{"id":1393,"date":"2009-02-23T21:12:00","date_gmt":"2009-02-23T20:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1393"},"modified":"2009-02-23T21:12:00","modified_gmt":"2009-02-23T20:12:00","slug":"homossexuais-e-heterossexuais-na-arena-da-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1393","title":{"rendered":"Homossexuais e Heterossexuais na Arena da TV"},"content":{"rendered":"<p>O Car\u00e1cter apelativo do Sexo  <br \/>Ant\u00f3nio Justo<br \/>Na discuss\u00e3o p\u00fablica da RTP, de quarta-feira pp, sobre casamentos de homossexuais, uma jurista que arrotava a constitucionalidade, defendia a sua posi\u00e7\u00e3o sacrossanta de maneira t\u00e3o en\u00e9rgica e devota que parecia confundir a sua convic\u00e7\u00e3o com a Constitui\u00e7\u00e3o. Em nome desta defendia a posi\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria dos homossexuais e excomungava para uma ilha long\u00ednqua do continente da democracia a oposi\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria, de ju\u00edzes constitucionais que ousam, no Portugal do esclarecido 25 de Abril, opor-se ao casamento homo. Independentemente dos problemas entre lei natural e lei positiva (cultural), a l\u00f3gica encontrou ali os seus limites na convic\u00e7\u00e3o. Embora a discuss\u00e3o tenha atingido, dum lado e do outro, pontos altos da argumenta\u00e7\u00e3o, restou por resolver o enigma se o problema est\u00e1 no homem ou nas suas convic\u00e7\u00f5es! De resto, uma disputa renhida entre natura e cultura, ficando-se com a impress\u00e3o de que o Homem \u00e9 v\u00edtima das duas. Na falta duma consci\u00eancia universit\u00e1ria livre pode observar-se a subservi\u00eancia ao \u201cpoliticamente correcto\u201d. O car\u00e1cter partid\u00e1rio esteve t\u00e3o presente que abafou a argumenta\u00e7\u00e3o v\u00e1lida das duas partes. A liberdade de opini\u00e3o e da palavra revelou-se dif\u00edcil. <\/p>\n<p>A defesa dos valores da liberdade em termos de discrimina\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de encalhar nas posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, pareceu embara\u00e7ar-se no caso de reconhecimento do casamento entre pais e filhos e entre irm\u00e3os, atendendo \u00e0 injusti\u00e7a perpetrada pela ordem legal positiva que discrimina os incestuosos e os pol\u00edgamos!&#8230; Refira-se que tamb\u00e9m n\u00e3o foi irrelevante o problema das pessoas menos esquisitas que se sentem homossexuais e heterossexuais. O progressismo e o liberalismo republicano esbarram aqui nas suas promessas de liberdades e irmandades!&#8230;<\/p>\n<p>O rem\u00e9dio ser\u00e1 educar a natureza para que n\u00e3o continue t\u00e3o intolerante e discriminat\u00f3ria! Um desafio para os progressistas. Tamb\u00e9m a tens\u00e3o entre o foro individual e social se manter\u00e1 apesar do socialismo. Em abono da verdade contra os defensores do casamento como institui\u00e7\u00e3o perpetuadora da comunidade deve ser dito que, com o casamento gay, o Estado poupa os gastos com os contraceptivos. Uns argumentam com o casamento como lugar (casa) da fam\u00edlia enquanto que outros v\u00eam nele um acasalamento diferente mas engaiolado. Na realidade o que est\u00e1 em primeiro plano \u00e9 a casa aliada a uma necessidade real humana de aconchego. J\u00e1 que se n\u00e3o recebe o carinho social tenha-se ao menos o direito ao biber\u00e3o do Estado. Com este chega aquele. E \u201cquem n\u00e3o berra n\u00e3o mama\u201d.<\/p>\n<p>Se uns defendiam a restaura\u00e7\u00e3o da dignidade familiar os outros queriam l\u00e1 chegar! Pretende-se acabar com as feridas profundas da discrimina\u00e7\u00e3o mas \u00e0 custa das feridas ideol\u00f3gicas. Se uns se compraziam nas diferen\u00e7as entre homem e mulher outros pareciam sofrer com elas. Um desfasamento do princ\u00edpio ao fim&#8230; Apesar da Constitui\u00e7\u00e3o portuguesa, tamb\u00e9m a natura e a cultura parecem ter de continuar desfasadas! A evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica ainda n\u00e3o consegue acompanhar o progresso cultural. Tanto no foro natural, como pol\u00edtico e jur\u00eddico h\u00e1 por\u00e9m raz\u00e3o para um certo consolo malicioso: De facto a natureza discrimina e a Constitui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Se uma n\u00e3o \u00e9 comunista acentuando as diferen\u00e7as, a outra, em abono do capitalismo, continua a criminalizar os incestuosos e os pol\u00edgamos. Por outro lado, se a natureza manifesta uma certa liberdade e solidariedade privilegiando, no seu desenvolvimento, aquele que tem mais capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, a lei positiva s\u00f3 reconhece essa lei para os servidores do sistema, de resto vive da dial\u00e9ctica entre indiv\u00edduo e sociedade. Este sistema, s\u00f3 conhece a obedi\u00eancia de cima para baixo, numa t\u00e1ctica de esperteza ao contr\u00e1rio da natureza que, no seu processo de evolu\u00e7\u00e3o, segue a intelig\u00eancia da adapta\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria.<\/p>\n<p>Esta discuss\u00e3o em torno da liberdade individual evidenciou uma liberdade que pretende continuar a viver da intoler\u00e2ncia. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 humano errar, o erro est\u00e1 em ser-se homem com opini\u00e3o. Com a desculpa do \u201ccada cabe\u00e7a sua senten\u00e7a\u201dcultiva-se a opini\u00e3o dos correctos publicada como opini\u00e3o p\u00fablica. O resto \u00e9 regulado automaticamente pelo medo dos que querem ser como os outros. Esquece-se que o primeiro acto que fez do ser humano Homem foi a desobedi\u00eancia e este acto foi praticado por Eva contra a ordem estabelecida. N\u00e3o \u00e9 contudo de desprezar o odor do curral, sem ele n\u00e3o nos sentir\u00edamos redil, sociedade! Por isso encanta-nos mais o contemplar duma caverna do que os espa\u00e7os abertos e sagrados da campina, do que o infinito do mar. Uns e outros preferem a pris\u00e3o da lei conhecida \u00e0 aventura aberta do seguimento das pr\u00f3prias directivas.<\/p>\n<p>Toda esta discuss\u00e3o porque o \u201csoba\u201d Socialista se recorda agora do casamento gay para conseguir meter no barco socialista as fac\u00e7\u00f5es do partido e quer provocar naufrgos nos outros partidos da esquerda, a arrebanhar para a sua gal\u00e9. Discuss\u00f5es oportunas ou oportunistas dirigidas \u00e0 emo\u00e7\u00e3o popular. Discuss\u00f5es baratas para a pr\u00f3xima governa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea o sexo n\u00e3o deixa ningu\u00e9m indiferente. <br \/>Hoje \u00e9 tabu a discuss\u00e3o em torno da homossexualidade. Quem ousar aventar a hip\u00f3tese da homossexualidade como fen\u00f3meno patol\u00f3gico ser\u00e1 logo colocado no tribunal dos r\u00e9us pela intoler\u00e2ncia. O mesmo se diga dos hom\u00f3logos da oposi\u00e7\u00e3o. A liberdade hoje advogada quer viver \u00e0 custa da intoler\u00e2ncia relativista. Abdica-se da procura da verdade para se apostar no discurso ret\u00f3rico, o discurso dos que mant\u00eam o poder. Em vez de se apostar na verdade aposta-se na opini\u00e3o. Os maus, os intolerantes s\u00e3o sempre os outros.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a lei reconhece as rela\u00e7\u00f5es de facto e at\u00e9 o direito a educarem filhos aos que se n\u00e3o declarem viver em rela\u00e7\u00f5es de facto. Casamento n\u00e3o \u00e9 um acto s\u00f3 legal, um mero contrato entre dois seres humanos, ele \u00e9 tamb\u00e9m um acto lit\u00fargico e de valor social a que naturalmente os homossexuais n\u00e3o querem renunciar.  Antigamente acusava-se a Igreja cat\u00f3lica de se intrometer na cama nas rela\u00e7\u00f5es entre o casal, hoje os laicistas apelam a que o estado se meta tamb\u00e9m ele na cama das uni\u00f5es homossexuais regulando-as.<br \/>Enquanto que uns correm o perigo de se apoderarem de Deus dogmatizando-o, os outros correm o perigo de se apoderarem da ci\u00eancia, dogmatizando-a para os seus fins. O que est\u00e1 em causa n\u00e3o \u00e9 Deus, a ci\u00eancia, a Verdade, mas a verdade que se identifica com os pr\u00f3prios interesses. Uns servem-se de Deus, outros da ci\u00eancia e ainda outros do povo para se justificarem. Como n\u00e3o conseguem levantar-se sozinhos apoderam-se da manada ou metem-se nela. Desde os anos sessenta temos observado que bispos, padres, professores universit\u00e1rios e conservadores se meteram no rebanho deixando o testemunho p\u00fablico aos progressistas e aos conscientes do poder. A raz\u00e3o e a intelig\u00eancia, nalguns sectores da nossa sociedade, persistem em continuar de f\u00e9rias.  Por isso, os oportunos do sistema pensam o que o sistema quer que pensem e os outros t\u00eam medo de se expressar. H\u00e1 um clima medi\u00e1tico intimidar\u00e1rio. Na Idade M\u00e9dia tinha-se medo do Inferno, hoje h\u00e1 o medo de pensar de se n\u00e3o pensar como a opini\u00e3o publicada quer que se pense. Hoje h\u00e1 o Inferno chamado fascismo ou comunismo. Os \u201cMullas\u201d da democracia determinam o pensar correcto, o pensar dos eleitos. A democracia torna-se pouco a pouco numa sociedade de eunucos, incapacitados de pensar por si pr\u00f3prios cada vez mais dependente de vontades exteriores. Antigamente o povo lia pelo missal da religi\u00e3o nas igrejas, hoje l\u00ea pelo missal da democracia nas escolas e bebe, da TV, o \u00f3pio do anoitecer. <\/p>\n<p>Antonio da Cunha Duarte Justo<br \/>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Car\u00e1cter apelativo do Sexo Ant\u00f3nio JustoNa discuss\u00e3o p\u00fablica da RTP, de quarta-feira pp, sobre casamentos de homossexuais, uma jurista que arrotava a constitucionalidade, defendia a sua posi\u00e7\u00e3o sacrossanta de maneira t\u00e3o en\u00e9rgica e devota que parecia confundir a sua convic\u00e7\u00e3o com a Constitui\u00e7\u00e3o. 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