{"id":1402,"date":"2009-04-01T09:24:00","date_gmt":"2009-04-01T08:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1402"},"modified":"2009-04-01T09:24:00","modified_gmt":"2009-04-01T08:24:00","slug":"amar-e-divinizar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1402","title":{"rendered":"AMAR \u00c9 DIVINIZAR"},"content":{"rendered":"<p>AMAR \u00c9 DIVINIZAR <br \/>Ant\u00f3nio Justo<br \/>A. e A. escolheram para lema da sua uni\u00e3o a frase de Dostojewski: \u201cAmar uma pessoa significa v\u00ea-la como Deus a quis ver\u201d.<\/p>\n<p>Neste sentido quero meditar um pouco convosco sobre t\u00e3o belo lema!<\/p>\n<p>A uni\u00e3o matrimonial consciente \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, um passo grande na realiza\u00e7\u00e3o do amor e na sua aprendizagem. Cada um se reconhece como processo, consciente de ser incompleto, projecto inacabado em cont\u00ednua realiza\u00e7\u00e3o. Parab\u00e9ns! No exerc\u00edcio do amor consciente exercitareis a pr\u00f3pria transcend\u00eancia. <\/p>\n<p>O amor acenou-vos e v\u00f3s aqui estais para lhe dar resposta. Ele faz-se sentir como a brisa fresca a passar em tarde de Ver\u00e3o. Na vossa presen\u00e7a e no brilho de vossos rostos sente-se o enlevo do seu ciciar. No amor renasceis juntos para em cada um de v\u00f3s descobrirdes o Eu e o Outro na realiza\u00e7\u00e3o do n\u00f3s. <\/p>\n<p>A uni\u00e3o matrimonial n\u00e3o \u00e9 absorvente, ela pressup\u00f5e o espa\u00e7o do pr\u00f3prio horizonte entre v\u00f3s. (Die eheliche Verbindung ist nicht vereinnahmend,  sie setzt einen Raum des Horizontes zwischen beiden voraus). A saudade da vida acenou-vos, para no amor vos tornardes v\u00f3s, vos tornardes a vida. A vida do amor compreensivo abre perspectivas mesmo para aquilo que poderia tornar-se desilus\u00e3o. O conhecimento adquirido no amor torna-se salvador tendo como consequ\u00eancia a entrega \u00e0 medida de Cristo. Na uni\u00e3o, o homem ajuda a mulher na realiza\u00e7\u00e3o da encarna\u00e7\u00e3o \u2013 ressurrei\u00e7\u00e3o e a mulher ajuda o homem atrav\u00e9s da comunidade a realizar a encarna\u00e7\u00e3o \u2013 ressurrei\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o realiza-se n\u00e3o s\u00f3 na necessidade biol\u00f3gica mas tamb\u00e9m na realiza\u00e7\u00e3o existencial. O ser humano pressup\u00f5e o outro (ein Gegen\u00fcber) para se realizar. A dualidade, atrav\u00e9s do amor, desagua na trindade, na transcend\u00eancia. Naturalmente, o esp\u00edrito desenvolve-se da consci\u00eancia dos contrastes entrando ent\u00e3o num processo din\u00e2mico frut\u00edfero. No outro vislumbramos tamb\u00e9m o que em n\u00f3s se encontra subt\u00e9rreo. <\/p>\n<p>Deus \u00e9 comunh\u00e3o, por isso criou a pessoa como homem e mulher; os dois juntos formam a sua imagem plural e una. Na descoberta da mulher o homem descobre-se outro, na descoberta do homem a mulher descobre-se outra. Esse outro \u00e9 tudo o que parece estar fora de n\u00f3s mas que nos forma e gera para uma nova realidade. O eu \u00e9 sempre incompleto, atendendo \u00e0 sua conex\u00e3o processual no \u201ceu sou tu, tu \u00e9s eu\u201d. Do reconhecimento do Tu no Eu surge a dimens\u00e3o trial\u00f3gica (trinit\u00e1ria) do n\u00f3s. Cada um torna-se ele mesmo na entrega ao outro. Nesta viv\u00eancia n\u00e3o surgir\u00e1 a tenta\u00e7\u00e3o est\u00e1tica de mudar o outro. O amor vos mudar\u00e1. Doutro modo, as cadeias do desejo prolongar\u00e3o o sofrimento, dado o desejo provir da dor. <br \/>Como \u00e9 belo receber da m\u00e3o do outro o p\u00e3o que se precisa. Homem e mulher encontram no outro, a outra parte respectiva de si mesmo. (Mann und Frau finden im anderen die jeweils andere Seite von sich selbst: das eigene Selbst) O homem encontra na mulher o outro (das andere, das Gegen\u00fcber) de si mesmo, e a mulher encontra no homem o outro de si mesma. Assim se recriam, come\u00e7ando assim a antecipar o futuro. No tu est\u00e1 a perspectiva do acto criador, que implica a exuber\u00e2ncia de si mesmo que transborda e se comunica. Na entrega m\u00fatua se reconhece a vida como parceria, como ser com, numa rela\u00e7\u00e3o din\u00e2mica de pergunta \u2013 resposta. Aqui se prova a rela\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria onde n\u00e3o h\u00e1 ordem superior nem inferior, independentemente dos pr\u00f3prios pap\u00e9is.<\/p>\n<p>Ao reconhecer o outro, eu reconhe\u00e7o tamb\u00e9m que sou mais do que eu mesmo e dou-me conta da profundidade do mist\u00e9rio da vida. Sem o outro estamos s\u00f3s neste mundo. E n\u00e3o h\u00e1 maior solid\u00e3o do que a de viver s\u00f3 na companhia de algu\u00e9m. Sem uma rela\u00e7\u00e3o aut\u00eantica com o outro estamos s\u00f3s neste mundo. A vida s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel em parceria, em rela\u00e7\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 a vida! Cada um de n\u00f3s encontra-se no outro. A ten\u00e7\u00e3o do feminino com o masculino, e vice-versa, s\u00e3o o pressuposto para o caminho da unidade interior. Assim descobrimos o estranho como parte essencial do eu.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o perfeita n\u00e3o se limita ao eu e ao tu: Ela precisa dum terceiro na companhia, que \u00e9 o n\u00f3s, o esp\u00edrito, o amor, tal como na rela\u00e7\u00e3o do Pai com o Filho surge o Esp\u00edrito. Tal como na Trindade: o amor do Pai revela-se no filho gerando-o e o filho reconhece o pai amando-o, sendo o Esp\u00edrito o fruto daquelas rela\u00e7\u00f5es amorosas, o n\u00f3s. A realiza\u00e7\u00e3o do Eu est\u00e1 no Tu e do Tu no n\u00f3s. Nesta dimens\u00e3o o Eu e o Tu encontram-se numa rela\u00e7\u00e3o de salva\u00e7\u00e3o m\u00fatua e universal. No Tu est\u00e1 a componente salvadora do Eu e a voca\u00e7\u00e3o universal de salva\u00e7\u00e3o, tal como a vivemos no nosso prot\u00f3tipo Jesus Cristo.<\/p>\n<p>A chama acordada no primeiro momento do amor, aponta para a perspectiva duma realidade aberta manifestando nele a realidade divina no que tem de mist\u00e9rio e possibilidade. J\u00e1 Paulo dizia: \u201cAos olhos de Deus, nem a mulher se compreende sem o homem, nem o homem sem a mulher!\u201d (1 Cor 11,11). <\/p>\n<p>O matrim\u00f3nio \u00e9 uma forma ideal de antecipa\u00e7\u00e3o do processo da uni\u00e3o do natural com o espiritual, tal como \u00e9 vivida na rela\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria. Na entrega m\u00fatua de um ao outro d\u00e1-se a concep\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o de cada um, j\u00e1 n\u00e3o apenas como um eu ou como um tu mas tamb\u00e9m como um n\u00f3s. A rela\u00e7\u00e3o e a cont\u00ednua descoberta do tu conduz \u00e0 dimens\u00e3o do n\u00f3s. <br \/>Tamb\u00e9m na uni\u00e3o sexual se torna mais vis\u00edvel a realidade do sacramento da nossa uni\u00e3o com Deus. A\u00ed se antecipa j\u00e1 o carinho e a ternura divina. Na uni\u00e3o se inicia a realidade do sacramento eucar\u00edstico. A\u00ed come\u00e7a j\u00e1 o futuro. <\/p>\n<p>A aprendizagem e o exerc\u00edcio paciente do amor implicar\u00e3o finalmente uma rela\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 de di\u00e1logo mas de tri\u00e1logo. Ent\u00e3o se compreender\u00e1 melhor a express\u00e3o de Agostinho quando diz: \u201cAma e faz o que quiseres\u201d (Augustinus sagte: Liebe und mache was du willst).<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>Stadtkirche Bad Wildungen<br \/>22.08.2008<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AMAR \u00c9 DIVINIZAR Ant\u00f3nio JustoA. e A. escolheram para lema da sua uni\u00e3o a frase de Dostojewski: \u201cAmar uma pessoa significa v\u00ea-la como Deus a quis ver\u201d. Neste sentido quero meditar um pouco convosco sobre t\u00e3o belo lema! 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