{"id":1365,"date":"2008-11-05T12:56:00","date_gmt":"2008-11-05T11:56:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1365"},"modified":"2008-11-05T12:56:00","modified_gmt":"2008-11-05T11:56:00","slug":"a-america-elegeu-um-presidente-preto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1365","title":{"rendered":"A AM\u00c9RICA ELEGEU UM PRESIDENTE PRETO"},"content":{"rendered":"<p>Am\u00e9rica mais universal e menos americana<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<br \/>Os Estados Unidos da Am\u00e9rica elegeram o seu primeiro presidente preto, 150 anos depois da liberta\u00e7\u00e3o dos escravos. A Am\u00e9rica apresenta-se com um rosto novo ao mundo!<\/p>\n<p>Barack Obama conseguiu entusiasmar a Am\u00e9rica pela pol\u00edtica. A participa\u00e7\u00e3o eleitoral alcan\u00e7a um novo recorde. 153 milh\u00f5es de cidad\u00e3os participaram nas elei\u00e7\u00f5es conseguindo Obama j\u00e1 57,7 % dos votos para si. O 44.\u00b0 Presidente da USA apresenta muitas semelhan\u00e7as com o presidente Kennedy que ent\u00e3o foi o s\u00edmbolo duma nova Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica ao eleger um presidente preto reconcilia-se consigo mesma e com o mundo.<\/p>\n<p>Com a derrota de McCain a USA despede-se duma era hist\u00f3rica nost\u00e1lgica de vit\u00f3ria e de for\u00e7a no mundo. <\/p>\n<p>Num momento em que o sonho americano sofre as primeiras arranhaduras com a crise financeira, a USA procura um novo papel na hist\u00f3ria. Barack Obama personifica o sonho americano de vida, liberdade e felicidade. Ele consegue subir, com o pr\u00f3prio esfor\u00e7o, duma situa\u00e7\u00e3o modesta ao mais majestoso cargo da Am\u00e9rica. Os votos em Obama s\u00e3o mais que os votos num partido. S\u00e3o os votos dum movimento, o grito da esperan\u00e7a que surge da profundeza da sociedade americana. Na vit\u00f3ria do partido democr\u00e1tico est\u00e1 presente a desilus\u00e3o de pol\u00edticas falhadas e a esperan\u00e7a daqueles que levantam a m\u00e3o, no desejo de verem os seus interesses chegarem \u00e0 ribalta da na\u00e7\u00e3o. Por todo o lado se torna latente o desejo dum novo come\u00e7o. <\/p>\n<p>Obama, na sua campanha eleitoral, procurou um novo estilo de discurso. Tentou superar os clich\u00e9s ideol\u00f3gicos de direita e de esquerda, de Etablishment e de carenciados. Com estilo deixou alguns alertas dignos de escrita no \u00e1lbum dos partidos: \u201cN\u00e3o h\u00e1 uma Am\u00e9rica liberal e uma Am\u00e9rica conservativa \u2013 h\u00e1 os Estados Unidos da Am\u00e9rica\u201d. Aqui, Obama n\u00e3o se revela como um pol\u00edtico normal. Ele quer construir pontes para melhor servir o povo americano.<\/p>\n<p>\u00c0s \u00e1guias do poder, que questionavam a sua experi\u00eancia, ele responde:\u201dTrata-se da capacidade de discernimento e n\u00e3o da experi\u00eancia\u201d. A Am\u00e9rica, tal como ele, \u00e9 jovem e na sua juventude antecipa o futuro. Obama fala, no plural, dum futuro melhor onde \u201cn\u00f3s todos encheremos o sonho americano com nova vida, onde todos ter\u00e3o, verdadeiramente, as mesmas chances\u201d. A Am\u00e9rica \u00e9 sempre jovem porque a sua elite sonha e com ela o povo tamb\u00e9m. Nela a elite, com todos os seus paradoxos, n\u00e3o deixou de ser povo. <\/p>\n<p>O povo americano elegeu uma biografia e n\u00e3o um programa. Na sua pessoa os americanos v\u00eaem a hist\u00f3ria da Am\u00e9rica, reconhecendo-se na sua mensagem de esperan\u00e7a e entusiasmo.<\/p>\n<p>Todo o Mundo olha para a Am\u00e9rica porque sabe que grande parte do seu destino depende dela.<\/p>\n<p>A concorr\u00eancia da R\u00fassia e da China, o ressentimento \u00e1rabe, o terrorismo e a inveja europeia ter\u00e3o um novo peso na nova era que agora se anuncia.  <\/p>\n<p>Embora o tema da guerra do Iraque tenha estado ausente durante a propaganda eleitoral, o seu fim n\u00e3o pode ser adiado indefinidamente. A sua vontade de reformar o sistema de sa\u00fade \u00e9 mais que pertinente. Embora se incline para o proteccionismo econ\u00f3mico (o que assusta os chineses) mostra-se mais liberal na pol\u00edtica de seguran\u00e7a. Com ele talvez a presen\u00e7a militar da USA no mundo, com as suas 761 bases militares em 151 pa\u00edses, se fa\u00e7a sentir menos e a ideia imperialista presente em todas as civiliza\u00e7\u00f5es se comece a emba\u00e7ar. Com ele, os europeus querem ser tomados mais a s\u00e9rio. Esperam uma pol\u00edtica que n\u00e3o se aproveite da rivalidade entre os Estados europeus e que assuma compromissos internacionais em quest\u00f5es de protec\u00e7\u00e3o do clima e do controlo de armamento. (O problema para Obama em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia ser\u00e1 saber o que esta quer!) Os poderes que Obama tem de enfrentar s\u00e3o herc\u00faleos: um mundo contradit\u00f3rio em si, os servi\u00e7os secretos, as for\u00e7as militares e econ\u00f3micas e uma pratica mundial em que o ser humano ainda n\u00e3o \u00e9 tema priorit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Obama, filho de pai queniano e de m\u00e3e americana, desperta muitas esperan\u00e7as tamb\u00e9m na \u00c1frica. Espera-se que ele n\u00e3o escreva apenas hist\u00f3ria americana. Os russos esperam, com ele, ser mais f\u00e1cil recuperar o velho brilho de pot\u00eancia que tinham no tempo da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Obama n\u00e3o ser\u00e1 nenhum santo. Neste sentido fala a sua carreira de pol\u00edtico. Consta que nas escadas do poder partid\u00e1rio ningu\u00e9m sobe sem cad\u00e1veres na cave. Al\u00e9m disso, as esperan\u00e7as, nele colocadas, tornar\u00e3o mais dif\u00edcil o seu papel de presidente. As projec\u00e7\u00f5es colocadas no presidente eleito s\u00e3o de tal ordem que exigiriam dele uma pessoa sobre-humana para as satisfazer. S\u00f3 resta lugar para o desencanto.<\/p>\n<p>A crise financeira mostrou a necessidade duma nova ordem mundial. Uma mudan\u00e7a radical seria mais que \u00f3bvia.<\/p>\n<p>Obama encontra, como hipoteca, a guerra do Iraque que ter\u00e1 de p\u00f4r fim em tempo determinado. O conflito israelo-\u00e1rabe espera tamb\u00e9m por solu\u00e7\u00e3o. A necessidade da USA se libertar da depend\u00eancia dos regimes do petr\u00f3leo possibilitar\u00e1 o renascimento da ecologia. Ele quer \u201cum governo do povo para o povo\u201d. A crise hist\u00f3rica em que o mundo se encontra n\u00e3o facilita o papel do presidente. N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil tirar o carro da lama.<\/p>\n<p>O novo presidente pode tornar-se numa oportunidade de reconcilia\u00e7\u00e3o de muitos pa\u00edses com os Estados Unidos. Ele \u00e9 o s\u00edmbolo da nova era. Nele pode torna-se poss\u00edvel a integra\u00e7\u00e3o da pot\u00eancia e da impot\u00eancia e assim se passar da era do di\u00e1logo para a era do tri\u00e1logo. A chama da liberdade deixar\u00e1 ent\u00e3o de ser t\u00e3o deslumbrante. <\/p>\n<p>A sua vit\u00f3ria, integrada na sua biografia, revela a possibilidade de integra\u00e7\u00e3o das for\u00e7as do Sul com as do norte. Na sua personalidade se encontra a mistura americana, a mistura racial e religiosa. Barack Obama representa na sua pessoa a post-am\u00e9rica, a vontade de integra\u00e7\u00e3o do mundo do norte e do mundo do sul. A Am\u00e9rica permanecer\u00e1 sempre uma na\u00e7\u00e3o universal, um luzeiro que integra em si todas as culturas. <\/p>\n<p>A Am\u00e9rica continuar\u00e1 a ser a AM\u00c9RICA: talvez mais universal e menos americana!<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Am\u00e9rica mais universal e menos americana Ant\u00f3nio JustoOs Estados Unidos da Am\u00e9rica elegeram o seu primeiro presidente preto, 150 anos depois da liberta\u00e7\u00e3o dos escravos. A Am\u00e9rica apresenta-se com um rosto novo ao mundo! Barack Obama conseguiu entusiasmar a Am\u00e9rica pela pol\u00edtica. 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