{"id":1367,"date":"2008-11-11T12:25:00","date_gmt":"2008-11-11T11:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1367"},"modified":"2008-11-11T12:25:00","modified_gmt":"2008-11-11T11:25:00","slug":"a-cor-do-presidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1367","title":{"rendered":"A COR DO PRESIDENTE"},"content":{"rendered":"<p>Uma Era Incolor<br \/>Ant\u00f3nio Justo<br \/>Afinal o mundo n\u00e3o parece t\u00e3o mau como \u00e9. Desenvolve-se, pouco a pouco, devido \u00e0 coragem e ao esp\u00edrito de resist\u00eancia de alguns. A elei\u00e7\u00e3o de Obama para Presidente s\u00f3 pode ser compreendida no processo de desenvolvimento humano manifestado na luta de Martin Luther King. <\/p>\n<p>N\u00e3o sei se o problema da designa\u00e7\u00e3o da cor da pele constituir\u00e1 s\u00f3 um problema dos \u201cbrancos\u201d e da sua m\u00e1 consci\u00eancia ou tamb\u00e9m estar\u00e1 carregada de sentidos para os \u201cpretos\u201d. Pelo sim e pelo n\u00e3o, o facto de se colocar a quest\u00e3o revela que n\u00e3o nos somos indiferentes e mostra a vontade de queremos ser mais justos uns com os outros e o desejo de nos entendermos. De facto, a ideia leva \u00e0 ac\u00e7\u00e3o, como demonstra o hipnotismo. <\/p>\n<p>Objectivamente falando Obama n\u00e3o seria preto atendendo a que o pai era preto e a m\u00e3e era branca. Apesar de filho de m\u00e3e branca Obama Barack \u00e9 tido como preto ou negro. Para alguns a palavra preto est\u00e1 sobrecarregada de ideologia discriminat\u00f3ria. Recorda uma hist\u00f3ria que deveria colorir o rosto dos brancos. <\/p>\n<p>H\u00e1 sessenta anos era moda dizer-se \u201cde cor\u201d em substitui\u00e7\u00e3o da palavra \u201cnegro\u201d. H\u00e1 15 \u2013 20 anos, procurou-se evitar a palavra preto substituindo-a por \u201cafro-americano\u201d. Tamb\u00e9m esta designa\u00e7\u00e3o conota a origem geogr\u00e1fico-cultural com que muitos se n\u00e3o identificam. <\/p>\n<p>Embora Obama lute pela supera\u00e7\u00e3o das barreiras das cores, ele declara-se pertencente \u00e0 comunidade preta, designando-se a si mesmo como \u201ca black man\u201d  e sente-se como fazendo parte da comunidade preta (black  community\u201d). A sua esposa \u00e9 preta e os seus filhos s\u00e3o pretos tamb\u00e9m. Ele mesmo diz: \u201cQue eu sou designadamente um preto, noto-o, o mais tardar, ent\u00e3o quando em New York procuro fazer um sinal a um t\u00e1xi\u201d.<\/p>\n<p>Na discuss\u00e3o das cores cada um d\u00e1 \u00e0s palavras que as designam a sua colora\u00e7\u00e3o afectiva que tem a ver com a pr\u00f3pria experi\u00eancia e cultura. As conota\u00e7\u00f5es projectadas no adjectivo v\u00e3o da escravid\u00e3o, \u00e0 separa\u00e7\u00e3o racial, \u00e0 explora\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, etc. Cada povo, cada pessoa tem uma rela\u00e7\u00e3o especial com determinadas palavras. Assim, um chin\u00eas associa ao branco qualidades que o Ocidente atribui ao preto. Enquanto que o brando \u00e9 uma cor do luto para o chin\u00eas, para os ocidentais o luto \u00e9 associado com a cor preta. <\/p>\n<p>A mesma subjectividade se d\u00e1 tamb\u00e9m na palavra Am\u00e9rica (USA) que para uns \u00e9 conotada como \u201cpa\u00eds da liberdade\u201d, para outros como o \u201creino do diabo\u201d, para outros como um pa\u00eds num continente, etc., etc. Cada um se agasalha debaixo dos seus preconceitos. Em certo contexto, chamar Homem ao ser humano poderia tamb\u00e9m tornar-se uma ofensa ao homin\u00eddeo. A linguagem que usamos revela muito sobre n\u00f3s mesmos. N\u00e3o somos eunucos quando falamos.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 na cor da pele mas no que ela tem significado para muitos. O apostar na cor preta pode implicar, em certos casos, uma posi\u00e7\u00e3o contra o racismo, uma op\u00e7\u00e3o pela mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Tal como em muitas outras coisas usam-se designa\u00e7\u00f5es sem rigor sujeitas \u00e0s mais diversas conota\u00e7\u00f5es e generaliza\u00e7\u00f5es. Problema seria sem em nome duma defini\u00e7\u00e3o objectiva se entrasse na guerra por uma defini\u00e7\u00e3o, sem contemplar o Homem. O colocar-se o problema tanto pode revelar o preconceito, como uma tomada de consci\u00eancia para o significado das palavras e para o que elas podem provocar. O reconhecimento de preconceitos individuais e culturais \u00e9 o primeiro passo no longo caminho do encontro duns com os outros. O problema est\u00e1 j\u00e1 no nosso sistema de pensamento: o preconceito \u00e9 inerente ao conceito. Importante \u00e9 reconhecer-se este condicionalismo humano. A quest\u00e3o est\u00e1 tamb\u00e9m no objecto do nosso motivo e interesse. O que importa \u00e9 defender a humanidade que se encontra por baixo das cores das peles. <\/p>\n<p>Gandhi conta na sua autobiografia que estava convencido que o Cristianismo era a resposta para o flagelo do sistema das castas na \u00cdndia. Ele pensava seriamente em tornar-se crist\u00e3o. Um dia, na \u00c1frica do Sul, dirigiu-se a uma Igreja para participar numa missa. \u00c0 entrada foi-lhe dito parta ter a bondade de participar numa missa reservada a pretos. Gandhi foi-se embora e nunca mais voltou. As ideias e os ideais podem ser o melhor; quem estorva s\u00e3o muitas vezes as pessoas.<\/p>\n<p>Na discuss\u00e3o do espectro das cores a palavra preto ou branco parece-me a mais neutra embora cada bi\u00f3topo geogr\u00e1fico e cultural tem a sua din\u00e2mica a respeitar. O problema est\u00e1 latente em todo o ser humano que reage com medo ao desconhecido. Assim a experi\u00eancia com beb\u00e9s brancos e pretos mostra que o beb\u00e9 preto reage com medo perante o branco e o beb\u00e9 branco reage com medo perante o preto. Se virmos bem o homem branco n\u00e3o \u00e9 mesmo branco nem o homem preto \u00e9 mesmo preto.<\/p>\n<p>Obama tem a cor da esperan\u00e7a, da justi\u00e7a e da mudan\u00e7a. Ela \u00e9 um protesto contra uma humanidade que tem abdicado de ser humana no sentido digno do termo. Ela \u00e9 protesto, resist\u00eancia e constitui programa para um mundo mais colorido, onde cada qual receba a possibilidade de se tornar ele mesmo. Como nele se combinam as cores, a nova era ter\u00e1 que deixar de continuar o di\u00e1logo perspectivo (dualista) para se iniciar a Era do tri\u00e1logo relacional aperspectivo (integral trinit\u00e1rio).<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma Era IncolorAnt\u00f3nio JustoAfinal o mundo n\u00e3o parece t\u00e3o mau como \u00e9. Desenvolve-se, pouco a pouco, devido \u00e0 coragem e ao esp\u00edrito de resist\u00eancia de alguns. A elei\u00e7\u00e3o de Obama para Presidente s\u00f3 pode ser compreendida no processo de desenvolvimento humano manifestado na luta de Martin Luther King. 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