{"id":1491,"date":"2010-04-01T17:38:40","date_gmt":"2010-04-01T16:38:40","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1491"},"modified":"2010-04-01T17:38:40","modified_gmt":"2010-04-01T16:38:40","slug":"pascoa-e-a-primavera-da-natureza-e-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1491","title":{"rendered":"P\u00c1SCOA \u00c9 A PRIMAVERA DA NATUREZA E DA HUMANIDADE"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong> O Esp\u00edrito \u00e9 a Alma da Mat\u00e9ria<\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p>A Primavera \u00e9 a P\u00e1scoa da natureza e na Primavera d\u00e1-se a P\u00e1scoa humana. Tudo se encontra a caminho em conjunto, de forma mais ou menos consciente, mais ou menos r\u00e1pida.<\/p>\n<p>A P\u00e1scoa \u00e9 passagem e transforma\u00e7\u00e3o; expressa o caminhar da humanidade e o caminhar da cria\u00e7\u00e3o com o criador do ponto alfa para o ponto \u00f3mega. Nela os crist\u00e3os procuram acordar para a natureza de Cristo que re\u00fane tudo em todos.<\/p>\n<p>Pessoas em diferentes situa\u00e7\u00f5es de vida e nos seus sistemas de pensar e interpretar exprimem Deus e salva\u00e7\u00e3o \u00e0 medida da sua linguagem e mentalidade. A viv\u00eancia concreta predisp\u00f5e para a ideia de Deus. A experi\u00eancia da separa\u00e7\u00e3o de Deus deu-se de modo traum\u00e1tico na nossa civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Os evangelhos correspondem a diferentes interpreta\u00e7\u00f5es, diversas viv\u00eancias da Vida de Jesus. O Novo Testamento \u00e9 uma casa com muitas mans\u00f5es: \u201cNa minha casa h\u00e1 muitas mans\u00f5es\u201ddizia o mestre de Nazar\u00e9!<\/p>\n<p>O Deus de Jesus Cristo \u00e9 o Deus do filho pr\u00f3digo<strong>, <\/strong>o senhor da vinha e dos vinhateiros. O Deus vivido para l\u00e1 do Deus pensado em conceitos demasiadamente gregos. Jesus procurava abrir os cora\u00e7\u00f5es do povo para Deus, um Deus familiar e libertador a quem chamava \u201cpaizinho\u201d; por isso as elites pol\u00edticas, religiosas e econ\u00f3micas n\u00e3o o podiam suportar e quem perturba a ordem, estabelecida pelos mais fortes, \u00e9 oprimido, expulso ou linchado. A experi\u00eancia do reino de Deus torna-se, com ele uma realidade, mais ou menos consciente, no cora\u00e7\u00e3o de cada um, na comunh\u00e3o com o irm\u00e3o e o samaritano.<\/p>\n<p>Em Cristo consumou-se a salva\u00e7\u00e3o<strong>. <\/strong>Ele \u00e9 o prot\u00f3tipo de todo o ser humano. Ele libertou-se da maldi\u00e7\u00e3o e do pecado da natureza humana e da pena de morte da humanidade. P\u00e1scoa \u00e9 vida na pujan\u00e7a; ela manifesta o processo de liberta\u00e7\u00e3o dos males da natureza humana em processo de realiza\u00e7\u00e3o da natureza de Cristo.<\/p>\n<p>A consci\u00eancia da morte surgiu com o alvorecer da consci\u00eancia humana que floriu pela primeira vez em Eva que ao pecar se separa da unidade natural que antes comparticipava com os animais. Alcan\u00e7a assim a idade da raz\u00e3o, a capacidade de pecar, isto \u00e9 de assumir responsabilidade por si mesma, tal como a crian\u00e7a que uma vez atingida a idade da raz\u00e3o come\u00e7a a questionar o para\u00edso paterno em que at\u00e9 a\u00ed vivia. Na semana pascal celebra-se o expirar da natureza e num certo sentido a morte de Deus.<\/p>\n<p><strong>Oh f\u00e9lix culpa<\/strong> que acordaste a humanidade para a responsabilidade em liberdade e que atingiste a m\u00e1xima express\u00e3o no calv\u00e1rio e resumes a hist\u00f3ria da humanidade e da cria\u00e7\u00e3o no alfa e \u00f3mega, prot\u00f3tipo de toda a realidade em processo, \u00e0 imagem da economia da Trindade. O nosso caminho \u00e9 uma via-sacra de purifica\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o com tudo em todos, em Deus. A P\u00e1scoa, Jesus Cristo \u00e9 o exemplo da ponte, da metamorfose humano-divina, mat\u00e9ria -esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Na transubstancia\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o destroem-se todas as cancelas entre a substancialidade e o Esp\u00edrito. O p\u00e3o, a terra, o universo tornam-se o corpo e o sangue de Cristo, tornam-se a divindade.\u00a0 E isto n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 simbologia mas realidade, realidade da cria\u00e7\u00e3o e de todos n\u00f3s. Nele e com ele somos um, em comunh\u00e3o com toda a cria\u00e7\u00e3o. Na comunidade, em comunh\u00e3o com ele e com o outro tornamos a Realidade presente.<\/p>\n<p>A Quaresma \u00e9 o tempo da experi\u00eancia da purifica\u00e7\u00e3o do ego a caminho e ao encontro do verdadeiro eu, da ipseidade. Durante ela aprende-se a renunciar \u00e0 carne e ao faz\u00ea-lo a respeitar os animais e a vida digna a que estes t\u00eam direito: vivemos tamb\u00e9m com eles na complementaridade. Exercita-se a liberta\u00e7\u00e3o da inveja, da avareza e da cupidez e deste modo a respeitar e considerar todos os seres vivos na sua substancialidade e na sua espiritualidade. Isto leva-nos a purificar-nos de n\u00f3s mesmos e daquilo que assumimos dos outros e que nos leva \u00e0 doen\u00e7a do ter.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio consciente e at\u00e9 o inconsciente devem ser colocados no cadinho da procura da verdade. Na ren\u00fancia a si mesmo, ao ego aprendemos a ter menos necessidades, a libertar-nos delas. A liberdade conduz-nos ao amor, \u00e0 sintonia que se pode traduzir em compaix\u00e3o e miseric\u00f3rdia (sintonia e resson\u00e2ncia). A aus\u00eancia de necessidades acorda-nos para a realiza\u00e7\u00e3o do Reino de Deus.<\/p>\n<p>O cristianismo recomenda o exerc\u00edcio das virtudes, a observa\u00e7\u00e3o dos 10 mandamentos, a ora\u00e7\u00e3o, a esmola, a medita\u00e7\u00e3o, o jejum corporal e espiritual, o exame de consci\u00eancia a n\u00edvel de pensamentos palavras e obras, como exerc\u00edcios de purifica\u00e7\u00e3o a caminho e na realiza\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o: esta \u00e9 processo. Trata-se de passar do tempo cronol\u00f3gico, e mesmo do kair\u00f3s para o tempo parusia, o tempo fora do tempo, o \u201ctempo\u201d ac\u00e7\u00e3o amorosa.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 caminho feito, faz-se caminho andando, e cada um tem o seu caminho pautado pelo do Mestre de Nazar\u00e9 que nos antecipou. O ego supera-se no amor ao pr\u00f3ximo, no amor a todo o ser humano, a todos os seres como se pode ver na pr\u00e1tica das bem-aventuran\u00e7as. O tempo da Quaresma aponta para a reflex\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o desta realidade, o outro lado do viver na procura intensiva da verdade, da descoberta da ipseidade na resson\u00e2ncia com a ipsidade dos outros e na viv\u00eancia e sintonia comum da caritas\/\u00e1gape. A paz interior que ressalta das bem-aventurados que reconhecem que tudo lhes foi dado e por isso o atingir duma consci\u00eancia de entrega e a compreens\u00e3o (sintonia) com o samaritano e o universo.<\/p>\n<p>Jesus queria conduzir a humanidade a Deus, queria encorajar cada um a libertar-se das cargas da lei e de tudo o que causa sofrimento e por isso resume toda a sua vida e filosofia no amor a Deus, a si mesmo e ao pr\u00f3ximo, especificando que o pr\u00f3ximo \u00e9 o estranho, o Samaritano. A sua vis\u00e3o da realidade e do Homem \u00e9 t\u00e3o pac\u00edfica e abrangente que exige dos seus seguidores o amor ao inimigo. O serm\u00e3o da montanha (bem-aventuran\u00e7as) pressup\u00f5e a liberta\u00e7\u00e3o do ego (alcance da perfei\u00e7\u00e3o, \u00eaxtase), num processo de liberta\u00e7\u00e3o do ter para se poder realizar o Reino de Deus j\u00e1 aqui na terra (Mc 1,15). Trata-se de experimentar a uni\u00e3o com tudo, com Deus, da viv\u00eancia do divino: \u201cDeus \u00e9 amar, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele\u201d (1.Jo 4,16).<\/p>\n<p>No processo de salva\u00e7\u00e3o (liberta\u00e7\u00e3o), atrav\u00e9s da cruz, os crist\u00e3os fizeram a experi\u00eancia que a vida implica a morte. O Filho do Homem, o prot\u00f3tipo de toda a criatura, \u00e9 vida apesar da morte. A vida \u00e9 ressurrei\u00e7\u00e3o. A morte que primeiramente parecia o verdadeiro inimigo da humanidade revela-se no Homem Adulto j\u00e1 n\u00e3o como pena mas como parte da vida. No momento da queixa do Homem \u201cMeus Deus, porque me abandonaste\u201d est\u00e1 j\u00e1 a divindade a irromper tal como o bot\u00e3o de rosa, a experi\u00eancia da m\u00e3e num esfor\u00e7o de dar \u00e0 luz, de acordar para a nova realidade. Deus morre por momentos em Jesus Cristo para a criatura, com ele ressuscitar em Deus. \u201cEu vivo e v\u00f3s vivereis\u201d(Jo. 14,19);\u201deu estou em meu Pai e v\u00f3s em mim e eu em v\u00f3s\u201d. \u201cDeus faz a sua morada\u201d naquele que se puser a caminho e assim entrar no processo trinit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Deus \u00e9 a videira e n\u00f3s as suas varas (Jo. 15, 4-8). Entre a divindade e a sua cria\u00e7\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de complementaridade. A rela\u00e7\u00e3o divina que tudo sustena \u00e9 amor; de resto, a doutrina reduz-se a pedagogia. Cristo est\u00e1 presente nas ac\u00e7\u00f5es, na palavra, no indiv\u00edduo e na comunidade, em toda a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Jesus dizia muitas vezes: \u201cque te aconte\u00e7a como cr\u00eas\u201d. O mesmo ser\u00e1 antes, na e depois da morte. \u201cA tua f\u00e9 te salvou\u201d, repetia tamb\u00e9m. A percep\u00e7\u00e3o, seja ela religiosa ou cient\u00edfica, tem como base a f\u00e9 como arroteadora da realidade que no fundo permanece sempre mist\u00e9rio. Em Jesus encontramos a express\u00e3o (modelo), do caminho de Deus connosco at\u00e9 \u201cque Deus seja tudo em todos\u201d (1 Cor. 15,28) j\u00e1 em processo no mist\u00e9rio da trindade de que fazemos parte.<\/p>\n<p>\u00c9 o caminho do despir do eu na metamorfose at\u00e9 \u00e0 natureza de Cristo.<\/p>\n<p>No desbravar do mist\u00e9rio da vida, cada um precisa de s\u00edmbolos e modelos da realidade, que s\u00e3o ao mesmo tempo express\u00e3o (em imagens e ideias) de viv\u00eancias individuais e culturais.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos caminhos de salva\u00e7\u00e3o que conduzem a Deus, ao homem e \u00e0 natureza. A realidade \u00e9 t\u00e3o ampla que n\u00e3o basta o olhar da raz\u00e3o; \u00e9 preciso tamb\u00e9m o olhar m\u00edstico, o olhar do amor que supera o tempo e o espa\u00e7o. O esp\u00edrito \u00e9 a alma da mat\u00e9ria, revela-nos a realidade da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Esp\u00edrito \u00e9 a Alma da Mat\u00e9ria Ant\u00f3nio Justo A Primavera \u00e9 a P\u00e1scoa da natureza e na Primavera d\u00e1-se a P\u00e1scoa humana. Tudo se encontra a caminho em conjunto, de forma mais ou menos consciente, mais ou menos r\u00e1pida. A P\u00e1scoa \u00e9 passagem e transforma\u00e7\u00e3o; expressa o caminhar da humanidade e o caminhar da &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1491\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">P\u00c1SCOA \u00c9 A PRIMAVERA DA NATUREZA E DA HUMANIDADE<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1491","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1491","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1491"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1491\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1493,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1491\/revisions\/1493"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}