{"id":1327,"date":"2008-05-02T23:26:00","date_gmt":"2008-05-02T22:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1327"},"modified":"2008-05-02T23:26:00","modified_gmt":"2008-05-02T22:26:00","slug":"tambem-a-democracia-ja-vai-nua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1327","title":{"rendered":"TAMB\u00c9M A DEMOCRACIA J\u00c1 VAI NUA"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O socialismo derrubou o Estado Novo e o capitalismo vence sobre a democracia.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">As revolu\u00e7\u00f5es liberais come\u00e7am-se com a oferta de liberdade, igualdade, fraternidade e justi\u00e7a. O povo, que n\u00e3o reflecte sobre as li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria, vai na fita e acomoda-se. Entretanto os libertadores ocupam os postos dos depostos, dando continuidade \u00e0 opress\u00e3o e ao suborno, registando-se naturalmente um progresso quantitativo que n\u00e3o qualitativo.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">No regime democr\u00e1tico iniciado com o 25 de Abril, tal como na primeira democracia portuguesa, faltam os pressupostos democr\u00e1ticos aos iniciadores da revolu\u00e7\u00e3o.Numa e noutra n\u00e3o domina a raz\u00e3o nem t\u00e3o-pouco a voz do cidad\u00e3o adulto mas sim a for\u00e7a e a corrup\u00e7\u00e3o cimentada por uma mentalidade autorit\u00e1ria.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Assim, transformam a na\u00e7\u00e3o numa coutada partid\u00e1ria, ainda antes do povo entender o que era democracia e o que significa liberdade. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Sem uma consci\u00eancia de povo nem de na\u00e7\u00e3o, tratava-se de sanear pessoas de postos e ocup\u00e1-los por outras. Pessoas espertas, depois de terem calcado a bandeira portuguesa no estrangeiro, <span style=\"\"> <\/span>importam, tamb\u00e9m agora, da\u00ed ideias a que se encostam. N\u00e3o parece haver a consci\u00eancia do que se \u00e9 nem do que se quer. N\u00e3o s\u00e3o personalidades que fazem a hist\u00f3ria mas a hist\u00f3ria que lhes atribui personalidade!<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Mesmo hoje, depois de 30 anos de exerc\u00edcio, at\u00e9 no parlamento, n\u00e3o h\u00e1 o m\u00ednimo de respeito pelos colegas parlamentares. Causa n\u00e1useas, por vezes, observar o sorriso sarc\u00e1stico e as respostas de car\u00e1cter pessoais que um PM d\u00e1 aos intervenientes de partidos concorrentes. Um povo simples habituado \u00e0s reac\u00e7\u00f5es dos chefes dos seus clubes de futebol n\u00e3o exigem mais dos seus governantes e at\u00e9 pensam que a resposta ad hominem dada pelo PM \u00e9 bem dada. Portugal cada vez se degrada mais para um pa\u00eds de adeptos e de adaptados. A realidade passa a ser projec\u00e7\u00e3o e a intelig\u00eancia esperteza. Enfim, um povo plateia, com pol\u00edticos que n\u00e3o est\u00e3o, sequer, \u00e0 altura do profissionalismo dos seus jogadores de futebol. Apenas os superam na conversa; comungam da corrup\u00e7\u00e3o. Consequentemente, um povo, de mem\u00f3ria curta, j\u00e1 sem for\u00e7a para levantar a voz nem o rabo, l\u00e1 se vai arrastando para as urnas do voto, na cumplicidade de jogo pelo jogo. Cada vez o faz menos convicto. Talvez o desencanto do adro pol\u00edtico!<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Fazem leis que dizem legitimadas em nome dum povo que desprezam e teimam continuar a desconhecer. J\u00e1 n\u00e3o conta o problema da legitima\u00e7\u00e3o. Naturalmente que a democracia n\u00e3o soluciona o problema, por vezes contradit\u00f3rio, da decis\u00e3o legitimada democraticamente e da decis\u00e3o legitimada pela raz\u00e3o. Na ditadura a legitima\u00e7\u00e3o assenta no poder do ditador. Na democracia no poder do grupo mais forte, mas tamb\u00e9m n\u00e3o na raz\u00e3o. Apesar de tudo isto a democracia \u00e9 um bem superior a defender-se. Os pol\u00edticos esbanjam-no e maltrata-no. Deslegitimam-no atendendo \u00e0 arbitrariedade da for\u00e7a normativa em que se baseiam. Do autoritarismo duma economia de plano passou-se para o autoritarismo da economia liberal. Antes decidia um sistema hoje o outro; ontem um de car\u00e1cter pessoal, hoje um, sem car\u00e1cter, an\u00f3nimo.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">N\u00e3o se trata de colocar o problema da ditadura ou da democracia mas de ver como o Estado trata os cidad\u00e3os e como trata espacialmente os mais carenciados. Certos investimento em campos de futebol e em objectos de prest\u00edgio \u00e0 custa do investimento na produ\u00e7\u00e3o, desrespeita o povo. Investe-se na capital o que se rouba \u00e0 prov\u00edncia. Estes s\u00e3o, muitas vezes, investimentos para ingl\u00eas ver!<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Temos uma democracia que devemos defender. O que nos falta na classe dirigente s\u00e3o homens democratas da craveira dum Salazar dos bons tempos mas naturalmente modernizado. Faltam-nos homens que sejam capazes de cometer erros mas que se afirmem na defesa da na\u00e7\u00e3o e do povo. N\u00e3o se trata de exorcizar o presente nem de nega-lo, mas de se n\u00e3o deixar ir na enxurrada.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Os pol\u00edticos encostam-se \u00e0 liberdade e a economia \u00e0 liberdade de consumo. Chegou-se por\u00e9m a um ponto em que o crescimento do consumo j\u00e1 n\u00e3o satisfaz nem \u00e9 compr\u00e1vel por grande parte da popula\u00e7\u00e3o. Passa-se a um consumo \u00e0 custa da liberdade e da dignidade. Isto porque a pol\u00edtica se sujeitou \u00e0 economia.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b style=\"\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Os vendilh\u00f5es do templo da Democracia<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A democracia n\u00e3o parece j\u00e1 interessar-se pelos cidad\u00e3os que s\u00e3o tidos apenas como consumidores e como contribuintes. Um estado que reduz a \u00e9tica do capital ao imposto sobre ele n\u00e3o \u00e9 independente e torna-se sup\u00e9rfluo. Uma empresa privada faria ent\u00e3o melhor o seu papel do que o Estado.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Uma democracia que permite que um seu cidad\u00e3o ganhe tanto ou mais num m\u00eas como um trabalhador simples em toda a sua vida n\u00e3o merece o nome de democracia. Essas diferen\u00e7as n\u00e3o se davam num tempo do capitalismo mais moderado. Hoje, um super-capitalismo inteligente sabe influenciar com as suas lobies a pol\u00edtica e comprar os pol\u00edticos com ofertas \u00e0s suas funda\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es (que se podem tornar em instrumentos de lavagem de dinheiros e da compra de consci\u00eancias que se dizem ao servi\u00e7o do povo). \u00c9 preciso expulsar os vendilh\u00f5es do templo da democracia. A democracia est\u00e1 em perigo. A gravidade da crise \u00e9 ser colocada em perigo pelos que a representam e se servem dela.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Robert Reich, no seu livro Superkapitalismus, d\u00e1 pistas muito \u00fateis para uma coexist\u00eancia respeitosa entre cultura pol\u00edtica e cultura econ\u00f3mica no sentido de se dominar o super-capitalismo que j\u00e1 domina sobre a democracia.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O socialismo derrubou o Estado Novo e o capitalismo vence sobre a democracia. As revolu\u00e7\u00f5es liberais come\u00e7am-se com a oferta de liberdade, igualdade, fraternidade e justi\u00e7a. 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