{"id":1403,"date":"2009-04-20T16:52:00","date_gmt":"2009-04-20T15:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1403"},"modified":"2009-04-20T16:52:00","modified_gmt":"2009-04-20T15:52:00","slug":"luta-em-vez-de-luto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1403","title":{"rendered":"LUTA EM VEZ DE LUTO"},"content":{"rendered":"<p>A32 degrada Oliveira, Branca, Albergaria e \u00c1gueda<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<br \/>A Vila da Branca encontra-se de luto. A sua riqueza de paisagem impar seria destru\u00edda, para sempre, pelo tra\u00e7ado da auto-estrada A32. A destrui\u00e7\u00e3o paisag\u00edstica, ecol\u00f3gica e patrimonial estende-se como uma nuvem negra ao longo dum trajecto completamente irracional.<\/p>\n<p>Das janelas dos pr\u00e9dios ao longo do IC2, que atravessa a Branca, meneiam, ao vento, longas faixas de tecido preto, numa atitude de resigna\u00e7\u00e3o amarga perante poderes e interesses que sopram de longe. <\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o do Ambiente e Patrim\u00f3nio da Branca (\u201cAuranca\u201d) esgota-se num activismo de conversa\u00e7\u00f5es com pol\u00edticos e autarcas locais tamb\u00e9m eles impotentes perante a prepot\u00eancia do poder pol\u00edtico de Lisboa e os seus parceiros econ\u00f3micos. <\/p>\n<p>De facto, perante os ouvidos moucos e a cegueira dum poder pol\u00edtico centralista, encerrado em Lisboa, que, longe das popula\u00e7\u00f5es, decide contra a raz\u00e3o, contra a natureza, contra o ambiente e contra o povo, a popula\u00e7\u00e3o da Vila da Branca, tal como outras popula\u00e7\u00f5es vizinhas, parece resignada, sofrendo em sil\u00eancio, perante aberra\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, sociais, paisag\u00edsticas que o novo tro\u00e7o de auto-estrada vem irremediavelmente causar, ao passar pelo monte de S. Juli\u00e3o sem respeito nem consci\u00eancia pela natureza e pelo humano.<\/p>\n<p>Ditaduras e despotismo s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis atrav\u00e9s do medo. Quem, antecipadamente, p\u00f5e luto d\u00e1 o sinal de desist\u00eancia! O medo perante poderes an\u00f3nimos veiculados pelo centralismo megaloman\u00edaco lisboeta, alheio ao resto de Portugal e penalizador dum Norte trabalhador s\u00f3 poder\u00e1 ser superado por uma ac\u00e7\u00e3o conjunta de todos perante o poder central e a AE. De facto, povo, junta de freguesia, c\u00e2mara municipal s\u00e3o contra o projecto. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m contra ningu\u00e9m. Apenas o pr\u00f3prio respeito, o respeito duns para com os outros e a responsabilidade pelas gera\u00e7\u00f5es futura obriga todos a agir. N\u00e3o nos encontramos em tempos de falsos medos nem da lisonja a que S\u00f3crates nos quer obrigar! O inimigo est\u00e1 em Lisboa e nos seus ac\u00f3litos!<\/p>\n<p>O pr\u00e9mio da lisonja tem o pre\u00e7o da pr\u00f3pria honra e do futuro. Se todos seguirem o caminho de Di\u00f3genes, com certeza que a A23 n\u00e3o ser\u00e1 constru\u00edda como planeado e reverter\u00e1 ao servi\u00e7o do interior, em especial de Vale de Cambra, Arouca e outras popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Certo dia, Di\u00f3genes encontrava-se sentado na soleira duma porta a comer um pobre prato de lentilhas. Um ministro do imperador, vendo a pobreza daquele s\u00e1bio, dirigiu-se a ele e disse-lhe: \u201cDi\u00f3genes, a tua situa\u00e7\u00e3o \u00e9 lament\u00e1vel! Se aprendesses a ser um pouco submisso ao imperador e a lisonje\u00e1-lo n\u00e3o terias de comer s\u00f3 lentilhas!\u201d Ent\u00e3o, Di\u00f3genes deixou de comer, levantou a cara, fixou o nobre interlocutor e respondeu: \u201c Lament\u00e1vel \u00e9 para ti, irm\u00e3o. Se aprendesses a comer um pouco de lentilhas n\u00e3o terias de ser t\u00e3o submisso e de lisonjear continuamente o imperador.\u201d<\/p>\n<p>A via do respeito pr\u00f3prio e da dignidade transcende as pr\u00f3prias necessidades e uma auto-estima vaidosa.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o da nega\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e o futuro da Branca e vilas circunvizinhas \u00e9 demasiado alto para nos fecharmos no lamento e no luto. M\u00e3os \u00e0 obra! Todos unidos conseguiremos o melhor para todos. Para n\u00e3o continuarmos submersos no nevoeiro da lamenta\u00e7\u00e3o e do luto, a palavra de ordem ser\u00e1: Luta em vez de luto!&#8230;<br \/>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>Habitante da Branca <br \/>a.c.justo@unitybox.de<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A32 degrada Oliveira, Branca, Albergaria e \u00c1gueda Ant\u00f3nio JustoA Vila da Branca encontra-se de luto. A sua riqueza de paisagem impar seria destru\u00edda, para sempre, pelo tra\u00e7ado da auto-estrada A32. 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