{"id":1466,"date":"2010-01-26T13:22:00","date_gmt":"2010-01-26T12:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1466"},"modified":"2010-01-26T13:22:00","modified_gmt":"2010-01-26T12:22:00","slug":"reclamacao-ao-ministerio-da-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1466","title":{"rendered":"Reclama\u00e7\u00e3o ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Apresento este caso para encorajar, pessoas em situa\u00e7\u00f5es id\u00eanticas \u00e0s descritas nos dois artigos anteriores, a reclamar. Todo o paciente deveria registar num calend\u00e1rio as suas consultas m\u00e9dicas. Isto para estarem preparados a ser confrontados posteriormente com situa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis. <\/p>\n<p>A inc\u00faria que se atribui \u00e0s classes dirigentes tem os seus fundamentos na inc\u00faria popular, na indiferen\u00e7a e falta de solidariedade. Um povo adulto e exigente fomentar\u00e1 superiores respons\u00e1veis e adultos tamb\u00e9m. Entre uma maioria que ganha honradamente o seu p\u00e3o tamb\u00e9m h\u00e1 aqueles que se aproveitam imoralmente da necessidade do pr\u00f3ximo. <span style=\"font-weight:bold;\">A sabedoria popular diz que \u201cquem se deita com crian\u00e7as acorda molhado\u201d e \u201ca culpa morreu solteira\u201d. Por isso, se o povo n\u00e3o abrir os olhos, o mundo continuar\u00e1 a pertencer aos \u201cbastardos\u201d, aos \u201cbar\u00f5es\u201d! O esfor\u00e7o \u00e9 herc\u00faleo: por isso todos temos de nos dar as m\u00e3os e procurar compreender para melhor agir tamb\u00e9m!<br \/><span style=\"font-weight:bold;\"><\/span><\/span><br \/>Passo a reproduzir dois exemplos de correspond\u00eancia at\u00e9 agora mantida com as entidades sob a tutela do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Remetente<br \/>\u2026<br \/>2009-10-10          <br \/>Ex.ma Senhora Ministra da Sa\u00fade,  <br \/>Ex.ma Senhora Chefe do Gabinete, <br \/>Av. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, 9, 6\u00ba <br \/>1049-062 Lisboa, Portugal<br \/>Email: gms@ms.gov.pt <\/p>\n<p>Assunto: Pedido de interven\u00e7\u00e3o<br \/>Caso de Inc\u00faria administrativa no Hospital \u2026.<br \/>Poss\u00edvel falta de m\u00e9dicos contra o juramento hipocr\u00e1tico<\/p>\n<p>Excel\u00eancias,<\/p>\n<p>Solicito a interven\u00e7\u00e3o de V. Excel\u00eancias no caso que passo a descrever.<br \/>Nome\u2026, de 86 anos, foi consultado pela sua m\u00e9dica de fam\u00edlia em Novembro de 2008 com a finalidade de ser submetido a uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica \u00e0 articula\u00e7\u00e3o coxo-femural. Em Novembro a m\u00e9dica tomou as dilig\u00eancias burocr\u00e1ticas necess\u00e1rias para que o Hospital\u2026 fizesse as an\u00e1lises preparativas. Decorrido mais de m\u00eas e meio, o paciente recebeu carta do dito hospital para l\u00e1 comparecer no dia 22 de Abril para lhe serem feitos exames espec\u00edficos, o que o paciente fez. Voltou de novo no dia 3 de Junho, como convocado, para fazer an\u00e1lises e radiografias. Foi depois chamado para ser analisado pelo anestesista no dia 27 de Junho. O anestesista declarou-o como apto para a opera\u00e7\u00e3o, dizendo-lhe que deveria aguardar chamada. Esta ser-lhe-ia feita pelo Hospital de &#8230;. No caso est\u00e3o envolvidos os hospitais de \u2026<\/p>\n<p>O paciente quando, em Novembro de 2008 solicitou a opera\u00e7\u00e3o tinha dores que eram tratadas atrav\u00e9s de medicamentos. Entretanto as dores tornaram-se insuport\u00e1veis tendo de recorrer a muletas para poder andar; de resto o paciente \u00e9 robusto e tem muita sa\u00fade, nunca esteve doente!   <\/p>\n<p>At\u00e9 hoje nada mais aconteceu por parte da burocracia! Vive martirizado de dores f\u00edsicas e ps\u00edquicas e a ordem continua a ser \u201cesperar\u201d! J\u00e1 n\u00e3o chega a chaga da velhice mas tem de sofrer esta cont\u00ednua humilha\u00e7\u00e3o de ser tratado indignamente.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 dinheiro ou o poder de pedidos e de conhecimentos o poder\u00e3o ajudar\u201d, \u00e9 a voz que corre entre o povo. O povo tamb\u00e9m nota e diz que muitos m\u00e9dicos n\u00e3o est\u00e3o motivados a fazer opera\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s dos hospitais para poderem ganhar com os pacientes privados. <\/p>\n<p>\u00c0 pergunta de \u201cquando seria chamado\u201dpara a opera\u00e7\u00e3o, ter-lhe-\u00e1 respondido uma enfermeira do hospital: \u201csegundo a experi\u00eancia s\u00f3 ser\u00e1 chamado l\u00e1 para Janeiro ou Fevereiro\u201d.<\/p>\n<p>Senhora Ministra, estamos perante um caso de desumanidade aguda, um caso de inc\u00faria administrativa e de incurs\u00e3o em falta contra os direitos humanos e contra a dignidade humana. Os m\u00e9dicos encontram-se em flagrante falta contra o juramento hipocr\u00e1tico. Neste caso pode verificar-se, indirectamente, uma recusa da ajuda devida por parte dos m\u00e9dicos. Solicito a Vossa interven\u00e7\u00e3o directa e urgente para que se proceda com justi\u00e7a e equidade e que a opera\u00e7\u00e3o seja feita, se n\u00e3o em\u2026, em\u2026 ou em lugar dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Vivo na Alemanha; nesta sociedade, semelhante caso n\u00e3o deixaria tranquila a consci\u00eancia da na\u00e7\u00e3o e os pr\u00f3prios m\u00e9dicos, as institui\u00e7\u00f5es e a imprensa n\u00e3o tolerariam tal comportamento para com qualquer cidad\u00e3o, fosse ele mesmo o mais desprestigiado.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o s\u00f3 fala mal das institui\u00e7\u00f5es e da classe m\u00e9dica, que tal toleram, mas ofusca a imagem do Governo e de Portugal.<\/p>\n<p>Solicito a interven\u00e7\u00e3o de V. Excel\u00eancias. Aguardo resposta pronta.<\/p>\n<p>Atenciosamente<\/p>\n<p>Remetente<br \/>\u2026.                                                                                                             18.01.2010<\/p>\n<p>ARS NORTE<br \/>Conselho Directivo<br \/>Rua de Santa Catarina, 1288<br \/>P \u2013 4000-447 Porto<br \/>Portugal<\/p>\n<p>Assunto: Exposi\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Vossa Ref. \u2026  <\/p>\n<p>O V. of\u00edcio, acima referenciado, refere que a minha alega\u00e7\u00e3o relativa \u00e0 neglig\u00eancia e inc\u00faria m\u00e9dica e institucional no caso referido, \u201ccarece de fundamento\u201d.<\/p>\n<p>Atendendo que <br \/>1. n\u00e3o foram revelados os crit\u00e9rios que alegadamente est\u00e3o na base da determina\u00e7\u00e3o da prioridade (prazo de espera normal e n\u00e3o urgente) atribu\u00edda ao paciente, apesar da sua situa\u00e7\u00e3o grave (embora com analg\u00e9sicos s\u00f3 se pode mover com duas muletas sob dores insuport\u00e1veis e isto na idade de 86 anos). A n\u00e3o exist\u00eancia duma lista regulamentada de crit\u00e9rios control\u00e1veis conduz a situa\u00e7\u00f5es beneficiadoras de alguns profissionais interessados na mora do processo que obriga pacientes desesperados a recorrer ao tratamento particular sub-repticiamente pretendido pelo sistema. Assim se fomenta um sistema c\u00famplice em que lucram o Estado e os m\u00e9dicos, \u00e0 custa de pacientes degradados para clientes e tratados apenas como factores de despesas.<br \/>2. apesar de solicitado, n\u00e3o foram esclarecidos os tempos de espera a partir de Outubro 2008.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia da minha interven\u00e7\u00e3o o paciente foi convocado para uma consulta a 28\/Out.\/2009 que depois se revelou, a n\u00edvel interno, numa revalida\u00e7\u00e3o da prioridade normal antes estabelecida, facto este que tamb\u00e9m foi omitido ao paciente, que n\u00e3o soube a raz\u00e3o da convoca\u00e7\u00e3o mesmo depois de efectuada a referida consulta. <\/p>\n<p>Parece intencional o facto de, na correspond\u00eancia com o minist\u00e9rio da Sa\u00fade e com as entidades, estas institui\u00e7\u00f5es terem sempre ignorado o pedido de esclarecimento relativo \u00e0 mora (Novembro 2008- Mar\u00e7o 2009) e nunca terem apresentado a lista de crit\u00e9rios objectivos nos quais se dever\u00e3o basear as decis\u00f5es m\u00e9dicas.<\/p>\n<p>Em base ao at\u00e9 agora argumentado, nas diferentes tomadas de posi\u00e7\u00e3o por parte das partes implicadas, s\u00f3 poderei concluir pela falta de objectividade na resposta e no tratamento do caso, o que leva a concluir haver car\u00eancias institucionais e comportamentos m\u00e9dicos graves que testemunham a falta duma base \u00e9tica contr\u00e1ria \u00e0 dignidade humana (direitos e discrimina\u00e7\u00e3o) e de car\u00eancias institucionais que permitem um status quo grave sen\u00e3o arbitr\u00e1rio<\/p>\n<p>Seria tamb\u00e9m de esclarecer, se de facto corresponde \u00e0 verdade que pacientes a partir dos 80 anos s\u00e3o discriminados em rela\u00e7\u00e3o a mais novos. Neste caso seria assunto da compet\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es europeias.<\/p>\n<p>S\u00f3 uma lista ordenada de crit\u00e9rios objectivos poder\u00e1 constituir uma base firme contra a arbitrariedade nas delibera\u00e7\u00f5es por parte de funcion\u00e1rios ou mesmo institucional.<\/p>\n<p>Facto \u00e9 que desde Outubro de 2008 o paciente se encontra \u00e0 espera da opera\u00e7\u00e3o que ent\u00e3o solicitou.<\/p>\n<p>No caso de n\u00e3o serem esclarecidos os tempos de espera a partir de Outubro 2008 nem postos, na mesa, os crit\u00e9rios em que o m\u00e9dico se baseou para colocar o paciente em prioridade normal ver-me-ei obrigado a solicitar uma investiga\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do Provedor da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Atenciosamente<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresento este caso para encorajar, pessoas em situa\u00e7\u00f5es id\u00eanticas \u00e0s descritas nos dois artigos anteriores, a reclamar. Todo o paciente deveria registar num calend\u00e1rio as suas consultas m\u00e9dicas. Isto para estarem preparados a ser confrontados posteriormente com situa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis. A inc\u00faria que se atribui \u00e0s classes dirigentes tem os seus fundamentos na inc\u00faria popular, na &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1466\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">Reclama\u00e7\u00e3o ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1466","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1466"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1466\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}