{"id":1463,"date":"2010-01-13T16:57:00","date_gmt":"2010-01-13T15:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1463"},"modified":"2010-01-13T16:57:00","modified_gmt":"2010-01-13T15:57:00","slug":"confluencia-de-experiencia-e-interpretacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1463","title":{"rendered":"Conflu\u00eancia de Experi\u00eancia e Interpreta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight:bold;\">O cientista faz, o artista realiza e o crente celebra<br \/>           O Homem na sua ess\u00eancia \u00e9 Cientista, Artista e Crente<span style=\"font-weight:bold;\"><\/span><\/span><br \/>Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p>O portugu\u00eas, Antero de Quental, ao questionar-se sobre a verdade diz: \u201c A Religi\u00e3o chama-lhe Deus; a Ci\u00eancia chama-lhe ideia\u2026s\u00f3 a Arte fala do Homem e do mundo\u2026 A metaf\u00edsica e o espiritualismo s\u00f3 poder\u00e3o ser destru\u00eddos quando, ao mesmo tempo, forem abolidas a raz\u00e3o e a consci\u00eancia humana\u201c (1). A Modernidade ensinou-nos que mais que as institui\u00e7\u00f5es e as ideologiasw \u00e9 importante a conflu\u00eancia de experi\u00eancia e interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Encontramo-nos na inf\u00e2ncia da evolu\u00e7\u00e3o a caminho do Homem adulto; o nosso conhecimento \u00e9 demasiado limitado para poder compreender a realidade dum universo ilimitado. No debate p\u00fablico domina o di\u00e1logo do preconceito, o saber da apar\u00eancia. Esta situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser reconhecida por pessoas instintivamente empenhadas na descoberta da verdade \/ realidade. Albert Einstein desabafava;\u201dQue mundo \u00e9 este em que vivemos\u2026 onde \u00e9 mais f\u00e1cil quebrar o n\u00facleo de um \u00e1tomo do que um preconceito.\u201d<\/p>\n<p>O Homem \u00e9 o sonho do mundo entre outros sonhos do universo, a caminho duma Realidade infinita. Atrav\u00e9s da Ci\u00eancia, da Arte e da Religi\u00e3o, procura encontrar-se naquilo que o supera numa tentativa de n\u00e3o ver a sua vida reduzida \u00e0 de S\u00edsifo. Este foi condenado a viver no Inferno por causa das suas manhas, constituindo a sua pena eterna no trabalho sucessivo de arrastar a mesma pedra ao cimo do monte rolando ela para o sop\u00e9, sempre que ele atingia com ela o cume.<\/p>\n<p>Uma nova consci\u00eancia, dos tempos novos, a irromper pressup\u00f5e a supera\u00e7\u00e3o dos S\u00edsifos da Ci\u00eancia, da Arte e da Religi\u00e3o para, em conjunto permanecermos no cimo da montanha a presencializar o vale do passado e do futuro. Da\u00ed, nas cores do arco-\u00edris unidos iremos todos beber no rio o fluir da vida. Da\u00ed compreenderemos o ser do Ver\u00e3o e do Inverno no escuro das nuvens, na for\u00e7a da tempestade, no brilho do Sol que at\u00e9 a noite pontua. Da\u00ed nos reconheceremos vegeta\u00e7\u00e3o feita de selva e deserto, aridez e cascatas, luzes garridas e noites coroadas de estrelas. Da\u00ed avistamos e aceitamos os extremos em n\u00f3s, num jogo de miragens e o\u00e1sis que nos estimula o apetite da vida. Da\u00ed do cimo do monte, juntos seremos uma bandeira que o povo v\u00ea e numa dan\u00e7a de procurar e encontrar deixa a saudade humana ao monte subir e a\u00ed gozar o longe e o perto, o passado e o futuro na proximidade do agora a desfrutar a amplid\u00e3o do horizonte. A\u00ed, povo e sentidos todos reunidos na realiza\u00e7\u00e3o do sentido a caminho da meta do bem e do Homem.<\/p>\n<p>As tr\u00eas capacidades humanas fundamentais s\u00e3o pensamento, vontade e sentimento. <span style=\"font-weight:bold;\">A ci\u00eancia acentua o pensar, a arte o querer e a religi\u00e3o o sentir.<\/span> As tr\u00eas compet\u00eancias fazem parte da mesma alma, como referiam j\u00e1 Paulo, Dion\u00edsio Areopagita, Clemente de Alexandria e Agostinho, e correspondem a tr\u00eas caminhos, na descoberta das fontes do ser e da verdade.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito humano manifesta-se atrav\u00e9s da arte, da ci\u00eancia e da religi\u00e3o em cont\u00ednua inter-ac\u00e7\u00e3o. As tr\u00eas disciplinas correspondem a tr\u00eas vias livres na descoberta da verdade livre. Todas elas se encontram na mesma pessoa, na mesma cultura, na mesma disciplina afirmando-se por vezes uma em detrimento das outras. Por outro lado, mal-entendidos e contradi\u00e7\u00f5es fomentam, tamb\u00e9m eles, energias para novas ideias e iniciativas na constru\u00e7\u00e3o do Homem que n\u00e3o pode estar sem barreiras nem contradi\u00e7\u00f5es. As barreiras da linguagem e das opini\u00f5es levam-nos, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, a arrastar a mesma pedra numa luta de afirma\u00e7\u00e3o e contra-afirma\u00e7\u00e3o de esquerda direita, de te\u00edsta e ateu, sem a preocupa\u00e7\u00e3o livre de verificar o que est\u00e1 por detr\u00e1s do esfor\u00e7o sis\u00edfico que nos impele.<\/p>\n<p>O cientista Einstein dizia \u201capenas calco as linhas que fl\u00faem de Deus\u201d. Se partirmos de Deus como a defini\u00e7\u00e3o indefinida, da arte e da ci\u00eancia como defini\u00e7\u00f5es indefinidas mas sempre a ser definidas, talvez se torne mais f\u00e1cil uma redefini\u00e7\u00e3o sempre em acto de defini\u00e7\u00e3o de cada indiv\u00edduo e de cada cultura e com isto uma cultura de vida integral.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da Arte, da Religi\u00e3o e da Ci\u00eancia pretende-se tactear a realidade, tornar o infinito vis\u00edvel, a verdade palp\u00e1vel. Entre caos e ordem temos a vontade de formar, criar nova ordem. O ser consciente n\u00e3o suporta j\u00e1 deixar-se reduzir a porteiro da pr\u00f3pria cultura ou a guarda-livros duma vida enlivrada, alheio ao seu processo e a par\u00e2metros de que faz parte integral. <span style=\"font-weight:bold;\">J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 gratificante ser apenas c\u00e3o de guarda duma ideologia, duma opini\u00e3o ou institui\u00e7\u00e3o. A verdade da arte, da religi\u00e3o e da ci\u00eancia impedem que a vida se reduza a mem\u00f3ria ou a desejo. A vida e a realidade deixam de estar aprisionadas em museus, igrejas, faculdades, f\u00e1bricas ou ateliers reduzindo o ser humano a ser cativo: prisioneiro do passado e do futuro, acorrentado \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o e ao progresso. N\u00e3o chega ter museus, urge viver com as musas.<\/span><\/p>\n<p>J\u00e1 Heraclito (500 a. C.) reconhecia: \u201ctudo fl\u00fai (panta rhei) e nada permanece\u2026\u00e9 na mudan\u00e7a que as coisas acham repouso\u201d. Por detr\u00e1s da mudan\u00e7a est\u00e1 o Logos, o Verbo, a informa\u00e7\u00e3o, a palavra, a ac\u00e7\u00e3o, o repouso na mudan\u00e7a. A mudan\u00e7a atrav\u00e9s da aproxima\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e a cont\u00ednua atitude de se gerar no dar \u00e0 luz, como revela o mist\u00e9rio da gruta de Nazar\u00e9. Quental refere esta realidade afirmando que o \u201dfen\u00f3meno antecedente n\u00e3o cria o consequente, \u00e9 s\u00f3 condi\u00e7\u00e3o para que ele se produza\u2026A causa do fen\u00f3meno est\u00e1 na mesma natureza do ser onde ele se d\u00e1\u2026A natureza \u00e9 o teatro da Hist\u00f3ria, n\u00e3o o seu agente. As leis da Hist\u00f3ria t\u00eam a sua \u00faltima raiz nas leis da consci\u00eancia\u201d (2), no esp\u00edrito.<\/p>\n<p>O processo da aventura humana, no sentido da liberdade \u00e9 um apelo cont\u00ednuo \u00e0 consci\u00eancia. <span style=\"font-weight:bold;\">Cada um ter\u00e1 para isso de integrar e realizar em si mesmo as v\u00e1rias musas que batem \u00e0 porta do seu consciente.<\/span> Isto se n\u00e3o quisermos limitar-nos a ser cientistas, artistas e te\u00f3logos que, na fuga \u00e0 banalidade factual do quotidiano, amarrados ao tempo e ao espa\u00e7o, procuram apenas ultrapassar a fronteira da morte alheia sem reconhecerem o horizonte para al\u00e9m da natureza.<\/p>\n<p>O car\u00e1cter do pr\u00f3prio pensamento e das ci\u00eancias, arte e religi\u00e3o, encerrados nos pr\u00f3prios caixilhos e fixos nos adequados contornos, n\u00e3o permitem ver mais do que o que encerram, duma Realidade mais abrangente. S\u00e3o apenas recortes do mist\u00e9rio. Assim se mant\u00eam qualidades encarceradas dentro das pr\u00f3prias disciplinas, longe da sua ess\u00eancia. A maioria das pessoas rota em torno da pr\u00f3pria \u00f3rbita no desconhecimento das outras. Assim se adia a vida e a Hist\u00f3ria vivendo-se em segunda m\u00e3o. A verdade d\u00e1 lugar \u00e0 pr\u00f3pria opini\u00e3o. <span style=\"font-weight:bold;\">A religi\u00e3o, encerrada em si mesma \u00e9 folclore, a arte encerrada nela mesma \u00e9 exibicionismo narcisista, a ci\u00eancia encerrada nela mesma \u00e9 ideologia.<\/span> A realidade n\u00e3o se pode confinar num espartilho, o essencial exige um continente para dele transbordar. Cada \u00e9poca, cada pessoa, cada disciplina desfolha um novo cap\u00edtulo da vida e da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Cada vez se torna mais dif\u00edcil manter a vista geral das tr\u00eas componentes bem como uma vis\u00e3o do que \u00e9 espec\u00edfico da arte, da ci\u00eancia e da religi\u00e3o. Antigamente era mais f\u00e1cil agir e sentir sob o mesmo tecto da arte, ci\u00eancia e religi\u00e3o; o seu teto comum e a sua meta s\u00e3o o Bem, o Belo e a Verdade. As suas colunas s\u00e3o a religi\u00e3o, a arte e a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>A arte expressa a cont\u00ednua mudan\u00e7a do tempo em processo dialogal. Atrav\u00e9s dela e da religi\u00e3o o ser humano procura estabelecer rela\u00e7\u00f5es entre o mundo e o que o supera. A arte faz parte da religi\u00e3o. Deus \u00e9 a realidade toda e n\u00f3s somos parte dela! Para Plat\u00e3o a poesia deve apresentar Deus como ele \u00e9 \u201cporque todos os grandes poetas n\u00e3o produzem as suas poesias devido \u00e0 mera destreza, mas porque est\u00e3o entusiasmados e obcecados por Deus\u201d. O mist\u00e9rio fala atrav\u00e9s do brilho da obra de arte. A forma esconde um conte\u00fado transcendente, n\u00e3o apenas documental. Trata-se, nesta perspectiva, duma viv\u00eancia do verdadeiro, do bem e do belo no mesmo acto. A arte acorda os sentidos para for\u00e7as criativas de toda a espiritualidade. Com as cria\u00e7\u00f5es da arte podemos descobrir o criador em n\u00f3s.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold;\"><br \/>                                   A ARTE<\/span><br \/>Com a diferencia\u00e7\u00e3o racional as disciplinas foram-se emancipando e diversificando. Hoje encontramo-nos, por vezes, na esquizofrenia da afirma\u00e7\u00e3o pela contradi\u00e7\u00e3o. A arte instrumentalizada, deixa de ter valor, perde o significado em si, para o receber do servi\u00e7o prestado ou pretendido. Na modernidade a arte deixa de ser verdade.<\/p>\n<p>Picasso (1923) dizia: <span style=\"font-weight:bold;\">\u201co artista tem que saber de que maneira pode convencer outros da veracidade das suas mentiras.\u201d<\/span> Tratava-se da verdade reduzida ao seu aspecto sensorial. A necessidade de emancipa\u00e7\u00e3o dos poderes estabelecidos correspondia a uma necessidade de desenvolvimento adequada \u00e0 consci\u00eancia do tempo. Tamb\u00e9m a mentira pode acordar para a verdade.<\/p>\n<p>S\u00f3crates defendia o agir correcto atrav\u00e9s do conhecimento correcto. Para Kant (1724-1804) as \u00fanicas fontes do conhecimento s\u00e3o os sentidos e a raz\u00e3o. Os sentidos (espa\u00e7o e tempo) s\u00e3o o pressuposto da imagina\u00e7\u00e3o sensorial, da apar\u00eancia (mundo das formas). Aqui a arte quereria apenas a verdade dos sentidos. Mas a percep\u00e7\u00e3o impelida pela alma d\u00e1-lhe mais profundidade activando a raz\u00e3o criativa.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de jovens que diminuem a capacidade auditiva devido a m\u00fasicas demasiado altas, adverte-nos para o perigo de se querer deslumbrar com a forma, com o exterior das coisas, \u00e0 custa do seu interior. A demasiada resson\u00e2ncia exterior pode impedir a resson\u00e2ncia interior, o acordar da alma, ficando-se apenas pelo n\u00edvel sentimental, pelo formal. Consumidores da arte s\u00e3o, por vezes, obrigados a aceitar a perversidade como normalidade. Neste caso pode tratar-se duma arte reduzida a espelho de fantasias m\u00f3rbidas; certamente que tamb\u00e9m a patologia das emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o deixa de ter um certo est\u00edmulo.<\/p>\n<p>Uma viv\u00eancia exagerada ao n\u00edvel dos sentidos (da forma das coisas) pode conduzir \u00e0 percep\u00e7\u00e3o da ess\u00eancia da realidade. A arte dirige-se a viv\u00eancias que humanizam o Homem. Toda a obra de arte tem um car\u00e1cter religioso que adv\u00e9m do seu reflexo no interior de cada observador.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia dos sentidos \u00e9 o ponto de partida para a fantasia criativa. Atrav\u00e9s do prazer dos sentidos o artista chega \u00e0 transcend\u00eancia dos mesmos, para entrar no seu Esp\u00edrito, e poder levar uma vida n\u00e3o s\u00f3 com gozo mas com felicidade! Na resson\u00e2ncia transformamo-nos na obra de arte. No que diz respeito a um concerto de piano, poder-se-ia afirmar que o corpo se torna no piano a tocar; a sua vibra\u00e7\u00e3o acorda o esp\u00edrito para uma esfera j\u00e1 n\u00e3o limitada \u00e0 forma. Tamb\u00e9m no deixar-se embrenhar na escrita dum texto pode acontecer como que o orgasmo do contexto. Ent\u00e3o, \u201ca mentira\u201d da forma faz reviver a verdade e despertar para novas realidades. A arte envolve-nos na esfera da imagina\u00e7\u00e3o e da recorda\u00e7\u00e3o fazendo vibrar em n\u00f3s a outra dimens\u00e3o, o esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Na arte o ser transforma-se de modo a poder realizar as suas intui\u00e7\u00f5es. Ela preocupa-se com a realidade. O agente, atrav\u00e9s da vontade (arte) cria-se e realiza-se a si mesmo como obra de arte como parte da realidade que reconhece e nela fl\u00fai. O artista cria algo, realiza as suas intui\u00e7\u00f5es reorganizando de novo o mundo das suas percep\u00e7\u00f5es. No acto de realizar, o artista experimenta-se como ser livre, como esp\u00edrito liberto. Entra no mundo do al\u00e9m, no mundo das ideias e torna-as presentes no aqu\u00e9m.<\/p>\n<p>O artista derrama na obra energia concentrada. Na qualidade de ser livre, liberta a realidade e constr\u00f3i um novo mundo ao servi\u00e7o dum mundo novo. Pela arte o Homem transcende a sua realidade de produto (criatura) para se tornar produtor. De criatura passa a criador. Assim ilumina a natureza projectando-a para l\u00e1 dos sentidos com o holofote do esp\u00edrito. O mundo das ideias \u00e9 encaminhado no sentido humano, no reconhecimento de que o Homem \u00e9 a consci\u00eancia da natureza. Nele ela reconhece-se. Como obreiro da realidade tem uma meta a consciencializar. N\u00e3o \u00e9 indiferente fazer ou n\u00e3o fazer ou desaparecer na massa. O problema \u00e9 deixar de fazer, deixar de caminhar no sentido do bem, da verdade e do belo!<\/p>\n<p>O artista ao fazer o ponto da situa\u00e7\u00e3o da arte do passado e do presente e das suas sub-culturas ter\u00e1 de ter sempre presente o facto evolucion\u00e1rio (ou melhor, situado) da Hist\u00f3ria. (N\u00e3o seria adequado falar-se da evolu\u00e7\u00e3o do pensamento mas sim da vulgariza\u00e7\u00e3o do pensamento, n\u00e3o do saber mas de saberes). De facto, a verdade \u00e9 interpret\u00e1vel \u00e0 luz dos fundamentos \u00e9ticos e dos novos conhecimentos.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o cr\u00edtica acompanha o artista na sua representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Para se n\u00e3o ser subjugado ao dom\u00ednio da raz\u00e3o surge o sentimento, a religi\u00e3o como culto integrador. O pensar grego procura responder \u00e0s quest\u00f5es atrav\u00e9s da reflex\u00e3o e da plausibilidade e o pensar moderno atrav\u00e9s de tentativa e cont\u00ednua observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold;\">                                      Ci\u00eancia<\/span><br \/>Com a idade moderna de Cop\u00e9rnico e Galileu inicia-se a era cient\u00edfica. Nicolau Cop\u00e9rnico mudou a imagem do mundo ao colocar a terra a andar \u00e0 volta do Sol, passando este a ser um ponto entre outros do universo. Isaac Newton (1643-1727) descobre a lei da gravita\u00e7\u00e3o tornando-se o pai da f\u00edsica mecanicista.<\/p>\n<p>A leitura do universo come\u00e7a assim a contrapor-se \u00e0 leitura b\u00edblica. Deixa de haver a verdade para haver doutrinas, opini\u00f5es. A ci\u00eancia divorcia o Homem da natureza que quer m\u00e1quina e enceta a via dial\u00e9ctica reservando para si a Terra e para a religi\u00e3o o C\u00e9u. A realidade passa a ser apreendida no objectivo e factual perdendo o seu car\u00e1cter processual e subjectivo.<\/p>\n<p>O cientista reconhece algo na terra e preocupa-se com o geral, com o poss\u00edvel; para ele a ci\u00eancia \u00e9 a possibilidade. O pensamento \u00e9 um caminho para a liberdade. Ele investiga o mundo dos objectos, a crusta da realidade. Do mirante do pensamento consegue observar o acontecer do mundo. O pensamento come\u00e7a por reduzir tudo a objecto para assim o poder observar como realidade individualizada. O pensar grego reduzia a realidade \u00e0s ideias, o judaico crist\u00e3o ao agir.<\/p>\n<p>Kant acreditava na capacidade da verdade se afirmar e resumiu o agir respons\u00e1vel ao imperativo categ\u00f3rico: \u201cAge de maneira que a M\u00e1xima da tua vontade possa valer em cada momento como princ\u00edpio duma legisla\u00e7\u00e3o geral\u201d. Para ele, moral terrena e religi\u00e3o correspondem-se, cobrem-se porque a lei moral no agir \u00e9 orientada pela raz\u00e3o e corresponde aos mandamentos. A cren\u00e7a em Deus n\u00e3o se pode reduzir a uma declara\u00e7\u00e3o de confiss\u00e3o; o seu reconhecimento d\u00e1-se atrav\u00e9s do cumprimento da sua obriga\u00e7\u00e3o. \u201cTem coragem de agir segundo a tua raz\u00e3o\u201d, exorta Kant. Esta exig\u00eancia tornou-se a ess\u00eancia do iluminismo e fomenta o esp\u00edrito cr\u00edtico em todas as disciplinas, incluindo a teol\u00f3gica. O seu compatr\u00edcio Bento XVI corrobora: \u201cN\u00e3o agir razoavelmente \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 natureza de Deus\u201d. Adverte ao mesmo tempo para o relativismo esvaziante.<\/p>\n<p>O pensamento trope\u00e7a nele mesmo ao reduzir o mundo a discurso e ao obstinar-se na objectividade. Neste percurso a ci\u00eancia desvincula-se do Homem e da natureza.<\/p>\n<p>A f\u00edsica qu\u00e2ntica demonstrou que a realidade n\u00e3o se deixa definir apenas pela objectividade, dado, esta ser essencialmente subjectiva. A ci\u00eancia precisa sempre dum acto posterior em que o sujeito pensante pode ver para l\u00e1 do objecto individual restituindo-lhe o seu car\u00e1cter de sujeito, o que implica a supera\u00e7\u00e3o do dualismo. No fundo tamb\u00e9m o objectivismo cient\u00edfico n\u00e3o passa duma soma de subjectividades cristalizadas. Rudolf Steiner, em \u201cCi\u00eancia da Liberdade\u201d, designa o caminho da Ci\u00eancia para a verdade como \u201cmonismo\u201d onde o aqu\u00e9m e o al\u00e9m se transformam nas duas partes da mesma realidade ao alcance de quem procura. A tecnologia \u00e9 a arte da ci\u00eancia. O conhecimento prov\u00e9m da uni\u00e3o da ideia com a percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As teorias s\u00e3o, tamb\u00e9m elas, modelos (hip\u00f3teses e m\u00e9todos) de explica\u00e7\u00e3o duma realidade inexplic\u00e1vel. A verdade cient\u00edfica permanece verdadeira at\u00e9 \u00e0 nova descoberta. Novas teorias cient\u00edficas, parecem contrariar aspectos da teoria de Cop\u00e9rnico colocando de novo a Terra com o seu Sistema Solar num lugar central do universo (cfr. Teoria em torno do cosm\u00f3logo Clifton). Tamb\u00e9m a cont\u00ednua expans\u00e3o do universo desde o Bing Bang, h\u00e1 cerca de 13,7 mil milh\u00f5es de anos, provocada pela \u201cenergia escura\u201d ou for\u00e7a anti-gravidade (70% do conte\u00fado da energia do universo) \u00e9 questionada. Ningu\u00e9m consegue determinar a natureza da energia escura sendo a sua exist\u00eancia controversa, no pr\u00f3prio mundo cient\u00edfico. Tamb\u00e9m aqui as certezas caem como as folhas do pl\u00e1tano no Outono. Hoje como ontem torna-se \u00f3bvia a atitude s\u00e1bia e humilde de S\u00f3crates de que \u201csei que nada sei\u201d. No nevoeiro cerrado da floresta virgem da realidade vai-se fazendo caminho, passo a passo, na procura da realidade \/ verdade. Para isso n\u00e3o parecem ser suficientes as catanas dos sentidos e do pensamento. O pensamento causal da ci\u00eancia e a vis\u00e3o mecanicista e determinista de Newton revelam-se como inv\u00e1lidos para grande parte da realidade f\u00edsica, como confirmou a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica. Uma ci\u00eancia divorciada, sem meta continuar\u00e1 a vaguear no labirinto que envolve o Homem desviando-o dele mesmo. N\u00e3o chega a l\u00f3gica nem as categorias causais para descrever a realidade. \u201cA l\u00f3gica leva-nos de A para B. A imagina\u00e7\u00e3o leva-nos a todo o lado\u201d(Albert Einstein).<\/p>\n<p>O caminho do conhecimento do Homem ultrapassa a sua abordagem cient\u00edfica. A ci\u00eancia procura conhecer a unidade da realidade. Atrav\u00e9s da intui\u00e7\u00e3o podemos consciencializar-nos da sua componente material e espiritual. \u201eA ci\u00eancia levanta os olhos para a ideia atrav\u00e9s da sensualidade (sentidos), a arte avista a ideia na sensualidade (sentidos) \u201d (3). A cultura d\u00e1 um passo em frente procurando superar a sensualidade atrav\u00e9s do esp\u00edrito. Na religi\u00e3o prevalece o acto integrador da f\u00e9. O crente faz parte integrante do acto (lit\u00fargico) n\u00e3o se distanciando dele como observador, ao contr\u00e1rio do que acontece na ci\u00eancia mecanicista e determinista.<br \/><span style=\"font-weight:bold;\"><br \/>                                 Religi\u00e3o<\/span><br \/>Antero de Quental, homem \u00edntegro, que n\u00e3o parou numa posi\u00e7\u00e3o ou opini\u00e3o, confessa o perigo em que incorreu, afirmando: \u201cEu acreditei em muitos dogmas da moderna supersti\u00e7\u00e3o do Progresso\u201d (4).<\/p>\n<p>O caminho da religi\u00e3o (re-ligare, religo e re-legere, recolho) \u00e9 um processo de re-uni\u00e3o ao prot\u00f3tipo divino (s\u00edntese Jesus Cristo), presente no mais \u00edntimo de cada um (a natureza de Cristo em n\u00f3s). Esta \u00e9 a religi\u00e3o interior do Homem adulto, do super-homem de Nietzsche. A\u00ed, no \u00e2mago do ser, se realiza o Homem a acontecer. Jesus \u00e9 o primeiro super-homem, o primeiro Homem realizado. <span style=\"font-weight:bold;\">A m\u00e1xima \u201cAma e faz o que quiseres\u201d de Agostinho, \u00e9 o resumo da vida crist\u00e3, a vida do Homem superior.<\/span><\/p>\n<p>O Homem realiza-se a caminho da liberdade, integrando o pensamento e a ac\u00e7\u00e3o no sentir. No momento religioso o mundo dos sentidos encontra-se em harmonia com o mundo espiritual numa rela\u00e7\u00e3o de encontro de Homem e Mundo, de Homem e mundo em\/com Deus. A criatura participa do criador (o cristianismo n\u00e3o \u00e9 um monote\u00edsmo puro, nele integra a natureza criada); a\u00ed a pessoa alcan\u00e7a a consci\u00eancia mais alta da verdade. Realiza-se misticamente a uni\u00e3o do eu com o mundo, tudo isto em processo. Neste estado de consci\u00eancia d\u00e1-se a percep\u00e7\u00e3o da alma das coisas. Em termos crist\u00e3os trata-se da experi\u00eancia da transubstancia\u00e7\u00e3o. O processo de desenvolvimento do eu e da consci\u00eancia poderia ser comparado \u00e0 incarna\u00e7\u00e3o e ressurrei\u00e7\u00e3o. Primeiro d\u00e1-se a descida, a incarna\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito (Cristo) em Jesus para depois se dar a subida de Jesus (mat\u00e9ria) em Cristo, o eu espiritual. O que em termos crist\u00e3os poderia ser referido como a experi\u00eancia da realidade da Trindade. N\u00e3o se est\u00e1 no mundo, \u00e9-se mundo com o mundo a gerar o mundo, a Realidade. O ser humano deixa de ser parteira para se tornar em gr\u00e1vida. A gravidez da vida resulta da gesta\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito na mat\u00e9ria que se encontra sempre em processo de dar \u00e0 luz. A religi\u00e3o \u00e9 a alma da cultura e ao mesmo tempo o s\u00e9men da arte e da ci\u00eancia. O ser religioso experimenta-se como ser limitado e incompleto, a acontecer na rela\u00e7\u00e3o com o outro. Religi\u00e3o \u00e9 ao mesmo tempo lugar da experi\u00eancia, da ideia, do rito e da ortopraxia.<\/p>\n<p>Ora et labora como diz a regra beneditina. Aqui n\u00e3o h\u00e1 contraposi\u00e7\u00e3o mas sobreposi\u00e7\u00e3o e osmose das diferentes componentes ou perspectivas do ser humano. A arte que antigamente tinha a sua casa na igreja viu-se obrigada a sai para a rua devido \u00e0 estreiteza das suas janelas. \u00c9 necess\u00e1rio que ela reentre n\u00e3o como escrava mas como senhora!<\/p>\n<p>O Cristianismo olha para o mundo com o olhar interior da ora\u00e7\u00e3o e da ac\u00e7\u00e3o partindo dum ser humano ao mesmo tempo criatura e criador. A religi\u00e3o e as outras disciplinas t\u00eam-se fixado demasiado nas insufici\u00eancias humanas e nos limites descurando o car\u00e1cter complementar de todos os sectores da vida e da realidade. Deixam-se assim deslumbrar no dualismo duma dial\u00e9ctica que vive da contradi\u00e7\u00e3o e da auto-afirma\u00e7\u00e3o \u00e0 custa do outro. A dial\u00e9ctica \u00e9 superada pela po\u00e9tica e pela religi\u00e3o (se bem entendidas!). Religi\u00e3o \u00e9 processo, caminho de \/ para Deus. A tua conduta \u00e9 que determina a verdade da tua religi\u00e3o, a tua veracidade.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold;\">Ci\u00eancia, arte e religi\u00e3o s\u00e3o diferentes formas de procura e de realiza\u00e7\u00e3o da mesma realidade que \u00e9 o Homem, o mundo e o que o transcende; t\u00eam de comum o mundo espiritual e uma meta conjunta que \u00e9 o Bem, a Verdade e o Belo. A m\u00edstica \u00e9 a fonte de encontro onde todos v\u00e3o beber numa miss\u00e3o de descoberta e revela\u00e7\u00e3o. Trata-se de redescobrir e reinterpretar o mundo at\u00e9 agora revelado e de gerar novos mundos.<\/span><\/p>\n<p>Para isso \u00e9 necess\u00e1rio entrar na rela\u00e7\u00e3o din\u00e2mica entre as tr\u00eas no sentido de criar uma nova forma de estar para se dar \u00e0 luz uma nova realidade. A ci\u00eancia e a arte pressup\u00f5em a religi\u00e3o, como podemos interpretar no aforismo de Goethe:\u201d<span style=\"font-weight:bold;\">quem possui ci\u00eancia e arte, tem tamb\u00e9m religi\u00e3o; quem n\u00e3o tem as duas, tem religi\u00e3o\u201d! <\/span>A religi\u00e3o \u00e9 o substrato.<\/p>\n<p>A m\u00fasica cl\u00e1ssica \u00e9 um exemplo acabado da sintonia da ordem divina do mundo, por isso se tornou insuper\u00e1vel. Teilhard de Chardin fala-nos da \u201cconverg\u00eancia\u201d do ser. A experi\u00eancia religiosa testemunha uma evolu\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia espiritual que se processa na abertura do esp\u00edrito. Constata-se ao longo da hist\u00f3ria humana um evoluir de consci\u00eancias. Ao est\u00e1dio arcaico, pr\u00e9-paradis\u00edaco seguiu-se o est\u00e1dio m\u00e1gico e m\u00edtico para passar ao est\u00e1dio mental-racional em que nos encontramos. No horizonte j\u00e1 se adivinha o pr\u00f3ximo est\u00e1dio, o est\u00e1dio integral. Neste est\u00e1dio passa-se da afirma\u00e7\u00e3o pela contradi\u00e7\u00e3o, duma \u201cmentalidade do ou\u2026ou\u201d para a \u201cmentalidade do n\u00e3o s\u00f3\u2026nas tamb\u00e9m\u201d. A vis\u00e3o a-perspectiva integra as vis\u00f5es perspectivistas numa panor\u00e2mica global integral. Neste est\u00e1dio da consci\u00eancia integral j\u00e1 n\u00e3o se reconhecer\u00e3o as respostas do est\u00e1dio mental-racional como respostas definitivas. \u201cO mundo deu o salto das formas da consci\u00eancia m\u00e1gica e m\u00edtica por volta do ano 500 a.C., o que entre n\u00f3s aconteceu de forma mais vincada do que na \u00c1sia; agora a humanidade prepara-se de novo para um salto; este leva-nos da consci\u00eancia mental arracional para a consci\u00eancia integral arracional\u201d(6).<\/p>\n<p>N est\u00e1dio pr\u00e9-parasid\u00edaco b\u00edblico a alma ainda se encontra embrulhada na natureza, em estado de sonol\u00eancia. A alma dorme sem descobrir o outro, sem a consci\u00eancia da diferen\u00e7a de homem e mulher, num est\u00e1dio androg\u00ednico. Na fase de passagem m\u00e1gica-m\u00edtica descobre-se como sexuado, nota a diferen\u00e7a (altura em que Eva, mais desenvolvida abre os olhos de Ad\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o, a autoforma\u00e7\u00e3o). A alma adormecida procura fora o que nela dorme. A consci\u00eancia m\u00edtica leva o Homem a separar-se da uni\u00e3o m\u00e1gica. Come\u00e7a a olhar para dentro de si mesmo, reflectindo ent\u00e3o nos mitos as paisagens da alma. \u00c9 o princ\u00edpio da reflex\u00e3o, da percep\u00e7\u00e3o polar.<\/p>\n<p>Milhares de anos mais tarde, o Mestre de Nazar\u00e9, vivendo embora em ambiente de consci\u00eancia m\u00edtica, supera o pensar m\u00edtico e vence a esfera mental-racional presente nos fariseus numa interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica demasiado enredada em abstrac\u00e7\u00f5es. A transpar\u00eancia do mundo torna-se vis\u00edvel nele; nele irrompe o aqu\u00e9m e o al\u00e9m, o \u201cn\u00e3o s\u00f3\u2026mas tamb\u00e9m\u201d, a divindade e a mat\u00e9ria reconciliada no Homem. No acontecer de J. Cristo realiza-se a estrutura da Consci\u00eancia integral. Os disc\u00edpulos vivem a transfigura\u00e7\u00e3o do mundo atrav\u00e9s da for\u00e7a espiritual. Hoje, apesar de muitos se encontrarem ainda sob as auroras m\u00e1gica, m\u00edtica, mental racional, mais que nunca, atrav\u00e9s dos avan\u00e7os da ci\u00eancia e da reflex\u00e3o, se encontram mais pessoas preparadas para compreender a estrutura integral da consci\u00eancia a-perspectiva a querer irromper.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a fase em que a Ci\u00eancia, a Religi\u00e3o e a Arte se irmanam. Nesta nova fase do desenvolvimento a religi\u00e3o ou se torna m\u00edstica ou perde grande parte do seu sentido, como afirmava Karl Rhaner.<\/p>\n<p>Para Teilhard de Chardin evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 o subir da consci\u00eancia do mais profundo da mat\u00e9ria no sentido convergente do Ponto \u00d3mega (5). A meta da Hist\u00f3ria c\u00f3smica e humana \u00e9 o Ponto \u00d3mega. O desenvolvimento da consci\u00eancia na mat\u00e9ria encontra-se documentado em J. Cristo no qual a mat\u00e9ria floresce no esp\u00edrito, tal como a vela ardente que em si re\u00fane mat\u00e9ria e \u201cesp\u00edrito\u201d.<\/p>\n<p>A teologia da Trindade e a F\u00edsica qu\u00e2ntica reconhecem a Realidade, por diferentes vias, como rela\u00e7\u00e3o de complementaridade e interac\u00e7\u00e3o. No princ\u00edpio era o Verbo, a informa\u00e7\u00e3o!&#8230;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a biologia reconhece na natureza o princ\u00edpio da colabora\u00e7\u00e3o em contraposi\u00e7\u00e3o duma biologia em servi\u00e7o da ideologia, unilateralmente centrada no princ\u00edpio da selec\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio o surgir duma nova era em que a dial\u00e9ctica se revela apenas como uma t\u00e9cnica de abordagem e n\u00e3o como a realidade adulterada numa perspectiva meramente linear ou c\u00edclica (ocidental\/oriental). A dial\u00e9ctica \u00e9 superada pela po\u00e9tica, pela religi\u00e3o e pela f\u00edsica qu\u00e2ntica. No encontro da Ci\u00eancia da arte e da Religi\u00e3o processa-se ao mesmo tempo o encontro do Ocidente com o Oriente; os dois p\u00f3los da realidade reconciliam-se numa perspectiva integral.<\/p>\n<p>A Realidade \u00e9 a-perspectiva sujeita a abordagens de perspectiva que, como tais, s\u00f3 se tornam verdadeiras numa rela\u00e7\u00e3o de complementaridade. A apreens\u00e3o da verdade \u00e9 poss\u00edvel, muito embora na consci\u00eancia da roupagem da pr\u00f3pria perspectiva.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de n\u00e3o progredir ou de n\u00e3o regredir mas de evitar o pragmatismo oportunista e de entrar num processo de muta\u00e7\u00e3o na colabora\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia, arte e religi\u00e3o, em respeito m\u00fatuo.<br \/>Auto-afirma\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da afirma\u00e7\u00e3o e confirma\u00e7\u00e3o do outro.<\/p>\n<p>A Realidade \u00e9 como uma casa feita s\u00f3 de portas e janelas. Na exist\u00eancia sabida e sentida, por mais portas que se abram, mais portas ficam por abrir. A religi\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Arte n\u00e3o poder\u00e3o continuar a reduzir a sua miss\u00e3o a porteiros da realidade, reconhecendo-se parte dela.<\/p>\n<p>No fazer, realizar e crer estamos todos a dar resposta \u00e0 quest\u00e3o: quem sou eu? Eu sou no tu do n\u00f3s!<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold;\">Ulisses \u00e9 o prot\u00f3tipo do Homem ocidental, que \u00e9 de natureza transpessoal.<\/span> Ele no seu plano, ao contr\u00e1rio da ci\u00eancia e da tecnologia, tinha uma meta existencial na vida que era atingir a \u201csua terra\u201d, o Bem, a Verdade e o Belo. Porque tinha sempre uma meta maior a atingir, n\u00e3o se perdeu nem reteve numa circunst\u00e2ncia da vida ou num lugar. \u00cdtaca e Pen\u00e9lope davam-lhe for\u00e7a para continuar o seu caminho. O caminho enriquece-o e a meta torna-o s\u00e1bio. Ao chegar \u00e0 terra tinha conseguido reunir nele todo o saber da vida. Tinha chegado ao profundo dele mesmo!<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold;\">\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/span><br \/>antoniocunhajusto@googlemail.com<br \/>Pegadas do Tempo<br \/>http:\/\/antonio-justo.blogspot.com\/<\/p>\n<p>(1) Antero de Quental, Pensamento Portugu\u00eas, p. 146, Editorial Verbo<br \/>(2) Antero de Quental, Pensamento Portugu\u00eas, p. 191 Editorial Verbo<br \/>(3) Rudolf Steiner in Grundlinien einer erkenntnistheorie der Goethschen Weltanschaung, mit besondrer R\u00fccksicht auf Schiler.GA Bibl.-Nr.2 Dornach, 7.Aufl.1979<br \/>(4) Antero de Quental, Pensamento Portugu\u00eas, p. 102, Editorial Verbo<br \/>(5) Pierre Teilhard de Chardin, O Fen\u00f3meno Humano, Livraria Tavares Martins, Porto 1965<br \/>(6) Jean Gebser, Hasienfiebel, p.157, Bern 1962<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cientista faz, o artista realiza e o crente celebra O Homem na sua ess\u00eancia \u00e9 Cientista, Artista e CrenteAnt\u00f3nio Justo O portugu\u00eas, Antero de Quental, ao questionar-se sobre a verdade diz: \u201c A Religi\u00e3o chama-lhe Deus; a Ci\u00eancia chama-lhe ideia\u2026s\u00f3 a Arte fala do Homem e do mundo\u2026 A metaf\u00edsica e o espiritualismo s\u00f3 &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1463\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">Conflu\u00eancia de Experi\u00eancia e Interpreta\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1463","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1463","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1463"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1463\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}