{"id":1257,"date":"2007-11-17T18:32:00","date_gmt":"2007-11-17T17:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1257"},"modified":"2007-11-17T18:32:00","modified_gmt":"2007-11-17T17:32:00","slug":"salazar-e-cunhal-no-mesmo-panelao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1257","title":{"rendered":"Salazar e Cunhal no mesmo Panel\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>Um voto contra a corrup\u00e7\u00e3o do Estado<\/b><\/p>\n<p>A 25 de Mar\u00e7o de 2007, num acto de desobriga entre abrilista e setembrista a RTP1 elegeu &#8220;O Maior Portugu\u00eas de Todos os Tempos&#8221;!<\/p>\n<p>Os tempos est\u00e3o para os que costumam andar de ouvido colado aos baixios do povo atentos aos seus rumores anais.<\/p>\n<p>No mesmo caldeir\u00e3o Salazar e Cunhal. O odor que surge da cozinha televisiva convida a tirar o testo da panela. A mistura promete e favorece o esp\u00edrito de campanha, desta vez alarmista&#8230; \u00c0 hora de repouso de crian\u00e7as mais uma sondagem para distrair das mazelas da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No concurso televisivo das personalidades pretensamente mais importantes de Portugal verificou-se que nas restantes 10 personalidades votaram cerca de 200 mil portugueses. Destes, cerca de 80 mil votaram em Ant\u00f3nio Oliveira Salazar, que adquire o 1\u00ba lugar com 41%, seguindo-se-lhe \u00c1lvaro Cunhal com 19.4% dos votos.<\/p>\n<p>Portanto:<br \/>1\u00ba Ant\u00f3nio Oliveira Salazar 2\u00ba \u00c1lvaro Cunhal 3\u00ba Aristides Sousa Mendes 4\u00ba Dom Afonso Henriques 5\u00ba Lu\u00eds de Cam\u00f5es 6\u00ba Dom Jo\u00e3o II 7\u00ba Dom Henrique, o marinheiro 8\u00ba Fernando Pessoa 9\u00ba Marqu\u00eas de Pombal 10\u00ba Vasco da Gama<\/p>\n<p>Neste tema polarizador entre Salazar e Cunhal os outros 8 propostos tiveram apenas um papel de trip\u00e9s. Portugal e a sua hist\u00f3ria s\u00e3o reduzidos \u00e0s suas dimens\u00f5es reais no tratamento dos problemas nacionais. A nossa sociedade \u00e9 t\u00e3o liberal que at\u00e9 a verdade j\u00e1 \u00e9 eleg\u00edvel, tamb\u00e9m a hist\u00f3rica&#8230;<\/p>\n<p>A mem\u00f3ria portuguesa tem um limite de 50 anos, com um ide\u00e1rio restrito mas muito presente. Tem-se a sensa\u00e7\u00e3o de que Portugal quer continuar a persistir em n\u00e3o merecer mais do que pol\u00e9mica e negociantes da banha da cobra.<\/p>\n<p>Vai-se cristalizando a impress\u00e3o de que do povo s\u00f3 interessa o blasonar. Foi sempre assim mas na \u00e9poca da demagogia demosc\u00f3pica e medi\u00e1tica sempre se v\u00e3o ouvindo os arrotes do povo embalado como m\u00fasica para adormecer.<\/p>\n<p>Para uns \u201cSalazar \u00e9 o s\u00edmbolo de honestidade, de intelig\u00eancia administrativa e de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 p\u00e1tria\u201d, que segurou o imp\u00e9rio portugu\u00eas contra o comunismo internacional. Para outros \u00c1lvaro Cunhal, \u00e9 o grande democrata pr\u00f3-sovi\u00e9tico de grande impacto na sociedade portuguesa.<\/p>\n<p>Cada regime tem os seus beneficiados e as suas v\u00edtimas. Ontem pecava-se pelo nacionalismo, hoje pelo internacionalismo. Os feiticeiros do 25 de Abril atolados no legado que Salazar ter\u00e1 deixado e os sonhadores do s\u00e9culo 21 atolados \u00e0 heran\u00e7a que os abrilistas deixar\u00e3o? A hist\u00f3ria tem sonos longos!&#8230; Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que o povo \u00e9 quem mais ordena mas seguindo sempre os que levantam o facho na m\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas \u201cassim se fazem as cousas\u2026\u201d Quem estiver ilibado que atire a primeira pedra\u2026 A verdade \u00e9 que eles s\u00e3o parte de n\u00f3s, povo, que lhes demos a oportunidade&#8230;<\/p>\n<p>O povo elegeu dois s\u00edmbolos que constituem dois p\u00f3los antag\u00f3nicos. Dum lado o conservadorismo patriota at\u00e9 nacionalista e do outro o socialismo marxista internacionalista.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que o resultado ter\u00e1 sido \u201c um murro no est\u00f4mago do esquerdismo cultural\u201d vigente? N\u00e3o, apenas mais uma oportunidade para os que vivem de campanhas. De premeio sente-se um protesto contra a situa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o contra a democracia. \u00c9 a manifesta\u00e7\u00e3o do sentimento de impot\u00eancia dum povo moribundo h\u00e1 j\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos. De resto, este espect\u00e1culo foi mais uma oportunidade para os mesmos actores da hist\u00f3ria que se sucedem e cuja diferen\u00e7a quase se esgota nas m\u00e1scaras que trazem.<\/p>\n<p>Quem fala de \u201cbranqueamento do fascismo\u201d n\u00e3o percebe o que \u00e9 o fascismo. N\u00e3o se deve tratar de humanizar ou desumanizar as figuras de Salazar e de Cunhal nem de difamar os actores da hist\u00f3ria. Interessante seria discutir as suas ideias e voltar a descobrir a ideia de povo e de concelho que remonta aos prim\u00f3rdios da nossa hist\u00f3ria vinda j\u00e1 dos suevos. Os senhores do poder e dos dogmas estar\u00e3o certamente mais interessados em imagens constru\u00eddas e nos tabus. Pensar seria inc\u00f3modo e isso n\u00e3o se aprende na escola.<\/p>\n<p>Seria oportunismo, com base no argumento de que o povo Portugu\u00eas desconhece a hist\u00f3ria, querer agora instrumentalizar mais ainda as aulas de Hist\u00f3ria e de Portugu\u00eas em nome dum multiculturalismo irreflectido \u00e9 \u00e0 sombra do qual medram os pregadores do internacionalismo. Quem nega a pr\u00f3pria hist\u00f3ria recorrendo \u00e0 sua difama\u00e7\u00e3o (reduzindo-a a cruzadas, colonialismo, racismo, escravatura e ca\u00e7a \u00e0s bruxas) sem estabelecer a cor local dos acontecimentos com os seus actos her\u00f3icos e barb\u00e1ricos branqueia com isso as barbaridades de hoje.<\/p>\n<p>Alguns mostraram-se preocupados com a \u00abp\u00e9ssima imagem de Portugal\u00bb de Portugal no estrangeiro perante a escolha feita. (O estrangeiro escandalizar-se-\u00e1 pela escolha de Salazar ou de Cunhal?) O problema n\u00e3o est\u00e1 na imagem que os estrangeiros possam ter de n\u00f3s mas na mentalidade que faz expressar esse receio. Com slogans de liberdade e de cravos tem o povo ca\u00eddo na cantiga do outro. Apesar de 30 anos a nossa democracia continua virgem<\/p>\n<p>Em programas da televis\u00e3o como estes quem ganha \u00e9 a televis\u00e3o e quem perde \u00e9 a na\u00e7\u00e3o. De resto a democracia vive da polariza\u00e7\u00e3o, facto que a revela decadente, tal como o foram os sistemas que ela substituiu. Os cravos da democracia encontram-se murchos e o povo encravado.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que se mudam os tempos mas n\u00e3o as mentalidades. H\u00e1 muita letra e muita m\u00fasica, s\u00f3 faltam os instrumentos.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um voto contra a corrup\u00e7\u00e3o do Estado A 25 de Mar\u00e7o de 2007, num acto de desobriga entre abrilista e setembrista a RTP1 elegeu &#8220;O Maior Portugu\u00eas de Todos os Tempos&#8221;! Os tempos est\u00e3o para os que costumam andar de ouvido colado aos baixios do povo atentos aos seus rumores anais. 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