{"id":1346,"date":"2008-08-02T15:51:00","date_gmt":"2008-08-02T14:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1346"},"modified":"2008-08-02T15:51:00","modified_gmt":"2008-08-02T14:51:00","slug":"de-ferias-por-terras-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1346","title":{"rendered":"De F\u00e9rias por Terras de Portugal"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Acabo de passar f\u00e9rias em Portugal na \u201cQuinta Outeiro da Luz\u201d na Branca: uma terra amena do Norte, perto de tudo e de todos, onde o mundo ainda parece encontrar-se em ordem! <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A uma dist\u00e2ncia suficiente de Lisboa, reflecte bem a paisagem e a cultura portuguesa. Enquadra-se nas Terras de Santa Maria, a 60 km de Coimbra, a 50 do Porto, a trinta de Aveiro e a trinta da Serra da Freita. Nesta terra acolhedora e farta, pertencente a Albergaria-a-Velha, as pessoas, mesmo desconhecidas, ainda se sa\u00fadam na rua e conjugam equilibradamente a tradi\u00e7\u00e3o com a modernidade. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A vida e o progresso desta terra mostram que palavras-chave como indiv\u00edduo, fam\u00edlia, propriedade, economia liberal, igreja, permanecem mensagens v\u00e1lidas e promissoras de futuro.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Aqui ainda se servem, bem e barato, os tradicionais pratos da cozinha portuguesa. Por isso ia todos os dias comer ao restaurante P\u2026, onde, com mais tr\u00eas pessoas, pagava, no conjunto, um total entre 16 e 20 euros. Naturalmente que aqui n\u00e3o se pagava nem esperava o requinte e o artificio mas era-se compensado com a simplicidade, a aten\u00e7\u00e3o e a alegria, caracter\u00edsticas do povo trabalhador nortenho.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A beleza da paisagem, a riqueza da cultura, as festas e eventos exuberam por todo o lado.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">De resto: um pa\u00eds maravilhoso com um grande povo em cont\u00ednua elabora\u00e7\u00e3o, ainda por completar; um pa\u00eds med\u00edocre, se atendermos aos seus governantes autistas; um pa\u00eds \u00e0 margem do seu povo e da na\u00e7\u00e3o, se atendermos \u00e0 sua Administra\u00e7\u00e3o e outras institui\u00e7\u00f5es relevantes; um pa\u00eds de envergonhados e desavergonhados, se atendermos a uns e a outros; um pa\u00eds excepcional que subentende a excep\u00e7\u00e3o \u00e0 regra.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Regresso contente mas com um vago sentimento de pena: de pena da gente simples, de pena dos c\u00e3es e animais ainda n\u00e3o respeitados; de pena de tantas esperan\u00e7as desbaratadas e de tanto trabalho dispendido mas sem o resultado que seria de esperar. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Regresso com a impress\u00e3o de ter contactado um povo em estado de eros\u00e3o. Verifiquei um certo esp\u00edrito de indol\u00eancia e de indiferen\u00e7a que se refugia na nostalgia dum imagin\u00e1rio prometedor mas enganador. A maioria vive sufocada pelas amarras da informa\u00e7\u00e3o, do telejornal, das telenovelas e do artificialismo pol\u00edtico. Um cinismo sub-rept\u00edcio parece ganhar forma.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">No esp\u00edrito de muitos falantes parece pairar um certo individualismo emigrante: o reverso do sebastianismo. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Cansados do centralismo da capital e dum alarido pol\u00edtico que tudo domina e amea\u00e7a destruir as sub-culturas mais rec\u00f4nditas e sossegadas, muitos, parecem ter j\u00e1 resignado e encolher os ombros, entregando-se \u00e0 in\u00e9rcia de poderes governantes, que a for\u00e7a do destino ciclicamente vai colocando: os deuses do Olimpo democr\u00e1tico \u00e9 que podem e sabem!&#8230;. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Uma cultura pol\u00edtica de lugares comuns vai vivendo do povo e da na\u00e7\u00e3o. O contento dos contentes parece implicar necessariamente o descontentamento agachado do povo portugu\u00eas. Este tira \u00e0 cultura e ao descanso o que lhe falta para a boca. Se em Lisboa se vive do sarcasmo e da ironia, um sentimento individualista leva o homem da prov\u00edncia a evadir-se e a distrair-se da pr\u00f3pria impot\u00eancia e da impot\u00eancia da na\u00e7\u00e3o. Parece restar-lhe assumir o cinismo vigente nos corredores ministeriais de Lisboa, que se ri de Portugal como na\u00e7\u00e3o. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Quem v\u00ea Portugal, como eu o fa\u00e7o agora da Alemanha, fica com a impress\u00e3o que falta a Portugal uma atitude de pensamento. Este parece derramado pelas toalhas das mesas das elites da na\u00e7\u00e3o, a que falta um modelo consensual de elites de Portugal.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Assim se vai destruindo a na\u00e7\u00e3o e a natureza reduzindo-a \u00e0 medida dos planos, dos planos de outros!&#8230;. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A ideologia do progresso parece quer distrair-nos de pensar, alucinando-nos. Quer-se a mudan\u00e7a pela mudan\u00e7a sem respeito pelo dado; n\u00e3o se d\u00e1 tempo para a mudan\u00e7a, nem se reserva tempo nem h\u00e1 capacidade para a reflectir. \u00c8 mais f\u00e1cil seguir a m\u00fasica dos outros. \u00c9 mais f\u00e1cil ser-se dan\u00e7arino do progresso das palavras e das ilus\u00f5es. A Na\u00e7\u00e3o e o Povo s\u00e3o apenas o palco!&#8230;<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b style=\"\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><br \/><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acabo de passar f\u00e9rias em Portugal na \u201cQuinta Outeiro da Luz\u201d na Branca: uma terra amena do Norte, perto de tudo e de todos, onde o mundo ainda parece encontrar-se em ordem! A uma dist\u00e2ncia suficiente de Lisboa, reflecte bem a paisagem e a cultura portuguesa. 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