{"id":1373,"date":"2008-11-26T10:15:00","date_gmt":"2008-11-26T09:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1373"},"modified":"2008-11-26T10:15:00","modified_gmt":"2008-11-26T09:15:00","slug":"a-escola-de-que-se-precisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1373","title":{"rendered":"A ESCOLA DE QUE SE PRECISA"},"content":{"rendered":"<p>Chega a hora das escolas de elite, a hora das Escolas Privadas<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<br \/>A forma\u00e7\u00e3o \u00e9 cara mas a falta de forma\u00e7\u00e3o ainda se torna mais cara, como confirmam os or\u00e7amentos dos estados sociais! Muitos estados, em vez de aumentarem o or\u00e7amento destinado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o e ensino, procuram circundar a precariedade escolar com medidas acidentais. A degrada\u00e7\u00e3o do ensino conduz \u00e0 necessidade de cria\u00e7\u00e3o de escolas de elite, \u00e0 liberdade de escolha do estabelecimento a frequentar e logicamente \u00e0 exig\u00eancia dos estudantes terem a possibilidade de escolherem os seus pr\u00f3prios professores.<\/p>\n<p>Na Sombra dos Tratados de Lisboa e de Bolonha<br \/>As orienta\u00e7\u00f5es da EU consignadas nos tratados de Lisboa e de Bolonha pretendem que, num futuro pr\u00f3ximo, metade dos alunos na Europa tenham o direito e a habilita\u00e7\u00e3o para o ingresso na universidade. S\u00f3 assim se poder\u00e1 manter o n\u00edvel europeu no futuro dado o envelhecimento da sociedade prever a falta de muitos lugares de alta compet\u00eancia ao entrar na reforma.<br \/>Nas na\u00e7\u00f5es mais desenvolvidas europeias os educadores de inf\u00e2ncia devem, j\u00e1 no Jardim Infantil, ensinar l\u00ednguas estrangeiras e entusiasmar as crian\u00e7as para a experimenta\u00e7\u00e3o com fen\u00f3menos da natureza. Neste sentido, a frequ\u00eancia do jardim infantil deve tornar-se gratuita a partir dos 4 anos.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o profissional ter\u00e1 de ser ancorada nas regi\u00f5es e nas empresas, tal como acontece aqui na Alemanha com o sistema dual de ensino baseado no \u201csaber de experi\u00eancia feito\u201d. O formando tem uma componente lectiva e uma componente de aprendizagem em firmas reais. <\/p>\n<p>A Mat\u00e9ria-prima que temos \u00e9 a Intelig\u00eancia e a Forma\u00e7\u00e3o<br \/>Os recursos naturais, as florestas e as mat\u00e9rias-primas cada vez se tornam menos para uma popula\u00e7\u00e3o mundial sempre crescente. Da\u00ed a necessidade premente de se investir nos recursos da intelig\u00eancia. O futuro estar\u00e1 para aqueles que mais inova\u00e7\u00f5es criarem e para aqueles que souberem criar novas necessidades nas pessoas. A sociedade de mercado do futuro estar\u00e1 cada vez mais dependente do saber e da criatividade dos seus empregados. As na\u00e7\u00f5es que derem resposta a este dado continuar\u00e3o a ser a ponta de lan\u00e7a do futuro.<\/p>\n<p>Assim, no s\u00e9culo XXI, incrementar a pol\u00edtica social significar\u00e1 investir na pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o, investir nas escolas e nos laborat\u00f3rios de investiga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o chega passar da \u00e9poca da Burguesia e dos Trabalhadores para a \u00e9poca dos Novos-ricos e do Proletariado.<\/p>\n<p>Em quase todos os pa\u00edses, a origem social continua a determinar o sucesso escolar, profissional e social das crian\u00e7as. Assiste-se a uma pol\u00edtica que, para responder aos maus resultados dos alunos, provenientes de camadas sociais mais carenciadas, simplifica as exig\u00eancias para a passagem de ano em vez de investir verbas em medidas de apoio aos alunos mais carenciados. Assim a mediocridade escolar chega a atingir galard\u00f5es de n\u00edvel m\u00e9dio mas sem pressupostos para responder \u00e0s exig\u00eancias dum ensino superior digno do nome. O governo apadrinha esta filosofia facilitista, possibilitando mesmo a entrada na universidade a pessoas sem curr\u00edculo capaz. Ao socializar-se a mediocridade engana-se a sociedade e a na\u00e7\u00e3o. Os mais enganados ser\u00e3o os mais desprotegidos porque n\u00e3o t\u00eam a vis\u00e3o de conjunto e pensam que escola \u00e9 igual a escola e outros n\u00e3o t\u00eam dinheiro para a poder escolher. <\/p>\n<p>Para responder aos buracos criados pela pol\u00edtica simplicista e \u00e0s altas qualifica\u00e7\u00f5es exigidas pela nova economia, surge cada vez mais a procura e a exig\u00eancia de escolas de elite. A necessidade de institui\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o exigentes e de alto n\u00edvel torna-se assim a consequ\u00eancia duma pol\u00edtica socialista que irresponsavelmente conduz o ensino para o n\u00edvel de exig\u00eancias m\u00ednimas. As institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias estatais ter\u00e3o de dar acesso \u00e0s forma\u00e7\u00f5es facilitadas aparecendo, colateralmente, institutos de ensino superior tamb\u00e9m facilitistas orientados apenas para o diploma. Com o tempo, mais que o t\u00edtulo universit\u00e1rio valer\u00e1 apenas o nome da universidade em que se estudou. Esta \u00e9 a factura da pol\u00edtica de ensino, iniciada com a revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril. Assistiremos a uma fuga crescente dos alunos mais capazes para o ensino privado tradicional. Consequentemente, as camadas sociais mais carenciadas manter-se-\u00e3o democraticamente afastadas da igualdade de chances. O socialismo, em nome da liberdade e da democracia, estabiliza uma car\u00eancia que manca atr\u00e1s dos beneficiados do sistema.  <\/p>\n<p>Fundos europeus mal aproveitados<br \/>O mundo \u00e9 conquistado pela compet\u00eancia e n\u00e3o por t\u00edtulos acad\u00e9micos sociais. Os governos sabem que podem permitir-se o prolongamento sucessivo do estado deficit\u00e1rio da na\u00e7\u00e3o porque contam com a resigna\u00e7\u00e3o do povo, com o tubo de escape da emigra\u00e7\u00e3o e das suas receitas e com os apoios da Uni\u00e3o Europeia para tapar os buracos resultantes da impot\u00eancia pol\u00edtica. Tamb\u00e9m os apoios espec\u00edficos da EU para a forma\u00e7\u00e3o profissional continuam a ser, em grande parte, mal empregados. O povo trabalhador e o portador de t\u00edtulos universit\u00e1rios facilitados ir\u00e3o ent\u00e3o para o estrangeiro ocupar lugares carentes. O orgulho portugu\u00eas compensar\u00e1 a depress\u00e3o nacional com a honra de nomes portugueses que conseguiram medrar na terra estranha. Muitos dos Novos-ricos da pol\u00edtica e da cultura ocupam postos facilitados pela origem e pelo partido, desconhecendo, por isso, o esfor\u00e7o e o m\u00e9rito que prov\u00e9m da produtividade.<\/p>\n<p>Os subs\u00eddios econ\u00f3micos da Uni\u00e3o Europeia para promo\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o profissional s\u00e3o mal aproveitados servindo at\u00e9 de \u00e1libi para o Estado portugu\u00eas n\u00e3o ter de fomentar um ensino profissional regular s\u00e9rio e duradouro. Espera-lhes o mesmo destino que tiveram certas forma\u00e7\u00f5es de professores subsidiadas pela EU. Acabado o subs\u00eddio acabam-se as forma\u00e7\u00f5es, passando a minist\u00e9rio a ir \u00e0 ca\u00e7a de outros dinheiros destinados a outros fins. Assim se vai mantendo a pl\u00eaiade de formadores dependentes dessas fontes e do benepl\u00e1cito partid\u00e1rio que est\u00e1 por tr\u00e1s. (Pude observar isto em rela\u00e7\u00e3o a muitos cursos de forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua para professores e em que participei na qualidade de formando). As medidas de forma\u00e7\u00e3o promovidas pela Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o s\u00e3o suficientemente aplicadas e desviam as aten\u00e7\u00f5es da necessidade de fomenta\u00e7\u00e3o de escolas profissionais. Os respons\u00e1veis pol\u00edticos adoptam os rituais mas sem conte\u00fados nem aplica\u00e7\u00e3o de dinheiro \u00fatil. De projecto em projecto subsidiado l\u00e1 v\u00e3o adiando Portugal. <\/p>\n<p>A pol\u00edtica portuguesa em vez de apostar em Portugal encosta-se demasiado \u00e0 Uni\u00e3o Europeia. Eles l\u00e1 sabem e para o bom comportamento portugu\u00eas sempre cair\u00e3o algumas migalhas choradas para a classe pol\u00edtica. A EU, nesta primeira fase de implementa\u00e7\u00e3o, precisa tamb\u00e9m de chulos.<\/p>\n<p>Desregulamentar a Escola e a Universidade<br \/>As escolas a tempo inteiro, de manh\u00e3 e de tarde, ter\u00e3o de ocupar o tempo todo em actividades com sentido (sem tempos mortos que fomentem o v\u00edcio) abrindo possibilidades \u00e0 capacidade criativas e dando resposta \u00e0s car\u00eancias individuais e locais. A escola dever\u00e1 tornar-se numa casa da porta aberta. N\u00e3o poder\u00e1 continuar um reservado de professores e alunos; ter\u00e1 que abrir as portas a mestres, assistentes sociais, outros t\u00e9cnicos e iniciativas privadas. <\/p>\n<p>Enquanto que em pa\u00edses como a Alemanha as escolas e as universidades s\u00e3o cada vez mais libertadas da estreiteza regulamentar, tendo grande compet\u00eancia tamb\u00e9m na escolha dos professores, em Portugal s\u00f3 existe Lisboa, expandindo-se cada vez mais um centralismo possibilitador de influ\u00eancias partid\u00e1rias nas direc\u00e7\u00f5es das escolas. A elite portuguesa continua a copiar os erros e as virtudes francesas, esquecendo a componente anglo-sax\u00f3nica a n\u00edvel de ensino e de pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Os professores s\u00e3o ainda a pedra angular das escolas. Em vez de se apostar neles formando-os e motivando-os, o governo humilha-os e cria empecilhos burocr\u00e1ticos sem um conceito pol\u00edtico e pedag\u00f3gico de base. Aplicam-se apenas normas no sentido de dar resposta \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es dos tratados de Bolonha e de Lisboa. Tenta-se aplicar cegamente medidas burocr\u00e1ticas julgando assim dar resposta \u00e0s necessidades duma sociedade cada vez mais tecnocrata. A consequ\u00eancia ser\u00e1: o abandono das escolas estatais pelos mais competentes, a fomenta\u00e7\u00e3o dos medianos oportunos e uma car\u00eancia de professores a longo prazo que depois s\u00f3 poder\u00e1 ser preenchida por medidas de exig\u00eancias simplicistas. O Estado sabe que o contingente de professores na bicha de espera nunca faltar\u00e1!<\/p>\n<p>Se o governo est\u00e1 t\u00e3o interessado em defender os alunos \u00e0 custa dos professores porque n\u00e3o permite que os alunos, a partir do d\u00e9cimo ano, ou melhor, que os estudantes escolham os seus professores? Porque \u00e9 que ainda h\u00e1 escolas, em que os alunos dos professores se encontram prevalentemente em determinadas turmas?<\/p>\n<p>Porque \u00e9 que o Estado em democracia ainda continua a apostar num professorado subserviente de funcion\u00e1rios p\u00fablicos? Antigamente era o estado autorit\u00e1rio que estava interessado em controlar a na\u00e7\u00e3o e as ideias atrav\u00e9s do controlo dos seus funcion\u00e1rios; em democracia continua-se o mesmo esp\u00edrito, o esp\u00edrito burocr\u00e1tico e de projectos, ao servi\u00e7o dum Estado partid\u00e1rio. <\/p>\n<p>Porque n\u00e3o se premeiam os professores que tragam actividades especiais para a escola em vez de os humilhar a todos com um sistema de pr\u00e9mio aberto a influ\u00eancias? Porque n\u00e3o organizar a compet\u00eancia do ensino em tr\u00eas zonas possibilitando-lhes o aferimento regional e a concorr\u00eancia entre elas? Porque h\u00e1-de continuar Lisboa a sorver e a abafar as outras regi\u00f5es? Portugal teria muito a aprender da Alemanha. Aqui PISA contesta os resultados nos estados de concentra\u00e7\u00e3o estrangeira, especialmente turca, resultados tamb\u00e9m explic\u00e1veis por uma sociedade fechada nela mesma!<\/p>\n<p>Num esfor\u00e7o central em conjunto com os Conselhos Municipais, a Alemanha investe 7% do produto bruto nacional na forma\u00e7\u00e3o. Toda a na\u00e7\u00e3o est\u00e1 empenhada numa discuss\u00e3o produtiva, tamb\u00e9m com o contributo de posi\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias mais selectivas ou mais permissivas.<\/p>\n<p>Risco de brincar \u00e0 Escola como se brinca \u00e0 Democracia<br \/>O ME n\u00e3o se sente bem numa sociedade em que tudo \u00e9 permitido e s\u00f3 a escola \u00e9 obrigat\u00f3ria. A reforma em curso n\u00e3o \u00e9 s\u00e9ria porque de tipo mercen\u00e1rio e porque apenas orientada para resultados ao servi\u00e7o dum sistema econ\u00f3mico-financeiro em ru\u00edna. N\u00e3o podemos fazer com o ensino o que fizemos com a democracia. A sociedade s\u00f3 perderia continuando a jogar ao faz de conta como fizeram os pol\u00edticos surgidos do 25 de Abril com a democracia.<\/p>\n<p>O governo quer voltar ao dito de Salazar:\u201do que honra o trabalho do professor \u00e9 o sucesso dos alunos\u201d s\u00f3 que o faz com meios errados, roubando a honra aos professores e n\u00e3o tomando os alunos a s\u00e9rio. O \u201cEstatuto do Aluno\u201d est\u00e1 mais para ingl\u00eas ver num pa\u00eds de maravilhas formais do que para os alunos reais. Desautoriza-se o professorado em vez de o apanhar por dentro, para ser renovado sim mas n\u00e3o \u00e0 chicotada. A escola tem de ser repensada novamente. N\u00e3o \u00e9 com controlo dos professores e desobriga dos alunos que se d\u00e1 resposta \u00e0s exig\u00eancias do s\u00e9culo XXI. O professorado tamb\u00e9m tem muit\u00edssima culpa no cart\u00f3rio. A for\u00e7a agora manifestada deve ser empregue para remodelar o sistema escolar radicalmente. Amanh\u00e3, n\u00e3o poderemos ter os mesmos professores nem os mesmos alunos!&#8230; A na\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode permitir-se continuar a assistir ao jogo de for\u00e7as dum lado e do outro. <\/p>\n<p>Escola \u2013 Uma Comunidade Educativa alargada<br \/>A Escola \u00e9 o lugar de encontro dos problemas do nosso tempo proporcionando um retrato bastante adequado da sociedade. Se queremos ganhar o futuro teremos naturalmente de mudar o sistema e especialmente as mentalidades. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m os bispos portugueses, na sua carta pastoral (CEP), se manifestam preocupados com a situa\u00e7\u00e3o das escolas. Em nome da diversidade uniformizam-se as escolas sem respeito pelos contextos, \u201c desprezando a liberdade de actua\u00e7\u00e3o dos professores, pais, autarquias e outros agentes locais com projectos educativos pr\u00f3prios\u201d, como advertem os bispos portugueses. Estes v\u00eaem a escola como \u201ccomunidade educativa alargada, que integra alunos, a entidade respons\u00e1vel pela escola p\u00fablica, estatal ou privada, os educadores e pessoal n\u00e3o docente, os pais e outros encarregados de educa\u00e7\u00e3o e a comunidade circundante\u201d. <\/p>\n<p>Pretende-se no centro da discuss\u00e3o a \u201ccomunidade educativa\u201d e n\u00e3o apenas o mero funcionalismo. Por isso os bispos esperam uma educa\u00e7\u00e3o \u201cantropologicamente fundada\u201d orientada para a \u201cinser\u00e7\u00e3o social participativa, cr\u00edtica e criativa\u201d.<\/p>\n<p>Tanto o utilitarismo como o funcionalismo imediatos n\u00e3o deixam espa\u00e7o para o Homem nem para disciplinas como m\u00fasica, arte e actividades criativas fomentadoras da dignidade humana.<\/p>\n<p>S\u00f3 uma escola aberta fomenta a autoconfian\u00e7a e a capacidade de opini\u00f5es ousadas capazes de se auto-questionarem tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chega a hora das escolas de elite, a hora das Escolas Privadas Ant\u00f3nio JustoA forma\u00e7\u00e3o \u00e9 cara mas a falta de forma\u00e7\u00e3o ainda se torna mais cara, como confirmam os or\u00e7amentos dos estados sociais! 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