{"id":1319,"date":"2008-04-06T12:11:00","date_gmt":"2008-04-06T11:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1319"},"modified":"2008-04-06T12:11:00","modified_gmt":"2008-04-06T11:11:00","slug":"deus-nao-e-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1319","title":{"rendered":"DEUS N\u00c3O \u00c9 HOMEM"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 18pt;\" lang=\"PT\">O var\u00e3o repeliu a mulher do templo e da arena p\u00fablica<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Deus n\u00e3o \u00e9 homem. Do memo modo<span style=\"\">  <\/span>a Religi\u00e3o e o Estado n\u00e3o se deixam reduzir a um dom\u00ednio do homem! No Estado e nas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o h\u00e1 equil\u00edbrio entre os valores femininos e os valores masculinos. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Sintomaticamente, as l\u00ednguas latinas s\u00f3 t\u00eam a palavra homem para designarem o complexo var\u00e3o e mulher. Esta pobreza manifesta o esp\u00edrito cultural unilateral subjacente, em preju\u00edzo da mulher e da sociedade. O mesmo d\u00e9fice e viol\u00eancia se observam hoje nas campanhas sexistas e instrumentalizadoras do homem e da mulher para fins ideol\u00f3gicos e econ\u00f3micos. O problema por\u00e9m est\u00e1 no modelo dea sociedade vigente e mentalidade imanente. Uma sociedade de caracter\u00edsticas machistas procura, com certo sucesso, assimilar a feminidade sem ter de abdicar do seu espec\u00edfico m\u00e1sculo. As sociedades manifestam o seu car\u00e1cter no esp\u00edrito religioso que as fundamenta.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O homem \/ mulher \u00e9 a imagem de Deus. O G\u00e9nesis 1,27 testemunha-o claramente: \u201cDeus criou o homem \u00e0 Sua semelhan\u00e7a, criou-o \u00e0 imagem de Deus; Ele o criou homem (masculino) e mulher (feminino). J\u00e1 o profeta Oseias se insurgia, no Antigo Testamento, contra as tend\u00eancias patriarcais de masculiniza\u00e7\u00e3o de Deus e da sociedade. Em Oseias, Deus afirma: \u201cEu sou Deus, n\u00e3o homem\u201d. (Hoje o mesmo profeta protestaria contra o esp\u00edrito do tempo que tenta masculinizar a mulher reduzindo-a a objecto de sexo e fazer dela um ser \u00e0 imagem do homem). A c\u00f3pia original de Deus \u00e9 homem e mulher, o resto \u00e9 falsifica\u00e7\u00e3o. O mesmo se poderia dizer da filosofia substrato \u00e0s civiliza\u00e7\u00f5es existentes.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Nos tempos mais antigos o masculino e o feminino convivia no templo. Com o tempo a mulher \u00e9 expulsa da esfera do templo e da sociedade. A tend\u00eancia hegem\u00f3nica do homem e o projecto de elaborar uma sociedade de timbre masculino levou o var\u00e3o a desalojar a mulher do templo, privatizando-a. A sua capacidade subordinadora e guerreira afirmaram-se mediante uma estrat\u00e9gia dial\u00e9ctica.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A feminidade no templo era para os homens como a mulher \u00e1rabe para os mu\u00e7ulmanos: um elemento de distrac\u00e7\u00e3o ou de perigo emocional. Da\u00ed a necessidade de se apresentar em p\u00fablico uma imagem de Deus m\u00e1sculo. Os \u00e1rabes n\u00e3o s\u00f3 afastam a feminidade do templo como a escondem debaixo do len\u00e7o, do burel. Os hebreus contentam-se com a apresenta\u00e7\u00e3o de Deus sob uma forma masculina excomungando a feminidade e o erotismo do templo. O esp\u00edrito grego, apadrinhado pela civilizacao judaico-crist\u00e3 deu depois continuidade \u00e0 repress\u00e3o da feminidade. A cultura \u00e1rabe ainda acentua mais a repress\u00e3o do feminino sem perder um certo sensualismo. Onde o primado da guerra e da viol\u00eancia surgem, a\u00ed se afirmam as qualidades masculinas contra as femininas. Poder\u00edamos dizer que h\u00e1 uma correspond\u00eancia directa entre agressividade e disposi\u00e7\u00e3o feminina na sociedade.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Santo Agostinho refere-se \u00e0s dimens\u00f5es de Deus pai e m\u00e3e. Deus \u00e9 pai \u201cporque funda, porque chama, porque ordena e porque domina\u201d. Deus \u00e9 m\u00e3e \u201cporque aquece, porque alimenta, porque abarca\u201d. A Igreja Cat\u00f3lica procurou integrar a feminidade no culto a Maria. A feminidade divina venerada em Maria, n\u00e3o deve por\u00e9m servir para a reprimir na mulher concreta. O mundo sensual continua, de maneira j\u00e1 muito reduzido, na M\u00e3e de Deus mas muito presente em sectores restritos como se pode ver na iconografia. Assim, a espiritualidade popular que sempre se concentrou em redor do concreto, resiste contra uma tentativa intelectualizadora de abordagem de Deus distante da dimens\u00e3o concreta das experi\u00eancias humanas. Nas devo\u00e7\u00f5es marianas de car\u00e1cter popular, encontra-se mais compreens\u00e3o tamb\u00e9m para o imediato, uma contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 intelectualidade religiosa de acentua\u00e7\u00e3o masculina.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Em tempos de crise tornam-se mais relevantes os valores masculinos em desvantagem dos femininos. A crise de sentido em que hoje se vive \u00e9 muito oportuna. Vai sendo tempo de homem e mulher concelebrarem juntos o mist\u00e9rio da vida na congru\u00eancia dos sexos para se possibilitar um progresso real da humanidade baseado no equilibrio dos valores masculinos e femininos (duma nova consci\u00eancia de ser e estar)..<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A imagem de Deus encontra-se em cont\u00ednua interdepend\u00eancia com a imagem<span style=\"\">  <\/span>homem\/mulher no desenrolar da hist\u00f3ria. O factor do tempo e da consci\u00eancia humana implica cont\u00ednuos retoques no modelo e na imagem, o que urge hoje \u00e9 um salto qualitativo. Tamb\u00e9m \u00e9 uma constante hist\u00f3rica que a superabund\u00e2ncia nas institui\u00e7\u00f5es humanas civis e religiosas se alimentam do que tiram aos membros. Essa priva\u00e7\u00e3o deveria ser devolvida de modo aperfei\u00e7oado ao povo. A Igreja Cat\u00f3lica, lugar primeiro da globaliza\u00e7\u00e3o deveria empenhar-se na \u201cfeminiza\u00e7\u00e3o\u201d da sociedade, no sentido da frase do g\u00e9nesis e do ideal de Cristo &#8211; Homem\/Mulher e n\u00e3o apenas bar\u00e3o. Isto implica uma nova maneira de ser e estar na vida social, pol\u00edtica, econ\u00f3mica e religiosa. Implica uma vis\u00e3o aperspectiva (perspectiva do todo e de cada parte), no sentido trinit\u00e1rio da realidade do \u201cser\u201d. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p> <\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Na nova era a construir, o Estado e as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o poder\u00e3o engordar-se nem continuar a nutrir os que se servem deles \u00e0 custa da falta de conhecimento do povo e dos seus males. Precisa-se o Homem-Mulher-forte cuja riqueza e honra esteja ao servi\u00e7o duma nova sociedade humana. S\u00f3 uma consci\u00eancia de caracter\u00edsticas mais feminina possibilitar\u00e1 a sa\u00edda do fracasso dum modelo de sociedade que se vai afirmando, de crise em crise, na luta do homem contra o homem. A polariza\u00e7\u00e3o dos modelos de sociedade at\u00e9 hoje praticados n\u00e3o ser\u00e1 vi\u00e1vel numa sociedade de consci\u00eancias individuais cada vez menos dial\u00e9cticas e mais integrais. O in\u00edcio da era da \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d feminina torna-se \u00f3bvio.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b style=\"\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><br \/><b style=\"\"><o:p><\/o:p><\/b><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O var\u00e3o repeliu a mulher do templo e da arena p\u00fablica Deus n\u00e3o \u00e9 homem. Do memo modo a Religi\u00e3o e o Estado n\u00e3o se deixam reduzir a um dom\u00ednio do homem! 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