{"id":1440,"date":"2009-10-03T16:55:00","date_gmt":"2009-10-03T15:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1440"},"modified":"2009-10-03T16:55:00","modified_gmt":"2009-10-03T15:55:00","slug":"republica-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1440","title":{"rendered":"REP\u00daBLICA PORTUGUESA"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight:bold;\"><br \/>                  CELEBRA\u00c7\u00c3O DA REP\u00daBLICA PORTUGUESA<\/span><br \/><span style=\"font-weight:bold;\">                 PORTUGAL AINDA \u00c0 PROCURA DE SI MESMO<\/span><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<br \/>Se a comemora\u00e7\u00e3o nacional do dez de Junho se pode considerar uma festa de todos os portugueses j\u00e1 o mesmo n\u00e3o se poder\u00e1 dizer do 5 de Outubro. Este \u00e9 mais um feriado em que Portugal recalca o passado nacional *. A opini\u00e3o p\u00fablica e a escola passam sobre este cap\u00edtulo como o gato sobre as brasas. Da implanta\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica sabe-se a data e alguns bot\u00f5es de ret\u00f3rica oportuna, do Estado Novo conhece-se apenas a parte demon\u00edaca de Salazar, e do 25 de Abril apenas a parte salvadora. Naturalmente que toda a realidade tem duas faces e cada um escolhe a que mais lhe serve! O problema coloca-se tamb\u00e9m para a esmagadora maioria dos que n\u00e3o podem escolher e para as v\u00edtimas da desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Festejos nacionais s\u00e3o geralmente brindes de revolu\u00e7\u00f5es resultantes de interesses duma parte da na\u00e7\u00e3o contra os interesses da outra parte, ordinariamente \u00e0 margem da popula\u00e7\u00e3o. Na Hist\u00f3ria v\u00ea-se sempre a mesma banda que passa, a dos que vivem \u00e0 sombra do Estado com o povo sonhador a aplaudir. <\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o de 5 de Outubro veio p\u00f4r fim \u00e0 monarquia e proclamou a rep\u00fablica. Os ideais trazidos pelas invas\u00f5es francesas frutificaram na classe dominante que atribu\u00eda os problemas de Portugal \u00e0 monarquia. Os governos democr\u00e1ticos formados depois da revolu\u00e7\u00e3o, mais fruto da ideologia e de interesses particulares, trazendo embora a democracia, ainda aumentaram os problemas da na\u00e7\u00e3o conduzindo-a \u00e0 anarquia e \u00e0 bancarrota. <\/p>\n<p>A inseguran\u00e7a e insatisfa\u00e7\u00e3o dos portugueses favoreceram a contra-revolu\u00e7\u00e3o de 28 de Maio de 1928 chefiada pelo general Gomes da Costa que instalou a ditadura militar. Depois segue-se o regime do Estado Novo (1932). <\/p>\n<p>Os governos republicanos deram barraca e com eles a democracia foi sol de pouca dura. A capacidade democr\u00e1tica do povo foi seriamente posta \u00e0 prova por representantes que n\u00e3o estavam \u00e0 altura da democracia. Isto j\u00e1 o tinha previsto a opini\u00e3o p\u00fablica francesa que, aquando das subleva\u00e7\u00f5es republicanas em Portugal, nos seus jornais lamentava o assass\u00ednio do rei D. Carlos, \u201cum dos reis mais cultos da Europa\u201d, por revolucion\u00e1rios duvidosos. <\/p>\n<p>As mesmas for\u00e7as ideol\u00f3gicas que se aproveitaram do argumento ultramarino para assassinarem o rei D. Carlos e depois depor seu filho D. Manuel II e instaurar a rep\u00fablica servem-se em 1974 do argumento das col\u00f3nias para derrubar o regime do Estado Novo e implantar a democracia representativa, instalando-se tamb\u00e9m eles no aparelho do Estado. Um mal passa a justificar o outro mal.<\/p>\n<p>Revolu\u00e7\u00f5es e revolucion\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o bons exemplos para cidad\u00e3os porque se levantam em nome do povo para depois ocuparem os mesmos postos e adquirirem as regalias dos precedentes que saneiam.<\/p>\n<p>A falsidade de toda a revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 inerente \u00e0 din\u00e2mica revolucion\u00e1ria atendendo a que a \u00faltima revolu\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e a prepara\u00e7\u00e3o da pr\u00f3xima. Ela n\u00e3o prev\u00ea uma evolu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua popular mas apenas a oportunidade para os grupos de interesses mais fortes. O povo fica sempre reduzido a cen\u00e1rio! Por detr\u00e1s das revolu\u00e7\u00f5es encontra-se o ego\u00edsmo de alguns e n\u00e3o a solidariedade social nem a liberdade do povo. Os slogans igualdade, fraternidade e liberdade, em termos revolucion\u00e1rios, n\u00e3o passam de tiros para o ar, para espantar os pardais da ceara.<\/p>\n<p>Os feriados nacionais teriam sentido se fossem utilizados para fazer o facit do estado do pa\u00eds em compara\u00e7\u00e3o com os ideais que motivaram tal festejo. Seria a ocasi\u00e3o para uma discuss\u00e3o entre conservadores e progressistas, entre esquerda e direita, sobre o fundamento espiritual do Estado e o bem comum. Seria oportuna uma reflex\u00e3o p\u00fablica baseada no padr\u00e3o cultural ocidental na implementa\u00e7\u00e3o da dignidade humana e do cidad\u00e3o adulto nesta sua parcela portuguesa. Uma discuss\u00e3o que reduz os conservadores a patriotas e os progressistas a antipatriotas minoriza o legado portugu\u00eas. Haver\u00e1 que desideologizar Portugal e abandonar uma pol\u00edtica cultural e escolar meramente experimental; de trabalhar mais no sentido da homogeneidade nacional e n\u00e3o viver apenas de cr\u00e9ditos artificiais duma mem\u00f3ria colectiva negadora do passado. Da forma\u00e7\u00e3o depende o destino da na\u00e7\u00e3o. Uma cultura dum Portugal adulto pressup\u00f5e um discurso, para al\u00e9m dos costumados di\u00e1logos de clientelas, subentende um discurso que redija de novo o passado n\u00e3o com os \u00f3culos ideol\u00f3gicos mas com os olhos da na\u00e7\u00e3o. Nele estar\u00e1 presente a culpa interna do passado e do presente, ter\u00e1 de ser redigida a injusti\u00e7a e as omiss\u00f5es do Estado para com o Pa\u00eds. <\/p>\n<p>Portugal ainda n\u00e3o se encontrou a si mesmo. Um povo com tantas qualidades mas sempre disposto a ouvir tem andado sempre a toque de caixa de personalidades estranhas. As suas pegadas no sentido franc\u00eas e russo s\u00f3 tem adiado Portugal. <\/p>\n<p>Torna-se \u00f3bvio adubar a pr\u00f3pria modernidade e progresso no esterco do pa\u00eds, na pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o aberta, como \u00e9 espec\u00edfico da tradi\u00e7\u00e3o ocidental. O esterco estranho s\u00f3 parece fomentar franganitos de engorda \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de galos, mais que galantes, galadores. <\/p>\n<p>O Pa\u00eds precisa duma discuss\u00e3o s\u00e9ria na procura da verdade e da na\u00e7\u00e3o, para l\u00e1 das veleidades partid\u00e1rias. Sem verdade n\u00e3o haver\u00e1 reconcilia\u00e7\u00e3o. Portugal n\u00e3o pode continuar a dar-se ao luxo de, por um lado viver uma paz de cemit\u00e9rio e por outro, de viver ao som do alarido do jardim infantil pol\u00edtico. Economicamente sempre os pa\u00edses mais pobres da Europa, com uma economia de cal\u00e7as na m\u00e3o \u00e0 custa da emigra\u00e7\u00e3o e dos dinheiros da EU. Para continuar na pobreza outros pa\u00edses pobres n\u00e3o precisaram de revolu\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>Festejos de revolu\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre festas retr\u00f3gradas! S\u00e3o as festas dos vencedores sobre os vencidos. <span style=\"font-weight:bold;\">Nelas falta a consci\u00eancia de que o mesmo povo \u00e9, ao mesmo tempo, vencedor e vencido!<\/span><\/p>\n<p>Facto \u00e9 que o sol portugu\u00eas esteve e est\u00e1 sempre do lado dos seus representantes, quer sejam de direita ou de esquerda, e o povo continua sempre na sombra de embondeiros, continua sempre cada vez mais na mesma!<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/p>\n<p>* Dado a parte positiva das revolu\u00e7\u00f5es ser continuamente sobrelevada pelos que delas se aproveitam (os actores do correspondente regime), pretendo com esta abordagem lembrar algum aspecto colocado na sombra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CELEBRA\u00c7\u00c3O DA REP\u00daBLICA PORTUGUESA PORTUGAL AINDA \u00c0 PROCURA DE SI MESMO Ant\u00f3nio JustoSe a comemora\u00e7\u00e3o nacional do dez de Junho se pode considerar uma festa de todos os portugueses j\u00e1 o mesmo n\u00e3o se poder\u00e1 dizer do 5 de Outubro. Este \u00e9 mais um feriado em que Portugal recalca o passado nacional *. A opini\u00e3o &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1440\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">REP\u00daBLICA PORTUGUESA<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1440","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1440"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1440\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}