. A morte faz parte do dia a dia da vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos continuar a deixar o c\u00e9u para os pardais e o povo para as elites. No mist\u00e9rio n\u00e3o h\u00e1 garantias nem receitas. O programa \u00e9 soltar-se da viol\u00eancia de press\u00f5es exteriores e interiores. O perfeccionismo, a hiperactividade, o desejo de gl\u00f3ria prov\u00eam do medo da morte. N\u00e3o \u00e0 subjuga\u00e7\u00e3o ao medo! N\u00e3o aos bonzinhos do poder! S\u00f3 assim poderemos acordar para o amanhecer do novo dia.<\/p>\n<p>Sexta-feira Santa e Domingo de P\u00e1scoa formam um s\u00f3 dia. Deus surge na manh\u00e3 de cada um de n\u00f3s. A manh\u00e3 brilha, torna-se dia na cria\u00e7\u00e3o; no interior da humanidade deixa de escurecer! As preocupa\u00e7\u00f5es juntam-se no fumo do incenso e ao sair do tur\u00edbulo, dissipam-se e cantam \u201cLumen Christi\u201d, aleluia. Nesse dia grande, sente-se o pensar da natureza ao passar do vento na copa das \u00e1rvores, ouve-se a sua voz no chilrar dos passarinhos e um sol de primavera se levanta baixinho no cora\u00e7\u00e3o do Homem a aquecer a natureza.<\/p>\n<p>No Domingo de Ramos o povo glorifica e aplaude o Mestre de Nazar\u00e9 que entra em Jerusal\u00e9m e arruma com os vendilh\u00f5es da capital e do templo, arruma com os comerciantes e traficantes da vida humana. Estes, hoje como ontem, n\u00e3o suportam ser desmascarados perante o povo. <strong>A vingan\u00e7a dos poderosos conduz sempre ao calv\u00e1rio dos simples. Em todas as institui\u00e7\u00f5es, do Estado \u00e0 religi\u00e3o, vivem os parasitas da vida e do povo, os c\u00e3es de guarda da institui\u00e7\u00e3o!<\/strong> A vi\u00fava, a pecadora, o povo, Jesus, morrem fora dos muros dos minist\u00e9rios e do templo. Para estes a ressurrei\u00e7\u00e3o para os dignit\u00e1rios (c\u00e3es de guarda) a opress\u00e3o.<\/p>\n<p>O te\u00f3logo Alfred Loisy tamb\u00e9m afirma:\u201dJesus anunciou o Reino de Deus e quem veio foi a Igreja\u201d e eu continuaria: <strong>os pol\u00edticos anunciaram a democracia e quem veio foram os partidos!<\/strong><\/p>\n<p>Todos somos testemunhas duma hist\u00f3ria de morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, do bem e do mal na comunidade de santos e pecadores. Cada um traz em si a vela divina acesa da f\u00e9 e da esperan\u00e7a, resta apenas soprar as cinzas que a cobrem. Depois a lei ser\u00e1: ama e faz o que queres!<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00c1SCOA \u00c9 TEMPO DE MUDAN\u00c7A \u2013 RESSURREI\u00c7\u00c3O LIBERTA DO MEDO Ant\u00f3nio Justo Morte e ressurrei\u00e7\u00e3o fazem do Cristianismo uma impertin\u00eancia, uma afronta. Unir a morte \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o torna-se numa exig\u00eancia a cada pessoa, um apelo \u00e0 mudan\u00e7a radical de vida (metan\u00f3ia) para a responsabilidade. \u201cFazei jejum e estai atentos\u201d apela a Boa Nova. 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