{"id":1363,"date":"2008-10-24T21:17:00","date_gmt":"2008-10-24T20:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1363"},"modified":"2008-10-24T21:17:00","modified_gmt":"2008-10-24T20:17:00","slug":"liberdade-hipotecada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1363","title":{"rendered":"Liberdade Hipotecada"},"content":{"rendered":"<p>N\u00c3O CHEGAM NOVAS REGRAS PARA A ECONOMIA<br \/>                           Liberdade Hipotecada<br \/>Antonio Justo<br \/>A crise financeira internacional revela a urg\u00eancia de voltar \u00e0 economia de mercado social pautado pela responsabilidade social e individual tal como exigem cr\u00edticos do turbo-capitalismo e sugere a doutrina social da igreja. Para isso precisam-se cidad\u00e3os fortes num estado forte. A cr\u00edtica anal\u00edtica (n\u00e3o a sociedade prolet\u00e1ria socialista) de karl Marx ao capital revela-se como correctivo oportuno \u00e0s f\u00farias dum capitalismo atrevido que cada vez despreza mais as leis de trabalho. <\/p>\n<p>Esta \u00e9 a hora do Estado, a hora da seguran\u00e7a, a hora dos pol\u00edticos e a hora da burocracia. A ideia da liberdade tornou-se fr\u00e1gil perante a necessidade de seguran\u00e7a agora priorit\u00e1ria! A crise leva \u00e0 consci\u00eancia da liberdade hipotecada.<\/p>\n<p>Esta crise poderia dar oportunidade ao nascimento dum novo sistema financeiro mundial orientado para o povo e para os povos. A Hist\u00f3ria apenas reage, n\u00e3o parece predispor de tempo para pensar e agir a partir duma nova perspectiva. Neste momento todas as energias se dirigem no sentido da estabilidade do Estado e do sistema financeiro, passando a quest\u00e3o da necessidade duma nova ordem social e da justi\u00e7a social para um lugar menos relevante. N\u00e3o resta tempo para filosofar. O activismo torna-se \u00f3bvio para defender a carteira e colocar o dinheiro em seguran\u00e7a\u2026<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina, em v\u00e1rios Estados, j\u00e1 adivinhava a crise ao fortalecer o poder do Estado perante o mercado financeiro. \u00c9 realmente necess\u00e1rio muita for\u00e7a para controlar os grandes e para poder impor-se contra a corrente do banal agendado. A Hist\u00f3ria continuar\u00e1 a repetir e a falar das mesmas crises, dos mesmos mecanismos de poder e de opress\u00e3o, acomodada \u00e0 pr\u00e1tica de que o \u00f3bvio \u00e9 contra o humano. <\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o faz lembrar um doente que, em vez de procurar descobrir o sentido mais profundo da sua doen\u00e7a, recorre aos comprimidos e \u00e0s injec\u00e7\u00f5es, porque s\u00f3 pensa em livrar-se da doen\u00e7a o mais depressa poss\u00edvel, sem pensar que a enfermidade \u00e9 apenas um sinal de alarme a chamar a aten\u00e7\u00e3o para o estilo de vida seguido. O alarme do sistema econ\u00f3mico d\u00e1 sinais mas a pol\u00edtica e a economia s\u00f3 parece estar interessada em desligar o alarme para que tudo corra como de costume. O problema permanece, sabendo-se de antem\u00e3o que o alarme voltar\u00e1 a tocar noutra circunst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O Neo-liberalismo revelou-se como uma ideologia especulativa alheada \u00e0s regi\u00f5es e \u00e0s sociedades: abusa da natureza e do Homem. O mercado livre descontrolado e desregulado conduz \u00e0 omnipot\u00eancia e omnipresen\u00e7a duma casta c\u00ednica que se apodera de todos os grupos precisando sempre de v\u00edtimas para sobreviver.<\/p>\n<p>Uma economia de mercado sem um enquadramento \u00e9tico e social conduz \u00e0 cat\u00e1strofe. <\/p>\n<p>N\u00e3o chega a desculpa da l\u00f3gica da causa e efeito nem t\u00e3o pouco se justifica o alinhamento atr\u00e1s dum mercado livre na esperan\u00e7a de que ele tudo regular\u00e1. <\/p>\n<p>O Homem tem mem\u00f3ria curta e a massa an\u00f3nima \u00e9 bicho de h\u00e1bitos. Em breve tudo passar\u00e1 \u00e0 ordem do dia, do rotineiro, \u00e0 conveni\u00eancia da banalidade do factual. Assim, para o povo n\u00e3o ficar sem o dinheiro dos bancos falidos, os governos disponibilizam as verbas  do povo, hipotecando as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. O dinheiro agora emprestado aos bancos desvalorizar-se-\u00e1 e o dito povo solucionar\u00e1 a crise com maior desemprego e pagando taxas de juro mais elevadas. N\u00e3o est\u00e1 em discuss\u00e3o a tomada de medidas pelos Estados, o que preocupa \u00e9 que esta seja tomada sem o povo e \u00e0 sua margem; o que preocupa \u00e9 o sistema!<\/p>\n<p>Assim, contrariamente ao que se esperava, a Am\u00e9rica e o seu sistema parecem sair-se bem da crise. De facto o D\u00f3lar tem encarecido e o Euro embaratecido.<\/p>\n<p>As elites do \u00eaxito revelaram-se incapazes. A arrog\u00e2ncia da elite econ\u00f3mica revelou-se prec\u00e1ria perante a elite pol\u00edtica. A Alemanha colocou 500 bili\u00f5es de Euros \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de bancos em risco de fal\u00eancia; estes t\u00eam medo de recorrer ao subs\u00eddio p\u00fablico, por um lado por terem de se submeter a regras estabelecidas pela classe pol\u00edtica e por outro lado para n\u00e3o manifestarem a sua fraqueza perante a sua clientela, o que poderia provocar a falta de confian\u00e7a nas suas institui\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Facto \u00e9 que, na Alemanha, bancos que recorram \u00e0 subven\u00e7\u00e3o do Estado, ter\u00e3o de submeter-se a maior controlo estatal e os seus chefes n\u00e3o poder\u00e3o ganhar mais de 500.000 euros por ano. A Caixa de Dep\u00f3sitos da Baviera \u00e9 a primeira a recorrer \u00e0 disponibiliza\u00e7\u00e3o de dinheiros p\u00fablicos num valor de 5-6 bili\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Se o mundo fosse t\u00e3o f\u00e1cil de governar como o c\u00e9u e o inferno, n\u00e3o seria precisa a intelig\u00eancia humana. Por\u00e9m, parece exigir-se demais \u00e0 intelig\u00eancia humana ao pretender-se acabar com o inferno de uns e o para\u00edso de outros. <\/p>\n<p>A esperan\u00e7a permanecer\u00e1 a riqueza de uns e a mis\u00e9ria de outros!<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00c3O CHEGAM NOVAS REGRAS PARA A ECONOMIA Liberdade HipotecadaAntonio JustoA crise financeira internacional revela a urg\u00eancia de voltar \u00e0 economia de mercado social pautado pela responsabilidade social e individual tal como exigem cr\u00edticos do turbo-capitalismo e sugere a doutrina social da igreja. Para isso precisam-se cidad\u00e3os fortes num estado forte. 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