{"id":1330,"date":"2008-05-16T11:09:00","date_gmt":"2008-05-16T10:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1330"},"modified":"2008-05-16T11:09:00","modified_gmt":"2008-05-16T10:09:00","slug":"fatima-%e2%80%93-o-altar-de-portugal-da-mau-exemplo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1330","title":{"rendered":"F\u00c1TIMA \u2013 O ALTAR DE PORTUGAL D\u00c1 MAU EXEMPLO"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 16pt;\" lang=\"PT\">A Desgra\u00e7a das Velas Electr\u00f3nicas<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Em F\u00e1tima na Bas\u00edlica da Sant\u00edssima Trindade encontra-se um sistema de velas electr\u00f3nicas em que os fi\u00e9is podem acender uma vela mediante a introdu\u00e7\u00e3o duma moeda de 10 c\u00eantimos. Na base desta modernice de mau gosto est\u00e3o certamente argumentos racionalistas meramente tecnol\u00f3gicos e ecol\u00f3gicos. Uma necessidade exagerada de seguran\u00e7a \u00e0 custa da vida e do esp\u00edrito religioso mais genu\u00edno j\u00e1 n\u00e3o poupa at\u00e9 a pr\u00f3pria igreja. Esta pr\u00e1tica testemunha uma mentalidade sem sensibilidade religiosa e sem respeito pela simbologia teol\u00f3gica nem pelo significado profundo da vela de cera. Esta ao ser substitu\u00edda pela vela electr\u00f3nica perde o seu significado espiritual e desvia o seu sentido.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><span style=\"\"> <\/span><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">F\u00e1tima, que recebe visitas de todo o mundo d\u00e1 assim mau exemplo e fere a sensibilidade de pessoas com sensibilidade mais acurada e com conhecimento da simbologia crist\u00e3. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A primeira impress\u00e3o surgida ao constatar tal fen\u00f3meno das velas electr\u00f3nicas foi pensar que os respons\u00e1veis pensaram em satisfazer desejos de pessoas da aldeia sem grande forma\u00e7\u00e3o religiosa ou que algum padre mais assistente social que te\u00f3logo se ter\u00e1 deixado levar por argumentos de car\u00e1cter pr\u00e1tico, como limpeza e ecologia, ligando o sentido da vela apenas a um pedido, uma ora\u00e7\u00e3o ou medita\u00e7\u00e3o de car\u00e1cter meramente racional. A constata\u00e7\u00e3o por\u00e9m de que pessoas da prov\u00edncia, em Portugal, n\u00e3o est\u00e3o de acordo com esta aberra\u00e7\u00e3o, mostra um esp\u00edrito popular mais pr\u00f3ximo da linguagem figurativa e do esp\u00edrito religioso do que te\u00f3logos que pervertem assim praxes religiosas em mecanicismos materialistas. Na igreja espera-se encontrar a proximidade com a vida. A pessoa crente n\u00e3o se pode identificar com ideias iconoclastas numa igreja em que a artificialidade e automatismo t\u00e9cnico da m\u00e1quina se afirma contra o aut\u00eantico e vivo. Este \u00e9 um esc\u00e2ndalo atendendo a que a autoridade religiosa imp\u00f5e ao povo uma praxe de que n\u00e3o percebeu o seu alcance. Fomentam inconscientemente a banaliza\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Num lugar em que a pervers\u00e3o da pr\u00f3pria f\u00e9, manifesta por pessoas simples atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas sangrentas que d\u00e3o a impress\u00e3o dum Deus desejoso de sangue, n\u00e3o deveria a hierarquia eclesi\u00e1stica permitir que se pervertam pr\u00e1ticas como as das velas electr\u00f3nicas. Que o povo imponha a sua maneira de express\u00e3o religiosa ainda se pode compreender; o que \u00e9 inaceit\u00e1vel \u00e9 que respons\u00e1veis eclesi\u00e1sticos, por falta de sensibilidade religiosa e de conhecimento do valor teol\u00f3gico e espiritual dos s\u00edmbolos da f\u00e9 fomentem h\u00e1bitos atrai\u00e7oadores da pr\u00f3pria espiritualidade. F\u00e1tima deve preservar o esp\u00edrito simples e a m\u00edstica profunda que lhe deu origem. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O ponto de vista pr\u00e1tico \u00e9 muitas vezes contra o belo e contra a vida. Uma contradi\u00e7\u00e3o atrevida: Por um lado o Papa a pregar contra o pragmatismo relativista moderno e por outro os cl\u00e9rigos a instalar o relativismo pragmatista, atrevidamente, nas igrejas. Num pa\u00eds com fi\u00e9is exigentes e conscientes como a Alemanha, tal pr\u00e1tica seria inconceb\u00edvel. A pobreza cultural, por\u00e9m, n\u00e3o pode constituir argumento para legitimar tudo. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Senhores chefes do Santu\u00e1rio, senhores p\u00e1rocos, desinstalem as m\u00e1quinas de velas el\u00e9ctricas; estas fazem lembrar uma m\u00e1quina de fazer dinheiro ao servi\u00e7o das companhias de electricidade que n\u00e3o se preocupam nada com a ecologia. Ou ser\u00e1 que teremos de passar a reciclar o ser humano? A vela de cera \u00e9 um s\u00edmbolo da vida religiosa. Ela \u00e9 s\u00edmbolo da alma e da vida que se consome e assim irradia no mundo dando algo da pr\u00f3pria vida.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 18pt;\" lang=\"PT\">Simbologia e significado das velas de cera<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A vela \u00e9 o s\u00edmbolo da luz e da f\u00e9, \u00e9 o s\u00edmbolo por excel\u00eancia da alma individual. \u00c9 uma par\u00e1bola da vida e do ser. Ela expressa de maneira especial a rela\u00e7\u00e3o \u00edntima de esp\u00edrito e mat\u00e9ria. A vela acesa \u00e9s tu, sou eu, somos n\u00f3s, a mecha do mundo a arder.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Na chama se expressa a for\u00e7a extraordin\u00e1ria do bem e o poder destrutivo. A torcida a arder leva a cera a derreter-se participando assim a cera no fogo que simboliza esp\u00edrito e mat\u00e9ria, a uni\u00e3o de Deus e alma, de corpo e mat\u00e9ria.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A vela \u00e9 conhecida desde a antiguidade no culto dos templos. No culto crist\u00e3o, as velas, as ablu\u00e7\u00f5es (lavagens), incenso, a m\u00fasica e as prociss\u00f5es t\u00eam um sentido e um valor que lhes adv\u00e9m do contexto lit\u00fargico. Tem um valor simb\u00f3lico de uni\u00e3o entre o c\u00e9u e a terra e que a finalidade de tudo \u00e9 o esp\u00edrito. A vela na campa dum morto recorda a chama como s\u00edmbolo da claridade do para\u00edso. Na noite pascal \u00e9 o s\u00edmbolo de Cristo, a luz do mundo, e da ressurrei\u00e7\u00e3o. Na Idade M\u00e9dia havia o costume de se dar como penit\u00eancia normal estar de p\u00e9 \u00e0 porta da igreja vestido com uma camisa e uma bela acesa.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A vela foi sempre um s\u00edmbolo da f\u00e9 como luz viva que ilumina as trevas. A luz purifica, renova e fecunda. A vela como s\u00edmbolo da nossa alma manifesta a nossa consci\u00eancia de ser diferente, a nossa maneira diferente de estar no mundo. O esp\u00edrito surge do nosso mais \u00edntimo e se manifesta na luz. Tal como na trindade se pode ver na rela\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria e do esp\u00edrito o surgir do amor, a luz. A alma \u00e9 como que a mecha que no corpo da cera se transforma no esp\u00edrito, sendo assim s\u00edmbolo da pr\u00f3pria vida, revelando como alegoria o pr\u00f3prio ser do crente.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Ao colocar a vela no pedestal situo-me no centro do espa\u00e7o tornando o meu corpo l\u00edmpido em luz e calor irradiante. Romano Guardini, referindo-se ao significado da vela, dizia:\u201dN\u00e3o sentes perante ela algo totalmente nobre a despertar? Olha como ela est\u00e1 em p\u00e9, sem vacilar no seu lugar, levantada, pura e nobre. Sente, como tudo nela fala: estou pronta! Nada nela foge, nada nela se afasta. Tudo \u00e9 clara prontid\u00e3o. Assim ela se consome na sua determina\u00e7\u00e3o, irresist\u00edvel, em luz e em ardor\u201d. Na vela se expressa a nossa alma, a nossa atitude, o mist\u00e9rio que brilha em n\u00f3s. Nela derretemos para a luz da verdade e do amor em Deus e no universo. \u00c0 sua luz, todo o mundo se consome e ganha novo brilho. Deus olha-nos nos olhos e n\u00f3s olhamos o mundo nos olhos transformando-nos com ele.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A luz da vela transforma o ambiente e mesmo as pessoas. Sen\u00e3o experimenta, sempre que recebes amigos e quando a penumbra desce, acender uma vela ou algumas velas. A sala, a mesa, as pessoas e a pr\u00f3pria comida recebem um brilho mais quente, mais humano. Cria-se uma atmosfera de intimidade. O rosto dos comensais adquire um brilho diferente. O nosso corpo, atrav\u00e9s da luz das velas, reflecte melhor o brilho e o calor da alma. A luz torna-se o centro, tudo penetrando e n\u00f3s sentimo-nos mais comunidade trespassados pelo mesmo esp\u00edrito. Este bom h\u00e1bito das velas cada vez mais espalhado no mundo \u201cprofano\u201d abona a favor deste.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b style=\"\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Desgra\u00e7a das Velas Electr\u00f3nicas Em F\u00e1tima na Bas\u00edlica da Sant\u00edssima Trindade encontra-se um sistema de velas electr\u00f3nicas em que os fi\u00e9is podem acender uma vela mediante a introdu\u00e7\u00e3o duma moeda de 10 c\u00eantimos. Na base desta modernice de mau gosto est\u00e3o certamente argumentos racionalistas meramente tecnol\u00f3gicos e ecol\u00f3gicos. 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