{"id":1265,"date":"2007-11-19T18:28:00","date_gmt":"2007-11-19T17:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1265"},"modified":"2007-11-19T18:28:00","modified_gmt":"2007-11-19T17:28:00","slug":"uma-perspectiva-crista-para-a-homossexualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1265","title":{"rendered":"Uma Perspectiva Crist\u00e3 para a Homossexualidade"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Uma sociedade de prisioneiros das fronteiras do pr\u00f3prio meio, por um lado exige que se torne p\u00fablico o acto da uni\u00e3o sexual atrav\u00e9s do casamento e por outro solicita a privacidade do amor. Que l\u00e9sbicas, homossexuais manifestem a exig\u00eancia do reconhecimento p\u00fablico \u00e9 natural porque o rosto forma-se no reconhecimento p\u00fablico. Levar uma vida dupla seria um atentado \u00e0 pr\u00f3pria identidade. Os amantes ao deixar de ser meros indiv\u00edduos manifestam esperan\u00e7a no futuro e naturalmente esta requer encena\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A b\u00ean\u00e7\u00e3o do p\u00fablico \u00e9 um factor importante no desenvolvimento e corrobora a vontade do par se amar.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Tamb\u00e9m h\u00e1 pessoas individualistas que recusam o casamento preferindo viver na privacidade onde melhor podem asfixiar e asfixiar-se. Mais que as formas externas de estar na vida, importante \u00e9 a atitude e a consci\u00eancia pessoal na rela\u00e7\u00e3o consigo mesmo e com o outro. Naturalmente que por detr\u00e1s do comportamento espont\u00e2neo das massas an\u00f3nimas que vivem do dia a dia \u00e0 espera de orienta\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma consci\u00eancia esfor\u00e7ada e mais formada que puxa a carro\u00e7a, apostando no sentido. O mundo consta de uns e outros mas s\u00f3 avan\u00e7a no esfor\u00e7o.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Na homofilia talvez esteja subjacente o desejo do homem se defender da auto-aliena\u00e7\u00e3o na mulher e vice-versa. Por seu lado a heterossexualidade obsessiva pode resultar da defesa da amea\u00e7a do eu interior (selbst) pelo outro homem. Em cada rela\u00e7\u00e3o esconde-se uma extens\u00e3o do eu pr\u00f3prio, no processo de descoberta e integra\u00e7\u00e3o dos p\u00f3los feminino e masculino em si mesmo. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Muitas vezes, <b style=\"\">por detr\u00e1s duma fixa\u00e7\u00e3o sexual exagerada (mania f\u00e1lica) est\u00e1 latente o desejo de penetrar numa zona mais profunda de si mesmo e da realidade<\/b>, esconde-se uma din\u00e2mica art\u00edstica a querer ser desperta, a querer participar activamente no acto da cria\u00e7\u00e3o. Muitos perdem-se nesta fase. A vida n\u00e3o quer que se lhe passe ao lado dela distraidamente, ela procura a chance dum momento para irromper num mundo a correr. A saudade sexual predisp\u00f5e \u00e0 criatividade, s\u00f3 que, muitas vezes, o parceiro \u00e9 visto como s\u00edmbolo da pr\u00f3pria vitalidade servindo de alheamento em vez de facilitar o pr\u00f3prio encontro e o encontro do outro. Ent\u00e3o o homem, na falta de sensibilidade pelo seu sentimento, esgota-se no s\u00edmbolo da sua criatividade. Muita energia ao ser focalizada n\u00e3o no outro mas no objecto do outro esvai-se, deixando um sabor a fome cada vez maior, fome esta, que bloqueia uma verdadeira individua\u00e7\u00e3o no n\u00f3s. A aventura da interac\u00e7\u00e3o numa rela\u00e7\u00e3o mais profunda justifica o trabalho de descoberta do esp\u00edrito que est\u00e1 por detr\u00e1s de todos os determinismos, hereditariedades e afinidades. As institui\u00e7\u00f5es conhecem a for\u00e7a criativa do eros, tamb\u00e9m por isso se servem dela e o reprimem para que se transforme em energia canalizada e mais alargada. Um amor limitado ao instinto rapidamente se abandalha quer nas liga\u00e7\u00f5es homossexuais quer nas heterossexuais.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 14pt;\" lang=\"PT\">Refer\u00eancias Religiosas<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Hoje a imagem de Deus \u00e9 mais hermafrodita.<b style=\"\"> <\/b>Por outro lado os textos b\u00edblicos <b style=\"\">n\u00e3o emitem tanto um ju\u00edzo sobre a pessoa singular<\/b> mas sim sobre o fen\u00f3meno moral numa perspectiva de responsabilidade social. Na B\u00edblia reprova-se moralmente a sodomia e a superficialidade do agir. S. Tom\u00e1s de Aquino, na Sacrae Theologiae Summa, diferencia afirmando: \u201cos comportamentos homossexuais n\u00e3o correspondem \u00e0 ordem do criador, ou seja, \u00e0 natureza humana gen\u00e9rica sendo por isso contra a natureza; <b style=\"\">mas esses correspondem \u00e0 natureza concreta do homossexual sendo por isso natural<\/b>.\u201d Uma homossexualidade que tenha como intuito s\u00f3 o prazer \u00e9 condenada. No trato do fen\u00f3meno diferencia-se entre a homossexualidade irrevers\u00edvel ou persistente e uma certa predisposi\u00e7\u00e3o para a homossexualidade.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Numa sociedade com diferentes estados de consci\u00eancia com os mais m\u00faltiplos bi\u00f3topos n\u00e3o se torna f\u00e1cil uma linguagem transparente e compreensiva para todos eles, atendendo aos seus antagonismos e pressupostos.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Os lobbis homossexuais tamb\u00e9m n\u00e3o tornam f\u00e1cil o trabalho de aproxima\u00e7\u00e3o. Sentindo-se marginais s\u00e3o mais solid\u00e1rios entre si. S\u00e3o, por\u00e9m, portadores dos mesmos v\u00edcios e preconceitos da sociedade envolvente ao optar por uma pr\u00e1tica de afirma\u00e7\u00e3o baseada na dial\u00e9ctica, na estrat\u00e9gia partid\u00e1ria da confronta\u00e7\u00e3o, em vez de se situarem numa din\u00e2mica integral e global baseada numa filosofia a-perspectiva. S\u00e3o v\u00edtimas da ideologia que os n\u00e3o tolera mas usam as mesmas estrat\u00e9gias de ataque e de defesa das ideologias de que s\u00e3o v\u00edtimas; uns e outros sofrem da mesma doen\u00e7a dualista, comungando da precariedade da mesma mentalidade. No meio de tudo isto a pessoa \u00e9 prejudicada, falta a reflex\u00e3o. O homossexual que inconsciente e primordialmente queria <b style=\"\">superar a bipolaridade da banalidade<\/b> do real cai na mesma banalidade irreflectida da afirma\u00e7\u00e3o costumeira do antag\u00f3nico.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Os impacientes com tomadas de posi\u00e7\u00e3o p\u00fablicas da Igreja n\u00e3o devem ver nelas apenas um acto retr\u00f3grado, ou mais pedag\u00f3gico, mas tamb\u00e9m uma preocupa\u00e7\u00e3o fundada, dirigida \u00e0 generalidade (muito embora expressas, por vezes, numa atitude n\u00e3o evang\u00e9lica, n\u00e3o integral). As institui\u00e7\u00f5es religiosas estavam habituadas a apresentar \u00e0s pessoas <b style=\"\">sistemas<\/b> de f\u00e9, de orienta\u00e7\u00e3o e de perten\u00e7a mas hoje o que as pessoas procuram s\u00e3o experi\u00eancias espirituais e uma rela\u00e7\u00e3o de trato individualizada. Uns e outros falam sem se entenderem. Muitos daqueles <b style=\"\">sofrem de intelectualitis tomando as ideias pela coisa em si<\/b>, pelo verdadeiro. N\u00e3o vivem nem agem de cora\u00e7\u00e3o nem parecem movidos pelo amor a Deus e aos homens mas sim por an\u00e1lises, ideias e ju\u00edzos unidos a uma atitude de desconfian\u00e7a. Os \u00faltimos parecem, por vezes, seguir apenas a esot\u00e9rica da pr\u00f3pria fantasia. Uma coisa \u00e9 o teor da Constitui\u00e7\u00e3o e outra \u00e9 a sua aplica\u00e7\u00e3o no c\u00f3digo civil. Este comporta j\u00e1 as situa\u00e7\u00f5es concretas. O mesmo se diga da doutrina e da pastoral.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Os crist\u00e3os n\u00e3o seguem sem mais as formas do mundo secular. Precisam de mais tempo porque tamb\u00e9m sabem que a vida \u00e9 complexa, mais que o momento, mais que a necessidade imediata ou a lei do menor esfor\u00e7o. Facto \u00e9 que na Igreja ainda se discute quando <b style=\"\">na secularidade se abdicou de pensar<\/b>, bastando para ela a rasoira do pragm\u00e1tico e do \u00fatil, a propaganda. A discuss\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria e forma a consci\u00eancia. A lei do esfor\u00e7o \u00e9 que provoca a evolu\u00e7\u00e3o, a entropia, o mal \u00e9 o tubo de escape no seu avan\u00e7ar. A Igreja ao manifestar-se publicamente em quest\u00f5es de moral deve estar atenta para se n\u00e3o incompatibilizar com uma sociedade que s\u00f3 conhece a sua exterioridade e desconhece as profundezas da sua filosofia e vida. N\u00e3o conhecem o substrato, o ponto de partida duma Igreja mais joanina que petrina em que a sua lei fundamental \u00e9: <b style=\"\">\u201cama e faz o que quiseres\u201d, o seu programa e a sua vida uma pessoa: Jesus Cristo, o pr\u00f3ximo<\/b>. Importante \u00e9 que as diferentes formas se predisponham ao servi\u00e7o do amor no desenvolvimento individual e comunit\u00e1rio.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A espiritualidade crist\u00e3 n\u00e3o se fixa no h\u00e1bito cultural (\u00e9 processo, reconhece a acultura\u00e7\u00e3o e a incultura\u00e7\u00e3o), parte dele; para ela a maior relev\u00e2ncia est\u00e1 no ser, na ess\u00eancia do Homem e n\u00e3o na lei. <b style=\"\">Deus n\u00e3o fica preso nas express\u00f5es do sexo<\/b>; este \u00e9 um meio no progredir para o ser adulto, a caminho do ser \u00d3mega. Essencial, no caminho para ele, \u00e9 a honestidade pessoal e a qualidade da rela\u00e7\u00e3o pessoal numa din\u00e2mica de ipseidade e alteridade. (<\/span><span style=\"font-size: 10pt;\" lang=\"PT\">Neste sentido recomendo a leitura do livro \u201cIpseidade e Alteridade, Uma Leitura da Obra de Paul Ricoer\u201d, do Prof. Doutor Joaquim de Sousa Teixeira, Estudos Gerais, S\u00e9rie Universit\u00e1ria, Centro de Literatura e Cultura Portuguesa e Brasileira,<span style=\"\">  <\/span>Imprensa Nacional \u2013 Casa da Moeda, Lisboa 2004, n\u00e3o esquecendo tamb\u00e9m as obras do grande s\u00e1bio do s\u00e9culo XX Pierre Teilhard de Chardin, que resume na sua pessoa a investiga\u00e7\u00e3o e as preocupa\u00e7\u00f5es de todo o s\u00e9culo e a modernidade. Um exemplo: \u201cO Fen\u00f3meno Humano\u201d).<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Dum lado e doutro h\u00e1 v\u00edtimas dos morteiros de doutrinas e ideologias. O pior de tudo seria o fanatismo e a indiferen\u00e7a.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A Igreja institucional, apesar de muitas vezes se prostituir, quer proteger o mais genu\u00edno do homem, a sua dignidade humano-divina. A pol\u00edtica e a economia n\u00e3o acreditam no Homem, usam-no. Por outro lado a sociedade s\u00f3 tem a experi\u00eancia da dial\u00e9ctica, a exclus\u00e3o no dia a dia, a pr\u00e1tica antag\u00f3nica e n\u00e3o integral. Certamente que a maioria (tanto na sociedade como na Igreja) ainda n\u00e3o est\u00e1 preparada para viver a liberdade crist\u00e3; a irreflex\u00e3o procura mais as achas da moral do que a liberdade respons\u00e1vel. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O pensar correcto apoderou-se assim de temas querendo dar a impress\u00e3o aos distra\u00eddos que actua em defesa da sua vida. Como n\u00e3o t\u00eam uma vis\u00e3o da sacralidade e divindade do ser humano que torna este intoc\u00e1vel espalham e vivem da camuflagem e da baralha\u00e7\u00e3o das ideias. Por outro lado os preconceitos de muitas pessoas religiosas justificam a agressividade dos opositores. A institui\u00e7\u00e3o religiosa tamb\u00e9m tem partido da vis\u00e3o dos \u201cs\u00fabditos\u201d como cordeiros contrariamente \u00e0 vontade do Evangelho, subjugando, tamb\u00e9m ela, muitas vezes, o homem, contrariamente \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o inicial. Como o moralismo \u00e9 o cap\u00edtulo mais f\u00e1cil de compreender pelo p\u00fablico, religi\u00e3o e pol\u00edtica t\u00eam vivido deste capital de segunda sem se preocuparem suficientemente com o ser e a dignidade do homem em particular. Por debaixo das vestes clericais e da import\u00e2ncia dos pol\u00edticos esconde-se muita pobreza e incapacidade humana. O mesmo se diga a respeito de cada um de n\u00f3s individualmente.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O ser humano cada vez sente mais necessidade de se exilar das institui\u00e7\u00f5es. A Igreja tem de voltar a ser o lugar de asilo das pessoas, estando com elas e ao seu lado, tornando-se num lugar da f\u00e9, do di\u00e1logo, \u00e0 margem do medo e da disciplina\u00e7\u00e3o. Numa sociedade cada vez mais superficialmente heter\u00f3noma, a posi\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o religiosa deveria defender a autonomia, e a responsabilidade individual, como quer o cristianismo. \u201cO S\u00e1bado est\u00e1 para o homem e n\u00e3o o homem para o S\u00e1bado.\u201d Jesus ressuscitou do t\u00famulo das ideias, dos h\u00e1bitos, das institui\u00e7\u00f5es e das verdades para que ele, a vida, encarnasse em toda a pessoa e toda a pessoa se transformasse nele. \u201cQuem me quer seguir tem de deixar tudo\u2026\u201d O sentido \u00e9 encontrar-nos a n\u00f3s mesmos e os outros, todos a caminho sem encalharmos num homem ou numa mulher, numa ideia, lei ou institui\u00e7\u00e3o. Esta est\u00e1 para nos ajudar no dif\u00edcil caminho da liberta\u00e7\u00e3o dos nossos instintos e h\u00e1bitos. O papel da Igreja \u00e9 o de Jos\u00e9 de Arimateia e n\u00e3o o dos Pilatos ou dos sacerdotes interessados em ver o pr\u00f3ximo, Jesus, prostrado debaixo da cruz, reduzido a votante e a pagador de impostos.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A miss\u00e3o da igreja \u00e9 salvadora, ajudar e n\u00e3o condenar, \u00e9 descobrir com as pessoas a fonte do verdadeiro amor, do \u00e1gape com compreens\u00e3o m\u00fatua pela dispers\u00e3o no eros ou noutras car\u00eancias. A n\u00edvel p\u00fablico tem o direito de recomendar caminhos de liberta\u00e7\u00e3o, numa miss\u00e3o de unir e n\u00e3o desunir. Naturalmente que a sociedade secularista est\u00e1 mais interessada nas leis do consumo, do neg\u00f3cio e do proselitismo. Se o indiv\u00edduo n\u00e3o fizer esfor\u00e7o a n\u00edvel individual e comunit\u00e1rio a sociedade torna-se cada vez mais insuport\u00e1vel, superficial e decadente. Enquanto governos e sistemas passam, a Igreja permanece com o esfor\u00e7o cont\u00ednuo de se libertar e libertar, consciente de por vezes se ter equivocado e de cometer erros. Facto \u00e9 tamb\u00e9m que, no sistema de pensamento dial\u00e9ctico, a que a nossa civiliza\u00e7\u00e3o se submeteu, tamb\u00e9m o secularismo, apesar de muitos erros, tem constitu\u00eddo um elemento de progresso e de ajuda.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 14pt;\" lang=\"PT\">Uni\u00e3o numa \u00e9tica relacional progressiva<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A liga\u00e7\u00e3o de dois seres quer ser uma mais valia na caminhada da realiza\u00e7\u00e3o e da descoberta do sentido. <b style=\"\">A caminhada pode dar-se a v\u00e1rias \u201cvelocidades\u201d<\/b> conforme as consci\u00eancias individuais e do par. O respeito da privacidade e dos limites do outro s\u00e3o pressupostos para o crescimento pr\u00f3prio e para a realiza\u00e7\u00e3o do n\u00f3s. O outro \u00e9 ent\u00e3o reconhecido como outro e n\u00e3o como pura abertura.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Toda a durabilidade comporta n\u00e3o s\u00f3 prazer como tamb\u00e9m o sofrimento. Este \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o para o crescimento. Nesse sentido, dois p\u00f3los em transforma\u00e7\u00e3o precisam de tempo e de abertura um ao outro, para se transformarem os dois. <b style=\"\">N\u00e3o chega fazer do parceiro uma botija quente contra a frieza da morte<\/b>, ou fazer do barulho da vida um meio contra o sil\u00eancio p\u00f3stumo apostando todos os cartuchos na beleza, juventude e vitalidade. A fuga \u00e0 vida na procura do m\u00e1ximo de excita\u00e7\u00e3o dos sentidos e de opia\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito, \u00e0 margem da procura do encontro com o outro e consigo mesmo, \u00e9 contra a evolu\u00e7\u00e3o e contra o progresso. Este pressup\u00f5e a forma\u00e7\u00e3o de consci\u00eancias n\u00e3o s\u00f3 extrospectivas mas tamb\u00e9m introspectivas. (Segundo estudos, as l\u00e9sbicas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o extrovertidas como os colegas masculinos. Elas n\u00e3o consomem tanto, s\u00e3o mais caseiras e recolhidas. N\u00e3o est\u00e3o, assim, t\u00e3o dependentes da determina\u00e7\u00e3o alheia.)<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Doutro modo, heterossexuais e homossexuais s\u00f3 se submetem \u00e0 rotina dum brotar e dum cair de folhas com mais ou menos vi\u00e7o em diferentes esta\u00e7\u00f5es numa circula\u00e7\u00e3o fechada do tempo. Ser e estar, para o outro, implica a participa\u00e7\u00e3o no seu destino, respeito, considera\u00e7\u00e3o, reconhecimento e confian\u00e7a numa din\u00e2mica contr\u00e1ria ao narcisismo na fuga da monotonia. \u00c9 dif\u00edcil reconhecer-se como imagem de Deus sendo mais f\u00e1cil procurar-se ou desaparecer no outro. A aproxima\u00e7\u00e3o do parceiro ter\u00e1 que corresponder \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o de si mesmo. <b style=\"\">Na entrega rec\u00edproca torna-se palp\u00e1vel a pr\u00f3pria vida. <\/b>No encontro do outro cria-se um espa\u00e7o livre que possibilita aos dois despir as m\u00e1scaras do medo e caminhar juntos. Ent\u00e3o Deus torna-se o horizonte do nosso cora\u00e7\u00e3o e o sentido do nosso pensamento. Passamos a descobrir Deus em n\u00f3s e na natureza como <b style=\"\">saudade duma uni\u00e3o mais profunda de que toda a uni\u00e3o humana \u00e9 sombra <\/b>e mais um passo na sua efectua\u00e7\u00e3o, na realiza\u00e7\u00e3o da encarna\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da qual a mat\u00e9ria se espiritualiza.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O sentido da uni\u00e3o n\u00e3o se reduz apenas a dar continuidade ao corpo f\u00edsico. Ela comporta o corpo ps\u00edquico e espiritual, e este n\u00e3o se pode subjugar \u00e0 ordem natural costumeira. Todos estamos chamados a renascer numa cont\u00ednua natividade espiritual, com express\u00e3o temporal para l\u00e1 do ego e dos costumes do tempo. Importante \u00e9 que a \u201ctua vontade aconte\u00e7a\u201d independentemente do pr\u00f3prio pensar e da projec\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios problemas em ti. O ser humano transcende os seus costumes e a cultura; estes apenas devem servir de apoio e n\u00e3o de trope\u00e7o ao desenvolvimento individual e comunit\u00e1rio. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 14pt;\" lang=\"PT\">Uma atitude para l\u00e1 do condenar e do absolver<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Os fariseus e os cumpridores trouxeram a Jesus uma mulher casada apanhada em flagrante em fornica\u00e7\u00e3o com um homem. A lei e o costume exigiam uma condena\u00e7\u00e3o e um castigo para a ac\u00e7\u00e3o dos dois.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Jesus chamado a julgar o caso pronuncia-se: \u201cQuem n\u00e3o tiver pecado que atire a primeira pedra\u2026 N\u00e3o julgueis e n\u00e3o sereis julgados\u201d. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Ali n\u00e3o se trata de condenar ou de absolver. As duas posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o falsas porque partem da objectiva\u00e7\u00e3o da pessoa e do pressuposto est\u00e1tico de abstrac\u00e7\u00f5es il\u00edcitas redutoras, \u00e0 margem da rela\u00e7\u00e3o pessoal e da dignidade humana. A vida que se fixe na lei torna-se \u00e1rida e mec\u00e2nica, petrificando o ser no estar. Todos n\u00f3s nascemos do esp\u00edrito e temos a lei de Deus inscrita no nosso cora\u00e7\u00e3o expressando-se na consci\u00eancia e esta n\u00e3o se deixa fixar nem no tempo nem no espa\u00e7o, tomando embora conota\u00e7\u00f5es deste. A era iniciada pelo mestre de Nazar\u00e9 \u00e9 o tempo dos filhos de Deus, do homem adulto, da gra\u00e7a e da reconcilia\u00e7\u00e3o. A partir daqui, conscientes das nossas fraquezas, damo-nos as m\u00e3os uns aos outros no nosso peregrinar. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A Nova Alian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 feita nem se identifica com a lei mas com o cora\u00e7\u00e3o humano, com o \u201ccora\u00e7\u00e3o da natureza\u201d; por isso \u00e9 eterna num processo de esfor\u00e7o em reconhecer o outro, em reconhecer Deus no fundamento do ser relacional e na descoberta da pr\u00f3pria \u201cimagem e semelhan\u00e7a\u201d. O Homem novo est\u00e1 chamado a incarnar no mundo e n\u00e3o apenas a ser reduzido a modelador de mundos nas formas est\u00e1ticas do passado. A moral crist\u00e3 \u00e9 mais exigente, ela preocupa-se n\u00e3o s\u00f3 com o de fora mas tamb\u00e9m com o de dentro do mundo e do homem. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">\u201cImpuro n\u00e3o \u00e9 o que entra pela boca mas o que sai do cora\u00e7\u00e3o\u201d diz o Evangelho. As formas externas podem ajudar as internas na express\u00e3o da Realidade mas muitas delas n\u00e3o s\u00e3o conditio sine qua non. Jesus libertou o Homem das jaulas das ideologias, muito embora o nosso mundo pol\u00edtico e social s\u00f3 jogue com ideologias para assim melhor poder amarrar a pessoa e reduzi-la a massa. No cristianismo a pessoa transcende ideologias e religi\u00f5es. <b style=\"\">\u201cA lei \u00e9 que mata\u201d, reconhecia Jesus<\/b>. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Por isso um socialismo marxista militante em curso combate tanto o cristianismo. Quer dar a ideia de ser ele o lugar da liberdade e de defender a liberdade do homem, quando, na realidade, quer jogar com a sua fraqueza e assim subjug\u00e1-lo, dando-lhe, muito embora, a impress\u00e3o de o libertar. A igreja muitas vezes deixa-se levar por provocadores que se assenhorearam do tema \u00e0 laia de toureiros entrando tamb\u00e9m ela na arena em defesa de valores secund\u00e1rios sem considerar a sua pr\u00f3pria doutrina no que respeita \u00e0 \u201cinfalibilidade\u201d da consci\u00eancia individual. Tal como S. Tom\u00e1s de Aquino tamb\u00e9m o te\u00f3logo Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, afirmam: \u201cAcima do Papa, como express\u00e3o da autoridade da Igreja, existe a consci\u00eancia de cada um, \u00e0 qual \u00e9 preciso obedecer antes de tudo e, no limite, mesmo contra as pretens\u00f5es das autoridades da Igreja\u201d. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">\u00c9 \u00f3bvio que a verdadeira liberdade evita o mal que reconhece. Uma pessoa, l\u00facida e aberta, \u00e9 a inst\u00e2ncia moral. O papel da Igreja \u00e9 de, no respeito, ajudar \u00e0 introspec\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de condenar ou louvar. N\u00e3o se pode exigir a ningu\u00e9m o sacrif\u00edcio pelo sacrif\u00edcio. <b style=\"\">A vida n\u00e3o est\u00e1 na ren\u00fancia mas no amor<\/b>. O amor \u00e9 a chave para Deus, para si mesmo, para o outro, para a natureza\u2026 \u00e9 o princ\u00edpio e o fim. A paix\u00e3o \u00e9 como que o rel\u00e2mpago que faz j\u00e1 participar do encantamento espiritual da abertura, para l\u00e1 dum hedonismo permissivo, come\u00e7ando talvez por ele. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b style=\"\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O cristianismo vivido n\u00e3o se perde nos tabus da sociedade<\/span><\/b><span style=\"\" lang=\"PT\">. Ningu\u00e9m pode ser impedido de viver, seja em nome de que moral for. Um homossexual de boa vontade tem o direito de dizer que tamb\u00e9m \u00e9 igreja. A vida acontece para l\u00e1 das conven\u00e7\u00f5es. Importante \u00e9 tomar com naturalidade a componente sexual genital e nela descobrir a componente espiritual da mesma. S\u00f3 uma posi\u00e7\u00e3o descontra\u00edda sobre a homossexualidade pode ajudar a todos.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 14pt;\" lang=\"PT\">Experi\u00eancia sensual e \u00eaxtase m\u00edstico n\u00e3o se contradizem<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Pelas obras seremos reconhecidos. H\u00e1 que evitar tanto a perversidade natural como a espiritual e a disciplinadora, assumindo-se cada um como homem e como mulher adulto e respons\u00e1vel para consigo mesmo e para com os outros. Uma vida digna tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 no seguimento dos desejos mas na transforma\u00e7\u00e3o e na procura dum novo rumo para os nossos desejos e paix\u00f5es. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Tanto a homofilia como o celibato n\u00e3o podem ser considerados como destino social. <b style=\"\">Experi\u00eancia sensual e \u00eaxtase m\u00edstico n\u00e3o se contradizem<\/b>. Uma vis\u00e3o demasiado restritiva do celibato impede a Igreja de reconhecer na mat\u00e9ria, na natureza, o corpo de Cristo. O crist\u00e3o sabe que n\u00e3o deve desperdi\u00e7ar a vida hoje para viver amanh\u00e3. <\/span><span style=\"font-size: 10pt;\" lang=\"PT\">\u201cBasta a cada dia o seu trabalho. N\u00e3o julgueis para n\u00e3o serdes julgados, pois, conforme o ju\u00edzo com que julgardes, assim sereis julgados; e, com a medida com que medirdes, assim sereis medidos\u201d(Mt<span style=\"\">  <\/span>7, 1).<\/span><span style=\"\" lang=\"PT\"> N\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo usar o prazer como meio de discrimina\u00e7\u00e3o social. A \u201cinoc\u00eancia virginal\u201d pode ser mantida nas diversas pr\u00e1ticas sexuais numa verdadeira rela\u00e7\u00e3o de encontro pessoal. Pureza e impureza est\u00e3o na atitude e no esp\u00edrito. <b style=\"\">Cristo n\u00e3o \u00e9 um ciumento que quer construir a felicidade do c\u00e9u \u00e0 custa da felicidade da terra.<\/b> Ele acabou com a dicotomia; encarnou o seu esp\u00edrito na carne numa disponibilidade de doa\u00e7\u00e3o, para assim espiritualizar a carne. \u201cCastidade\u201d \u00e9 viver em sintonia com o outro, a caminho, num esfor\u00e7o cont\u00ednuo de liberta\u00e7\u00e3o, num desejo teleol\u00f3gico de rela\u00e7\u00e3o para l\u00e1 da posse, num ambiente criador em que a ternura desabrocha num di\u00e1logo entre hipseidade e alteridade.<span style=\"\">  <\/span><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 14pt;\" lang=\"PT\">Identifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m dissonante<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\"><span style=\"\"> <\/span>Na satisfa\u00e7\u00e3o do desejo est\u00e1 o apelo ao reconhecimento do outro como uma consci\u00eancia distinta. Uma satisfa\u00e7\u00e3o na inter-subjectividade e reciprocidade de consci\u00eancias conduz a uma identifica\u00e7\u00e3o mais elevada e mais integrada na globalidade. <b style=\"\">Somos todos seres carentes entre necessidade e mist\u00e9rio, entre apetite e rejei\u00e7\u00e3o<\/b>, estamos todos orientados para o absoluto, para a eternidade que procuramos no outro, como m\u00e9dio do transcendente. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Qual a inten\u00e7\u00e3o da natureza ao empurrar-nos na direc\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia? <b style=\"\">A fome predetermina a direc\u00e7\u00e3o<\/b>, por detr\u00e1s dela est\u00e1 uma inten\u00e7\u00e3o, um objectivo maior a descobrir. In Joaquim de Sousa Teixeira: \u201cO desejo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um impulso vital, mas est\u00e1 sempre em rela\u00e7\u00e3o inter-subjectiva; todos os dramas psicanal\u00edticos colocam-se pois no trajecto que vai da satisfa\u00e7\u00e3o ao reconhecimento\u201d.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O prazer ao n\u00e3o ser aut\u00f3nomo (Arist\u00f3teles) indica para uma finalidade que o transcende.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A sexualidade \u00e9 express\u00e3o e processo n\u00e3o se reduzindo a fim nem a mero objecto procriador. S\u00f3 assim dever\u00e1 ser considerada por uns e por outros.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A independentiza\u00e7\u00e3o do sexo como <b style=\"\">mera satisfa\u00e7\u00e3o individual de dois indiv\u00edduos separados leva ao anonimato e \u00e0 ang\u00fastia<\/b>; sem uma rela\u00e7\u00e3o pessoal o homem empobrece contribuindo assim para a falta de sentido da vida. Esta falta exacerba ainda mais as necessidades sexuais. Homossexuais e heterossexuais sentem uma atrac\u00e7\u00e3o f\u00edsica, emocional e espiritual pelo parceiro. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sexo o que est\u00e1 em jogo. A intimidade e o carinho andam aliados ao eros no interc\u00e2mbio da constru\u00e7\u00e3o da personalidade. Em terminologia crist\u00e3 dir-se-ia: a meta \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o do Cristo c\u00f3smico num processo de paix\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A sexualidade tem tamb\u00e9m um <b style=\"\">car\u00e1cter simb\u00f3lico universal<\/b>; a paix\u00e3o material \u00e9 um tropo da vida integral. Leva-nos \u00e0 descoberta do outro em n\u00f3s e de n\u00f3s no outro, doutro modo seria apenas aliena\u00e7\u00e3o. Assim passa a ser uma rela\u00e7\u00e3o eu-tu<b style=\"\">&#8211;<\/b>n\u00f3s. Torna-se \u00f3bvia a descoberta abrangente da inten\u00e7\u00e3o e sentido, no reconhecimento da necessidade.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b style=\"\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A necessidade vem antes do sentido para nos acordar para ele<\/span><\/b><span style=\"\" lang=\"PT\">. Este acontece entre sujeitos, entre um eu e um tu, muito embora com momentos de materializa\u00e7\u00f5es objectivantes. A necessidade satisfeita ser\u00e1 acompanhada da emo\u00e7\u00e3o que lhe d\u00e1 sentido e possibilita o relacionamento e assim a forma\u00e7\u00e3o de consci\u00eancias que conduzem \u00e0 intencionalidade teleol\u00f3gica.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Na sexualidade d\u00e1-se o florir pleno da corporeidade num limiar a transcender; nela se expressa a fala natural de algo ainda ausente mas entre um mim e o outro. <b style=\"\">O orgasmo incita-nos a continuar a procura<\/b>, o sentido, que numa rela\u00e7\u00e3o consciente do eu-tu conduziria \u00e0 experi\u00eancia definitiva trinit\u00e1ria. A sexualidade como maneira de ser e viver<b style=\"\"> <\/b>inter-subjectiva, procura no outro o pr\u00f3prio lado invis\u00edvel, o mist\u00e9rio. O outro \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 uma solicita\u00e7\u00e3o \u00e0 auto-realiza\u00e7\u00e3o e \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do outro, em n\u00f3s, mas tamb\u00e9m \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do n\u00f3s. Como na realidade da vida dos astros assiste-se n\u00e3o s\u00f3 a uma for\u00e7a centr\u00edpeta mas tamb\u00e9m centr\u00edfuga, uma e outra ordenadas num sentido comum e transcendente. A <b style=\"\">car\u00eancia pressup\u00f5e a vontade<\/b>, o princ\u00edpio consciente activo na percep\u00e7\u00e3o de que o amor \u00e9 o outro lado da car\u00eancia, a luz da sombra que por si mesma n\u00e3o existe. A inter-subjectividade \u00e9 a religa\u00e7\u00e3o \u00e0 luz, \u00e9 processo a caminho. \u00c9 a experi\u00eancia do limiar que nos n\u00e3o deixa ficar prisioneiros dum repetitivo frustrante que nos amarre \u00e0 car\u00eancia inconsciente, a uma mera luta entre o eros e a morte, seja ela homossexual, heterossexual ou existencial.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">No processo de identidade individual (Id, Eu, Superego) identidade social (est\u00e9tica, ideias \u00eddolos) trata-se de viver a rela\u00e7\u00e3o sexual metaf\u00f3rica, crist\u00e3mente e n\u00e3o apenas moralmente. A sua leitura quer-se integrada num contexto mais largo do que o moral-social ou dial\u00e9ctico para o ordenar numa outra esfera transcendente. Assim, <b style=\"\">parte-se da pr\u00e1tica sem a condenar para a compreender e assim melhor orientar<\/b>. S\u00f3 assim se conseguir\u00e1 compreender o sentido teleol\u00f3gico do ser e do agir. Doutro modo separamo-lo em dois mundos paralelos banais: o das ideias e o da praxis. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">N\u00e3o faz sentido fixar-se no fim afirmando-o sem reconhecer o seu princ\u00edpio nem a caminhada a fazer. Doutro modo anda-se de mal-entendido em mal-entendido, passando-se \u00e0 margem da realidade e no ataque ou desprezo rec\u00edproco da pessoa: <b style=\"\">os bons da teoria dum lado e os bons da pr\u00e1tica do outro sem nunca se encontrarem<\/b>, afirmando-se uns \u00e0 custa dos outros na servid\u00e3o a instintos, a ideias ou a ideologias oportunas e interesses institucionais. Reflex\u00e3o e pr\u00e1tica pertencem juntas, tal como apetite da carne e apetite do esp\u00edrito, doutro modo, cai-se no curto-circuito do apetite objectivador e frustrante quer da carne quer do intelecto. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O alfabeto come\u00e7a pelo alfa e termina no \u00f3mega mas n\u00e3o se reduz a duas letras. O texto, a vida consta de todas as letras, e aquele, para ser vida, pressup\u00f5e um di\u00e1logo relacional aberto que supere a perspectiva \u00fanica no itiner\u00e1rio a fazer para o estado adulto. Seria insuficiente conhecer-se apenas as letras, \u00e9 preciso aprender a junt\u00e1-las, s\u00f3 assim se chega ao sentido. A nossa sociedade preocupa-s quando muito em conhecer as letras. Uma cultura relacional na constru\u00e7\u00e3o de sentido exige muita aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s diferentes realidades mas tamb\u00e9m \u00e0s diversas met\u00e1foras e figuras da vida. O di\u00e1logo, a n\u00edvel de met\u00e1foras e dos s\u00edmbolos, possibilita superar o conflito das interpreta\u00e7\u00f5es conduzindo para uma realidade e uma viv\u00eancia para l\u00e1 da interpreta\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">N\u00e3o se trata de conjugar apenas o eu-me-mim-migo at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o na esfera do pensamento e da ideologia, mas de passar para um n\u00f3s integral, de passar do pref\u00e1cio \u00e0 obra., do pragmatismo \u00e0 intelig\u00eancia e \u00e0 vontade, na unidade do pensar-sentir-agir.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Tamb\u00e9m um desvio n\u00e3o deixa por si de ser ve\u00edculo para a realiza\u00e7\u00e3o, o sentido. A finalidade material, ter filhos, n\u00e3o pode contrariar a realiza\u00e7\u00e3o no sentido din\u00e2mico de ipseidade e alteridade, para l\u00e1 duma motiva\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica natural determinista. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Mais que o prazer, a satisfa\u00e7\u00e3o do instinto narcisista na busca do imediato, a uni\u00e3o de dois seres pretende a <b style=\"\">s\u00edntese do esp\u00edrito com a mat\u00e9ria<\/b>, a encarna\u00e7\u00e3o. No fundo do selbst, no eu interior, tornar-se presente n\u00e3o s\u00f3 o aspecto f\u00edsico e ps\u00edquico mas tamb\u00e9m o espiritual. Juntos passam da exuber\u00e2ncia do prazer \u00e0 felicidade. Assim a satisfa\u00e7\u00e3o do prazer no encontro dos corpos inicia-se o caminho para a realiza\u00e7\u00e3o na felicidade comunit\u00e1ria da uni\u00e3o no esp\u00edrito.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">De facto, <b style=\"\">a realiza\u00e7\u00e3o material do desejo aponta para a efectua\u00e7\u00e3o do sentido espiritual<\/b>. Este pressup\u00f5e o eu atemporal, universal, o eu trinit\u00e1rio que \u00e9 ao mesmo tempo n\u00f3s. \u201cUm aspecto genial do freudismo consiste precisamente em ter desmascarado a estrat\u00e9gia do princ\u00edpio do prazer, forma arcaica do humano, sob as suas racionaliza\u00e7\u00f5es, sublima\u00e7\u00f5es\u201d, in obra acima citada de Joaquim de Sousa Teixeira.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Sexualidade \u00e9 uma parte da identidade, um luzeiro. <b style=\"\">S\u00f3 serei aceite se me aceitar inteiro como sou<\/b>. Este \u00e9 um pressuposto para a mudan\u00e7a qualitativa do nosso ser e o melhor caminho para impedir a discrimina\u00e7\u00e3o e o militantismo. \u00c9 triste a perda de amigos devido \u00e0 perten\u00e7a a um grupo ou a uma religi\u00e3o diferente. A homofobia pode tornar-se forte na puberdade devido a mecanismos de defesa na procura de identidade. H\u00e1 comportamentos violentos contra homossexuais e l\u00e9sbicas inexplic\u00e1veis. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">A sociedade ainda n\u00e3o aprendeu a <b style=\"\">respeitar a vida e o estilo de vida privada a pessoas com outra orienta\u00e7\u00e3o sexual<\/b>. Com isto renuncia a muita criatividade e recalca outra. A auto-realiza\u00e7\u00e3o possibilita maior criatividade. H\u00e1 muitas formas de se ser feliz e o mundo em que vivemos \u00e9 s\u00f3 um. Importa dar uma chance \u00e0 felicidade e n\u00e3o sermos desmancha-prazeres, mas dar-lhes uma plataforma espiritual que os prolongue. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O evangelho \u00e9 a magna carta da toler\u00e2ncia e da dignidade humana; est\u00e1 \u00e0 prova o ser crist\u00e3o, o ser-se Homem. O crescimento das consci\u00eancias est\u00e1 dependente da disposi\u00e7\u00e3o para uma mudan\u00e7a de mentalidades. Tamb\u00e9m os ju\u00edzos de valor e atitudes dependem do desenvolvimento duns e doutros. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b style=\"\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Homossexualidade n\u00e3o se reduz a sexo, ela comporta amor, rela\u00e7\u00e3o e identidade pessoal tal como a heterossexualidade. Basilar \u00e9 que se oriente no caminho do bem e da verdade sempre a descobrir-se em cont\u00ednua metan\u00f3ia.<\/span><\/b><span style=\"\" lang=\"PT\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">O crist\u00e3o consciente vive em processo de supera\u00e7\u00e3o dos moldes dados, entrando numa rela\u00e7\u00e3o interpessoal com todo o ser, n\u00e3o podendo simplesmente abdicar de pensar para recorrer ao julgar atrav\u00e9s de estere\u00f3tipos. Este seria o pensar do mundo, n\u00e3o do crist\u00e3o. O ser humano \u00e9 processo, \u00e9 ser relacional na multiplicidade e cujas rela\u00e7\u00f5es se baseiam no respeito m\u00fatuo, na dignidade de seres em transforma\u00e7\u00e3o, a caminho na realidade divina, no sentido do Cristo \u00d3mega.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b style=\"\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"\" lang=\"PT\">Te\u00f3logo e pedagogo<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma sociedade de prisioneiros das fronteiras do pr\u00f3prio meio, por um lado exige que se torne p\u00fablico o acto da uni\u00e3o sexual atrav\u00e9s do casamento e por outro solicita a privacidade do amor. Que l\u00e9sbicas, homossexuais manifestem a exig\u00eancia do reconhecimento p\u00fablico \u00e9 natural porque o rosto forma-se no reconhecimento p\u00fablico. Levar uma vida dupla &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1265\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">Uma Perspectiva Crist\u00e3 para a Homossexualidade<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1265","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1265","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1265"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1265\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}