{"id":1348,"date":"2008-08-09T22:42:00","date_gmt":"2008-08-09T21:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1348"},"modified":"2017-01-18T18:40:43","modified_gmt":"2017-01-18T17:40:43","slug":"portugal-adiado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1348","title":{"rendered":"PORTUGAL ADIADO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Dos Senhores Livres com Trela democr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>A Democracia \u00e9 um processo em desenvolvimento nunca acabado num Estado onde grupos de interesses se unem e combatem. Estes servem-se do sistema democr\u00e1tico que em nome do povo os legitima. Nele, os pol\u00edticos acham-se com raz\u00e3o em servir-se do povo por este precisar deles. A cren\u00e7a pode muito e serve muitos! O socialismo chama-lhe \u00f3pio, hoje ser\u00e1 partido, ser\u00e1 governo, tamb\u00e9m \u00e9 socialismo!<br \/>\nA Democracia pressup\u00f5e uma consci\u00eancia adulta, uma rela\u00e7\u00e3o equilibrada entre Estado e Povo, entre dirigentes e dirigidos e das classes sociais entre si.<br \/>\nA doen\u00e7a individualista lusitana \u00e9 republicanamente cr\u00f3nica! N\u00e3o tem lugar para o outro. O Povo n\u00e3o conhece o Estado nem este conhece o Povo. Todos se servem ou procuram servir-se. Um Na\u00e7\u00e3o de necessitados e comprometidos onde todos andam armados em carapaus de corrida. S\u00f3 vale a opini\u00e3o, a revolu\u00e7\u00e3o parece ter prescindido da l\u00f3gica e ter inaugurado a era do p\u00f3s-f\u00e1tico.<br \/>\nO individualismo \u00e9 de tal modo m\u00edope que s\u00f3 chega a atingir o alcance dos pr\u00f3prios passos, ou, quando muito, os da \u201cfam\u00edlia\u201d. N\u00e3o existe a colectividade! Dado toda a na\u00e7\u00e3o sofrer do mesmo mal, tem-se grande compreens\u00e3o pelos oportunos governantes. Tamb\u00e9m estes s\u00e3o filhos envergonhados duma m\u00e3e povo, a quem consideram prostituta. Cada uma se safa como pode. Quem se safa com o colch\u00e3o ao lado da estrada, ou com o colch\u00e3o do Estado tem um destino comum e comunga do mesmo esp\u00edrito: a oportunidade!<br \/>\nDe facto, h\u00e1 elei\u00e7\u00f5es mas n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a na governa\u00e7\u00e3o. Os eleitos procuram aproveitar o tempo do seu estado de gra\u00e7a para se servirem e ajudarem alguns amigos, tamb\u00e9m eles \u00e0 cuca duma oportunidade. Trabalho s\u00e9rio, bem preparado e programado n\u00e3o \u00e9 moderno e destoa na m\u00fasica do progresso. O \u00f3bvio \u00e9 o f\u00e1cil e leve, o rent\u00e1vel imediato.<br \/>\nA administra\u00e7\u00e3o continua a empatar a Na\u00e7\u00e3o e a fazer perder tempo a quem quer trabalhar ou quem deseja cumprir as leis. Anacr\u00f3nica mas convencida sente-se omnisciente; para sobreviver basta-lhe saber \u201co chefe disse\u201d e\u2026 pronto!<br \/>\nA grande pobreza do Pa\u00eds est\u00e1 na defici\u00eancia cultural, de que uns poucos vivem bem; o grande contra democr\u00e1tico \u00e9 a car\u00eancia do Estado-Direito.<br \/>\nDespachos e decretos criam subs\u00eddios de milh\u00f5es. Por\u00e9m, quando o inocente cidad\u00e3o concorre ao subs\u00eddio j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 verba. Depois sabe-se, ela foi aplicada na totalidade no apoio dum beneficiado do minist\u00e9rio. Os moinhos da burocracia, geralmente morosos, ent\u00e3o funcionam rapidamente, mas n\u00e3o a bem da na\u00e7\u00e3o e menos ainda a bem do povo. H\u00e1 despachos a mais para despachar e legalizar ilegalidades ou compadrios\u2026<br \/>\nTodos se queixam. Queixam-se os pol\u00edticos dum povo est\u00fapido e indiferente; queixam-se os ministros e secret\u00e1rios de Estado de publicarem Decretos a sua administra\u00e7\u00e3o arcaica n\u00e3o os cumprir. Viram-se ent\u00e3o para as novas tecnologias mas estas s\u00e3o feitas para um povo ainda a criar. Refugiam-se no fomento dum mundo virtual que prima pelo modernismo e pela satisfa\u00e7\u00e3o das estat\u00edsticas altas no uso de aparelhos mais sofisticados. Ningu\u00e9m se preocupa que a gente n\u00e3o compreenda as indica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas nem a letra mi\u00fada. O governo decreta progresso e toca a flauta do modernismo; a massa embora desafinada e fora de ritmo canta e dan\u00e7a. Progresso \u00e9 movimento e movimento \u00e9 progresso, o resto \u00e9 conversa! Viva a democracia e os seus tocadores! Aproveitemo-nos da festa da democracia enquanto ela dura; depois Deus dar\u00e1! Resta a consola\u00e7\u00e3o. Casa em que falta o p\u00e3o todos se queixam e ningu\u00e9m tem raz\u00e3o, dizem os acomodados no canto com o seu naco de p\u00e3o!<\/p>\n<p><strong>Um Pa\u00eds Adiado<\/strong><\/p>\n<p>O Pa\u00eds encontra-se em situa\u00e7\u00e3o de adiado. Se vais ao Hospital e tens l\u00e1 algu\u00e9m conhecido \u00e9s atendido; doutro modo vais para a bicha sem fim.<br \/>\nSe tens um conhecido na C\u00e2mara Municipal \u00e9 resolvido o teu problema ou \u00e9s l\u00e1 metido. A institui\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o conhece o cidad\u00e3o. Conhece sobretudo compadres, amigos e filiados no partido.<br \/>\nVai-se \u00e0 Caixa Geral de Aposenta\u00e7\u00f5es e, mesmo antes de se expor o problema, logo a senhora no guich\u00e9 8 te fala de impossibilidades como se te conhecessem e tivessem a lei e o governo na barriga.<br \/>\nPortugal \u00e9 um pa\u00eds avan\u00e7ado; tem leis avan\u00e7adas e at\u00e9 livros de reclama\u00e7\u00f5es. Esqueceu-se por\u00e9m de criar estruturas sociais e c\u00edvicas que possibilitem ao povo a capacidade de os usar. Portugal pretende ser Lisboa, para ingl\u00eas ver, o resto, verbo-de-encher!<br \/>\nFaz-se um requerimento ao secret\u00e1rio de Estado pedindo fundamenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica pelo n\u00e3o cumprimento duma lei por parte da Tutela e logo se recebe resposta cabal: \u201co senhor secret\u00e1rio indeferiu atrav\u00e9s de despacho\u201d e pronto!\u2026 Assim se despacham a lei e as pessoas neste pa\u00eds virtual!<br \/>\nNeste pa\u00eds de telenovelas e de futebol, tamb\u00e9m na vida particular n\u00e3o se est\u00e1 muito disposto a ouvir o outro. Se se ouve um pouco \u00e9 para o interromper e logo o abafar.<br \/>\nSer\u00e1 que o mundo est\u00e1 na m\u00e3o de oportunistas. Isto est\u00e1 mesmo mal para muita gente; antigamente ainda se podia dizer \u201cvalha-nos Deus\u201d; hoje s\u00f3 o Diabo parece ter cr\u00e9dito.<br \/>\nEntre os ricos e os pobres que temos e somos, somos pobres com pobres \u00e0 frente das freguesias, das C\u00e2maras, dos Parlamentos e dos Governos.<br \/>\nPobreza cria pobreza! Para que serve a riqueza no criticar? Os c\u00ednicos j\u00e1 servidos e que bem entendem dir\u00e3o: para ajudar a enganar!<br \/>\nValer\u00e1 ainda a pena mexer as ideias e as pessoas?<br \/>\nDo pouco que ouvi ao PM S\u00f3crates, nas f\u00e9rias que acabo de passar em Portugal, fiquei com a impress\u00e3o de que ele \u00e9 o \u00f3pio do povo. Neste pa\u00eds o dom da palavra \u00e9 tudo. O sonho e a ilus\u00e3o ainda acalmam. H\u00e1 que mentir mas com convic\u00e7\u00e3o. Se se mentir com voz firme e grossa o povo aceita. Ai da verdade que tenha voz fraca e n\u00e3o decidida! O povo n\u00e3o a entende!<br \/>\nDa Oposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 nada a esperar. Sofre dos males dos da governa\u00e7\u00e3o e pode dar-se ao luxo de impedir-se a si mesma. Assim se cria lugar para oportunistas grandes e pequenos da pobre situa\u00e7\u00e3o (Na\u00e7\u00e3o).<br \/>\nQue nos resta? A Virgem Maria e o futebol?\u2026 Talvez a esperan\u00e7a se n\u00e3o fora a coleira do h\u00e1bito.<br \/>\n<strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos Senhores Livres com Trela democr\u00e1tica A Democracia \u00e9 um processo em desenvolvimento nunca acabado num Estado onde grupos de interesses se unem e combatem. Estes servem-se do sistema democr\u00e1tico que em nome do povo os legitima. Nele, os pol\u00edticos acham-se com raz\u00e3o em servir-se do povo por este precisar deles. 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