{"id":1430,"date":"2009-09-10T16:49:00","date_gmt":"2009-09-10T15:49:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1430"},"modified":"2009-09-10T16:49:00","modified_gmt":"2009-09-10T15:49:00","slug":"reforma-das-universidades-e-dos-institutos-politecnicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1430","title":{"rendered":"Reforma das Universidades e dos Institutos Polit\u00e9cnicos"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight:bold;\"><\/span><br \/>               <span style=\"font-weight:bold;\">Praxismo Socialista desmiola o Humanismo Crist\u00e3o<\/span><br \/>Ant\u00f3nio Justo<br \/>Com a implementa\u00e7\u00e3o do Processo de Bolonha pretende-se reordenar e uniformizar as universidades europeias. A reforma orienta os curr\u00edculos universit\u00e1rios para a produ\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e tende adaptar-se \u00e0 sua massifica\u00e7\u00e3o. Os novos perfis e ciclos de forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, pretendem fabricar bachar\u00e9is e mestres de configura\u00e7\u00e3o mercantil. A universidade perde a sua autonomia cient\u00edfica para ficar subordinada \u00e0 press\u00e3o da economia, das leis do mercado e dos interesses pol\u00edticos. Pretende-se um sistema universit\u00e1rio instigador da concorr\u00eancia entre  professores e cadeiras. Desfavorece-se a ci\u00eancia em favor da t\u00e9cnica no sentido de facilitar cientistas irreflectidos.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia por toda a Europa a esta reforma tem a ver com a defesa de valores de tradi\u00e7\u00e3o humanista que os novos magnates n\u00e3o entendem. Os Estados obedientes ao ditado da economia pretendem reduzir ainda mais as ci\u00eancias humanas ou quando muito p\u00f4-las ao servi\u00e7o da economia. O bom senso levanta-se tamb\u00e9m dentro das universidades, mas os interesses dominantes podem mais. Antigamente a explora\u00e7\u00e3o do Homem assentava na ordem social, hoje a sua desumaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 baseada na ordem democr\u00e1tica partid\u00e1ria atrelada ao turbocapitalismo.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIX e XX o oper\u00e1rio foi mantido afastado da vida espiritual e cultural da na\u00e7\u00e3o. O saber e, com ele, o Estado estavam nas m\u00e3os da burguesia. Assim o legitimava a ordem mecanicista e determinista da ci\u00eancia, o darwinismo social e a tradi\u00e7\u00e3o. No s\u00e9culo XX, os mesmos, alistados nas elites de ideologias preponderantes ocupam o Estado prolongando assim o s\u00e9culo XIX. Ignoram o esp\u00edrito integral da nova era (a nova ordem a surgir da f\u00edsica qu\u00e2ntica e da din\u00e2mica trinit\u00e1ria do ser). Em nome do progresso, a cultura de esp\u00edrito prolet\u00e1rio marxista vai-se aninhando nas universidades. Com o argumento republicano e democr\u00e1tico, as elites do poder afirmam-se na luta contra o elitismo do pensamento. \u201cProveito imediato\u201d \u00e9 a palavra de ordem dum utilitarismo m\u00edope destruidor de futuro ecol\u00f3gico e humano.<\/p>\n<p>As universidades reflectem cada vez menos a vida espiritual e cultural europeia e nacional. Correm mesmo o perigo de serem reduzidas a oficinas modeladoras de intelectos ao servi\u00e7o da ind\u00fastria e do com\u00e9rcio internacional. Os ventos da ideologia prolet\u00e1ria, com a sua \u00e9tica do consumismo, determinam a orienta\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito da universidade. O esp\u00edrito que orienta a reforma em curso n\u00e3o parece compat\u00edvel com o esp\u00edrito livre e humanista da universidade tradicional que foi garante e express\u00e3o da cultura ocidental. A n\u00edvel institucional, sacrifica-se a cultura do homo \u201csapiens\u201d ao homo faber. Assiste-se \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o do mecanicismo determinista numa \u00e9poca que j\u00e1 o superou cientificamente.<\/p>\n<p>A economia do mercado e o sistema democr\u00e1tico partid\u00e1rio pretende for\u00e7as de trabalho \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e uma burocracia fiel e male\u00e1vel. Esp\u00edritos livres e pensantes s\u00f3 emperrariam o seu carrossel. O esp\u00edrito, o saber integral e integrado seria areia na engrenagem da sua m\u00e1quina a dificultar uma produ\u00e7\u00e3o lucrativa. As elites econ\u00f3micas e pol\u00edticas apostam na parte escura do Homem e na verdade oportuna do momento; querem prescindir de orienta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica humanistico-espiritual. Contudo, utlidade  n\u00e3o constitui por si mesma um crit\u00e9rio moral.<\/p>\n<p>O desejo do saber e de liberdade foram a raz\u00e3o da expuls\u00e3o de Ad\u00e3o e Eva do Para\u00edso\u2026 Os deuses do nosso Olimpo s\u00e3o pessoas ciosas do poder e do seu saber; por isso repetem o gesto de J\u00fapiter para com Prometeu que pretendia, contra a sua vontade, comunicar aos homens a chama da sabedoria divinal. Prometeu queria os homens livres e por isso deu-lhes o fogo que roubou aos deuses. Os deuses s\u00e3o invejosos e cientes do que t\u00eam. Como vingan\u00e7a, J\u00fapiter prendeu Prometeu a uma pedra no C\u00e1ucaso e mandou uma \u00e1guia alimentar-se do seu f\u00edgado, durante v\u00e1rios anos, at\u00e9 ao dia em que H\u00e9rcules o libertou. Os nossos deuses s\u00e3o mais civilizados que os deuses antigos e em vez de degradarem os inteligentes procuram dar-lhes um posto nas antec\u00e2maras do Olimpo, no seu sistema e na administra\u00e7\u00e3o para assim impedirem a comunica\u00e7\u00e3o da chama do saber ao povo. <\/p>\n<p>Sobrecarrega-se o estudante com cadeiras diversificadas n\u00e3o restando ao estudante tempo para pensar nem a possibilidade de adquirir uma vis\u00e3o de conjunto. Falta uma fenomenologia que mostre ao estudante a conex\u00e3o entre as diferentes ci\u00eancias e entre os diferentes \u00e1reas da vida. Falta uma consci\u00eancia e uma praxis que leve o estudante a confrontar-se com as duas formas de acesso \u00e0 Realidade: uma de car\u00e1cter material atrav\u00e9s das leis naturais e a outra de car\u00e1cter espiritual ou humana que parte da pessoa com uma individualidade e responsabilidade pr\u00f3pria. Esp\u00edrito e mat\u00e9ria s\u00e3o as faces complementares da mesma moeda (realidade). <\/p>\n<p>As ideologias partid\u00e1rias sofrem de velhice alimentando-se ainda duma ci\u00eancia mecanicista que alcan\u00e7ou a sua fluoresc\u00eancia no s\u00e9culo XIX mas j\u00e1 n\u00e3o ter\u00e1 validade alargada no s\u00e9culo XXI, o s\u00e9culo a construir baseado na f\u00edsica qu\u00e2ntica e num humanismo integral (que apelidaria de trinit\u00e1rio).<\/p>\n<p>O saber inteligente cede ao saber integral para l\u00e1 da \u00f3rbita das normas e do h\u00e1bito. Os novos conhecimentos da f\u00edsica e das ci\u00eancias humanas j\u00e1 n\u00e3o permitem confundir o m\u00e9todo cient\u00edfico com a verdade absoluta. O f\u00edsico Friedrich v. Weizs\u00e4cker, demostra j\u00e1 em 1964 que a ci\u00eancia baseada em Newton n\u00e3o constitui a verdade sendo apenas um determinado m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o. Se as ci\u00eancias da natureza investigam a express\u00e3o das formas a partir das leis da natureza com o mundo dos sentidos, as ci\u00eancias humanas expressam a forma das leis. A hip\u00f3tese de Darwin da origem das esp\u00e9cies atrav\u00e9s de acaso e selec\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m j\u00e1 foi cientificamente refutada, mas continua a ser oportuna para as elites. O mundo \u00e9 muito complexo pressupondo uma \u201eordem central\u201d que se imp\u00f5e independentemente de ordens parciais incluindo tamb\u00e9m a ordem causal. A realidade encontra-se na complexidade e n\u00e3o na bagateliza\u00e7\u00e3o quer das ci\u00eancias humanas quer das ci\u00eancias naturais.<\/p>\n<p>Primeiro apagaram os candeeiros das catedrais e agora apagam a luz das universidades. A independ\u00eancia do professor e seu saber s\u00e3o submetidos \u00e0 burocracia e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. O esp\u00edrito prolet\u00e1rio vigente, desvaloriza o esp\u00edrito humano integral e procura reduzir tudo ao n\u00edvel do meramente funcional, \u00e0 banalidade do factual elevada a filosofia de vida. <\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da nova sociedade digna do Homem pressup\u00f5e uma consci\u00eancia nova no processo de hominiza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e dignifica\u00e7\u00e3o duma sociedade aberta em processo. A liberdade e a solidariedade ser\u00e3o as suas for\u00e7as determinantes no sentido da dignidade humana e da dignidade de toda a criatura da natureza. Para isto \u00e9 preciso acordar tanta gente bem intencionada das institui\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f3micas. S\u00f3 um alargamento da consci\u00eancia e desenvolvimento da personalidade de cada pessoa poder\u00e1 provocar uma mudan\u00e7a para melhor. A crise est\u00e1 a ser aproveitada pelos espertos de sempre. Os sinais dos tempos apontam para a necessidade  do surgir duma elite espiritual humanista na qual se possa apoiar a democracia c\u00edvica. Cada vez se torna mais imposs\u00edvel uma reforma do sistema a partir de dentro. A n\u00e3o ser que por todo o lado v\u00e1 surgindo uma elite humanista espiritual com os p\u00e9s bem na terra e na qual se possa apoiar o processo da democracia que passar\u00e1 a ser um processo de humaniza\u00e7\u00e3o. Esta fomentar\u00e1 o querer, a forma\u00e7\u00e3o integral, a auto-realiza\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o no poder. Temos motivos de esperan\u00e7a: O socialismo tamb\u00e9m tem os seus valores e \u00e9 o filho pr\u00f3digo da cultura judaico-crist\u00e3!&#8230;<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Praxismo Socialista desmiola o Humanismo Crist\u00e3oAnt\u00f3nio JustoCom a implementa\u00e7\u00e3o do Processo de Bolonha pretende-se reordenar e uniformizar as universidades europeias. A reforma orienta os curr\u00edculos universit\u00e1rios para a produ\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e tende adaptar-se \u00e0 sua massifica\u00e7\u00e3o. Os novos perfis e ciclos de forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, pretendem fabricar bachar\u00e9is e mestres de configura\u00e7\u00e3o mercantil. 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