{"id":1256,"date":"2007-11-17T18:31:00","date_gmt":"2007-11-17T17:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1256"},"modified":"2007-11-17T18:31:00","modified_gmt":"2007-11-17T17:31:00","slug":"europa-quo-vadis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1256","title":{"rendered":"Europa, quo vadis?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>As Civiliza\u00e7\u00f5es v\u00e3o e v\u00eam com os Deuses<\/b><\/p>\n<p>No s\u00e9culo IV a civiliza\u00e7\u00e3o romana j\u00e1 secularizada viu o seu fim com o alvorecer do Cristianismo. <\/p>\n<p>Passados mil anos, a Idade M\u00e9dia deu \u00e0 luz o renascimento iniciando assim a coabita\u00e7\u00e3o de raz\u00e3o e f\u00e9. A uni\u00e3o das duas possibilita o florescimento m\u00e1ximo da criatividade e do desenvolvimento cultural, como se pode verificar no per\u00edodo iniciado pelo humanismo. Este foi um passo qualitativo, a n\u00edvel estrutural no desenvolvimento da humanidade.<\/p>\n<p>Contemporaneamente encontramo-nos exteriormente na era correspondente ao s\u00e9culo IV do imp\u00e9rio romano e na crise que prepara o salto do humanismo exterior para um humanismo introspectivo, em que o Homem se encontre nele mesmo e no todo.<\/p>\n<p>Logicamente seria \u00f3bvio o aparecimento duma nova religi\u00e3o. A civiliza\u00e7\u00e3o ocidental encontra-se cansada. O cristianismo ocidental encontra-se cansado tamb\u00e9m. A Ci\u00eancia procurou assenhorear-se da raz\u00e3o enquanto que a religi\u00e3o continuou a apadrinhar a arte sem ser alheia \u00e0 raz\u00e3o. Assim a civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 consegue o seu apogeu demonstrando que a religi\u00e3o tem de ser compat\u00edvel com a raz\u00e3o, n\u00e3o havendo outra sa\u00edda para as religi\u00f5es. O projecto de sociedade ocidental mostra-se como reproduz\u00edvel a n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p>A sociedade evolui progressivamente de est\u00e1dio para est\u00e1dio: de hordas para tribos, na\u00e7\u00f5es, culturas ou civiliza\u00e7\u00f5es. De b\u00e1rbaros passamos a civilizados, atingindo a Uni\u00e3o Europeia em processo de identidade para depois se passar a ser cidad\u00e3os do mundo. Se durante os dois primeiros mil\u00e9nios a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental esgotou muitas das suas for\u00e7as no desenvolvimento estrutural \u00e0 custa do individul, o alvorecer do terceiro mil\u00e9nio exige um salto qualitativo no sentido de se tornar a pessoa, o centro do seu pensar e agir.<\/p>\n<p>O Catolicismo \u00e9, actualmente, a \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o global mas n\u00e3o est\u00e1 preparado para dar resposta adequada ao sentir do novo humanismo (1). O cristianismo est\u00e1 vocacionado a fomentar o \u00faltimo est\u00e1dio de desenvolvimento \u2013 a globaliza\u00e7\u00e3o em cujo est\u00e1dio final haver\u00e1 um governo mundial de estados federados e em que os vizinhos s\u00e3o irm\u00e3os.<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e pol\u00edtica s\u00e3o a consequ\u00eancia da mundivis\u00e3o ocidental, da imagem de Deus e de Homem crist\u00e3os. Civiliza\u00e7\u00e3o ocidental e Cristianismo ter\u00e3o que se questionar para se poderem encontrar de novo e assim possibilitar o seu desenvolvimento e miss\u00e3o civilizadora integrada no sentido da abertura e liberdade respons\u00e1vel. Para que o cristianismo possa continuar o seu papel ter\u00e1 de seguir mais o m\u00e9todo indutivo do que o m\u00e9todo dedutivo na abordagem da realidade: uma compreens\u00e3o pr\u00e1tica da realidade sem cair no pragmatismo m\u00edope em voga. Ter\u00e1 que reactivar a m\u00edstica muito recalcada em tempos de expans\u00e3o.<\/p>\n<p>No alvorecer do terceiro mil\u00e9nio dar-se-\u00e1 um novo renascimento da cristandade. A cristandade passar\u00e1 \u00e0 fase do Cristianismo. Nesta fase o Esp\u00edrito regressar\u00e1 ao Homem, passando este a ser o Sujeito. Neste est\u00e1dio universal o palco da hist\u00f3ria passa a ser o indiv\u00edduo aberto numa sociedade aberta na liberdade respons\u00e1vel. (2)<\/p>\n<p>Os excessos do dogmatismo, do racionalismo cr\u00edtico e do utopismo pertencem ao passado. Agora que atingimos o realismo cr\u00edtico com a teoria da relatividade e dos quanta j\u00e1 nos encontramos preparados, atrav\u00e9s do conhecimento natural (da natureza), que atingiu um est\u00e1dio de desenvolvimento capaz de compreender a linguagem das imagens mitol\u00f3gicas e em especial, a n\u00edvel crist\u00e3o, o mist\u00e9rio da trindade e a parte m\u00edstica da religi\u00e3o refugiada e experimentada nos conventos. A aproxima\u00e7\u00e3o m\u00fatua de religi\u00e3o e ci\u00eancia complementam-se na aventura da descoberta da mesma realidade e no servi\u00e7o ao ser humano.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o quer dizer que nos tornemos monges. Pelo contr\u00e1rio, tornar-nos-\u00edamos todos, reis, Papas, melhor ainda, descobrir-nos-\u00edmos todos Jesus Cristo, todos Homem.<\/p>\n<p>Sim porque a grande revela\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 a nossa divindade. Deus \u00e9-nos inerente. H\u00e1 que deixar aparecer em n\u00f3s o Jesus Cristo que somos. A salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem de fora, ela acontece na comunh\u00e3o. N\u00f3s somos \u201co caminho, a verdade e a vida\u201d a caminho na resolu\u00e7\u00e3o de problemas. O cristianismo como religi\u00e3o aberta numa sociedade aberta ser\u00e1 entao a express\u00e3o da era m\u00edstica, uma \u201ccasa da porta aberta\u201d.<\/p>\n<p>No tempo das na\u00e7\u00f5es e das culturas eram precisas sociedades fechadas com o seu Deus que lhes dava identidade no seu desenvolvimento. Cristo por\u00e9m acabou com a divis\u00e3o entre crentes e ateus. Ele reintegrou o pag\u00e3o, o estrangeiro, o Samaritano.<\/p>\n<p>Agora que exteriormente adquirimos o estado adulto, Deus \u00e9 universal e encontra-se em rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com cada pessoa como o demonstrou Cristo, o primeiro que se atreveu a matar o Deus das institui\u00e7\u00f5es, dos estados, das filosofias e das teologias para o restituir ao Homem, ao ser humano individual.<\/p>\n<p>Naturalmente que as leis da dial\u00e9ctica n\u00e3o perder\u00e3o a sua validade. Cada ser, cada grupo \u00e9 processo com v\u00e1rios estados de desenvolvimento \u00e0 sua frente. O \u00faltimo est\u00e1dio de desenvolvimento \u00e9 a consci\u00eancia de Jesus Cristo. Por isso as institui\u00e7\u00f5es tal como a pedagogia continuar\u00e3o a ter a sua import\u00e2ncia e sentido. S\u00f3 que se saber\u00e3o apenas como bengalas ao servi\u00e7o do Homem na ajuda da descoberta do seu ser Cristo e no respeito dos est\u00e1dios de desenvolvimento centrados na refer\u00eancia ao problema no discurso aberto. Esta abertura tem por\u00e9m um substrato comum: Deus para l\u00e1 do definido pol\u00edtica e religiosamente, sem sujei\u00e7\u00e3o ao \u201ccorrecto\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o chega o esfor\u00e7o iluminista, a raz\u00e3o. N\u00e3o chega andar de cativeiro em cativeiro seja ele cient\u00edfico, religioso ou pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A filosofia, a religi\u00e3o e a arte dever\u00e3o tornar-se empreendimento natural no concerto da intelectualidade e da pol\u00edtica na discuss\u00e3o p\u00fablica. Isto implica a sua n\u00e3o redu\u00e7\u00e3o a mera hist\u00f3ria nem t\u00e3o-pouco a legitimadoras dos sistemas de poder.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 leg\u00edtima a restri\u00e7\u00e3o da filosofia, da teologia e da arte a ci\u00eancias aplicadas, doutro modo falham o seu ser passando a ser circunscritas a servas das ci\u00eancias naturais e t\u00e9cnicas. Este \u00e9 um perigo muito actual atendendo ao car\u00e1cter utilitarista vigente. Ci\u00eancias humanas e ci\u00eancias naturais complementam-se no respeito m\u00fatuo. A reflex\u00e3o sobre a hist\u00f3ria humana e a conex\u00e3o do sentido da vida s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento natural do colectivo da nossa mundivis\u00e3o e consci\u00eancia individual.<\/p>\n<p>O tempo est\u00e1 maduro. Na \u00e9poca da f\u00edsica qu\u00e2ntica, e das ci\u00eancias biol\u00f3gicas o mundo j\u00e1 est\u00e1 amadurecido para perceber o cristianismo m\u00edstico, a realidade na sua rela\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria. A nova vis\u00e3o do Homem apela \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de todos os saberes. Nesse sentido o Hindu\u00edsmo e o Budismo poder\u00e3o ajudar-nos a compreender melhor o Cristianismo, base da nossa civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o chega dar resposta \u00e0 necessidade de orienta\u00e7\u00e3o por todo o lado latente na nossa sociedade. A quest\u00e3o preliminar ser\u00e1: que orienta\u00e7\u00e3o? A sociedade s\u00f3 responde \u00e0s perguntas que lhe s\u00e3o colocadas. O problema actual \u00e9 o homem global que precisa duma resposta glogal e integral. A resposta do cristianismo apontar\u00e1 para a m\u00edstica como processo integral de pensar, sentir e agir. Passamos do homo religioso, homo pensante, homo faber ao homo integral numa sociedade global.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>Te\u00f3logo<br \/>\u201cPegadas do Tempo\u201d<\/p>\n<p>(1) S\u00f3 que Cristo ficou pelo caminho\u2026<br \/>O pre\u00e7o que o cristianismo pagou para gerar a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental foi demasiado alto. Foi o pre\u00e7o da perman\u00eancia no est\u00e1dio dial\u00e9ctico.<br \/>O cristianismo gastou demasiadas energias no desenvolvimento da estrutura, afirmando a estrat\u00e9gia petrina (expans\u00e3o e desenvolvimento exterior) em detrimento da joanina (o car\u00e1cter m\u00edstico do Cristianismo, o objectivo de Cristo). \u00c9 natural que a sociedade s\u00f3 responda \u00e0s perguntas e aos problemas que lhe s\u00e3o colocadas, e cada \u00e9poca ou sociedade tem as suas tal como acontece \u00e0 imagem do desenvolvimento da consci\u00eancia da crian\u00e7a para adolescente e adulto, etc.\u2026 Por isso \u00e9 dif\u00edcil dar resposta ou fazer prognoses relativamente ao futuro.<\/p>\n<p>(2) Sociedade aberta n\u00e3o significar\u00e1 a ideologia opiadora presente em muitas for\u00e7as sociais e que se expressa num multiculturalismo meramente ideol\u00f3gico e irreflectido e no anonimato de valores arbitr\u00e1rios. Doutro modo o futuro da Europa n\u00e3o ser\u00e1 risonho apesar de ter alcan\u00e7ado um est\u00e1dio de desenvolvimento expoente ao conseguir uma s\u00edntese de religi\u00e3o e raz\u00e3o. A Europa atingiu modelos de desenvolvimento que n\u00e3o poder\u00e3o ser questionados por uma abertura alienada que p\u00f5e em perigo o n\u00edvel social atingido. At\u00e9 agora tem-se importado incondicionalmente e at\u00e9 facilitado a entrada na Europa dum Isl\u00e3o que n\u00e3o passou ainda pelo cadinho do iluminismo. A religi\u00e3o tem de ser joeirada pelo peneira da raz\u00e3o, doutro modo \u00e9 hegem\u00f3nica e agressiva. Uma religi\u00e3o incompat\u00edvel com a raz\u00e3o que reduza o ser humano a objecto da hist\u00f3ria ou de Deus torna-se muito grave atendendo a que a religi\u00e3o como alma inconsciente da sociedade e do indiv\u00edduo n\u00e3o deixa ningu\u00e9m indiferente. Ela move neles for\u00e7as imprevis\u00edveis. <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As Civiliza\u00e7\u00f5es v\u00e3o e v\u00eam com os Deuses No s\u00e9culo IV a civiliza\u00e7\u00e3o romana j\u00e1 secularizada viu o seu fim com o alvorecer do Cristianismo. Passados mil anos, a Idade M\u00e9dia deu \u00e0 luz o renascimento iniciando assim a coabita\u00e7\u00e3o de raz\u00e3o e f\u00e9. 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