{"id":1255,"date":"2007-11-17T18:31:00","date_gmt":"2007-11-17T17:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1255"},"modified":"2007-11-17T18:31:00","modified_gmt":"2007-11-17T17:31:00","slug":"a-historia-esta-de-regresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1255","title":{"rendered":"A Hist\u00f3ria est\u00e1 de regresso"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b> Na dificuldade acendem-se as velas da na\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>A partir dos anos sessenta houve, na Europa, a tentativa de se fazer pol\u00edtica sem mem\u00f3ria. O recurso \u00e0 lembran\u00e7a selectiva tinha um car\u00e1cter funcional sendo usada como chibata contra o passado ou como alienadora do agir em curso. Em Portugal nacionalizou-se o problema nos anos setenta com o consequente ataque de amn\u00e9sia. Era os tempos do entusiasmo marxista na afirma\u00e7\u00e3o pelo futuro \u00e0 custa dum passado sem presente.<\/p>\n<p>O entusiasmo pelas liberdades de Abril e o fresco cheiro a cravos, seguido do projecto Uni\u00e3o Europeia explicam aparentemente o recalcamento da hist\u00f3ria. N\u00e3o faltavam raz\u00f5es para isso. Os erros do passado, a beleza e a import\u00e2ncia do novo, a nova classe que se queria impor e o novo regime a estabilizar n\u00e3o permitiam inseguran\u00e7as que s\u00f3 poderiam perturbar. Ningu\u00e9m estava interessado em perceber o fen\u00f3meno da descoloniza\u00e7\u00e3o no contexto internacional da guerra-fria entre a R\u00fassia e o Ocidente bem como os interesses econ\u00f3micos em jogo. Portugal foi e sentiu-se ent\u00e3o o umbigo do mundo na esperan\u00e7a de ter algo duradouro para exportar. Portugal torna-se ent\u00e3o a F\u00e1tima da esquerda europeia.<\/p>\n<p>A vontade era tanta que at\u00e9 se dizia:\u201da partir de agora Portugal n\u00e3o precisa de exportar os seus filhos e os emigrantes podem voltar&#8230;\u201d. Entretanto a vontade foi-se\u2026<\/p>\n<p>Entrementes a lembran\u00e7a est\u00e1 de volta. Salazar p\u00f5e o dedo no ar. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um descontentamento que o quer deixar falar. Recorda-se j\u00e1 o imp\u00e9rio perdido, a ced\u00eancia incondicional ao comunismo internacional. Para muitos foi uma trai\u00e7\u00e3o \u00e0 na\u00e7\u00e3o, sem a salvaguarda dos direitos e interesses da presen\u00e7a portuguesa de 600 anos, com as lutas sangrentas da coloniza\u00e7\u00e3o interna no conluio com a inger\u00eancia internacional sem ter em conta imensas v\u00edtimas aut\u00f3ctones e retornados, que espera lhe seja feita men\u00e7\u00e3o de registo.<\/p>\n<p>\u00c0 euforia inicial do 25 de Abril segue-se agora o rescaldo, por vezes ingrato, duma desconfian\u00e7a crescente num sistema que enriqueceu os partidos e continuou a tradi\u00e7\u00e3o dos seus cidad\u00e3os resolverem os seus problemas no ex\u00edlio do estrangeiro (s\u00f3 em 2006 emigraram 100.000 portugueses).<\/p>\n<p>O povo v\u00ea-se sem possibilidade de introspec\u00e7\u00e3o e desanima. Por outro lado, esta na\u00e7\u00e3o continua hipotecada no estrangeiro, na emigra\u00e7\u00e3o e bem vivendo da ideologia! O problema e que esta na\u00e7\u00e3o n\u00e3o se liberta por falta de auto-cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Com Salazar a Hist\u00f3ria quer voltar. A quest\u00e3o \u00e9: que hist\u00f3ria? As hist\u00f3rias da Hist\u00f3ria passada n\u00e3o deixam grande margem para alternativas, com a agravante que a m\u00e1quina reprodutora do povo tamb\u00e9m parecer enfadada. Achaques adquiridos por cont\u00e1gio\u2026 Os estrangeirados modernos apostam na imigra\u00e7\u00e3o numa tentativa de lavar o rosto da emigra\u00e7\u00e3o!&#8230; Os tais internacionalistas exploradores da emigra\u00e7\u00e3o e da imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A recorda\u00e7\u00e3o \u00e9 o fluido natural que d\u00e1 estabilidade \u00e0 na\u00e7\u00e3o. Quais os esteios da recorda\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Um novo nacionalismo seria perigoso porque nascido mais da cabe\u00e7a do que do cora\u00e7\u00e3o. Um patriotismo sadio como sentimento de perten\u00e7a \u00e9 \u00f3bvio.<\/p>\n<p>O problema hist\u00f3rico de Portugal \u00e9 n\u00e3o haver quem confesse arrependimento \u2013 s\u00f3 h\u00e1 acusadores. De costas para a f\u00e9 s\u00f3 se recorda a d\u00favida. A uni\u00e3o das duas, por\u00e9m, foi a for\u00e7a impulsionadora da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. De facto, a Europa civilizou os seus povos levantando bem alto a heran\u00e7a comum do esp\u00edrito crist\u00e3o e grego, atrav\u00e9s da uni\u00e3o da f\u00e9 e da d\u00favida. \u00c9 de desconfiar de quem s\u00f3 tem certezas.<\/p>\n<p>Nas dificuldades os portugueses n\u00e3o andam longe da Europa atendendo \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de Nietsche ao afirmar que \u201cos europeus s\u00f3 se tornam patriotas nas suas horas fracas\u201d!<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na dificuldade acendem-se as velas da na\u00e7\u00e3o A partir dos anos sessenta houve, na Europa, a tentativa de se fazer pol\u00edtica sem mem\u00f3ria. O recurso \u00e0 lembran\u00e7a selectiva tinha um car\u00e1cter funcional sendo usada como chibata contra o passado ou como alienadora do agir em curso. 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