{"id":1419,"date":"2009-07-08T23:45:00","date_gmt":"2009-07-08T22:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1419"},"modified":"2009-07-08T23:45:00","modified_gmt":"2009-07-08T22:45:00","slug":"bento-xvi-propoe-uma-nova-ordem-financeira-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1419","title":{"rendered":"BENTO XVI PROP\u00d5E UMA NOVA ORDEM FINANCEIRA MUNDIAL"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight:bold;\">   <span style=\"font-weight:bold;\"><\/span> \u201cUma Economia sem \u00c9tica conduz \u00e0 cat\u00e1strofe\u201d<\/span><br \/>Ant\u00f3nio Justo<br \/>Precisamente no dia anterior \u00e0 abertura da Cimeira G-8, Bento XVI publicou a enc\u00edclica \u201cCaritas in Veritate\u201d(Amor em Verdade).  Nela, o Papa  reclama uma nova ordem mundial de finan\u00e7as com novas regras para o com\u00e9rcio. A crise proporciona a oportunidade de \u201crequer uma nova e profunda reflex\u00e3o sobre o sentido da economia e dos seus fins bem como uma revis\u00e3o profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento, para se corrigirem as suas disfun\u00e7\u00f5es e desvios. Na realidade, exige-o o estado de sa\u00fade ecol\u00f3gica da terra; pede-o sobretudo a crise cultural e moral do homem, cujos sintomas s\u00e3o evidentes por toda a parte.\u201d<\/p>\n<p> Neste sentido sugere: \u201cPara n\u00e3o se gerar um perigoso poder universal de tipo monocr\u00e1tico, o governo da globaliza\u00e7\u00e3o deve ser de tipo subsidi\u00e1rio, articulado segundo v\u00e1rios e diferenciados n\u00edveis que colaborem reciprocamente\u2026 urge a presen\u00e7a de uma verdadeira Autoridade pol\u00edtica mundial&#8230; A referida Autoridade dever\u00e1 regular-se pelo direito, ater-se coerentemente aos princ\u00edpios de subsidiariedade e solidariedade, estar orientada para a consecu\u00e7\u00e3o do bem comum comprometer-se na realiza\u00e7\u00e3o de um aut\u00eantico desenvolvimento humano integral inspirado nos valores da caridade na verdade. Al\u00e9m disso, uma tal Autoridade dever\u00e1 ser reconhecida por todos, gozar de poder efectivo para garantir a cada um a seguran\u00e7a, a observ\u00e2ncia da justi\u00e7a, o respeito dos direitos. Obviamente, deve gozar da faculdade de fazer com que as partes respeitem as pr\u00f3prias decis\u00f5es, bem como as medidas coordenadas e adoptadas nos diversos f\u00f3runs internacionais.\u201d<\/p>\n<p>E continua; \u201cAs actuais din\u00e2micas econ\u00f3micas internacionais, caracterizadas por graves desvios e disfun\u00e7\u00f5es, requerem profundas mudan\u00e7as inclusivamente no modo de conceber a empresa\u2026a gest\u00e3o da empresa n\u00e3o pode ter em conta unicamente os interesses dos propriet\u00e1rios da mesma\u2026\u201d Deve \u201cconceber o lucro como um instrumento para alcan\u00e7ar finalidades de humaniza\u00e7\u00e3o do mercado e da sociedade\u2026\u00c9 preciso evitar que o motivo para o emprego dos recursos financeiros seja especulativo.\u201d<\/p>\n<p> As finan\u00e7as devem estar ao servi\u00e7o de todos: \u201co primeiro capital a preservar e valorizar \u00e9 o homem, a pessoa, na sua integridade: \u00ab com efeito, o homem \u00e9 o protagonista, o centro e o fim de toda a vida econ\u00f3mico-social \u00bb<\/p>\n<p>Bento XVI  admoesta os pol\u00edticos a usar o seu poder no sentido dum mundo social, justo e fraternal vincado de verdade e amor. Apela para a coer\u00eancia dizendo: \u201cn\u00e3o pode ter s\u00f3lidas bases uma sociedade que afirma valores como a dignidade da pessoa, a justi\u00e7a e a paz, mas contradiz-se radicalmente aceitando e tolerando as mais diversas formas de desprezo e viola\u00e7\u00e3o da vida humana, sobretudo se d\u00e9bil e marginalizada\u201c&#8230; \u201cEm muitos casos, os pobres s\u00e3o o resultado da viola\u00e7\u00e3o da dignidade do trabalho humano, seja porque as suas possibilidades s\u00e3o limitadas (desemprego, subemprego), seja porque s\u00e3o desvalorizados os direitos que dele brotam, especialmente o direito ao justo sal\u00e1rio, \u00e0 seguran\u00e7a da pessoa do trabalhador e da sua fam\u00edlia\u201d\u2026 \u201cSem verdade, sem confian\u00e7a e amor pelo que \u00e9 verdadeiro, n\u00e3o h\u00e1 consci\u00eancia e responsabilidade social, e a actividade social acaba \u00e0 merc\u00ea de interesses privados e l\u00f3gicas de poder, com efeitos desagregadores na sociedade, sobretudo numa sociedade em vias de globaliza\u00e7\u00e3o que atravessa momentos dif\u00edceis como os actuais.\u201d<\/p>\n<p>Amor ao pr\u00f3ximo e responsabilidade pela cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais importantes que o lucro pessoal: \u201cAs modalidades com que o homem trata o ambiente influem sobre as modalidades com que se trata a si mesmo, e vice-versa\u2026\u00c9 necess\u00e1ria uma real mudan\u00e7a de mentalidade que nos induza a adoptar novos estilos de vida, nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom e a comunh\u00e3o com os outros homens para um crescimento comum sejam os elementos que determinam as op\u00e7\u00f5es dos consumos, das poupan\u00e7as e dos investimentos\u201d<\/p>\n<p>Uma sociedade n\u00e3o pode funcionar mesmo que todos observem direitos e obriga\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disto s\u00e3o necess\u00e1rios valores como miseric\u00f3rdia, gratid\u00e3o, respeito perante a dignidade das pessoas. \u201cA \u00ab cidade do homem \u00bb n\u00e3o se move apenas por rela\u00e7\u00f5es feitas de direitos e de deveres\u201d.<\/p>\n<p>Apela tamb\u00e9m para a consci\u00eancia de que \u201ccomprar n\u00e3o \u00e9 apenas um acto econ\u00f3mico, mas \u00e9 sempre um acto moral\u201d. Verdadeiro desenvolvimento n\u00e3o \u00e9 apenas obra do Homem mas uma oferta de Deus.<\/p>\n<p>A enc\u00edclica n\u00e3o se perde no concreto. Desenvolve a filosofia base para uma economia justa desenvolvendo temas que passam pela actividade sindical, emigracao, intercultura desenvolvimento e outros. \u201cH\u00e1 urgente necessidade moral de uma renovada solidariedade, especialmente nas rela\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses em vias de desenvolvimento e os pa\u00edses altamente industrializados.\u201d<\/p>\n<p>A enc\u00edclica identifica em cada pessoa o dever de usar racionalmente da liberdade que lhe foi dada.<\/p>\n<p>Uma carta de alta actualidade para o globalismo contra a mentalidade do lucro e a falta de moral e de \u00e9tica no mundo econ\u00f3mico-financeiro. \u201cToda a economia, todas as finan\u00e7as t\u00eam de ser usadas como instrumentos segundo medidas \u00e9ticas, de modo a criarem condi\u00e7\u00f5es adequadas para o desenvolvimento do Homem e dos povos\u201d.<\/p>\n<p>Esclarece que a globaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o mal em si, o que precisa \u00e9 de novas regras: \u201c a globaliza\u00e7\u00e3o a priori n\u00e3o \u00e9 boa nem m\u00e1. Ser\u00e1 aquilo que as pessoas fizerem dela. Opor-se-lhe cegamente seria uma atitude errada, fruto de preconceito, que acabaria por ignorar um processo marcado tamb\u00e9m por aspectos positivos.\u201d<\/p>\n<p>Esta enc\u00edclica segue a tradi\u00e7\u00e3o das enc\u00edclicas sociais que s\u00e3o o fundamento da doutrina social cat\u00f3lica. O Papa cita, entre outras, a Rerum Novarum (1891, sobre as Coisas Novas) onde \u00e9 criticada a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores; Pacem in Terris (1963, Paz na Terra) que apresenta o bem-comum mundial como o objectivo mais importante da ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica; Laborem excercens (1981, Trabalho Humano) onde se acentua a prioridade do Homem e dos direitos do Homem tamb\u00e9m no processo produtivo. Estas enc\u00edclicas, independentemente de algum conte\u00fado religioso deveriam constituir leitura obrigat\u00f3ria para pol\u00edticos, soci\u00f3logos, patr\u00f5es, sindicalistas etc. <\/p>\n<p>\u201cO Papa? Quem \u00e9 ele? Quantas divis\u00f5es \u00e9 que tem?\u201d gozava Estaline. Os sistemas passam e a Igreja continua. Na realidade Estaline e o seu sistema socialista encontram-se no caixote do lixo da Hist\u00f3ria com a ajuda de Jo\u00e3o Paulo II. Quem opta pelo indiv\u00edduo e n\u00e3o pelas ideologias persiste na Hist\u00f3ria.<br \/>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cUma Economia sem \u00c9tica conduz \u00e0 cat\u00e1strofe\u201dAnt\u00f3nio JustoPrecisamente no dia anterior \u00e0 abertura da Cimeira G-8, Bento XVI publicou a enc\u00edclica \u201cCaritas in Veritate\u201d(Amor em Verdade). Nela, o Papa reclama uma nova ordem mundial de finan\u00e7as com novas regras para o com\u00e9rcio. 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