{"id":1439,"date":"2009-10-01T10:42:00","date_gmt":"2009-10-01T09:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1439"},"modified":"2009-10-01T10:42:00","modified_gmt":"2009-10-01T09:42:00","slug":"religiao-poe-a-prova-a-tolerancia-do-estado-secular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1439","title":{"rendered":"RELIGI\u00c3O P\u00d5E \u00c0 PROVA A TOLER\u00c2NCIA DO ESTADO SECULAR"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight:bold;\"><\/span><\/p>\n<p>                 <span style=\"font-weight:bold;\"> MU\u00c7ULMANO CONSEGUE LUGAR PARA REZAR NA ESCOLA<\/span><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<br \/> A directora do Liceu Doestberg de Berlim tinha proibido um aluno mu\u00e7ulmano de rezar no corredor da escola. Fundamentava a recusa com a neutralidade da escola. O aluno utilizava um tapete de ora\u00e7\u00e3o usando a pausa para rezar.<\/p>\n<p>O educando, que n\u00e3o queria abdicar do seu direito de rezar cinco vezes ao dia, incluindo o hor\u00e1rio escolar, meteu a quest\u00e3o em tribunal. Este decidiu expressamente sobre este caso particular dando raz\u00e3o ao mu\u00e7ulmano. <\/p>\n<p>Os ju\u00edzes argumentaram que o aluno podia escolher uma esquina para rezar, n\u00e3o implicando isso a perturba\u00e7\u00e3o da paz escolar nem a neutralidade do Estado. Embora a decis\u00e3o n\u00e3o tenha sido de car\u00e1cter geral, outros crentes podem basear-se nesta decis\u00e3o para fazer valer o seu direito. <\/p>\n<p>Os ju\u00edzes consideram a liberdade religiosa como um acto interior que implica a possibilidade da sua express\u00e3o p\u00fablica tamb\u00e9m atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Senado de Berlim j\u00e1 manifestou a inten\u00e7\u00e3o de apelar para o Tribunal Superior contra esta decis\u00e3o.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do tribunal deixa lugar para muitos medos. A luta de tapetes de ora\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana por um lado e a luta contra cruzes na escola ser\u00e3o temas prop\u00edcios a aquecer mesmo \u00e2nimos pacatos!&#8230; Quem tiver mais for\u00e7a reprimir\u00e1 os outros. Afinal, tamb\u00e9m aqueles que se empenhavam contra o ensino da religi\u00e3o nas escolas, v\u00eaem-na agora surgir pelo lado que n\u00e3o esperavam. <\/p>\n<p>O governo socialista em Portugal expulsou as cruzes das escolas. Ser\u00e1 que se algum mu\u00e7ulmano manifestar a mesma coragem em Portugal como os mu\u00e7ulmanos mostram na Alemanha, o direito portugu\u00eas lhe dar\u00e1 lugar para a ora\u00e7\u00e3o? O medo duma escola devota ser\u00e1 proporcional \u00e0 n\u00e1usea dos preservativos socialistas na escola portuguesa!!!&#8230;<\/p>\n<p>Parece um caso bicudo de resolver para a sociedade secular. Se os mu\u00e7ulmanos conseguirem impor um lugar para a ora\u00e7\u00e3o na escola, ser\u00e1 que os outros crentes n\u00e3o ter\u00e3o o mesmo direito?<\/p>\n<p>Mas quem era t\u00e3o tolerante criando a pausa dos \u201cfumadores\u201d, ou a esquina dos fumadores, certamente tamb\u00e9m conseguir\u00e1 a suficiente toler\u00e2ncia para possibilitar na escola um espa\u00e7o discreto, um espa\u00e7o do sil\u00eancio. Os mu\u00e7ulmanos marcam personalidade e a presen\u00e7a a que os crist\u00e3os j\u00e1 n\u00e3o estavam habituados. As exig\u00eancias de uns acordam as dos outros!<\/p>\n<p>Os mu\u00e7ulmanos, duma maneira geral, n\u00e3o fazem distin\u00e7\u00e3o entre o cidad\u00e3o e o fiel, s\u00f3 conhecem o homo religiosus. A sociedade laica ocidental j\u00e1 come\u00e7a a ter ins\u00f3nias ao imaginar nas suas escolas genuflex\u00f3rios, tapetes de ora\u00e7\u00e3o e outras pr\u00e1ticas ligadas a necessidades que n\u00e3o as laicas.<\/p>\n<p>Quem como o PM S\u00f3crates instrumentalizou a escola para a distribui\u00e7\u00e3o de anticonceptivos gratuitos e para a indoutrina\u00e7\u00e3o sexual, certamente n\u00e3o ter\u00e1 dificuldade em colocar tamb\u00e9m genuflex\u00f3rios e tapetes de ora\u00e7\u00e3o. Uma outra componente da toler\u00e2ncia e uma sa\u00edda airosa para muitos problemas que surgir\u00e3o, inerentes a uma sociedade avan\u00e7ada com necessidades cada vez mais individualizadas, seria a promo\u00e7\u00e3o e financiamento do ensino privado gratuito.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold;\">Liberdade de religi\u00e3o e toler\u00e2ncia s\u00e3o valores significantes, o mesmo se dizendo da neutralidade da escola.<\/span><\/p>\n<p>Uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica passar\u00e1 talvez pela cria\u00e7\u00e3o nas escolas duma sala do sil\u00eancio onde todos, independentemente de credos, poder\u00e3o retirar-se por alguns momentos para reflectir.<span style=\"font-weight:bold;\"> Reflex\u00e3o uma mercadoria rara na nossa corpora\u00e7\u00e3o! Se raz\u00e3o sem f\u00e9 \u00e9 deserto, f\u00e9 sem raz\u00e3o \u00e9 p\u00e2ntano!<\/span><br \/>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MU\u00c7ULMANO CONSEGUE LUGAR PARA REZAR NA ESCOLA Ant\u00f3nio Justo A directora do Liceu Doestberg de Berlim tinha proibido um aluno mu\u00e7ulmano de rezar no corredor da escola. Fundamentava a recusa com a neutralidade da escola. O aluno utilizava um tapete de ora\u00e7\u00e3o usando a pausa para rezar. 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