{"id":1460,"date":"2010-01-04T14:08:00","date_gmt":"2010-01-04T13:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1460"},"modified":"2010-01-04T14:08:00","modified_gmt":"2010-01-04T13:08:00","slug":"nao-chega-ser-republica-urge-ser-nacao-e-povo-tambem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1460","title":{"rendered":"N\u00c3O CHEGA SER REP\u00daBLICA URGE SER NA\u00c7\u00c3O E POVO TAMB\u00c9M"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight:bold;\"><\/span><br \/><span style=\"font-weight:bold;\">                  EM SARAMAGO FALA O INDIV\u00cdDUO N\u00c3O O CIDAD\u00c3O<\/span><br \/>Ant\u00f3nio Justo<br \/>Jos\u00e9 Saramago, em torno do seu Livro Caim, assumiu a boa tradi\u00e7\u00e3o taurom\u00e1quica, atirando com farpas para o couro dum povo que se deixa levar pelas vaias duma proemin\u00eancia portuguesa de olho. As elites n\u00e3o est\u00e3o dispostas ao di\u00e1logo e o povo tamb\u00e9m n\u00e3o. Este faz ouvidos moucos e aquelas fazem ouvidos de mercador! Elites e povo, na sua rela\u00e7\u00e3o, ou se desconhecem ou n\u00e3o se tomam a s\u00e9rio. Os intelectuais, em grande parte, contentam-se com a resson\u00e2ncia do seu eco, n\u00e3o concorrendo assim para o estabelecimento duma cultura nacional cr\u00edtica e viva porque apostam demasiado na gra\u00e7a ideol\u00f3gica pol\u00edtica ou no seu bem-estar privado. N\u00e3o tomam a s\u00e9rio a realidade dum povo e duma na\u00e7\u00e3o doente a mudar e por isso n\u00e3o a podem transformar, ao contr\u00e1rio do que acontece noutras culturas onde personalidades dum ou doutro acampamento s\u00e3o s\u00edmbolos e trilho da consci\u00eancia nacional. <br \/><span style=\"font-weight:bold;\"><br \/>                  O Estado vive da Na\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para a Na\u00e7\u00e3o<\/span><br \/>A na\u00e7\u00e3o dos \u201cgrandes\u201d \u00e9 pequena e eles conhecem-se todos uns aos outros ou s\u00e3o aparentados. A na\u00e7\u00e3o torna-se assim demasiado pequena para eles, procurando consequentemente a sua compensa\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o fora dela. Vivem com um p\u00e9 dentro e outro fora. Isto provoca uma maneira de estar muito espec\u00edfica portuguesa; mesmo em oposi\u00e7\u00e3o ou na diferen\u00e7a, mais que a dial\u00e9ctica, domina uma atitude insuflada, uma rela\u00e7\u00e3o de inveja entre as partes. Isto \u00e9 socialmente compreensivo atendendo ao car\u00e1cter de subservi\u00eancia (Abel) e por outro de revoltado (Caim) da nossa cultura. <\/p>\n<p>Em Portugal, ao esp\u00edrito mission\u00e1rio religioso antigo sucedeu-se, a partir do s\u00e9culo XIX, o esp\u00edrito pol\u00edtico jacobino-jacobeu. Se antigamente o povo vivia sob a vassalagem da terra hoje vive sob a vassalagem da ideologia. A na\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem for\u00e7as econ\u00f3micas e culturais independentes do Estado que possibilitem uma cultura que n\u00e3o seja a do encosto ao Estado e aos (indiv\u00edduos n\u00e3o cidad\u00e3os) que dele se apoderam. Os arrivistas mais que \u00e0 custa do seu pr\u00f3prio trabalho e da pr\u00f3pria intelig\u00eancia procuram viver com esperteza a expensas dos coutos ou do povo, improdutivos, sem se sentirem parte do todo. A esperteza \u00e9 sempre um parasita da intelig\u00eancia pelo que gera indiv\u00edduos e n\u00e3o cidad\u00e3os! Neste estado a na\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem h\u00famus para sustentar \u00e1rvores fortes que n\u00e3o vivam do encosto ou do c\u00e1lculo que a ele leva. O mesmo se diga dos partidos que desde o liberalismo se sucedem nos governos. Portugal continua a ser uma na\u00e7\u00e3o pobre condenada a ser apenas alfobre, n\u00e3o de ricos mas de sempre novos-ricos.<\/p>\n<p>A sociedade assim se vai arrastando inc\u00f3lume atrav\u00e9s do susto social. Temos personalidades relevantes mas mais alinhadas \u00e0s ideologias e por isso s\u00edmbolos apenas da ideologia e n\u00e3o da cultura nacional, s\u00edmbolos desencaixados importadores de ideias desaferidas. Continua um Portugal devoto, s\u00f3 que agora do estrangeiro. Se o discurso cultural nacional tiver em conta n\u00e3o s\u00f3 o conte\u00fado e a forma mas tamb\u00e9m o sentido surgir\u00e1 necessariamente o momento da dist\u00e2ncia. Aquilo que falta para todos dan\u00e7arem sobre o tapete duma matriz cultural sempre renovada. O esp\u00edrito internacional portugu\u00eas ser\u00e1 reduzido se a na\u00e7\u00e3o continuar a ser uma quinta de vinho do porto, antes de senhores ingleses e agora de senhores da Uni\u00e3o Europeia. Se assim permanecer s\u00f3 continuar\u00e3o a viver bem os feitores duma na\u00e7\u00e3o terra de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>O fatal est\u00e1 na Na\u00e7\u00e3o n\u00e3o se dar conta da realidade do que tem sido, em grande parte, a hist\u00f3ria da pol\u00edtica e do Estado portugu\u00eas: uma hist\u00f3ria estranha de Caim e Abel n\u00e3o consumada e por isso prolongada na inveja. \u00c9 o fad\u00e1rio dum povo ordeiro que n\u00e3o se sente e persiste, pela hist\u00f3ria fora em olhar s\u00f3 para o vermelho do pano do senhor toureiro. Falta-lhe a energia do dueto Caim e Abel, aquelas for\u00e7as juntas que levam os judeus a serem cidad\u00e3os do mundo sem se dilu\u00edrem na ideologia ou nos fen\u00f3menos do tempo. Em Portugal abundam os indiv\u00edduos e s\u00e3o escassos os cidad\u00e3os. Os que a Rep\u00fablica venera s\u00e3o mais representantes de ideologias peregrinas. S\u00e3o mais os Saramagos duma Rep\u00fablica em div\u00f3rcio com a na\u00e7\u00e3o. Em Saramago fala o indiv\u00edduo, o estrangeiro n\u00e3o o cidad\u00e3o. Assim, a Na\u00e7\u00e3o n\u00e3o acorda e o cidad\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o. Para uma nova cultura nacional seria \u00f3bvio que Saramago voltasse \u00e0 nacao, ele personificando Caim que por sua vez biblicamente \u00e9 s\u00edmbolo da ci\u00eancia, da arte e se reconciliasse com Abel tamb\u00e9m ele emigrado e que biblicamente \u00e9 o s\u00edmbolo da entrega \u00e0 vida social, do bom servidor (s\u00edmbolo da religi\u00e3o). Os filhos de Caim deram grande impulso \u00e0 cultura, como senhores das vinhas (Mt.20,1-16). O prometido reconciliou Caim e Abel na sua pessoa (Jo.10,11-16). A tarefa ser\u00e1 transformar um Portugal de filhos pr\u00f3digos num reino republicano reconciliado.<\/p>\n<p>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>Pegadas do Tempo<br \/>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EM SARAMAGO FALA O INDIV\u00cdDUO N\u00c3O O CIDAD\u00c3OAnt\u00f3nio JustoJos\u00e9 Saramago, em torno do seu Livro Caim, assumiu a boa tradi\u00e7\u00e3o taurom\u00e1quica, atirando com farpas para o couro dum povo que se deixa levar pelas vaias duma proemin\u00eancia portuguesa de olho. As elites n\u00e3o est\u00e3o dispostas ao di\u00e1logo e o povo tamb\u00e9m n\u00e3o. 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