{"id":1344,"date":"2008-06-25T11:30:00","date_gmt":"2008-06-25T10:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1344"},"modified":"2008-06-25T11:30:00","modified_gmt":"2008-06-25T10:30:00","slug":"a-revolucao-feminina-esta-por-fazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1344","title":{"rendered":"A REVOLU\u00c7\u00c3O FEMININA EST\u00c1 POR FAZER"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 18pt;\" lang=\"PT\">HUMANIZAR \u2013 FEMINIZAR O MUNDO<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 18pt;\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Ant\u00f3nio Justo<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 por fazer. At\u00e9 ao presente a hist\u00f3ria tem dado oportunidade \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o das for\u00e7as da vertente masculina da pessoa humana numa reac\u00e7\u00e3o em cadeia. A hist\u00f3ria \u00e9 o testemunho das revolu\u00e7\u00f5es masculinas. A revolu\u00e7\u00e3o feminina est\u00e1 por fazer. Para mais facilmente notarmos a dicotomia do nosso mundo basta observarmos a dicotomia da realidade do mundo \u00e1rabe, que \u00e9 a nossa, embora um pouco mais acentuada.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A identifica\u00e7\u00e3o, individual e institucional, tem-se afirmado na concorr\u00eancia e manifesta-se numa constante assimetria nas rela\u00e7\u00f5es homem-mulher, senhor-s\u00fabdito, raz\u00e3o e intui\u00e7\u00e3o. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A divis\u00e3o de tarefas com a autoafirma\u00e7\u00e3o consequente com base a elas provoca a divis\u00e3o em vez duma miss\u00e3o conjunta. Assim se faz a divis\u00e3o artificial de esp\u00edrito e mat\u00e9ria contrariando-os em vez de os coordenar e unir. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O esp\u00edrito, o esperma, o homem tem-se afirmado contra a natureza, contra a terra geradora, contra a mulher, dando lugar apenas \u00e0 dimens\u00e3o vertical (cima &#8211; baixo, bem &#8211; mal) sem ter em conta a horizontal. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A terra reflecte naturalmente o brilho do sol, a for\u00e7a da chuva que nela cai numa rela\u00e7\u00e3o \u00edntima profunda fertilizada na uni\u00e3o e miss\u00e3o comum: c\u00e9u \u2013 terra. Um sem o outro n\u00e3o tem sentido nem identidade. Sem a gesta\u00e7\u00e3o feita pela terra, sem a gravidez da mulher n\u00e3o haveria a fecundidade, o filho, o futuro. Assim n\u00e3o se pode dizer que esp\u00edrito e mat\u00e9ria s\u00e3o desiguais no valor. Um ser est\u00e1 condicionado ao outro e deve o seu ser ao outro. Incarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem sentido sem ressurrei\u00e7\u00e3o, nem esta sem aquela; fazem parte dum ciclo trinit\u00e1rio em que o car\u00e1cter polar da vida se supera.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Nos Estados e formas de governo, nos sistemas econ\u00f3micos e administrativos, nas pr\u00f3prias religi\u00f5es e no comportamento individual prevalece, exageradamente, o car\u00e1cter polar, o p\u00f3lo masculino do estar humano. O actuar individual e institucional, a linguagem usada no discurso p\u00fablico, tudo testemunha a polariza\u00e7\u00e3o masculina da vida social e suas estruturas. Uma vis\u00e3o dial\u00e9ctica da vida e correspondentes mecanismos antag\u00f3nicos de gerir e dominar a vida t\u00eam prevalecido contra uma vis\u00e3o mais integral e aperspectiva trinit\u00e1ria. Da\u00ed a disson\u00e2ncia do ser individual e social, o governo do partido e n\u00e3o do inteiro. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Sem que o homem deixe de ser masculino nem que a mulher deixe de ser feminina, necessita-se duma nova forma de viver individual e social em que a rec\u00edproca influ\u00eancia e interfer\u00eancia do masculino e do feminino estejam mais presentes e equilibradas, se tornem realmente complementares uma da outra. Uma sociedade, mais equilibrada e mais justa, pressup\u00f5em mais autoridade e menos poder: uma troca das armas da luta pelas duma moral onde o senhor \u00e9 o que mais serve. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A luta de emancipa\u00e7\u00e3o da mulher, embora necess\u00e1ria, tem seguido a estrat\u00e9gia masculina, afirmando, inconscientemente, a masculinidade do mundo. At\u00e9 Simone de Beauvoir confirmou a perspectiva masculina da vida afirmando a contraposi\u00e7\u00e3o da transcend\u00eancia masculina \u00e0 iman\u00eancia feminina. Confirma assim a pr\u00e1tica dualista grega ignorando a vis\u00e3o aperspectiva m\u00edstica que supera o dualismo, j\u00e1 na f\u00f3rmula trinit\u00e1ria da realidade, escondida no ide\u00e1rio crist\u00e3o tamb\u00e9m ele reprimido.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O culto individualista da masculinidade tem conduzido a humanidade a um \u201cprogresso\u201d cimentado com grandes trag\u00e9dias. O futuro da humanidade tem sido conseguido \u00e0 custa da viol\u00eancia, da viola\u00e7\u00e3o, do masculino contra o feminino, da institui\u00e7\u00e3o contra o membro, de povos e culturas uns contra os outros, tal como podemos verificar nas lutas das tribos, das invas\u00f5es mu\u00e7ulmanas, cruzadas, revolu\u00e7\u00e3o francesa, guerras mundiais, nas guerras actuais e nas desaven\u00e7as familiares. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Em nome do progresso d\u00e1-se continuidade a um processo perene de guerrilha. A parte afirma-se contra a parte sem considerar o todo. Ao fim e ao cabo, a cultura ainda acentua mais os processos de selec\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o da natureza, em vez de os gerir. Por isso acompanhamos a natureza em vez de a sublimarmos.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Na \u00e9poca moderna, devido ao desenvolvimento tecnol\u00f3gico, a barbaridade ainda aumentou, o que torna muito premente a quest\u00e3o do sentido da humanidade e o sentido da vida. Este problema torna-se tamb\u00e9m vis\u00edvel na trag\u00e9dia Fausto de Goethe que termina na utopia duma maternidade da natureza, com o eterno feminino. Facto \u00e9 que a incarna\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 realidade atrav\u00e9s da terra, de Maria. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O presente que se manifesta na dualidade dos contr\u00e1rios deixa a d\u00favida se n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio acreditar no Diabo. Entre o bem e o mal se movimenta a esperan\u00e7a, e o medo de desaparecer do presente no redemoinho da polaridade. Na vis\u00e3o trinit\u00e1ria e n\u00e3o dual deixamos de ser prisioneiros do tempo e do factual, da mat\u00e9ria e do esp\u00edrito. Assim no passado podemos reconhecer o presente e o futuro no jogo das escondidas com o tempo. <b style=\"\">Para salvarmos o homem em n\u00f3s, temos de descobrir a mulher em n\u00f3s. S\u00f3 ela pode dar \u00e0 luz o novo. Nela se realiza a cria\u00e7\u00e3o no sentido da consuma\u00e7\u00e3o. Seria redutor continuar a egomania do ser que encobre o matar. <\/b>J\u00e1 \u00e9 tempo de mudar. A consci\u00eancia humana j\u00e1 atingiu, nalguns bi\u00f3topos, o est\u00e1dio pr\u00f3prio para a metan\u00f3ia global.<b style=\"\"><o:p><\/o:p><\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Atendendo aos resultados at\u00e9 hoje adquiridos, no processo de humaniza\u00e7\u00e3o do mundo, humanizar o Mundo, no futuro presente, significa torn\u00e1-lo mais feminino, mais equilibrado e menos sexuado. Racionalismo, materialismo e espiritualismo s\u00e3o demasiadamente sexuados (dualistas) para poderem dar resposta \u00e0 necessidade premente dum salto qualitativo no desenvolvimento humano. Trata-se de viver em parusia. Mandar \u00e9 servir e servir \u00e9 mandar.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Para se humanizar o Mundo ser\u00e1 necess\u00e1rio um agir neutro e n\u00e3o sexuado: uma consci\u00eancia mais intuitiva e m\u00edstica, menos racionalista e materialista, um existir na reconcilia\u00e7\u00e3o do saber dedutivo e indutivo, da iman\u00eancia e da transcend\u00eancia, do gerador e do gerado. A paridade do sexo e o respeito pela lei da simetria original que atrav\u00e9s de rupturas ganha novas formas ter\u00e1 de ser integrada. Para isso \u00e9 necess\u00e1ria a \u201cemancipa\u00e7\u00e3o\u201d interior do homem e da mulher, uma \u201cemancipa\u00e7\u00e3o\u201d para dentro, no sentido do todo. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Nas sociedades democr\u00e1ticas, seguindo o determinismo dualista, as mulheres encontram-se em processo de aquisi\u00e7\u00e3o duma emancipa\u00e7\u00e3o exterior, n\u00e3o sendo t\u00e3o facilmente manipul\u00e1veis como outrora. Continuam por\u00e9m a estrat\u00e9gia masculina da luta da individua\u00e7\u00e3o contra o todo. Foi assim que os homens dominaram o mundo e que criaram a situa\u00e7\u00e3o que hoje vigora: cultura contra natura! Seria um equ\u00edvoco, numa fase do desenvolvimento da consci\u00eancia integral, continuar a apostar na consci\u00eancia dualista, e entrar agora na luta de dividir equitativamente o ser humano e o mundo entre o homem e a mulher. O que \u00e9 preciso agora \u00e9 humaniz\u00e1-lo e esta miss\u00e3o \u00e9 eminentemente feminina. Agora o mundo precisa da for\u00e7a e do esp\u00edrito da mulher para o transformar, n\u00e3o j\u00e1 numa estrat\u00e9gia antag\u00f3nica mas integrativa, global.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 14pt;\" lang=\"PT\">O equ\u00edvoco da cultura contra a natura<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A concep\u00e7\u00e3o puramente marxista e capitalista do mundo bem como as formas de governo at\u00e9 hoje praticadas sobrevalorizam a masculinidade e o status quo.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Necessita-se duma nova consci\u00eancia e de uma pr\u00e1tica do respeito pelas diferen\u00e7as biol\u00f3gicas e psicol\u00f3gicas que integre a contradi\u00e7\u00e3o, tal com prev\u00eaem no cristianismo a f\u00f3rmula trinit\u00e1ria, e na ci\u00eancia a teoria da relatividade e a f\u00edsica qu\u00e2ntica. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A mundivis\u00e3o masculina, o mundo da concorr\u00eancia premeia o ser que produz mais Testerona, dando assim, previamente, a vit\u00f3ria \u00e0s qualidades masculinas sobre as femininas dado o homem ter mais Testerona. \u00c9 preciso criar-se uma nova consci\u00eancia social e uma sociedade em que a quantidade de adrenalina n\u00e3o seja determinante para determinar e formar a sociedade, onde a autorealiza\u00e7\u00e3o integrada constitua prioridade, onde a concorr\u00eancia determinada por um mercado de trabalho desumano e por expectativas irrealistas e desequilibradas n\u00e3o continuem a ditar o estar humano. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A pol\u00edtica tem falhado e continuar\u00e1 a falhar no seu esfor\u00e7o de conseguir a igualdade entre homem e mulher, baseada na mesma atitude de sucesso no mundo do trabalho. Assim imp\u00f5e \u00e0 mulher um mercado de trabalho e uma estrutura social baseada no modelo de sociedade machista (masculina). As mulheres t\u00eam outras prioridades necessitando dum mundo mais humano e familiar. Elas n\u00e3o arriscam t\u00e3o gratuitamente a sua vida pois possuem um pensar mais integral e menos selectivo que o homem. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O pior que poderia acontecer \u00e0 sociedade seria que as mulheres se deixassem utilizar na concorr\u00eancia desta sociedade anti-feminina, na ilus\u00e3o de estarem a defender os interesses femininos, quando na realidade se est\u00e3o a tornar masculinas. Naturalmente que enquanto continuar em vigor o modelo de sociedade masculina, as mulheres conscientes ter\u00e3o de se lan\u00e7ar \u00e0 conquista na ocupa\u00e7\u00e3o dos basti\u00f5es relevantes da sociedade e da economia, estudando biologia, inform\u00e1tica, engenharia, fundando firmas, etc. Em tempo de guerra n\u00e3o se limpam armas\u2026 S\u00f3 depois de destru\u00edrem as desigualdades exteriores poder\u00e3o ent\u00e3o permitir-se dar express\u00e3o \u00e0s diferen\u00e7as. Este foi por\u00e9m o equ\u00edvoco da sociedade masculina com o seu imperar at\u00e9 hoje, afirmando-se uns \u00e0 custa dos outros. O que \u00e9 preciso \u00e9 uma nova mentalidade, uma nova maneira de estar. A sociedade masculina \u00e9 uma sociedade de burgos e de castelos a conquistar, de Don Quixotes e Sancho Pan\u00e7as. Com a inclus\u00e3o da feminidade, s\u00f3 ent\u00e3o as muralhas se poder\u00e3o tornar em lugares de jogo e transformar-se os campos de batalha em campos de futebol, como centros de higiene social. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Capitalismo e socialismo s\u00e3o masculinos interessados apenas em se apoderar da terra e do povo. \u00c9 a for\u00e7a do macho no tempo do cio. N\u00e3o resta tempo para o choco, para a vida. O apoderar-se da terra e do povo corresponde \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o dos mecanismos da natureza biol\u00f3gica atrav\u00e9s do princ\u00edpio (for\u00e7a) selectivo e do princ\u00edpio da adapta\u00e7\u00e3o. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 por fazer. Foi come\u00e7ada por Cristo mas logo interrompida, porque era demasiado feminina. N\u00e3o chega continuar o olhar monocolar masculino; a era futura pressup\u00f5e dois olhos bem abertos na mesma pessoa: o masculino e o feminino.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b style=\"\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">\u00a9 \u201cA F\u00f3rmula Trinit\u00e1ria do Mundo e da Vida\u201d, Kassel 2008<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 16pt;\" lang=\"PT\">A MULHER DESPERDI\u00c7A AS SUAS FOR\u00c7AS EM FAVOR <o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 16pt;\" lang=\"PT\">DO MUNDO MASCULINO<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 14pt;\" lang=\"PT\">Equil\u00edbrio das for\u00e7as da extrovers\u00e3o e da introvers\u00e3o<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Ant\u00f3nio Justo<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A mulher de hoje corre o perigo de se esgotar ainda mais do que ontem. Corre mesmo o perigo de desperdi\u00e7ar a sua feminidade para aceder e dar resposta \u00e0s necessidades dum mundo masculino e masculinizador que, em nome da igualdade e da t\u00e9cnica, se serve do Direito contra a Natureza para a dominar sem a respeitar. Tal como os agricultores se faziam prolet\u00e1rios industriais na revolu\u00e7\u00e3o industrial submetendo-se \u00e0 disciplina da escola, tamb\u00e9m a mulher \u00e9 hoje aquartelada e arregimentada para os campos de batalha, imprescind\u00edveis \u00e0s conquistas masculinas. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Sem a luta de competi\u00e7\u00e3o os galos n\u00e3o teriam direito ao poleiro, a um lugar de relevo masculino, no galinheiro. Mobilidade, honra, viol\u00eancia, coragem, esp\u00edrito de luta, gosto do risco, pot\u00eancia e corporalidade, concorr\u00eancia, trabalho, auto-controlo, sucesso, pensar dedutivo e linear, s\u00e3o caracter\u00edsticas mais masculinas, enquanto que a mulher tem mais compreens\u00e3o, criatividade, intui\u00e7\u00e3o, realismo, dedica\u00e7\u00e3o, sentido de fam\u00edlia, esp\u00edrito protector, abertura, pensar indutivo e global. Se a mulher tem a vantagem de ser mais ligada ao ciclo da lua o homem est\u00e1 mais condicionado ao ciclo do sol. Naturalmente que as qualidades dum p\u00f3lo condicionam tamb\u00e9m as do outro.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A mulher v\u00ea melhor ao perto do que ao longe e o homem v\u00ea melhor ao longe do que ao perto. Ele foi habituado \u00e0 ca\u00e7a e ela \u00e0 recolec\u00e7\u00e3o e ao cuidado dos filhos. A sociedade moderna exige dela cada vez mais actividades profissionais estranhas ou n\u00e3o adaptadas ao seu ser. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Continuamente interrompida e com milhentas coisas para fazer, a mulher n\u00e3o tem tempo dispon\u00edvel para si. A diversidade de afazeres leva a m\u00e3e \u00e0 desconcentra\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o. Os deveres s\u00e3o de tal ordem que n\u00e3o lhe resta tempo para si. Tamb\u00e9m por isso, na velhice, com uma reforma m\u00ednima, tem de continuar a lutar pela sobreviv\u00eancia. A dispers\u00e3o de interesses, de obriga\u00e7\u00f5es e a quantidade de ocupa\u00e7\u00f5es n\u00e3o deixam ser a mulher o que ela poderia ser. Ela \u00e9 um espa\u00e7o desprotegido com actividades de car\u00e1cter oper\u00e1rio fac totum. A sua for\u00e7a criativa dispersa-se. A sociedade exige dela uma vida distra\u00edda, uma vida de entremeio. Interlocutora e agenda de tudo e todos. Um sistema econ\u00f3mico esfalfante, exige do empregado a concentra\u00e7\u00e3o total na profiss\u00e3o e na actividade. Neste mundo masculino a mulher encontra-se muitas vezes dividida entre os dois lugares de trabalho: casa e emprego. O homem ignora, muitas vezes, o trabalho de casa, ou considera-o como esquisitice da mulher, de que se desobriga. Ele, pelo facto de tanto olhar para a floresta, n\u00e3o chega a notar as \u00e1rvores mais pr\u00f3ximas. Trata-se portanto de homem e mulher, para evitarem cair na parcialidade da vis\u00e3o da presbitia ou da miopia, integrarem, em si mesmos, os dois olhares.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Quanto menos necessidades temos, mais livres somos. Por isso o segredo da liberta\u00e7\u00e3o come\u00e7a aqui pela redu\u00e7\u00e3o, nos vestidos, nos trabalhos, nas visitas, nas obriga\u00e7\u00f5es. Marta, Marta, Maria escolheu a melhor parte! Quantas vezes nos sacrificamos, para alimentar conven\u00e7\u00f5es ou h\u00e1bitos frustrantes ou para agradar a algu\u00e9m que tamb\u00e9m anda no mundo por ver andar os outros. A vida deixar\u00e1 de ser talvez t\u00e3o c\u00f3moda para o homem mas passar\u00e1 a ter maior qualidade para os dois.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O equil\u00edbrio est\u00e1 entre actividade e repouso, entre extrovers\u00e3o e introvers\u00e3o, entre for\u00e7a centr\u00edfuga e centr\u00edpeta. Aliena\u00e7\u00e3o \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio centro. Para amamentar \u00e9 preciso primeiro alimentar-se a si mesma, encher os vazios da pr\u00f3pria fome. Para isso precisa de criar um espa\u00e7o em si, dum quarto s\u00f3 para si, dum tempo s\u00f3 para si, duma medita\u00e7\u00e3o para, imperturbada, se reencontrar e olhar para dentro de si e para aquilo que a determina \u00e0 sua volta. Doutro modo a gritaria da vida, dos filhos, do marido, do dever e dos h\u00e1bitos tornam-se t\u00e3o fortes que n\u00e3o deixam espa\u00e7o para a pr\u00f3pria pessoa. Uma pessoa \u00e9 vivida sem viver!<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b style=\"\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">\u00a9 \u201cA F\u00f3rmula Trinit\u00e1ria do Mundo e da Vida\u201d, Kassel 2008<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><st1:personname><span style=\"\" lang=\"PT\">antoniocunhajusto@googlemail.com<\/span><\/st1:PersonName><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HUMANIZAR \u2013 FEMINIZAR O MUNDO Ant\u00f3nio Justo A revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 por fazer. At\u00e9 ao presente a hist\u00f3ria tem dado oportunidade \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o das for\u00e7as da vertente masculina da pessoa humana numa reac\u00e7\u00e3o em cadeia. A hist\u00f3ria \u00e9 o testemunho das revolu\u00e7\u00f5es masculinas. 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