{"id":1488,"date":"2010-03-09T17:44:11","date_gmt":"2010-03-09T16:44:11","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1488"},"modified":"2010-03-09T17:44:11","modified_gmt":"2010-03-09T16:44:11","slug":"padres-a-menos-e-pastores-a-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1488","title":{"rendered":"PADRES A MENOS E PASTORES A MAIS"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong> Celibato \u2013 Ontem uma B\u00ean\u00e7\u00e3o \u2013 Hoje um Problema<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica conta com 1.131.000.000 cat\u00f3licos no mundo e disp\u00f5e de 407.262 padres e de 815.237 membros de ordens religiosas (estat\u00edsticas de 2008).<\/p>\n<p>As comunidades cada vez contam com menos padres. A frequ\u00eancia dominical diminui tamb\u00e9m. Enquanto na Pol\u00f3nia 40% da popula\u00e7\u00e3o vai regularmente \u00e0 missa, na Alemanha, dos 25,461 milh\u00f5es de cat\u00f3licos s\u00f3 frequentam regularmente a missa dominical 17%, isto \u00e9 3,492 milh\u00f5es (estat\u00edsticas de 2008).<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, a Igreja Evang\u00e9lica, onde n\u00e3o h\u00e1 obrigatoriedade de celibato para os seus pastores, v\u00ea-se obrigada a dividir um tempo inteiro\u00a0 de p\u00e1roco por dois pastores, com meio tempo para cada um, pelo facto de ter pastores e pastoras em superabund\u00e2ncia. A Igreja Cat\u00f3lica, por seu lado, encontra-se numa situa\u00e7\u00e3o desesperada de luta com a falta de padres.<\/p>\n<p>As Igrejas ortodoxas russa e gregas, nas quais os padres se podem casar, n\u00e3o t\u00eam problemas de forma\u00e7\u00e3o e angaria\u00e7\u00e3o de padres. Tradicionalmente as fam\u00edlias de padres fornecem tamb\u00e9m novos padres. Os bispos s\u00e3o recrutados, geralmente, das ordens religiosas.<\/p>\n<p>Em Portugal conta com 81,10 % de cat\u00f3licos. Segundo a Ag\u00eancia Ecclesia, em 2006 havia 2.894 padres distribu\u00eddos por 21 dioceses em 4.366 par\u00f3quias. Por cada dois padres que morrem \u00e9 ordenado um. A Igreja, para responder ao problema organiza \u201cUnidades Pastorais\u201d com equipas de sacerdotes respons\u00e1veis por v\u00e1rias par\u00f3quias; al\u00e9m disso recorre \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de di\u00e1conos casados.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 ao s\u00e9culo XX, a obriga\u00e7\u00e3o do celibato para os p\u00e1rocos revelou-se como medida inteligente, na Igreja Cat\u00f3lica.<\/strong> Duma maneira geral, a Europa era constitu\u00edda por uma sociedade de classes, fechadas em si mesmas. O povo n\u00e3o tinha acesso \u00e0s classes superiores nem \u00e0 cultura das elites, n\u00e3o podendo, por isso, assumir lugares de responsabilidade p\u00fablica. As grandes fam\u00edlias distribu\u00edam o poder (postos) entre elas. O sacerd\u00f3cio celibat\u00e1rio impedia a concentra\u00e7\u00e3o do poder eclesi\u00e1stico em fam\u00edlias tendo sido, ao mesmo tempo, um elemento democr\u00e1tico no meio do clero, da nobreza e da burguesia.<\/p>\n<p>A extens\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o celibat\u00e1ria das ordens (clero regular) \u00e0s par\u00f3quias (clero secular) possibilitou uma solidariedade entre elites e povo. O padre, que, geralmente, provinha das classes populares tinha hip\u00f3tese de subir e fazer parte do alto clero. A sua presen\u00e7a contesta a pr\u00e1tica secular das grandes fam\u00edlias nobres\/burguesas e possibilita a subida da classe desfavorecida aos postos superiores da sociedade eclesi\u00e1stica, impedindo que se formasse uma oligarquia sem base popular. <strong>O povo, atrav\u00e9s do sacerd\u00f3cio, trazia sangue novo e renovador \u00e0 oligarquia da Igreja, solidarizando-a com o povo. Aqueles que n\u00e3o aguentavam com o jugo do celibato e abandonavam o semin\u00e1rio ou o cargo, provindos embora do povo, passavam para a sociedade secular onde ocupavam cargos relevantes e deste modo assumiam tamb\u00e9m uma presen\u00e7a popular nela.<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>Quando se fala de padres e de celibato \u00e9 necess\u00e1rio distinguir entre os celibat\u00e1rios por voca\u00e7\u00e3o, (membros de ordens e congrega\u00e7\u00f5es religiosas) e os celibat\u00e1rios por encargo aos quais a legisla\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica imp\u00f5e o <strong>celibato<\/strong> como condi\u00e7\u00e3o de acesso ao exerc\u00edcio da miss\u00e3o sacerdotal paroquial. O celibato para os p\u00e1rocos foi tornado obrigat\u00f3rio pela Igreja Cat\u00f3lica na idade m\u00e9dia. A Igreja Ortodoxa n\u00e3o aderiu a esta medida disciplinar. Apenas exige o celibato aos bispos. A liga\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio do sacerd\u00f3cio ao celibato n\u00e3o tem fundamento b\u00edblico. Pelo contr\u00e1rio, a B\u00edblia op\u00f5e-se ao ascetismo exagerado e \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o do casamento aos padres (cf. 1Tim3,1-13 e 4, 1-5).<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>Entretanto o celibato tornou-se no principal factor impedidor da abund\u00e2ncia de padres. O benef\u00edcio que o celibato traz para a estrat\u00e9gia administrativa \u00e9 adquirido contra a integra\u00e7\u00e3o cultural e estrutural do cristianismo nas estruturas seculares. Uma mentalidade fechada e ing\u00e9nua tem levado as elites da administra\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica a adiar o problema em detrimento da Ecclesia semper reformanda e da integra\u00e7\u00e3o religiosa nas estruturas culturais. A estrutura\u00e7\u00e3o da sociedade hodierna exige n\u00e3o s\u00f3 novas medidas em rela\u00e7\u00e3o ao clero mas tamb\u00e9m uma nova estrat\u00e9gia de presen\u00e7a crist\u00e3 nas sociedades. A sua nova reestrutura\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser feita apenas para dar resposta \u00e0 falta de padres. O papel dos leigos numa comunidade viva consciente e activa n\u00e3o pode esquecer a import\u00e2ncia do testemunho de vida e miss\u00e3o na sociedade em que est\u00e3o inserido.<\/p>\n<p><strong>Clericalismo e anti-clericalismo s\u00e3o sintomas de Sociedades desintegrada<\/strong><\/p>\n<p>Nas sociedades n\u00f3rdicas, a influ\u00eancia dos pastores casados e suas fam\u00edlias est\u00e1 muito presente a n\u00edvel cultural e pol\u00edtico-social nas na\u00e7\u00f5es. O seu contributo cultural para a sociedade secular faz lembrar o contributo cultural de alto n\u00edvel dos judeus, no seio dos povos onde se encontram inseridos. \u00c9 importante constatar-se que, nos povos n\u00f3rdicos, n\u00e3o h\u00e1 o anti-clericalismo que se encontra em pa\u00edses latinos. Isto tem a ver naturalmente com a integra\u00e7\u00e3o social e o relevo cultural dados pelas fam\u00edlias dos padres evang\u00e9licos \u00e0s na\u00e7\u00f5es. \u00c9 frequente ouvir-se pol\u00edticos tomar posi\u00e7\u00e3o em p\u00fablico fundamentada em princ\u00edpios crist\u00e3os e isto tanto em partidos de esquerda como de direita.<\/p>\n<p>Nas na\u00e7\u00f5es latinas, tradicionalmente de maioria cat\u00f3lica, os padres tamb\u00e9m contribu\u00edram muito para a cultura secular dos pa\u00edses; faltou-lhes por\u00e9m a disputa com a vida concreta do dia a dia, o enraizamento familiar e a consequente influ\u00eancia. O povo nas sociedades latinas s\u00e3o mais indiferentes e mais dependentes da opini\u00e3o moment\u00e2nea do que os povos das na\u00e7\u00f5es n\u00f3rdicas. Os filhos dos pastores evang\u00e9licos foram muitas vezes pioneiros a n\u00edvel de cultura e movimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica cr\u00edtica, integrando-se nas mais diversas express\u00f5es da arte, da ci\u00eancia e da religi\u00e3o. Deste modo a Igreja torna-se indirectamente a guardi\u00e3 do progresso e ao mesmo tempo a defensora de valores tradicionais e humanos.<\/p>\n<p>Clericalismo e anti-clericalismo s\u00e3o fen\u00f3menos doentios de sociedades mais desintegradas.<\/p>\n<p>Cidad\u00e3os e crentes t\u00eam que suportar as estruturas e suportar-se a si!<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong> DO PODER DIVINO PARA O PODER POLVO<\/strong><\/p>\n<p>A seculariza\u00e7\u00e3o da sociedade deu um grande contributo para o desenvolvimento social. Igrejas e museus t\u00eam vivido lado a lado. Mundo religioso e secular, povo e burguesia, embora em tens\u00e3o, viviam sob o mesmo teto cultural.<\/p>\n<p>Com o acentuar-se da Uni\u00e3o Europeia e do Globalismo, os antigos deuses europeus est\u00e3o de volta e vingam-se contra o monote\u00edsmo crist\u00e3o. Esta religi\u00e3o que se afirmou na luta contra a adora\u00e7\u00e3o do Imperador e na defesa dos escravos e explorados parece tornar-se em estorvo para os deuses do novo Olimpo em constru\u00e7\u00e3o. As novas elites querem recolher-se ao Olimpo para n\u00e3o se misturarem com o povo. A \u00e9tica e moral, ligada \u00e0 religi\u00e3o, ao dar voz aos interesses dos mais fracos, com os seus par\u00e2metros \u00e9ticos e morais, d\u00e1 muita consist\u00eancia \u00e0 base da pir\u00e2mide social, o que n\u00e3o agrada aos que querem ter um proletariado de f\u00e1cil manobra. Por isso o poder an\u00f3nimo e desenraizado que se instala por todo o lado est\u00e1 interessado em destruir a identidade das pessoas e aquelas estruturas que as defendem a pessoa, pelo facto da divindade fazer parte da pessoa.<\/p>\n<p>Com o processo de democratiza\u00e7\u00e3o do ensino a camada pobre j\u00e1 tem acesso aos lugares dominantes\/dominadores da sociedade. Sobe atrav\u00e9s de sindicatos, partidos, administra\u00e7\u00f5es e superstruturas que imperceptivelmente dirigem a vontade e o sentir social. O poder de ontem encontra-se hoje camuflado e opera eficazmente sob o nimbo democr\u00e1tico. Como o polvo tem muitos bra\u00e7os que permitem um processo de filtra\u00e7\u00e3o na selec\u00e7\u00e3o \u201cdemocr\u00e1tica\u201ddos seus melhores servidores. O poder polvo tem a capacidade de determinar o pensar e sentir do povo de dia para dia atrav\u00e9s duma opini\u00e3o publicada nebulosa que o torna invis\u00edvel e inimigo do Homem. Por isso os amigos do Homem e da democracia, independentemente do seu colorido, t\u00eam de mudar a sua estrat\u00e9gia, na sua maneira de estar presentes na sociedade. A Igreja, vocacionada a defender o povo, a dar voz aos que n\u00e3o t\u00eam voz deveria estar atenta ao momento hist\u00f3rico que atravessamos, que por raz\u00f5es de reorganiza\u00e7\u00e3o em super-pot\u00eancias e de globaliza\u00e7\u00e3o pretendem reduzir a pessoa a mero indiv\u00edduo e este a mercadoria. As novas elites querem um indiv\u00edduo cata-vento.<\/p>\n<p>Hoje, a lei do celibato, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, prejudica imensamente a ac\u00e7\u00e3o da Igreja. A realidade social, atrav\u00e9s da democratiza\u00e7\u00e3o, mudou-se e o sentido e vias de solidariedade tamb\u00e9m. A presen\u00e7a crist\u00e3 no mundo institucional e p\u00fablico precisa duma nova din\u00e2mica. Na sociedade tradicional a aura social estava hierarquicamente estruturada de cima para baixo pelo que a presen\u00e7a eclesial reflectia esta mentalidade com a correspondente presen\u00e7a em lugares relevantes da pir\u00e2mide; hoje, que vivemos em tempos de democracia nominal, de poder polvo, a sua presen\u00e7a tem que partir da base da pir\u00e2mide, para se tornar presente nos diferentes bi\u00f3topos sociais e institucionais.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o de solidariedade e de interc\u00e2mbio social do padre deixou de ter prest\u00edgio, nas sociedades secularizadas. Por outro lado as exig\u00eancias do presente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pastoral, n\u00e3o se limitam \u00e0 consci\u00eancia e ao testemunho de castidade do padre, embora nos encontremos numa sociedade sexista j\u00e1 em estado neur\u00f3tico. <strong>Numa altura em que as fam\u00edlias partid\u00e1rias procuram assumir, na sociedade democr\u00e1tica, o papel das fam\u00edlias relevantes burguesas e nobres, da sociedade antiga, lutando, por isso, contra a fam\u00edlia tradicional, torna-se importante enobrecer o estatuto da fam\u00edlia tradicional e fortalecer o surgir de fam\u00edlias coesas crist\u00e3s e instig\u00e1-las a manifestarem a sua presen\u00e7a nos diferentes ramos da pol\u00edtica e da sociedade<\/strong>.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a crist\u00e3 necessita duma nova estrat\u00e9gia. N\u00e3o chega ser-se inteligente; num mundo de espertos exige-se tamb\u00e9m esperteza. A crise sacerdotal d\u00e1 a oportunidade \u00e0 Igreja de se antecipar aos acontecimentos para n\u00e3o ser levada na enxurrada. A par\u00f3quia n\u00e3o pode continuar no comodismo f\u00e1cil de ter um padre livre de tudo para se encontrar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de toda a gente a toda a hora. Isto \u00e9 ego\u00edsmo muito embora os padres que exercem a fun\u00e7\u00e3o com alegria sejam uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para as pessoas com quem contactam.<\/p>\n<p>N\u00e3o chega j\u00e1 a intelig\u00eancia racional, \u00e9 necess\u00e1ria tamb\u00e9m a intelig\u00eancia emotiva. Torna-se \u00f3bvio, a n\u00edvel de Igreja, o fomento de fam\u00edlias testemunho, comunidades de vida, que vivam a caridade, a liberdade e o amor ao pr\u00f3ximo em contrastante com as ideologias seculares que seguem uma estrat\u00e9gia de instalar os seus multiplicadores n\u00e3o s\u00f3 nas estruturas do Estado e implicitamente nas estruturas sociais da igreja. A realidade da fam\u00edlia e correspondente investimento nela \u00e9 a estrat\u00e9gia e oportunidade nobre e duradoura que a Igreja tem para se tornar presente a n\u00edvel social na estrutura do estado moderno. Este aposta na destrui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e no fomento das grandes fam\u00edlias (estruturas) partid\u00e1rias. A influ\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica d\u00e3o-se hoje, principalmente, atrav\u00e9s da vida partid\u00e1ria, que se apoderou das estruturas do Estado e \u00e9, muitas vezes, orientada pela ideologia e pelo dogma dum pragmatismo factual \u00e0 margem do povo. Uma fun\u00e7\u00e3o da Igreja actual seria mitigar e humanizar aquelas estruturas participando activamente nelas. N\u00e3o se trata de ter pol\u00edticos que defendam os interesses dos crist\u00e3os mas de ter crist\u00e3os na pol\u00edtica que a humanizem e defendam a pessoa, os interesses do povo que comunga do ser pessoa. Para isso n\u00e3o pode continuar a considerar-se o matrim\u00f3nio como concorrente da ordem sacerdotal ou mesmo inferior a ela. Se antigamente era importante o exemplo institucional hoje \u00e9 importante o testemunho de vida integrada. A hierarquia precisa de se integrar na vida familiar, social e pol\u00edtica de maneira directa e n\u00e3o apenas representativa. Tamb\u00e9m a institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 chamada a responder ao apelo. N\u00e3o existe uma norma normans mas uma norma normata. Na h\u00e1 nada definitivo. A cristologia aponta para o primado da praxis.<\/p>\n<p><strong> Sexualidade e Espiritualidade s\u00e3o Energias complementares<\/strong><\/p>\n<p>Vida sem erotismo \u00e9 aus\u00eancia, \u00e9 frieza. De facto, a sexualidade e a espiritualidade atravessam o cora\u00e7\u00e3o humano. A sexualidade \u00e9 uma d\u00e1diva de Deus que n\u00e3o deve ser tabuizada nem instrumentalizada. Ela \u00e9 sinal de alegria na vida.<\/p>\n<p>Apesar duma sociedade sexualmente pervertida em que o com\u00e9rcio se apoderou da sexualidade, a Igreja n\u00e3o pode manipular a sexualidade dos seus padres muito embora o argumento do testemunho pese muito.<\/p>\n<p>A propaganda reduz a mulher a mercadoria. A mulher \u00e9 transformada em alegoria de mercadoria ao lado dum Mercedes. Este \u00e9 o melhor sinal de como o mercado j\u00e1 colonizou o corpo da mulher com as fantasias sexuais a ele unidas. A mercadoria tornou-se mulher e a mulher mercadoria. Ela tornou-se reclame. A ind\u00fastria comercializou o desejo sexual pondo-o ao seu servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Toda a pessoa se encontra sob tens\u00e3o entre necessidade e valores, seja qual for a forma de vida escolhida, a caminho do poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Maturidade afectiva pressup\u00f5e a capacidade de ren\u00fancia a necessidades e a capacidade de diferencia\u00e7\u00e3o entre o papel que se desempenha e a pessoa que se \u00e9. S\u00f3 assim se pode observar os pr\u00f3prios abismos. At\u00e9 ao conc\u00edlio de Espanha (Elvira) era comum os padres poderem compartilhar a corporeidade com a esposa. A acentua\u00e7\u00e3o do of\u00edcio sobre a pessoa exige super-homens sem necessidades, condicionando a santidade do of\u00edcio \u00e0 especialidade do homem padre. Em nome da independ\u00eancia sexual tornam-se dependentes da administra\u00e7\u00e3o. O facto dos p\u00e1rocos terem feito o voto de castidade n\u00e3o os deve impedir de ter coragem para esclarecer o povo, muito embora a coragem seja dificultada por uma obedi\u00eancia mal entendida.<\/p>\n<p>A igreja n\u00e3o pode calar-se em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualidade do padre nem pode aceitar que o sacerdote seja torturado pela sexualidade.<\/p>\n<p><strong>A sexualidade consta de rela\u00e7\u00e3o, fecundidade, identidade e prazer. A Igreja solucionou muito bem a rela\u00e7\u00e3o e a fecundidade, atrav\u00e9s de rituais e sacramentos. O problema do prazer e da identidade reserva-os para a controv\u00e9rsia, sem lhe dar solu\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>O celibato \u00e9 uma forma de vida, uma op\u00e7\u00e3o livre nas ordens e congrega\u00e7\u00f5es religiosas. \u00c9 um testemunho especial do evangelho de disponibilidade para o espiritual. Por\u00e9m o processo da incarna\u00e7\u00e3o e da ressurrei\u00e7\u00e3o e o mist\u00e9rio da trindade n\u00e3o permitem apenas a vis\u00e3o bipolar de extremos contradit\u00f3rios. A espiritualidade crist\u00e3 n\u00e3o se esgota no di\u00e1logo ela vive do tri\u00e1logo e por isso da complementaridade dos \u201celementos\u201d. Esta integra a dial\u00e9ctica na m\u00edstica.<\/p>\n<p>A obriga\u00e7\u00e3o celibat\u00e1ria do clero secular traz, hoje, muito mais desvantagens que vantagens para o povo de Deus.<\/p>\n<p>Uma sociedade sexualizada faz dos celibat\u00e1rios ex\u00f3ticos levando-os ao isolamento. O exerc\u00edcio sacerdotal torna-se hoje mais dif\u00edcil que ontem. A vida celibat\u00e1ria traz consigo mais disponibilidade mas acarreta tamb\u00e9m perigos, al\u00e9m de arrog\u00e2ncia e de egocentrismo, na falta do elemento correctivo comunit\u00e1rio ou do parceiro, pressupostos necess\u00e1rios para haver desenvolvimento. A abstin\u00eancia genital sexual n\u00e3o implica abstin\u00eancia emocional sexual, isto tanto para casados como para solteiros. A ren\u00fancia \u00e0 pr\u00e1tica genital pode aumentar a emocional possibilitando uma maior rela\u00e7\u00e3o com a comunidade, com os membros e com Deus; o mesmo se diga duma pr\u00e1tica genital sexual familiar. H\u00e1 muitos caminhos para chegar a Deus e nem sempre os que se manifestam mais directos s\u00e3o os mais r\u00e1pidos!<\/p>\n<p>Celibato \u00e9 uma quest\u00e3o para adultos. Pessoas que n\u00e3o aceitam e n\u00e3o conhecem a sua sexualidade devem renunciar ao celibato. A conten\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 uma pr\u00e1tica tamb\u00e9m presente no matrim\u00f3nio.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 perturba\u00e7\u00f5es (fobias) da personalidade que se podem esconder no celibato. O amadurecimento da personalidade \u00e9 um processo e como tal n\u00e3o deve ser parado em nenhum sector.<\/p>\n<p>Nos tempos em que havia grande aflu\u00eancia de voca\u00e7\u00f5es sacerdotais aos semin\u00e1rios, os orientadores prestavam grande aten\u00e7\u00e3o \u00e0 maturidade intelectual, ps\u00edquica e afectiva; hoje, a car\u00eancia pode tornar os crit\u00e9rios de selec\u00e7\u00e3o mais laxa, o que pode ter m\u00e1s consequ\u00eancias. O padre deve continuar a ser uma inst\u00e2ncia moral, tamb\u00e9m o pode ser como casado! A institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode limitar-se no mundo a ser um universo paralelo. Os padres n\u00e3o s\u00e3o criaturas sem necessidades. A natureza quer-se dominada mas n\u00e3o negada. A nega\u00e7\u00e3o da necessidade implica a nega\u00e7\u00e3o da realidade. Uma afirma\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o \u00e0 custa da nega\u00e7\u00e3o da necessidade pode tornar-se explora\u00e7\u00e3o e pode conduzir \u00e0 hipocrisia e \u00e0 sobranceria.<\/p>\n<p>O padre caminha ao lado das pessoas. Nas miss\u00f5es e no meio dos pobres realizam ac\u00e7\u00f5es her\u00f3icas. A sua entrega \u00e9 total, vivem com os pobres de dia e de noite, assumem as suas preocupa\u00e7\u00f5es. Ele \u00e9 cura de almas e presencia o divino. Todo o crist\u00e3o est\u00e1 chamado a esta miss\u00e3o.<\/p>\n<p>O voto da castidade pode tornar-se, com o tempo, numa grande carga, numa pris\u00e3o da sexualidade e \u00e9 j\u00e1 hoje uma ren\u00fancia a fomento de cristianismo nas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A Igreja cat\u00f3lica, num acto de ang\u00fastia, viu-se na necessidade de proclamar, a 19 de Junho de 2009, um ano sacerdotal.<\/p>\n<p>Com isto espera das comunidades crist\u00e3s e dos padres maior empenho. Os bispos, continuam a reagir como a avestruz que em situa\u00e7\u00f5es de perigo metem a cabe\u00e7a debaixo da areia. Em vez de analisarem o porqu\u00ea da crise sacerdotal e a prescri\u00e7\u00e3o celibat\u00e1ria preferem continuar a apostar no celibato do p\u00e1roco, a reduzi-lo a um perfil de desafio entre aceita\u00e7\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o, apesar da pen\u00faria que se alastra por todas as par\u00f3quias.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o se deu conta que explora a pessoa do padre e por vezes abusa de pessoas sobrecarregadas com cargos honor\u00edficos, que os chegam a envolver em activismos exaustivos. Naturalmente que embora o trabalho feito, n\u00e3o reverta em favor da institui\u00e7\u00e3o mas em favor da comunidade, esse facto n\u00e3o deve desresponsabilizar a administra\u00e7\u00e3o no cuidado que deve ter pelos seus membros. Naturalmente que uma igreja pobre ao servi\u00e7o dos pobres n\u00e3o tem fundos de meneio suficientes para poder fomentar uma rede de colaboradores leigos mais eficiente. Embora a f\u00f3rmula trinit\u00e1ria seja plena em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dial\u00e9ctica, a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode fugir \u00e0 realidade dial\u00e9ctica da disputa de dois p\u00f3los: um p\u00f3lo constante do exerc\u00edcio e da procura da verdade e outro vari\u00e1vel de express\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p><strong> REESTRUTURA\u00c7\u00c3O DAS COMUNIDADES CRIS<\/strong>T\u00c3S<strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong> A Par\u00f3quia \u00e9 um Terreno em Obras<\/strong><\/p>\n<p>Na Alemanha, tal como em muitos outros pa\u00edses, as par\u00f3quias cat\u00f3licas e protestantes encontram-se em profunda reestrutura\u00e7\u00e3o devido a falta de recursos econ\u00f3micos, a elabora\u00e7\u00e3o de novos perfis pastorais e \u00e0 falta de p\u00e1rocos (no caso dos cat\u00f3licos).<\/p>\n<p>A crise de comunidades paroquiais devida \u00e0 falta de padres torna-se cada vez mais aguda. Em vez de se adaptar a estrutura pastoral eclesi\u00e1stica \u00e0s necessidades da comunidade, adapta-se a comunidade \u00e0 falta de padres. Acelera-se um fen\u00f3meno de desenraizamento e de abandono dos crist\u00e3os das pr\u00e1ticas lit\u00fargicas e uma certa identifica\u00e7\u00e3o territorial. A rela\u00e7\u00e3o p\u00e1roco comunidade dificulta-se. A comunidade de base insurge-se contra a reuni\u00e3o de par\u00f3quias sob um s\u00f3 p\u00e1roco, mas em v\u00e3o. O padre passa a ser um pastor de multiplicadores. Este processo oferece pouca resist\u00eancia porque muitos dos p\u00e1rocos j\u00e1 s\u00f3 visitavam os \u201cfregueses\u201d quando solicitados. A necessidade em vez de se dar em favor dos membros da comunidade recorrendo-se \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o de pessoas casadas, de di\u00e1conos e diaconisas recorre-se \u00e0 estrat\u00e9gia estrutural do mesmo p\u00e1roco fazer servi\u00e7o em v\u00e1rias freguesias ou em junt\u00e1-las. Naturalmente que tamb\u00e9m o reajustamento de par\u00f3quias traz as suas vantagens. Geralmente da necessidade nasce a virtude.<\/p>\n<p>Com a fus\u00e3o de par\u00f3quias o trabalho ser\u00e1 mais estruturado e a rede de servi\u00e7os torna-se mais lata. Por outro lado com estas medidas petrificam-se posi\u00e7\u00f5es conservadoras que n\u00e3o aceitam p\u00e1rocos casados nem diaconisas. A lobi administrativa reduz a lamenta\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, que v\u00eaem a sua comunidade amea\u00e7ada, a um luto que passa. Mais que investir na mudan\u00e7a das estruturas seria de investir na vida espiritual das comunidades e na cria\u00e7\u00e3o de Unidades Pastorais de servi\u00e7os espec\u00edficos. A preocupa\u00e7\u00e3o das estruturas da igreja parece ser outra: pensa em sistemas de representa\u00e7\u00e3o da Igreja a n\u00edvel local, como se a comunidade crist\u00e3 n\u00e3o fosse ecclesia mas fosse apenas parte duma sociedade. Enganam os fi\u00e9is com a ideia de democratiza\u00e7\u00e3o e de responsabiliza\u00e7\u00e3o dos leigos no lugar como se a comunidade n\u00e3o continuasse centrada no padre. Ou ser\u00e1 que os actuais p\u00e1rocos s\u00e3o um impedimento de desenvolvimento de actividades laicas que na sua aus\u00eancia se tornar\u00e3o poss\u00edveis? Naturalmente que se h\u00e1 par\u00f3quias em que o padre s\u00f3 se limita \u00e0 administra\u00e7\u00e3o dos sacramentos, neste caso a subjuga\u00e7\u00e3o dessa par\u00f3quia a uma outra parecer\u00e1 leg\u00edtima. Temos o Mammon e a institui\u00e7\u00e3o por vezes em concorr\u00eancia com a pastoral e com a eclesiologia. A igreja tem uma responsabilidade ad intra et ad extra. Esta pressup\u00f5e o respeito por comunidades vivas e unidas, emocional, social e espiritualmente; essa responsabilidade deve estender-se ao p\u00e1roco muitas vezes abandonado ao isolamento. Nunca \u00e9 demais louvar o trabalho abnegado de assist\u00eancia social e pastoral que os padres prestam ao povo e ao Estado apesar do ressentimento presente em ideologias que se apoderam do Estado e pretendem carta branca para a imposi\u00e7\u00e3o dos seus interesses contra aqueles.<\/p>\n<p><strong> Crit\u00e9rios indispens\u00e1veis a uma Comunidade<\/strong><\/p>\n<p>Uma par\u00f3quia pode continuar a ter v\u00e1rias comunidades, como j\u00e1 acontece com os diferentes hor\u00e1rios de missas, com diferentes m\u00fasicas, diferentes p\u00fablicos e at\u00e9, por vezes com diferentes padres. As condi\u00e7\u00f5es para que haja comunidade s\u00e3o: o seu testemunho de f\u00e9 (martyria), a viv\u00eancia da caridade (diakonia) e o louvor a Deus (Eucharistia) que se expressam na comunh\u00e3o de todos (Communio) e se realiza e experimenta no Reino de Deus (Missio). Ecclesia (comunidade) pode naturalmente acontecer independentemente dum lugar determinado.<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>A revista alem\u00e3 para pastoral e praxis na comunidade n\u00ba. 3 de 2010 www.anzeiger-f\u00fcr-die-seelsorge.de\u00a0 refere o resultado duma investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em que se enumeram os crit\u00e9rios necess\u00e1rios para que uma Comunidade (ou par\u00f3quia) seja viva. Os oito crit\u00e9rios t\u00eam que ser cumpridos simultaneamente e s\u00e3o: direc\u00e7\u00e3o que autoriza, realiza\u00e7\u00e3o (execu\u00e7\u00e3o em colabora\u00e7\u00e3o) de orienta\u00e7\u00e3o carism\u00e1tica, espiritualidade entusiasta, rela\u00e7\u00f5es amorosas, estruturas convenientes, liturgias inspiradoras, pequenos grupos \u00edntegros e evangeliza\u00e7\u00e3o relevante.<\/p>\n<p>Daqui se conclui a necessidade duma planifica\u00e7\u00e3o abrangente. Al\u00e9m disso purismos s\u00e3o inconvenientes; o \u201ctrigo\u201d deve \u201ccrescer com o joio\u201d; s\u00f3 mais tarde se poder\u00e1 ver. Uns fi\u00e9is trazem e sustentam os outros. Os espa\u00e7os paroquiais ou da comunidade poder\u00e3o ser usados por diferentes grupos de m\u00fasica e de arte, canto, cursos de forma\u00e7\u00e3o, viagens, peregrina\u00e7\u00f5es, exposi\u00e7\u00f5es, e grupos de medita\u00e7\u00e3o e outros em situa\u00e7\u00f5es mesmo contradit\u00f3rias, projectos ligados a necessidades espec\u00edficas sejam elas fam\u00edlia, idosos, etc..<\/p>\n<p>Com padres casados ou com padres celibat\u00e1rios o importante \u00e9 que a comunidade se abra \u00e0 vida e n\u00e3o se fixe em h\u00e1bitos rotineiros mas que se reduzem a n\u00e3o deixar morrer alguma iniciativa. Descobrir os pr\u00f3prios carismas e os dos outros numa estrutura com buracos estruturais que permitam oportunidades para a actua\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Com a reforma antecipada h\u00e1 muitas pessoas crist\u00e3s e n\u00e3o crist\u00e3s interessadas em colaborar honorificamente ou apresentar projectos.<\/p>\n<p><strong> A Igreja tem-se contentado em ver a Banda a passar<\/strong><\/p>\n<p>Uma atitude da sociedade secular generalizada contra os padres e a sobrecarga de trabalho leva muitos p\u00e1rocos a uma situa\u00e7\u00e3o de isolamento e de solid\u00e3o.<\/p>\n<p>A direc\u00e7\u00e3o da Igreja adia o problema da falta de padres conectando v\u00e1rias par\u00f3quias em Unidades Pastorais sob a direc\u00e7\u00e3o dum s\u00f3 padre ou dum grupo de padres. O sacerdote v\u00ea, muitas vezes, a sua actividade reduzida a mero administrador de sacramentos e a orientador de grupos, tornando-se num h\u00f3spede de passagem, sem tempo para conviver com os membros da comunidade. O novo perfil de p\u00e1roco parece corresponder mais a um Administrador duma sociedade de leis (grega) do que a uma comunidade de vida (b\u00edblica) com uma vida inerente de \u201cauto-sufici\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de substituir padres por assistentes pastorais revela-se, por vezes, como contra-produtiva por estes n\u00e3o surgirem da comunidade de vida mas serem colocados por uma institui\u00e7\u00e3o distante apenas preocupada com problemas log\u00edsticos de administra\u00e7\u00e3o. O recurso a padres do terceiro mundo para as par\u00f3quias, tal como faz a ind\u00fastria recorrendo \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o de trabalhadores do estrangeiro, revela-se prec\u00e1ria. N\u00e3o podem contar com uma comunidade acolhedora como no caso das ordens e congrega\u00e7\u00f5es, o que pode conduzir a um choque cultural, ao isolamento e a depress\u00f5es, como se observa em certos casos na Alemanha.<\/p>\n<p>O activismo a que os p\u00e1rocos est\u00e3o sujeitos leva-os, muitas vezes, a perder a alegria de servi\u00e7o e de vida. 50% dos padres portugueses n\u00e3o participam em retiros nem em cursos de forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua: um testemunho de pobreza espiritual e de inc\u00faria.<\/p>\n<p>Padres transplantados de outras culturas acrescentam \u00e0 solid\u00e3o do celibato o choque cultural que conduz muitas vezes ao stress emocional e \u00e0 depress\u00e3o. O padre vive s\u00f3 com os seus problemas e fica s\u00f3 com os problemas a ele confiados. O cargo transforma-se numa carga e o dia a dia pastoral vai-se tornando num deserto onde a fonte da f\u00e9 se vai esvaindo.<\/p>\n<p>O Homem n\u00e3o \u00e9 de pau. A sua uni\u00e3o a Cristo deve ser complementada com a sua liga\u00e7\u00e3o a Jesus, o Homem. No padre, como no crist\u00e3o deve tornar-se transparente o esp\u00edrito e a mat\u00e9ria, Jesus Cristo completo.<\/p>\n<p>Deus age em n\u00f3s e atrav\u00e9s de n\u00f3s; o nosso agir tem qualidade divina (Gal.2,20). Apresentar Cristo como garante de que n\u00e3o h\u00e1 tempos de ponto morto na vida sacerdotal seria uma impertin\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 materialidade como se de Cristo n\u00e3o fizesse parte Jesus, a parte humana sujeita. A sublima\u00e7\u00e3o dum servi\u00e7o n\u00e3o deve dar-se \u00e0 custa dos outros, como se o leigo em comunidade n\u00e3o pudesse participar do mais profundo da divindade. O chamamento sacerdotal e espec\u00edfico n\u00e3o deve desresponsabilizar o sacerd\u00f3cio comum do povo de Deus; eles d\u00e3o-se na complementaridade. \u201cEu sou aquele que est\u00e1 aqui para v\u00f3s\u201d (Ex 3,14). \u201cOnde estiverem dois ou tr\u00eas no meu nome l\u00e1 estou eu\u201d(Mt 18,20). \u201cO que fizerdes ao mais pequeno a mim o fazeis\u201d(Mt 25,40).Jo 17,21) (Act 2,44; 4,32).<\/p>\n<p>\u201cO sacrif\u00edcio que agrada a Deus\u201d(Ef. 5,2) n\u00e3o \u00e9 mortifica\u00e7\u00e3o mas sim fidelidade \u00e0 carne e ao esp\u00edrito no respeito de Cristo e de Jesus que formam uma unidade de mat\u00e9ria e esp\u00edrito. Estar em Cristo n\u00e3o significa s\u00f3 estar junto dele mas estar nele na terceira dimens\u00e3o (pessoa) do amor. A for\u00e7a de Cristo jorra em Jesus de v\u00e1rias maneiras. Mais que \u201cenviados de Cristo\u201d estamos a fluir com ele na realiza\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria. Com o Par\u00e1clito somos todos enviados a transformar-nos a n\u00f3s e ao mundo no Jesus Cristo (uni\u00e3o de mat\u00e9ria e esp\u00edrito, 2Cor.1,21).<\/p>\n<p>O servi\u00e7o sacerdotal ter\u00e1 de ser alargado para que a ac\u00e7\u00e3o eclesial se concretize na multiplicidade das situa\u00e7\u00f5es da vida. Tamb\u00e9m o diaconato da mulher se tornar\u00e1 uma realidade. A raz\u00e3o precisa de percorrer, por vezes, longos caminhos at\u00e9 que, por fim, vence!<\/p>\n<p><strong>O dom do sacerd\u00f3cio e os diferentes dons s\u00e3o para a comunidade<\/strong>. O desleixo esconde-se facilmente sob o manto da vontade de Deus, como se ela n\u00e3o passasse pela vontade do Homem. Deus age no leigo, no secular e no padre em diferentes fun\u00e7\u00f5es. O cristianismo n\u00e3o \u00e9 uma estrada num s\u00f3 sentido. Nele h\u00e1 as mais diversas mans\u00f5es!<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Copyright \u00a9 2010 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p><a href=\"..\/\">https:\/\/antonio-justo.eu\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celibato \u2013 Ontem uma B\u00ean\u00e7\u00e3o \u2013 Hoje um Problema Ant\u00f3nio Justo A Igreja Cat\u00f3lica conta com 1.131.000.000 cat\u00f3licos no mundo e disp\u00f5e de 407.262 padres e de 815.237 membros de ordens religiosas (estat\u00edsticas de 2008). As comunidades cada vez contam com menos padres. A frequ\u00eancia dominical diminui tamb\u00e9m. Enquanto na Pol\u00f3nia 40% da popula\u00e7\u00e3o vai &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1488\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">PADRES A MENOS E PASTORES A MAIS<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[4,7,8],"tags":[],"class_list":["post-1488","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1488","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1488"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1488\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1490,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1488\/revisions\/1490"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}