{"id":1364,"date":"2008-10-29T22:48:00","date_gmt":"2008-10-29T21:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1364"},"modified":"2008-10-29T22:48:00","modified_gmt":"2008-10-29T21:48:00","slug":"a-crise-financeira-e-uma-crise-do-capitalismo-e-do-socialismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1364","title":{"rendered":"A Crise Financeira \u00e9 uma Crise do Capitalismo e do Socialismo"},"content":{"rendered":"<p>UM ESTILO DE VIDA PROGRESSISTA MAS SEM FUTURO<br \/>Ant\u00f3nio Justo<br \/>Com a crise do sistema financeiro, a globaliza\u00e7\u00e3o do medo real tornou-se um facto palp\u00e1vel. N\u00e3o h\u00e1 civiliza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o esteja implicada nas causas e consequ\u00eancias do furac\u00e3o que teve origem na Wall Street. Esta crise financeira transforma-se numa crise econ\u00f3mica universal que tocar\u00e1 com o pre\u00e7o das mat\u00e9rias-primas, com o bolso dos empregados, com a localiza\u00e7\u00e3o dos centros de produ\u00e7\u00e3o das grandes multinacionais que privilegiar\u00e3o as na\u00e7\u00f5es de proveni\u00eancia contra as economias mais fracas. Ai dos pa\u00edses endividados! A recess\u00e3o em curso atingir\u00e1 as camadas mais fracas da sociedade ocidental e os pa\u00edses mais carenciados. Tudo isto \u00e9 a consequ\u00eancia do agir de elites que, num mundo da quimera, trocaram a realidade pelo virtual.  <\/p>\n<p>Pouco a pouco tamb\u00e9m a cidadania se torna virtual e o povo vive em segunda m\u00e3o. No passado o Homem era a medida de todas as coisas. Agora na era da nova esp\u00e9cie, no tempo do Homem cliente \u2013 consumista, e duma elite de Z\u00e9s Pereiras, tudo vale; n\u00e3o h\u00e1 medidas, n\u00e3o h\u00e1 normas nem h\u00e1 regras. E o Z\u00e9 Povo, condenado a acreditar, a confiar na f\u00e9 de constru\u00e7\u00e3o duma sociedade progressista baseada numa \u00e9tica barata e oportuna, j\u00e1 n\u00e3o \u00e0 medida do cidad\u00e3o mas do prolet\u00e1rio. A chanceler alem\u00e3, \u00c2ngela Merkel, ao afirmar que \u201co Estado tem de ser o protector da ordem\u201d tocou um ponto nevr\u00e1lgico da sociedade ocidental. Para se chegar por\u00e9m a esse facto, pressup\u00f5e-se que o sistema partid\u00e1rio descubra primeiro o povo e a na\u00e7\u00e3o.<br \/>Os Estados est\u00e3o a saque<br \/>Na Europa, os Estados, especialmente depois da queda do muro vermelho (muro da vergonha), passaram a estar cada vez mais a saque de ideologias pol\u00edticas que ocuparam a ideia de democracia, instalando democracias de cariz partid\u00e1rio autorit\u00e1rio e monopolista, cada vez mais longe da realidade e do povo. Um socialismo rasteiro infiltrou-se nas mentalidades e nos quadros da sociedade ajudado pelo descr\u00e9dito da velha sociedade do per\u00edodo fascista europeu. Na desordem e na confus\u00e3o prosperam e legitimam o ilegitim\u00e1vel e os conservadores fracos passam a correr atr\u00e1s de franco-atiradores. <\/p>\n<p>Ao mesmo tempo a economia divorcia-se da cultura. O globalismo congrega ent\u00e3o os interesses dum turbo-capitalismo desregrado e a ideia dum internacionalismo militante contra a terra e contra a cultura. Esta uni\u00e3o de for\u00e7as e de interesses acelera os problemas ecol\u00f3gicos. N\u00e3o h\u00e1 for\u00e7as conservadoras com coragem de defender a terra, o povo e a cultura. A pol\u00edtica passou a andar ao sabor da ideologia e a economia acabou por depender da ideologia financeira, destruindo-se ent\u00e3o a economia social. <\/p>\n<p>O mundo financeiro desligou-se da economia produtiva e consequentemente tamb\u00e9m o mundo da pol\u00edtica se desligou do cidad\u00e3o considerando-o apenas sob a perspectiva do homo contribuinte. Na nova Europa, a escola e as universidades t\u00eam-se vindo a tornar em estaleiros para a ind\u00fastria e para o com\u00e9rcio. Tudo tem de trabalhar a tempo pleno, correr de empreg para emprego, sem respeitar os tempos sagrados de descanso do Homem nem a sua dignidade. Tudo se sacrifica \u00e0 produtividade, na banalidade dum factual alheio \u00e0 realidade da natureza e do Homem. <\/p>\n<p>As elites econ\u00f3micas e pol\u00edticas tinham-se unido premiando o endividamento do povo, pretendendo criar um hom\u00fanculo consumidor e gastador em fun\u00e7\u00e3o das receitas da empresa e do Estado. O seu conceito fazia lembrar uma equipa de futebol em que s\u00f3 os jogadores marcadores de golos t\u00eam direito a ganhar, e para melhor em campo sem \u00e1rbitro! Agora que os avan\u00e7ados se encontram aparentemente atolados na lama, os pol\u00edticos procuram o assobio entretanto substitu\u00eddo pelo barulho das pr\u00f3prias claques. <\/p>\n<p>A especula\u00e7\u00e3o chegou a tal ponto que, em vez de se fortalecer o poder de compra do consumidor, atrav\u00e9s dum ordenado justo, se despreza o trabalho do oper\u00e1rio e se especula com trabalhadores mais pobres ainda doutras terras. Se antigamente as guerras se davam entre povos na defesa dos interesses das elites dos respectivos povos, hoje as guerras s\u00e3o realizadas entre as classes mais baixas dos diferentes povos para que as novas elites de mercen\u00e1rios beneficiem delas, dando-se tamb\u00e9m ao luxo de marginalizar a classe m\u00e9dia, o verdadeiro motor das sociedades. <\/p>\n<p>\u00c0 semelhan\u00e7a dos fan\u00e1ticos das montanhas do Afeganist\u00e3o, tamb\u00e9m a nossa elite, por n\u00f3s alimentada e legitimada, se refugia nas suas torres de marfim. Cada um olha do seu alto a realidade do mundo e do cidad\u00e3o com altivez e desd\u00e9m! A explora\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e econ\u00f3mica nunca andaram t\u00e3o juntas e nunca foram t\u00e3o descaradas como s\u00e3o hoje. <\/p>\n<p>A Europa, nos \u00faltimos vinte e tal anos, tem destru\u00eddo a sua personalidade e desmantelado o seu rosto humanista. O turbo-capitalismo e o socialismo uniram-se contra o Homem, contra a natureza e contra os bi\u00f3topos culturais e humanos. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 sagrado, n\u00e3o h\u00e1 p\u00e1trias nem fam\u00edlia que se n\u00e3o ponham \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Da coloniza\u00e7\u00e3o externa passa-se \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o interna. Com a morte de Deus morre o Homem, morre a sua interioridade, a sua ipseidade, aquilo que lhe d\u00e1 dignidade! O Olimpo foi assaltado por novos deuses que nem a alma j\u00e1 respeita da pessoa agora socializada e reduzida a opini\u00e3o de cliente.<\/p>\n<p>Tudo cede \u00e0s leis do mercado especulador. A nossa sociedade continua a recusar tornar-se adulta e ainda se arroga a vaidade de se comparar com outras. Prefere viver entre o medo adolescente e a explora\u00e7\u00e3o. De facto, nela tudo se torna cada vez mais inst\u00e1vel: a vida social, a vida profissional, a vida familiar e a pr\u00f3pria vida existencial. Se antigamente se pagava o medo com o Para\u00edso hoje paga-se com o voto e com o mercado. Viver torna-se num risco cada vez mais presente e consciente porque se opta por uma forma de vida em segunda m\u00e3o. Se nas sociedades primitivas o Homem tinha medo das feras amea\u00e7adoras hoje tem de recear os monstros que ele mesmo criou. As pessoas, com o medo, fogem \u00e0 vida, tornando-se v\u00edtimas de muitas das ideias e das estrat\u00e9gias de fuga.<\/p>\n<p>Assim, abdica-se da humanidade, no medo de perder o emprego, na insatisfa\u00e7\u00e3o de ver o custo de vida aumentar e na inseguran\u00e7a duma reforma hipotecada. O Estado e a economia tornaram-se, tamb\u00e9m eles, nossos rivais. S\u00e3o, por vezes, mais um factor de inseguran\u00e7a do que de seguran\u00e7a. A lei da concorr\u00eancia, a todos os n\u00edveis, parece ter-se emancipado da biologia j\u00e1 de si selectiva para se tornar na pr\u00e1tica da concorr\u00eancia pela concorr\u00eancia. Cada vez se exige mais, se trabalha mais e se v\u00ea menos. Se antigamente o homem lutava primariamente contra as adversidades da lei da natureza, hoje, al\u00e9m desta, tem a luta contra as adversidades das for\u00e7as institucionais que se apoderaram da cultura.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o sistema de sa\u00fade, que deveria sanar igualmente o medo dos pacientes, se torna, cada vez mais, no purgat\u00f3rio destes e no para\u00edso da ind\u00fastria farmac\u00eautica e de pol\u00edticas de clientelas elitistas. A sociedade actual, em vez de tentar orientar-se para o fomento duma sociedade m\u00e9dia mais est\u00e1vel, alargada e humana, nivela-se pela camada mais prec\u00e1ria. <\/p>\n<p>Se queremos a globaliza\u00e7\u00e3o, teremos antes de humanizar a economia e a rela\u00e7\u00e3o social no respeito pelas ecologias. Agora que o homem vai atingindo uma consci\u00eancia global torna-se mais premente a necessidade dum governo mundial mas que parta do Homem para o Homem, doutro modo o anonimato das superstruturas far\u00e3o definhar os vest\u00edgios de humanismo ainda presentes nalgumas institui\u00e7\u00f5es. Apesar do v\u00edrus da rotina e do acomodamento n\u00e3o estar\u00e1 tudo perdido e o Homem encontra sempre uma sa\u00edda. H\u00e1 que encontrar primeiro o Homem para depois se recriarem as institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UM ESTILO DE VIDA PROGRESSISTA MAS SEM FUTUROAnt\u00f3nio JustoCom a crise do sistema financeiro, a globaliza\u00e7\u00e3o do medo real tornou-se um facto palp\u00e1vel. N\u00e3o h\u00e1 civiliza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o esteja implicada nas causas e consequ\u00eancias do furac\u00e3o que teve origem na Wall Street. 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