{"id":1398,"date":"2009-03-07T11:01:00","date_gmt":"2009-03-07T10:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1398"},"modified":"2009-03-07T11:01:00","modified_gmt":"2009-03-07T10:01:00","slug":"poder-renovador-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1398","title":{"rendered":"PODER RENOVADOR DA MULHER"},"content":{"rendered":"<p>Ventre da Mulher \u2013 Um Factor Pol\u00edtico<br \/>Ant\u00f3nio Justo<br \/>Nas culturas patriarcais a mulher era e \u00e9 praticamente um ap\u00eandice do homem. Tamb\u00e9m as sociedades mais desenvolvidas, se encontram ainda muito distantes duma sociedade equilibrada constru\u00edda na base da reciprocidade de feminidade e virilidade. Apesar dos esfor\u00e7os do conveniente movimento de liberta\u00e7\u00e3o da mulher, temo-nos limitado ao n\u00edvel de adapta\u00e7\u00e3o de imagens ao masculino sem interesse pelo ser da feminilidade e do ser mulher. O que tem interessado \u00e9 a mulher industrializada como produtora, consumidora e cliente ao servi\u00e7o da cultura, uma imagem din\u00e2mica mas obediente \u00e0 norma social masculina. <\/p>\n<p>Uma mera adapta\u00e7\u00e3o da mulher aos par\u00e2metros da nossa sociedade corresponderia apenas a uma masculiniza\u00e7\u00e3o da mulher, dado o modelo das sociedades contempor\u00e2neas ser tamb\u00e9m ele masculino. Na sua inconformidade com o status quo, a mulher conseguiu muito. A sua for\u00e7a criativa e reformadora ainda n\u00e3o encontraram plataforma. O objecto de combate n\u00e3o deve ser o homem mas sim as suas estruturas viris afirmadas \u00e0 custa da feminidade reprimida.<\/p>\n<p>A mulher tem sido, em parte, reduzida a um complemento do homem, da fam\u00edlia, da sociedade com as correspondentes necessidades a serem saciadas e que determinam a imagem mais ou menos elevada e ocasionalmente propagada. Homem e mulher funcionalizados no sentido duma adapta\u00e7\u00e3o inconsciente a superstruturas que os prendem\u2026 <\/p>\n<p>As ci\u00eancias humanas reduzem, geralmente, a mulher ao seu car\u00e1cter sociol\u00f3gico mais ou menos aferida ou contraposta \u00e0 norma masculina. Assim se reduz a mulher ao seu car\u00e1cter fisiol\u00f3gico ou a uma fun\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica enquadrada num projecto de homem entre a sua sombra e V\u00e9nus, um ser acess\u00f3rio de que se vai mudando a imagem conforme a conveni\u00eancia cultural do tempo. Nas fotos das mulheres e nos cartazes, poder\u00edamos ver materializado o esp\u00edrito de cada \u00e9poca. <\/p>\n<p>A inseguran\u00e7a do homem ocidental perante a mulher leva-o a consider\u00e1-la como um ser antag\u00f3nico e o medo da sociedade mu\u00e7ulmana perante ela levam o homem a aprision\u00e1-la debaixo da burca ou do len\u00e7o. Em sociedades em que o sexo ou o ex\u00f3tico n\u00e3o eram t\u00e3o tabuizados a mulher tinha mais voto na vida do dia a dia. Pelo menos \u00e9 o que se podia constatar na imagem da mulher da \u00cdndia dos tempos dos Vedas em que havia igualdade de direitos do homem e da mulher. A ocupa\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica da \u00cdndia (1009-1526) transformou a sociedade fazendo da mulher uma escrava do homem. A poligamia \u00e9 o sinal mais vis\u00edvel do poder do homem. Na Europa a imagem da mulher anda muito ligada ao sistema econ\u00f3mico.<\/p>\n<p>O homem e a mulher s\u00e3o seres em processo em continua mudan\u00e7a s\u00f3cio-cultural. A mulher, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 reduz\u00edvel a um psicologismo, a um sociologismo nem a um economicismo. O mesmo se diga do homem; ao afirmarem-se na contradi\u00e7\u00e3o negam o seu ser humano de seres em rela\u00e7\u00e3o, o seu car\u00e1cter trinit\u00e1rio. Ao reduzir-se a mulher reduz-se automaticamente o homem e consequentemente desequilibra-se a sociedade, desfuncionalizando-a do seu verdadeiro fim.<\/p>\n<p>O homem n\u00e3o perdoou a Eva o facto de ser ela a primeira a atrever-se a dar o salto colectivo para o individual, o salto do anonimato animal e emocional para a racionalidade humana que adveio com a vontade de ser diferente e a liberdade de comer dos frutos da \u00e1rvore da vida. A vergonha do homem leva este a projectar na mulher a culpa. Assim a fatalidade das virtudes ou defeitos da mulher continua a encontrar-se em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 norma homem e aos seus medos perante o ser dela. Por um lado o amor c\u00faltico por outro o desejo de a ver submissa como se observa hoje tamb\u00e9m na pr\u00e1tica da procura do homem pela mulher distante: a brasileira, a russa e a polaca. Hoje como ontem procuram-se pap\u00e9is de mulher que interpretem as necessidades do homem e da sociedade masculina do tempo e n\u00e3o a mulher em si. S\u00e3o reduzidas a \u00edcones \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O destino da mulher n\u00e3o poder\u00e1 ser condicionado ao seu rol, ao seu papel, nem t\u00e3o pouca \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do homem a cultura e da mulher a natura. Um e outro s\u00e3o de valor integral n\u00e3o podendo ser reduzido a um perspectivismo unilateral; cada um encontra-se bem em sua casa, sem ter necessidade de operar os ov\u00e1rios ou de se castrar. Socialmente tem havido uma aproxima\u00e7\u00e3o nos pap\u00e9is a executar socialmente. A emancipa\u00e7\u00e3o da mulher n\u00e3o passa por\u00e9m dum bluff se a sociedade em que se encontra n\u00e3o lhe possibilitar novas formas de vida para ela adquirir respeito. O empreendimento da mudan\u00e7a do tipo de sociedade m\u00e1scula que somos ter\u00e1 de ser obra da mulher e do homem na descoberta do humano que n\u00e3o \u00e9 masculino nem feminino.<\/p>\n<p>A igualdade dos sexos deve trazer vantagens para os dois. As suas necessidades n\u00e3o se reduzem \u00e0s necessidades biol\u00f3gicas de reciprocidade mas tamb\u00e9m a necessidades existenciais que possibilitem o realizar e experimentar do ser homem e do ser mulher na pr\u00f3pria pessoa numa rela\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o entre um eu e um tu. \u201cDeus criou o Homem como homem e mulher\u201d (Gen 1,27) e n\u00e3o apenas como homem ou como mulher,  porque Ele mesmo \u00e9 rela\u00e7\u00e3o. O homem s\u00f3 o \u00e9 perante a mulher e a mulher s\u00f3 o \u00e9 perante o homem. Deste modo, mais que uma emancipa\u00e7\u00e3o um do outro, ser\u00e1 oportuna uma liberta\u00e7\u00e3o em parceria. Tal como Deus partilha o seu ser com o Homem tamb\u00e9m a mulher partilha o seu ser com o homem, n\u00e3o s\u00f3 estando mas sendo com ele e vice-versa. O ser da pessoa \u00e9 rela\u00e7\u00e3o sendo o homem mais que ele e a mulher mais que ela. Para l\u00e1 da sexualidade est\u00e1 a uni\u00e3o transcendente, o la\u00e7o \u201cmatrimonial\u201d do Homem todo na entrega m\u00fatua.<\/p>\n<p>Nas grandes revolu\u00e7\u00f5es do futuro a mulher ter\u00e1 de desempenhar um papel activo muito grande. Do seu acordar depender\u00e1 em grande parte o desenvolvimento das sociedades subdesenvolvidas, a humaniza\u00e7\u00e3o das sociedades desenvolvidas. Precisamos dum novo modelo de sociedade.<\/p>\n<p>Nos Estados mu\u00e7ulmanos ser\u00e3o elas que ter\u00e3o de provocar o desenvolvimento das sociedades patriarcais. O sofrimento da mulher e a sua resigna\u00e7\u00e3o interiorizada s\u00e3o fen\u00f3menos sociais que bradam aos c\u00e9us. Encontram-se abandonadas a si mesmas. Pena \u00e9 que as mulheres em processo de liberta\u00e7\u00e3o se n\u00e3o solidarizem com as poucas que conseguem levantar a cabe\u00e7a contra o patriarcado insuport\u00e1vel que as domina em culturas que usam a amorda\u00e7a da vergonha fazendo delas pessoas envergonhadas. O mundo mu\u00e7ulmano precisa duma \u00e9poca do renascimento e do humanismo tal como a Europa teve h\u00e1 500\/600 anos e que provocou o seu grande desenvolvimento a n\u00edvel material. S\u00f3 uma revolu\u00e7\u00e3o cultural aliada \u00e0 mulher poder\u00e1 quebrar as amarras do patriarcado a\u00ed vigente.<\/p>\n<p>O grande trunfo do poder dos povos \u00e1rabes est\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 na sua capacidade de guerrilha mas especialmente na instrumentaliza\u00e7\u00e3o da mulher como geradora de mu\u00e7ulmanos. A imprensa relata que o presidente do governo Turco afirmou em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa que a barriga das mulheres realizar\u00e1 o que a pol\u00edtica na consegue. De facto a comunidade turca na Alemanha manifesta-se resistente a qualquer integra\u00e7\u00e3o, acontecendo que onde se radicam formam uma sociedade paralela. Em 1975 eram quinhentos mil na Alemanha, altura em que a Alemanha fechou as portas \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o, hoje j\u00e1 s\u00e3o tr\u00eas milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O problema crucial da \u201ebomba demogr\u00e1fica\u201c \u00e9 sentido de maneira especial em Israel. Vinte por cento da popula\u00e7\u00e3o israelita \u00e9 de origem \u00e1rabe. Israel fomenta a maternidade das israelitas. Cada mulher israelita d\u00e1 \u00e0 luz 2,7 crian\u00e7as. Sentem-se respons\u00e1veis pela sobreviv\u00eancia de Israel. Al\u00e9m disso ter filhos \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o. \u201cUma mulher sem filhos \u00e9 incompleta\u201d pensa o povo. Toda a mulher israelita tem direito a fertiliza\u00e7\u00e3o gratuita in vitro, em cl\u00ednicas de fertilidade. A religi\u00e3o, a economia e a sociedade fomentam a fam\u00edlia e as crian\u00e7as, tamb\u00e9m com infra-estruturas adequadas. A planifica\u00e7\u00e3o familiar \u00e9 muito importante em Israel atendendo \u00e0 explos\u00e3o de nascimentos mu\u00e7ulmanos, \u00e0 necessidade de soldados e de cidad\u00e3os. A sua terra prometida \u00e9 aquela, n\u00e3o tendo mais para onde ir como povo. A solidariedade familiar ajuda as m\u00e3es a ter emprego e a ter filhos. Patr\u00f5es tamb\u00e9m ajudam fam\u00edlias a partir do quarto filho. <\/p>\n<p>O ventre da mulher est\u00e1 ao servi\u00e7o da pol\u00edtica agressiva masculina, como se verifica, dum lado e do outro. Umas e outras s\u00e3o instrumentalizadas, fazendo-o por\u00e9m na consci\u00eancia de que s\u00e3o livres ou de que prestam um servi\u00e7o \u00e0 sociedade m\u00e1scula.<\/p>\n<p>No sentido da liberta\u00e7\u00e3o da mulher seria importante ser feita uma hermen\u00eautica, um estudo comparativo da mulher nas diferentes sociedades. Um comp\u00eandio tipo planta das consci\u00eancias culturais e da auto-compreens\u00e3o e posi\u00e7\u00e3o da mulher.<\/p>\n<p>Uma sociedade em mudan\u00e7a, com novas contornos, precisa de desenvolver novos valores sem medo de novos modelos de pensamento e de vida. Um dos pap\u00e9is importantes da pol\u00edtica ser\u00e1 integrar a vida familiar na vida social e laboral.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ventre da Mulher \u2013 Um Factor Pol\u00edticoAnt\u00f3nio JustoNas culturas patriarcais a mulher era e \u00e9 praticamente um ap\u00eandice do homem. Tamb\u00e9m as sociedades mais desenvolvidas, se encontram ainda muito distantes duma sociedade equilibrada constru\u00edda na base da reciprocidade de feminidade e virilidade. 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