{"id":1486,"date":"2010-03-04T00:34:52","date_gmt":"2010-03-03T23:34:52","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1486"},"modified":"2010-03-04T00:34:52","modified_gmt":"2010-03-03T23:34:52","slug":"entre-a-palavra-e-a-imagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1486","title":{"rendered":"ENTRE A PALAVRA E A IMAGEM"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por um Discurso mais Feminino<\/strong><strong> <\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p>\u201cNada de novo sob o Sol\u201d diziam j\u00e1 os antigos. Isto n\u00e3o nos deve impedir de, \u00e0 sombra das imagens, nos aquecermos no fogo das palavras e nelas aumentar o espectro das perspectivas.<\/p>\n<p>No princ\u00edpio estava o Verbo que \u00e9 mais que a palavra. Ele, mais que abstrac\u00e7\u00e3o, \u00e9 ac\u00e7\u00e3o na complementa\u00e7\u00e3o, \u00e9 encarna\u00e7\u00e3o. O verbo, o logos \u00e9 bi\u00f3topo, \u00e9 ao mesmo tempo raz\u00e3o e natureza, abstrac\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia do todo, no sentido do todo (Alfa e \u00d3mega), para l\u00e1 dum simples ordenar de letras do alfabeto. Da palavra surgiu a cultura, numa metamorfose esfor\u00e7ada contra a natura.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o da realidade numa din\u00e2mica (sentido) de palavra contra a imagem, de masculino contra o feminino, de cidade contra o campo, tem sido redutora duma realidade que \u00e9 Verbo. A imagem \u00e9 a-perspectiva e aponta para a fonte profunda da cultura.<\/p>\n<p>Primeiro est\u00e1 a imagem e depois vem a palavra. A imagem \u00e9 indutiva, parte da experi\u00eancia directa enquanto que a palavra \u00e9 dedutiva, resultando duma elabora\u00e7\u00e3o intelectual emancipada. Pelas duas se pretende apalpar e expressar a realidade, as duas s\u00e3o informa\u00e7\u00e3o, encontrando-se numa rela\u00e7\u00e3o de autonomia complementar.<\/p>\n<p>Primeiro est\u00e1 a imagem que encobre muitos conceitos. Sem a palavra o conceito n\u00e3o seria dado \u00e0 luz e ficaria submerso na imagem, perdido na ramagem da floresta primitiva, reduzido ao ulular da selva animal. O pensamento torna-se num andaime de que as palavras s\u00e3o os ferros. A imagem cria a necessidade do suporte.<\/p>\n<p>A l\u00edngua vive das suas met\u00e1foras tecidas de imagens. Por detr\u00e1s das palavras escondem-se imagens, as ideias. As ideias s\u00e3o para Plat\u00e3o imagens prot\u00f3tipo, s\u00e3o as coisas do mundo das apari\u00e7\u00f5es, dos fen\u00f3menos. Para Kant s\u00e3o os reguladores do esfor\u00e7o humano, provenientes da raz\u00e3o, sem realidade objectiva mas que possibilitam a constru\u00e7\u00e3o de imagens fechadas do mundo, ultrapassando a possibilidade da experi\u00eancia nas ideias de Deus, liberdade e imortalidade.<\/p>\n<p><strong>Na imagem eu n\u00e3o falo, sou falado\u2026 ela \u00e9 o lugar da poesia e da religi\u00e3o<\/strong>. O discurso n\u00e3o se forma numa roleta das palavras ao gosto dum linguarejar unidimensional masculino. <strong>A palavra s\u00f3 \u00e9 verdadeira, se encarnada. <\/strong>N\u00e3o chega a informa\u00e7\u00e3o do s\u00e9men (a palavra) \u00e9 necess\u00e1ria tamb\u00e9m a imagem, o \u00fatero que lhe d\u00e1 consist\u00eancia. S\u00f3 assim ela \u00e9 completa, \u00e9 verbo. De resto, reduzir\u00edamos a palavra a uma tautologia do quem esteve primeiro, o galo ou a galinha, se quem est\u00e1 na origem \u00e9 o esperma ou o \u00f3vulo. N\u00e3o passar\u00edamos de guarda-livros da vida! \u00a0Entre o Esperma e o \u00d3vulo encontra-se uma outra Dimens\u00e3o da Realidade.<\/p>\n<p>Sem a matriz da selva, sem a fantasia n\u00e3o haveria agir humano, nem arte nem mitologia. A gera\u00e7\u00e3o, a criatividade d\u00e1-se na uni\u00e3o e n\u00e3o na divis\u00e3o. A sociedade patriarcal, a civiliza\u00e7\u00e3o, domina mediante a afirma\u00e7\u00e3o exagerada da palavra contra a imagem. A palavra real emancipa-se, da imagem, abstraindo-a mas mantendo ao mesmo tempo uma rela\u00e7\u00e3o de filia\u00e7\u00e3o com ela. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o de necessidade que leva o esp\u00edrito \u00e0 gruta, o esp\u00edrito ao corpo gerado pelo esp\u00edrito e ao mesmo tempo transformado em lugar de nascimento da divindade. A\u00ed, o ser integra o estar, num processo de ser, ao mesmo tempo parido e parturiente. No eu da minha palavra re\u00fane-se o grito, a resson\u00e2ncia do encontro, o interm\u00e9dio, o sentido surgido entre imagem e palavra. De mim vazio, entrelinha, torno-me imagem e grito (palavra) do mundo para com ele nascer no outro, \u00e0 luz do encontro trinit\u00e1rio, na complementaridade do eu e do tu a expressar-se no n\u00f3s sempre a acontecer.<\/p>\n<p>O eu e o tu ganham forma e transcendem-se no n\u00f3s. O eu, tal como a palavra que o consciencializa, pressup\u00f5e n\u00e3o s\u00f3 a voz mas tamb\u00e9m o eco no tu, na imagem dum eu primordial. Imagem e palavra encontram-se em correla\u00e7\u00e3o, tal como praxis e teoria, tal como mulher e homem, mat\u00e9ria e esp\u00edrito, tempo e espa\u00e7o, natureza e cultura, na coexist\u00eancia e interfer\u00eancia complementar, sempre a caminho e a gerar uma terceira dimens\u00e3o, na rela\u00e7\u00e3o do todo integral.<\/p>\n<p>O andaime \u00e9 ve\u00edculo, dir\u00edamos, \u00e9 a l\u00f3gica que n\u00e3o se deixa reduzir \u00e0 palavra porque faz parte da imagem. Antes da palavra est\u00e1 o balbuciar, o gaguejar do pensar que \u00e9 a express\u00e3o das dores de parto, da noite sem sonho, no dormir do estar sem ser, para depois come\u00e7ar a sonhar e a aparecer. No grito treme, ao mesmo tempo, o esp\u00edrito e a mat\u00e9ria que, nas pegadas do tempo, deixam o eco sempre repetido na palavra.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o mar das emo\u00e7\u00f5es gera as ondas do sentimento. Emo\u00e7\u00e3o, sentimento e palavra s\u00e3o diferentes n\u00edveis de express\u00e3o duma realidade comum. Ve\u00edculo e veiculado encontram-se em rela\u00e7\u00e3o de necessidade m\u00fatua.<\/p>\n<p>A realidade da \u00e1rvore n\u00e3o se deixa definir pelas folhas como as folhas n\u00e3o se definem pela \u00e1rvore. O mesmo se diga do pensamento e das palavras. O andaime n\u00e3o se deixa limitar a ve\u00edculo; ele faz parte integrante dum processo vivo. A palavra, como o ferro do andaime, realiza, desde que enquadrada no processo de que ela se torna tamb\u00e9m mensageira. Se olho para a folha vejo tamb\u00e9m ramos e talvez uma perspectiva da \u00e1rvore.<\/p>\n<p>A palavra realiza-se e redime-se na medida em que revela ou d\u00e1 acesso ao conceito, \u00e0 ramagem da \u00e1rvore e a conduz \u00e0 imagem inicial. A palavra \u00e9 mais que c\u00f3digo, mais que ve\u00edculo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A Palavra petrificada para o Povo no Deserto do Sinai<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a Sar\u00e7a-ardente de Mois\u00e9s (1.400 a.C.), sem a palavra dos Mandamentos, neste caso, uma esp\u00e9cie de materializa\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito, n\u00e3o expressaria a Verdade da Sar\u00e7a ardente, do Mist\u00e9rio. Mois\u00e9s, o iniciado, que experimentou o mist\u00e9rio que o prostrou, manifesta a sua sombra na for\u00e7a da imagem, na realidade do fogo. A Verdade experimentada por Mois\u00e9s s\u00f3 podia ser transmitida, duma forma distante, democratizada atrav\u00e9s da palavra, dos mandamentos, ao povo. A sua experi\u00eancia do todo (Verdade) prostra-o por terra, desfigurando-o.<\/p>\n<p>Mois\u00e9s n\u00e3o confia no povo e resiste a Deus, n\u00e3o reconhece no povo a capacidade de se subordinar \u00e0 religi\u00e3o nem ao direito. Desfigura-se e reconhece depois que a integralidade da verdade (Realidade) pode encontrar o mais elementar acesso a ela atrav\u00e9s da janela da palavra, nos mandamentos. N\u00e3o chega a mera palavra; esta tem de se espiritualizar num processo de errar pelo deserto da vida antes de atingir a Terra Santa, que Mois\u00e9s mesmo depois de 40 anos (uma vida inteira de procura) n\u00e3o chega a atingir. O primeiro degrau no acesso \u00e0 verdade d\u00e1-se pelas palavras, a folhagem do pensamento. A realidade (verdade) em fluxo na Sar\u00e7a-ardente s\u00f3 se torna acess\u00edvel \u00e0 generalidade atrav\u00e9s da experi\u00eancia (de Mois\u00e9s) petrificada nas palavras e deste modo adaptada ao receptor. O povo n\u00e3o tem acesso directo \u00e0 imagem e menos ainda \u00e0 realidade que prostrou Mois\u00e9s. A verdade transcende a sua petrifica\u00e7\u00e3o nas pedras do Sinai e nas pedras do c\u00e9rebro. Ela \u00e9 din\u00e2mica como a Sar\u00e7a-ardente sempre em processo a acontecer. Por isso h\u00e1 que despir as palavras da \u201cmentira\u201d que as envolve, tirar-lhe a ilus\u00e3o das pedras da lei. O processo de liberta\u00e7\u00e3o da \u201cescravid\u00e3o do Egipto\u201d pressup\u00f5e o ajuntamento e a subida ao Sinai. Mesmo a lei libertadora n\u00e3o garante a chegada.<\/p>\n<p><strong>Se a palavra \u00e9 a janela do conhecimento a imagem \u00e9 a janela do sagrado.<\/strong> Entre os dois acontece a realidade. Pela janela da palavra descortina-se o irromper da paisagem do mist\u00e9rio, de que tamb\u00e9m ela faz parte. Ela fica no limiar do Segredo e do Esp\u00edrito. N\u00e3o somos s\u00f3 filhos inc\u00f3gnitos do pensamento, do \u201cpenso logo sou\u201d. Ao eu \u2013 imagino da selva segue-se o eu \u2013 falo, o eu sou em sociedade. Este foi o grande caminho especialmente do Ocidente que frutificou nos direitos humanos e que precisa da refer\u00eancia oriental \u00e0 imagem, \u00e0 m\u00e3e. Primeiro est\u00e1 a paisagem do n\u00f3s e depois o indiv\u00edduo nela. Este ao sair dela tem a possibilidade de se reflectir dentro do di\u00e1logo e em di\u00e1logo passar ao tri\u00e1logo.<strong> <\/strong>Somos filhos do mist\u00e9rio e com ele continuaremos a ser definidos. Pela palavra temos acesso ao mar do mist\u00e9rio mas ela \u00e9 apenas a sua onda. A palavra sem a imagem \u00e9 vida em segunda m\u00e3o. A Palavra (Verbo, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sujeito e objecto) \u00e9 acontecer, \u00e9 processo tal como o esperma e o \u00f3vulo na dimens\u00e3o dum ventre a dar \u00e0 luz. Ela n\u00e3o pode ser reduzida a<strong> <\/strong>um<strong> <\/strong>flatus duma<strong> <\/strong>verdade meramente espacio-temporal, a uma crosta da crosta. A palavra seria ent\u00e3o a objectividade enquanto que a imagem a subjectividade duma realidade para l\u00e1 das duas.<\/p>\n<p>Os caminhos do Homem marcam a sua presen\u00e7a na selva da realidade \u00e0 maneira de caminhos feitos sobre o alcatr\u00e3o da palavra que em contexto de imagem se pode tornar tamb\u00e9m realidade. A palavra, ao mesmo tempo pegada e caminho em \u201ccontexto\u201d deveria transcender os holofotes da l\u00f3gica dial\u00e9ctica redutora e determinista, de causa \u2013 efeito, para atingir uma Realidade, n\u00e3o s\u00f3 de di\u00e1logo (dial\u00e9ctica pura do \u201cou\u2026 ou\u201d) mas sobretudo de tri\u00e1logo (trinit\u00e1ria) do \u201cn\u00e3o s\u00f3\u2026 mas tamb\u00e9m\u201d. Esta ser\u00e1 o pressuposto duma nova cultura, dum novo mundo.<\/p>\n<p><strong>O Verbo \u00e9 a Informa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o formatada<\/strong><\/p>\n<p>O mundo f\u00edsico \u00e9 uma express\u00e3o fenomenal (uma forma da Realidade), tal como o pensamento (um molde da realidade f\u00edsica).<\/p>\n<p>A palavra vem do pensamento, o pensamento vem da imagem e a imagem vem da informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o formatada (Verbo), da verdade de gerar ou enformar. Se, por um lado, se d\u00e1 o processo evolutivo espiral ascendente, por outro lado, temos o momento do processo descendente, da Palavra que se encorpa num processo trinit\u00e1rio e n\u00e3o apenas numa dimens\u00e3o linear de afirma\u00e7\u00e3o pelo contradi\u00e7\u00e3o dual. A Realidade que \u00e9 a divindade interage na rela\u00e7\u00e3o Pai, Filho e Esp\u00edrito. No princ\u00edpio era o Verbo\u2026 O Esp\u00edrito seria analogicamente o princ\u00edpio criador maternal. Em Jesus encarnou a Palavra e com ela a carne entra num processo de espiritualiza\u00e7\u00e3o, expressa na natureza de Cristo, onde se transcende a consci\u00eancia espacio-temporal, a consci\u00eancia bipolar do bem e do mal.<\/p>\n<p>A fixa\u00e7\u00e3o na palavra, tal como a fixa\u00e7\u00e3o na imagem, aprisiona a realidade a uma vertente. Uma cultura quanto mais iconoclasta \u00e9 mais masculina se torna. Quanto mais puro o monote\u00edsmo mais machista \u00e9!<\/p>\n<p>Imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 a for\u00e7a que est\u00e1 por detr\u00e1s do poder de abstrac\u00e7\u00e3o, a intelig\u00eancia. Ideia \u00e9 representa\u00e7\u00e3o no palco do conhecimento. A rela\u00e7\u00e3o abstracta, se por um lado \u00e9 libertadora por outro \u00e9 redutora, meramente bin\u00e1ria, o mundo e eu.<\/p>\n<p><strong>A dial\u00e9ctica afirma-se pela contradi\u00e7\u00e3o quando a estrutura da Realidade e do di\u00e1logo \u00e9 trinit\u00e1ria, como a teologia previa e a f\u00edsica qu\u00e2ntica parece confirmar. Esta superou o determinismo e o mecanismo dogm\u00e1tico da f\u00edsica cl\u00e1ssica. O processo \u00e9 complexo n\u00e3o se deixando reduzir \u00e0 realidade do plano bidimensional da coisa (outro), do eu e da consci\u00eancia, quer pr\u00f3prio quer do outro. Eu sou mais que ser com. O meu estar com o estar do outro possibilita a minha presen\u00e7a, a viv\u00eancia de n\u00e3o s\u00f3 estar mas tamb\u00e9m ser. A presen\u00e7a do outro leva-me a ser. Ser o espa\u00e7o entre o meu estar e o estar do outro numa correspond\u00eancia tripla Eu-Tu-Rela\u00e7\u00e3o (mais que viv\u00eancia\/ideia): Pai-Filho-Esp\u00edrito. Husserl tamb\u00e9m constata que para l\u00e1 do n\u00edvel da realidade \u201cplana\u201d se encontra a \u201cdimens\u00e3o da espiritualidade viva\u201d. O esp\u00edrito humano revela-se na l\u00edngua pela possibilidade de dizer tu. Revela-se na capacidade de reconhecer um tu, no limiar do \u201cpecado\u201d de Ad\u00e3o e Eva, como reconhece a B\u00edblia. O reconhecimento leva \u00e0 fala que permite ent\u00e3o o encontro. Oh feliz culpa!&#8230; No argumento e contra argumento, cada interlocutor reduz a coisa \u00e0 sua imagem fixa, cristalizando-a na pr\u00f3pria diferen\u00e7a, ou aspecto, truncando-a da imagem viva que \u00e9 movimento.<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Discurso Masculino contra o Feminino<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da imagina\u00e7\u00e3o ultrapassa-se a situa\u00e7\u00e3o real, encara-se a realidade para l\u00e1 da via causa efeito. Para l\u00e1 das palavras e das ideias encontram-se imagens, panoramas da alma. Por isso se queremos mudar sentimentos e comportamentos recorre-se a imagens.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o acontece no \u00e2mbito verbal e n\u00e3o verbal. A zona mais pr\u00f3xima ao sentimento \u00e9 a das imagens; a primeira apreens\u00e3o da realidade talvez se d\u00ea atrav\u00e9s da intelig\u00eancia emocional. A imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 a chave para sec\u00e7\u00f5es da personalidade. A imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 um instrumento que pode desenvolver a atitude racional. Nas c\u00e2maras da cave do nosso c\u00e9rebro encontram-se armazenadas as mais diferentes imagens, \u00e0 imagem de pinturas rupestres, que uma vez estimulados deixam representar a cor local de ent\u00e3o como se fossem filmes reais. Ao pensar criam-se associa\u00e7\u00f5es ligadas ao panorama da imagem.<\/p>\n<p>A parte esquerda do c\u00e9rebro \u00e9 respons\u00e1vel pelo pensar l\u00f3gico, de orienta\u00e7\u00e3o causal e determinista, tem a compet\u00eancia da l\u00edngua e da actividade verbal, como ler, escrever, matem\u00e1tica, decorar e processos anal\u00edticos. \u00c9 o centro do pensar racional, ao mesmo tempo ordenador e orientado para uma meta.<\/p>\n<p>O hemisf\u00e9rio cerebral direito tem a compet\u00eancia da compreens\u00e3o de imagens. N\u00e3o \u00e9 l\u00f3gico, e corresponde a uma vis\u00e3o de conjunto, criativa, global, de car\u00e1cter fotogr\u00e1fico panor\u00e2mico, de car\u00e1cter intuitivo emocional numa rela\u00e7\u00e3o de indu\u00e7\u00e3o. Esta parte cerebral \u00e9 desprezada a n\u00edvel escolar, pol\u00edtico e econ\u00f3mico e mesmo no sistema de pensamento, dando-se mais import\u00e2ncia \u00e0 intelig\u00eancia racional (car\u00e1cter mais masculino, firmamento) do que \u00e0 intelig\u00eancia emocional (car\u00e1cter mais feminino, terra). <strong>Repete-se o defeito da dial\u00e9ctica na rela\u00e7\u00e3o entre Realidade e ideia. Assiste-se \u00e0 ci\u00eancia contra a arte e contra a religi\u00e3o, ao patriarcado contra o matriarcado<\/strong>. \u00c9 o hemisf\u00e9rio cerebral esquerdo contra o direito. Continua-se no di\u00e1logo rectil\u00edneo, quando o a realidade \u00e9 complementar e acontece em tri\u00e1logo.<\/p>\n<p>Podemos fazer uma compara\u00e7\u00e3o extrema para a apreens\u00e3o da realidade. A parte esquerda do c\u00e9rebro pod\u00edamos design\u00e1-la do homem em n\u00f3s e a direita de mulher em n\u00f3s. Imaginemos que homem e mulher se encontram num extremo dum jardim sem caminhos e querem atingir o outro extremo. O homem chega naturalmente primeiro! Ele com o seu pensar l\u00f3gico s\u00f3 via o fim (o firmamento) pisando muitas das flores e arbustos para l\u00e1 chegar rapidamente. A mulher chegou mais tarde mas n\u00e3o estragou e chegou mais rica porque pode descrever muitas das flores e arbustos que observou ao contornar. Ela tem a vis\u00e3o individual e quer manter o todo intacto, o seu estar \u00e9 um estar em rela\u00e7\u00e3o. O homem tem a vis\u00e3o abstracta, tem no sentido a meta, provoca a dor mas consegue chegar mais r\u00e1pido, o seu estar \u00e9 distante.<\/p>\n<p>A Escola, o Estado, o Pensamento e at\u00e9 a Religi\u00e3o, continuam a cultivar uma cultura masculina, um discurso exclusivo do \u201cou\u2026ou\u201d quando a Realidade \u00e9 integral, necessitando n\u00f3s duma cultura do \u201cn\u00e3o s\u00f3\u2026mas tamb\u00e9m.\u201d As duas for\u00e7as juntas conseguem reunir o princ\u00edpio da selec\u00e7\u00e3o e da colabora\u00e7\u00e3o (osmose) numa parceria de complementaridade em rela\u00e7\u00e3o de igualdade. Trata-se de ver o mundo n\u00e3o s\u00f3 segundo uma dimens\u00e3o de uma perspectiva (masculina ou feminina, dedutiva ou indutiva) mas tamb\u00e9m da dimens\u00e3o a-perspectiva, porque a perspectiva \u00e9 sempre redutora, tal como a defini\u00e7\u00e3o. A paz e a harmonia no sentido evolutivo realizam-se ent\u00e3o na dan\u00e7a da mulher e do homem, da imagem e da palavra, num processo cont\u00ednuo de emancipa\u00e7\u00e3o dos dois, num jogo de ejacula\u00e7\u00e3o e gesta\u00e7\u00e3o, de tens\u00e3o e relaxe. Na complementa\u00e7\u00e3o dos dois se dar\u00e1 \u00e0 luz uma nova realidade, uma cultura da paz e n\u00e3o da guerra. A estrat\u00e9gia a seguir ser\u00e1 o reconhecimento da complementaridade da feminilidade e da masculinidade de forma equitativa.<\/p>\n<p><strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>https:\/\/antonio-justo.eu\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por um Discurso mais Feminino Ant\u00f3nio Justo \u201cNada de novo sob o Sol\u201d diziam j\u00e1 os antigos. Isto n\u00e3o nos deve impedir de, \u00e0 sombra das imagens, nos aquecermos no fogo das palavras e nelas aumentar o espectro das perspectivas. No princ\u00edpio estava o Verbo que \u00e9 mais que a palavra. Ele, mais que abstrac\u00e7\u00e3o, &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1486\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">ENTRE A PALAVRA E A IMAGEM<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,4,5,7,8],"tags":[],"class_list":["post-1486","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-educacao","category-escola","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1486"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1486\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1487,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1486\/revisions\/1487"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}