{"id":1258,"date":"2007-11-17T18:32:00","date_gmt":"2007-11-17T17:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1258"},"modified":"2007-11-17T18:32:00","modified_gmt":"2007-11-17T17:32:00","slug":"portugal-a-caminho-do-absurdistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1258","title":{"rendered":"Portugal a Caminho do Absurdist\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\"> N\u00e3o se passa um dia sem que na imprensa portuguesa se relatem absurdismos de entidades do regime democr\u00e1tico portugu\u00eas. Fala-se de abstrusidades na escola, na justi\u00e7a, na administra\u00e7\u00e3o em geral, no moralismo governante, nas nomea\u00e7\u00f5es, no desemprego sempre crescente, no aned\u00f3tico do dia a dia, etc.<\/p>\n<p>O caso que agora se passou na Direc\u00e7\u00e3o Regional de Educa\u00e7\u00e3o do Norte (DREN) parece ser apenas a ponta do iceberg fascista \/estalinista duma administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica que persiste em continuar na do \u201corgulhosamente s\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>O professor de Ingl\u00eas requisitado pela Direc\u00e7\u00e3o Regional de Educa\u00e7\u00e3o do Norte (DREN) foi agora suspenso por ter gracejado sobre o processo da licenciatura do Primeiro-ministro na Independente. A directora do DREN justifica (1) o afastamento do professor com o coment\u00e1rio do professor.<\/p>\n<p>A decad\u00eancia moral provocada por abrilistas levianos e oportunistas \u00e9 t\u00e3o grave que estes j\u00e1 se atrevem, em nome do novo regime, fazer em pleno dia o que os do antigo reservavam para a escurid\u00e3o da noite. O regime partid\u00e1rio parece cada vez perder mais a vergonha. Cidad\u00e3os s\u00e3o incriminados pelo facto de terem opini\u00e3o. Uma administra\u00e7\u00e3o que rouba a maioridade aos cidad\u00e3os em que nome fundamenta a discrimina\u00e7\u00e3o? Ter\u00e1 o Estado a necessidade de governar com o medo e a inseguran\u00e7a. Isto \u00e9 muit\u00edssimo grave pelo facto de acontecer num regime que se define pela sua demarca\u00e7\u00e3o perante os regimes totalit\u00e1rios. A administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica lembra a terra maninha onde a irresponsabilidade ganha continuidade e se perpetua. Quer-se aumentar o poder dos governantes \u00e0 custa da dignidade dos cidad\u00e3os apezinhada. Uma administra\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 capaz de reconhecer na natureza dum coment\u00e1rio aned\u00f3tico o seu pr\u00f3prio esp\u00edrito submisso, anseia inconscientemente pela ditadura.<\/p>\n<p>O professor bem tentou desculpar-se (2) mas a nossa administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o conhece a gra\u00e7a, a gratid\u00e3o, ela vive do ressentimento, no dom\u00ednio entre pensar e obedecer.<br \/>A governan\u00e7a parece esconder-se por detr\u00e1s do tabu estatal actuando preventivamente atrav\u00e9s duma administra\u00e7\u00e3o pidesca e de bufos. Neste como noutros sectores cada vez se observa mais a interven\u00e7\u00e3o duma pol\u00edtica restritiva do estado de direito em favor dum estado vigilante e ciumento.<\/p>\n<p>A senhora directora, embora pros\u00e9lita, aos olhos democratas, prestou um mau servi\u00e7o ao Primeiro-ministro e a Portugal.<br \/>Ser\u00e1 de desejar que o zelo da directora, ao suspender o antigo deputado do PSD, n\u00e3o ser\u00e1 de motiva\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria atendendo a que grande parte da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica relativa ao ensino se encontra, pelo que conhe\u00e7o, quase exclusivamente nas m\u00e3os de filiados nos partidos de esquerda. Embora estes se encontrem em maioria, isto n\u00e3o justifica atitudes nem direitos totalit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Numa sociedade em que tudo se torna aned\u00f3tico, em que &#8220;o servi\u00e7o&#8221; autorit\u00e1rio da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o suporta a opini\u00e3o, o Estado pode continuar a manter o presente processo no segredo dos deuses. Para os mais atentos, com a sua atitude, a directora torna o primeiro-ministro c\u00famplice deste sistema. J\u00e1 os romanos sabiam: \u201caquele a quem se permite mais do que \u00e9 justo, quer mais do que \u00e9 permitido\u201d\u2026<br \/>Num Estado em que servir-se do Estado e do Povo \u00e9 mais rent\u00e1vel que servi-los, tudo \u00e9 poss\u00edvel. O mau servi\u00e7o \u00e9 apenas uma acumula\u00e7\u00e3o de fragilidades. Temos respons\u00e1veis que brincam ao faz de conta. Num pa\u00eds de curiosos da vida, os camale\u00f5es do poder parecem proliferar de modo especial. Continuamos a viver da apagada e vil tristeza dum fascismo que apenas acompanha a moda no camuflado. Na sua ess\u00eancia continua est\u00e1tico, centralista, autorit\u00e1rio. Esta macrocefalia pode verificar-se tamb\u00e9m na centraliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 do poder como de tudo o que \u00e9 representativo na regi\u00e3o de Lisboa.<br \/>Um Pa\u00eds de Balda<br \/>A administra\u00e7\u00e3o como col\u00f3nia de f\u00e9rias da efici\u00eancia e de benem\u00e9ritos sindicais e partid\u00e1rios, a migra\u00e7\u00e3o como escapat\u00f3ria da capacidade criativa, tudo faz de Portugal uma sociedade an\u00f3nima de responsabilidades delegadas.<br \/>Um sistema que n\u00e3o toma a s\u00e9rio os seus destinat\u00e1rios e desconhece o dever de assist\u00eancia para com os seus subalternos vive da dessolidariza\u00e7\u00e3o. A subservi\u00eancia, o c\u00e1lculo, a hipocrisia e a cortesia estimula tamb\u00e9m na administra\u00e7\u00e3o portuguesa um comportamento autista sem frontalidade.<\/p>\n<p>O insucesso dos alunos n\u00e3o \u00e9 apenas o insucesso parcial do sistema escolar. As escolas tornaram-se campo de f\u00e9rias da intelig\u00eancia e Portugal cada vez se torna mais campo de f\u00e9rias das virtudes que o tornaram grande no passado. Um pa\u00eds por\u00e9m n\u00e3o pode estar sempre de f\u00e9rias reduzindo o trabalhador a dependente, a escravo.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito esclavagista permanece aninhado, embora de rosto domingueiro, nas nossas reparti\u00e7\u00f5es estatais; o insucesso e uma certa inefici\u00eancia generalizada s\u00e3o o mal dum sistema num pa\u00eds de balda. O fascismo est\u00e1 em todas as cores; com o 25 de Abril ele apoderou-se descaradamente das administra\u00e7\u00f5es estatais.<br \/>Portugal n\u00e3o tem problemas or\u00e7amentais nem problemas de forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica.<br \/>Os problemas s\u00e3o de gest\u00e3o e de capacidades, uma quest\u00e3o de mentalidade. Duma maneira geral domina a mediania dos \u201ciluminados do h\u00e1bito\u201d e a ideia de que a verdade \u00e9 partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>Num pa\u00eds de bonzinhos n\u00e3o chega ter pol\u00edticos bonzinhos. N\u00e3o basta que Portugal continue a definhar dos rem\u00e9dios e mezinhas que sempre toma. J\u00e1 chega de ejacula\u00e7\u00e3o de ideias ocasionais, de tanta verborreia abrilista. Eles comem tudo e n\u00e3o deixam nada. Eles apoderaram-se e continuam a abusar do 25 de Abril, como pastilha que tudo cura. Quando tal n\u00e3o temos povo, n\u00e3o temos Portugal; tamb\u00e9m Portugal ter\u00e1 que emigrar.<\/p>\n<p>Na ditadura n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o livre, ela apodera-se das administra\u00e7\u00f5es para que os chefes se apoderem dos s\u00fabditos e estes do povo.<\/p>\n<p>O rei vai nu.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p>(1) Segundo a directora regional trata-seum caso grave de&#8221;insulto feito no interior da DREN, durante o hor\u00e1rio de trabalho&#8221;. E continua: &#8220;Os funcion\u00e1rios p\u00fablicos, que prestam servi\u00e7os p\u00fablicos, t\u00eam de estar acima de muitas coisas. O Sr. Primeiro-ministro \u00e9 o primeiro-ministro de Portugal&#8221;. &#8220;Uma coisa \u00e9 um coment\u00e1rio ou uma anedota outra coisa \u00e9 um insulto&#8221; al\u00e9m de &#8220;poder haver perturba\u00e7\u00e3o do funcionamento do servi\u00e7o&#8221;. &#8220;N\u00e3o tomei a decis\u00e3o de \u00e2nimo leve, foi ponderada&#8221;, &#8220;O inqu\u00e9rito ser\u00e1 justo, n\u00e3o aceitarei press\u00f5es de ningu\u00e9m. Se o professor estiver inocente e tiver que ser ressarcido, ser\u00e1.&#8221; A senhora directora, como boa administrativa, ainda n\u00e3o parece ter percebido as andan\u00e7as da democracia e que o Primeiro-ministro n\u00e3o \u00e9 um caudilho com uma administra\u00e7\u00e3o pidesca que lhe aplana o caminho. Al\u00e9m disso em democracia, o Primeiro-ministro al\u00e9m de n\u00e3o ser ileso fez promessas que n\u00e3o cumpriu, n\u00e3o podia cumprir. Qual ser\u00e1 mais grave: a mentira das promessas dum ministro e a confus\u00e3o em torno da sua licenciatura em que poder\u00e3o n\u00e3o ter faltado os secretos amigos da ma\u00e7onaria ou um coment\u00e1rio \u201cdesrespeitoso\u201d dum servi\u00e7al que se encontra numa organiza\u00e7\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria desigual? Cuius rei eius religio.<br \/>(2) O professor justifica-se: &#8220;Transcreve-se um coment\u00e1rio jocoso feito por mim, dentro de um gabinete a um &#8220;colega&#8221; e retirado do anedot\u00e1rio nacional do caso S\u00f3crates\/Independente, pinta-se, maldosamente de insulto, leva-se \u00e0 directora regional de Educa\u00e7\u00e3o do Norte, bloqueia-se devidamente o computador pessoal do servi\u00e7o e, em fogo vivo, e a seco, surge o resultado: &#8220;Suspendo-o preventivamente, instauro-lhe processo disciplinar, participo ao Minist\u00e9rio P\u00fablico&#8221;.<br \/>O professor, com tantos anos de experi\u00eancia administrativa tamb\u00e9m pecou. Pecou por ingenuidade e por aparentemente desconhecer o ser da administracao e do oportunismo que ela, duma maneira geral gera. <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o se passa um dia sem que na imprensa portuguesa se relatem absurdismos de entidades do regime democr\u00e1tico portugu\u00eas. 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