{"id":1353,"date":"2008-09-09T12:46:00","date_gmt":"2008-09-09T11:46:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1353"},"modified":"2008-09-09T12:46:00","modified_gmt":"2008-09-09T11:46:00","slug":"fomento-do-estado-contra-a-nacao-a-nacao-virtual-regionalismo-a-alternativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1353","title":{"rendered":"Fomento do Estado contra a Na\u00e7\u00e3o: A Na\u00e7\u00e3o virtual &#8211; Regionalismo a Alternativa"},"content":{"rendered":"<p>Regionalismo \u2013 A Alternativa<br \/>             Necessidade de domar a Globaliza\u00e7\u00e3o e a Uni\u00e3o Europeia<br \/>Ant\u00f3nio justo<br \/>A Uni\u00e3o Europeia e a Globaliza\u00e7\u00e3o vivem da centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-administrativa e apostam na for\u00e7a dos mais fortes contra os bi\u00f3topos naturais e culturais mais fracos. Hoje, como na revolu\u00e7\u00e3o industrial assiste-se \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o das massas prolet\u00e1rias. Se do s\u00e9culo XIX at\u00e9 \u00e0 segunda guerra mundial se movimentavam do campo para as cidades, hoje deslocam-se dos pa\u00edses subdesenvolvidos para os industrializados. <\/p>\n<p>             Fomento do Estado contra a Na\u00e7\u00e3o: A Na\u00e7\u00e3o virtual<br \/>A globaliza\u00e7\u00e3o provoca o engrandecimento das grandes na\u00e7\u00f5es, tal como a revolu\u00e7\u00e3o industrial fomentou os grandes centros industriais citadinos. Tanto a industrializa\u00e7\u00e3o como a globaliza\u00e7\u00e3o se afirmam \u00e0 custa das regi\u00f5es, do campo e da cultura. O grande capital instala-se nos locais de m\u00e3o-de-obra barata, tornando-se mesmo ele num factor de inseguran\u00e7a devido \u00e0 sua mobilidade de interesses. \u00c9 interessante observar, numa na\u00e7\u00e3o como a Alemanha, a luta desesperada desta pela fus\u00e3o dos bancos nacionais para assim poder manter influ\u00eancia financeira na concorr\u00eancia internacional e poder continuar a afirmar-se como na\u00e7\u00e3o. De facto, as leis do Estado j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam influ\u00eancia no capital. A pol\u00edtica desorientada procura agarrar-se a ele. Por\u00e9m, o caudal do capital \u00e9 t\u00e3o forte que tudo engole. <\/p>\n<p>Que acontecer\u00e1 ent\u00e3o aos pa\u00edses sem relev\u00e2ncia nos fluxos internacionais do capital e das ideologias? O interesse na desmontagem das na\u00e7\u00f5es serve-se da ideologia contra a terra e dos mercen\u00e1rios da ideologia que se aninham no Estado e, a pre\u00e7o de boas comendas, fortalecem o Estado \u00e0 custa da na\u00e7\u00e3o, do povo. Para mais facilmente prescindirem do povo constroem a nomenclatura virtual servida por uma administra\u00e7\u00e3o parasit\u00e1ria apenas atenta \u00e0 vontade ideol\u00f3gica. A na\u00e7\u00e3o passa assim a ser um espa\u00e7o virtual e o Estado um monstro, longe do cora\u00e7\u00e3o do povo.<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o, com a sua troca ilimitada de mercadorias, estraga mais ainda o ambiente natural. As pot\u00eancias europeias s\u00e3o as mais beneficiadas com a globaliza\u00e7\u00e3o, vivendo da exporta\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 sua tecnologia superior. Por outro lado as economias rudimentares dos pa\u00edses europeus menos desenvolvidos s\u00e3o destru\u00eddas pela China, onde, por seu lado, as pot\u00eancias industriais investem os lucros das suas exporta\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>A EU tira \u00e0 Na\u00e7\u00e3o a sua compet\u00eancia legislativa e a Globaliza\u00e7\u00e3o determina o executivo. Resta aos governos o papel de executores do an\u00f3nimo e o artif\u00edcio do moralismo nacional para darem a impress\u00e3o ao povo de que a na\u00e7\u00e3o ainda existe no desconcerto\/desconserto dos Estados e assim poderem motivar o povo distra\u00eddo a votar de quatro em quatro anos e assim verem legitimado o desgoverno. As antigas \u201cfor\u00e7as de trabalho\u201d desviadas dos bi\u00f3topos naturais das regi\u00f5es, depauperadas e proletarizadas, v\u00eaem agora o fruto do seu trabalho ser inutilizado pela carestia de vida, carga de impostos e desvio dos rendimentos em benef\u00edcio das oligarquias partid\u00e1rias e administrativas, as \u00fanicas com alimentos assegurados e dum Estado insaci\u00e1vel. <\/p>\n<p>O campo, a natureza despovoa-se para se criarem monstros citadinos onde um povo an\u00f3nimo, sem um bocado de terra onde possa cair morto, disponibilize o corpo e a alma ao servi\u00e7o duma economia desgastante e duma pol\u00edtica mercen\u00e1ria. Vive-se numa sociedade ao Deus dar\u00e1. A economia e a pol\u00edtica, a continuarem assim, preparam j\u00e1 o seu colapso.<\/p>\n<p>Uma vez destru\u00eddas as economias do interior e a classe m\u00e9dia surgida da revolu\u00e7\u00e3o industrial a EU e os Globalizadores apostam numa oligarquia administrativa engordada disposta a ceder a todos os caprichos duma chefia mercen\u00e1ria desconhecedora da terra e do povo mas interessada na ideologia e no capital. As pseudo-elites passeiam a sua mediocridade nas organiza\u00e7\u00f5es celestes da \u00f3rbita nacional e internacional. Promovem-se sociedades sem identidade e sem carisma pr\u00f3prio. A pol\u00edtica quer uma sociedade nivelada por padr\u00f5es impostos. Para se legitimar basta-lhe a ideologia e a interven\u00e7\u00e3o nos canais da r\u00e1dio, televis\u00e3o e imprensa.<\/p>\n<p>O Direito deixou de ser relacionado \u00e0 na\u00e7\u00e3o e ao seu povo para servir e ser ditado por interesses an\u00f3nimos \u201csuperiores\u201d. Aos pol\u00edticos resta-lhes assim o honroso papel de aplicar as leis ditadas pela EU, sem precaver os interesses nacionais mais leg\u00edtimos. Para n\u00e3o terem complica\u00e7\u00f5es, banalizam a carreira de ju\u00edzes imberbes para que estes, de \u00e2nimo leve, tomem decis\u00f5es sem o m\u00ednimo de responsabilidade e de experi\u00eancia da vida. O sistema de ensino \u00e9 aferido \u00e0 precariedade: para o cidad\u00e3o prolet\u00e1rio basta-lhe ter aquecido os bancos da escola e pensar que tem opini\u00e3o pr\u00f3pria legitimada pela democracia partid\u00e1ria. O futuro parece predestinado para os amigos do alheio e para algum mais atento. <\/p>\n<p>                   Regionalismo como Embargo \u00e0 Cleptocracia<br \/>Devido \u00e0 desnacionaliza\u00e7\u00e3o em curso assiste-se \u00e0 necessidade de defesa das religi\u00f5es e ao aparecimento de grupos ideol\u00f3gicos e \u00e0 viol\u00eancia organizada. O povo precisa de ver solo onde colocar os p\u00e9s! A desmontagem das na\u00e7\u00f5es em favor de blocos, a continuar uma pol\u00edtica que tem em vista apenas uma economia sem as pessoas, fomentar\u00e1 a alcaidiza\u00e7\u00e3o social. <\/p>\n<p>A alternativa ser\u00e1 a op\u00e7\u00e3o por uma pol\u00edtica que tome a s\u00e9rio as pessoas e a terra: uma nova pol\u00edtica orientada para as regi\u00f5es e compensadora da desnacionaliza\u00e7\u00e3o em via. Vai sendo tempo de se formarem novas oligarquias naturais regionais, contrapostas \u00e0s oligarquias ideol\u00f3gicas que como as moscas se centram no aparelho do estado. Se antigamente t\u00ednhamos os beneficiados e os bobos da corte, hoje temos os do Estado em torno dos minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>As regi\u00f5es t\u00eam de interferir no poder e defender-se. A globaliza\u00e7\u00e3o s\u00f3 ser\u00e1 respons\u00e1vel se tiver em contrapartida a for\u00e7a das regi\u00f5es. Para isso ser\u00e1 necess\u00e1rio criar-se a democracia das regi\u00f5es dado a democracia partid\u00e1ria cada vez se encontrar mais alheia \u00e0 terra e ao povo. S\u00f3 uma democracia cultural da base poder\u00e1 limitar a for\u00e7a dos produtos de fora, favorecendo os regionais. Os produtos locais s\u00e3o menos poluidores do ambiente evitando o transporte e fomentando lugares de trabalho. <\/p>\n<p>A economia do futuro ter\u00e1 de passar a respeitar na s\u00f3 a natureza mas tamb\u00e9m a moral oferecendo mais perspectivas locais e contando com a pessoa humana nos seus planos. De facto, a grande empresa apanha para si o que promete mais proveito, o resto fica. A Na\u00e7\u00e3o \u00e9 impotente. Assim se mina a democracia: com o turbo-capitalismo com a sua economia abstracta irrespons\u00e1vel e com o socialismo parasita encostado ao Estado. A crise poderia tornar-se na hora do povo, na oportunidade da democracia. Contra isto est\u00e1 o facto dos \u201cnossos melhores\u201d serem mercen\u00e1rios e a apatia e desorienta\u00e7\u00e3o popular! A pol\u00edtica aliada \u00e0 economia quer-nos ocasionais e inconsistentes, t\u00e3o incoerentes como as suas opini\u00f5es! Da\u00ed o desespero, perante um aparelho cada vez mais incontrol\u00e1vel.<\/p>\n<p>A insufici\u00eancia do presente vinga-se no passado. A n\u00edvel local e regional ter\u00e3o de se criar iniciativas e estruturas com um modelo de desenvolvimento em que a pessoa humana se possa articular. O Estado ter\u00e1 de passa a ser mais acidental. Precisam-se regi\u00f5es e pessoas din\u00e2micas e abertas a todos. A na\u00e7\u00e3o e a sociedade ter\u00e3o de passar a ser de todos para todos. Para isso \u00e9 preciso regionalizar a na\u00e7\u00e3o e despartidariz\u00e1-la. Portugal teria de ser dividido em tr\u00eas regi\u00f5es com o substrato cultural dos \u201cHomens Bons\u201d para se impedir o fomento das superstruturas da cleptocracia. Quando nos dispomos a restituir a dignidade ao povo?<br \/>Precisamos tamb\u00e9m duma pol\u00edtica externa mais virada para as antigas prov\u00edncias ultramarinas. As necessidades de uns e outros podiam encontrar respostas possibilitadoras de desenvolvimentos org\u00e2nicos e sociais sem saltos, ajudando a evitar que uns e outros se tornam v\u00edtimas da praga dos gafanhotos.<\/p>\n<p>A democracia, a na\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode continuar a ser canalizada para o Estado, para o partido. A democracia aut\u00eantica surge do povo para o povo, das regi\u00f5es para as regi\u00f5es. Seria problem\u00e1tico se os \u201crefugiados\u201d das regi\u00f5es se continuassem a refugiar nas trincheiras das capitais contra as regi\u00f5es e contra o povo. A continuar assim a na\u00e7\u00e3o deixaria de ter cidad\u00e3os para passar a ser um Estado sem cidad\u00e3os mas com mercen\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Regionalismo \u2013 A Alternativa Necessidade de domar a Globaliza\u00e7\u00e3o e a Uni\u00e3o EuropeiaAnt\u00f3nio justoA Uni\u00e3o Europeia e a Globaliza\u00e7\u00e3o vivem da centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-administrativa e apostam na for\u00e7a dos mais fortes contra os bi\u00f3topos naturais e culturais mais fracos. Hoje, como na revolu\u00e7\u00e3o industrial assiste-se \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o das massas prolet\u00e1rias. 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