{"id":1251,"date":"2007-11-17T18:29:00","date_gmt":"2007-11-17T17:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1251"},"modified":"2007-11-17T18:29:00","modified_gmt":"2007-11-17T17:29:00","slug":"progressistas-e-conservadores-num-beco-sem-saida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1251","title":{"rendered":"Progressistas e Conservadores num Beco sem Sa\u00edda"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>Vias contra o descr\u00e9dito dos partidos e a desertifica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds<\/b><\/p>\n<p>Os socialistas t\u00eam raz\u00e3o ao quererem imprimir um processo de mudan\u00e7a r\u00e1pido \u00e0 sociedade portuguesa. Perdem-na quando o tentam fazer de maneira radical contra a cultura e contra a pessoa na sua tentativa de construirem um colectivo ideal \u00e0 custa do essencial da pessoa humana.<\/p>\n<p>Vivemos numa \u00e9poca de transforma\u00e7\u00f5es t\u00e3o r\u00e1pidas que o grande problema social se torna na possibilidade de poder acompanhar tal movimento. A pol\u00edtica e a escola ainda n\u00e3o d\u00e3o resposta a este facto. Tamb\u00e9m este se tornou num factor inconsciente do descontentamento social.<\/p>\n<p>Tais como as na\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m os grupos sociais se encontram em diferentes est\u00e1dios, andando a diferentes velocidades. Enquanto que alguns andam a p\u00e9 outros come\u00e7am a descobrir o carro n\u00e3o sonhando sequer no avi\u00e3o. A maioria ainda anda a cavalo!<\/p>\n<p>O problema est\u00e1 nas condi\u00e7\u00f5es, rapidez e na capacidade de enfrentar a mudan\u00e7a para a poder acompanhar. H\u00e1 muita dificuldade na capacidade e na vontade de querer mudar sem o perigo de perder a pr\u00f3pria identidade. \u00c0 disparidade s\u00f3cio-econ\u00f3mica entre na\u00e7\u00f5es modernamente desenvolvidas e subdesenvolvidas e entre as classes sociais dentro das na\u00e7\u00f5es junta-se a falta de prepara\u00e7\u00e3o para se poder acompanhar o ritmo de desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico em causa.<\/p>\n<p>Na aldeia global o g\u00e9nero humano descobre-se como parte da natureza. Sente inconscientemente a sua interdepend\u00eancia ecol\u00f3gica e social, a sua depend\u00eancia das fontes energ\u00e9ticas e de muitas outras inc\u00f3gnitas. Reconhece-se num processo por um lado de continuidade de liga\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza e por outro de descontinuidade (Ad\u00e3o e Eva) o que acentua a sua discrep\u00e2ncia. Como ser situado e aberto experimenta-se como consci\u00eancia de ser de responsabilidade limitada. O horizonte da natureza \u00e9 o ser humano. Consequentemente a responsabilidade humana deixou de ser apenas individual para se alargar ao universo. Tudo isto implica a necessidade de grande capacidade de fazer conex\u00f5es e de valorizar uma avalanche de informa\u00e7\u00f5es normalmente \u00e0 volta do acidental. Confunde-se a vis\u00e3o polar do mundo com a realidade. Os conservadores querem um mundo mais valorizador da pessoa e os socialistas querem um mundo mais regulado pelo estado. Se uns desconfiam do Estado os outros desconfiam da pessoa.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica tornou-se complexa sem ser transparente. Surge a inseguran\u00e7a e o medo com a consequente necessidade de respostas simples.<\/p>\n<p>A racionaliza\u00e7\u00e3o do extremismo mais para a direita ou mais para a esquerda depende do acentuar da justi\u00e7a (bem comum) mais a n\u00edvel individual ou mais a n\u00edvel social.<\/p>\n<p>Aqui se cai na armadilha dial\u00e9ctica. \u00c9 o que acontece em Portugal no revezar-se dos partidos no governo desde o in\u00edcio da monarquia constitucional. A acentua\u00e7\u00e3o da pessoa ou da sociedade (colectivo) correspondem a diferentes ordens sociais e estas, por sua vez encontram-se representadas nos partidos que se revezam no governo da na\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 lugar para a reflex\u00e3o nem a p\u00e1tria disp\u00f5e de institui\u00e7\u00f5es que fomentem a ac\u00e7\u00e3o ponderada. Passa-se a imitar o estrangeiro ou os partidos obram automaticamente numa cadeia de reac\u00e7\u00f5es ininterruptas. Da\u00ed a explica\u00e7\u00e3o para a interven\u00e7\u00e3o de movimentos violentos nos momentos da hist\u00f3ria em que a justi\u00e7a social chega a ser extremamente desprezada. Ent\u00e3o \u00e9 o tempo do movimento contra o status quo. Assim se vai andando de injusti\u00e7a social em injusti\u00e7a social, de revolu\u00e7\u00e3o ou revolta em revolu\u00e7\u00e3o ou revolta. O que acontece nas mudan\u00e7as revolucion\u00e1rias acontece muito atenuadamente, de maneira metaf\u00f3rica, nas mudan\u00e7as de governo.<\/p>\n<p>Seria \u00f3bvio um esfor\u00e7o dos dois partidos contr\u00e1rios por encontrar um compromisso justo e equilibrado entre as duas perspectivas de vis\u00e3o humana e social. Isto pressuporia a supera\u00e7\u00e3o duma mentalidade meramente polar para uma integradora dos dois p\u00f3los, que de facto constituem parte essencial duma s\u00f3 realidade. Isto significaria trabalhar no sentido da paz social e individual na uni\u00e3o de interesses estruturais e individuais. Teria de haver uma aposta no desenvolvimento individual e estrutural j\u00e1 n\u00e3o na concorr\u00eancia mas na converg\u00eancia. Um esfor\u00e7o neste sentido prepararia o caminho para uma maior aceita\u00e7\u00e3o de progressistas e conservadores por parte da popula\u00e7\u00e3o. Este reconheceria, em termos de igualdade a necessidade dos dois p\u00f3los deixando de se alienar em solu\u00e7\u00f5es de mera oposi\u00e7\u00e3o.<br \/>Para isso seria importante mudar de atitude e acordar o povo para que se d\u00ea conta da necessidade das v\u00e1rias for\u00e7as.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia que se nota na sociedade para querer solucionar o mal social com personalidades fortes, um novo Salazar, diminuiria rapidamente. As for\u00e7as pol\u00edticas ter\u00e3o de abandonar a t\u00e1ctica do deixar correr e passar a agir mais perto do povo se n\u00e3o quiserem deixar a situa\u00e7\u00e3o tornar-se extrema e ver a sua reputa\u00e7\u00e3o cada vez mais reduzida, contribuindo para ofomento daqueles que questionam o bem emocr\u00e1tico\u2026<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em jogo \u00e9 a justi\u00e7a social e a defesa da cultura num equil\u00edbrio entre recorda\u00e7\u00e3o e sonho, entre passado e futuro. A nossa sociedade ainda n\u00e3o tem pr\u00e1tica suficiente da realiza\u00e7\u00e3o de valores sociais liberais para que os pol\u00edticos se possam permitir o que se t\u00eam permitido. A continua\u00e7\u00e3o dum tal agir \u00e9 irrespons\u00e1vel.<\/p>\n<p>O sistema partid\u00e1rio comete um grande erro ao n\u00e3o fomentar associa\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es capazes de formular e expressar diferenciadamente os diferentes interesses do povo. Geralmente as poucas institui\u00e7\u00f5es existentes s\u00e3o subsidi\u00e1rias dos partidos pol\u00edticos fornecendo-lhes os seus representantes em troca de votos dos seus representados e duma influ\u00eancia moderadora no seu meio. Isto leva a um ciclo vicioso em que os partidos se tornam cada vez mais corruptos e desleais \u00e0 pr\u00f3pria mundivis\u00e3o que foi substitu\u00edda por uma clientela que muitas vezes embora em postos altos n\u00e3o t\u00eam ideia do que representam. A democracia torna-se assim numa sociedade repressiva aberta ao contr\u00e1rio das ditaduras repressivas fechadas.<\/p>\n<p>Uma democracia deveria estar capacitada para preparar o povo de maneira a este se encontrar na situa\u00e7\u00e3o de poder controlar e equilibrar o movimento pendular entre o interesse individual e social. O povo seria ent\u00e3o o garante do processo din\u00e2mico social entre o que se atingiu e o a atingir.<\/p>\n<p>Cada cidad\u00e3o tem o direito de colocar a sua prioridade na defesa do valor individual ou social ou mesmo mudando conforme o desenvolvimento o solicitar. Uma tal sociedade consegue um estado vi\u00e1vel de paz n\u00e3o se contentando com um pseudo-viver entre a paz dos cemit\u00e9rios e a paz escatol\u00f3gica do para\u00edso. Naturalmente que se exig\u00edssemos a tranquilidade ao mar este apodrecia, o mesmo se d\u00e1 com o ser humano e com a sociedade.<\/p>\n<p>Cada confiss\u00e3o partid\u00e1ria tem a obriga\u00e7\u00e3o de declarar inequivocamente as suas prioridades numa filosofia coesa e n\u00e3o esconder-se na confus\u00e3o sem\u00e2ntica das ideias e slogans de campanha. Os dois objectivos s\u00e3o essenciais num processo balan\u00e7a entre indiv\u00edduo e sociedade, entre capitalismo e socialismo, entre a defesa da pessoa e a da estrutura. Os dois p\u00f3los s\u00e3o positivos e negativos. Num e noutro tem de se deixar crescer o joio com o trigo. A estrutura \u00e9 o pecado original da humanidade mas imprescind\u00edvel \u00e0 vida humana. Da\u00ed o p\u00eandulo da moral n\u00e3o poder ser assenhoreado s\u00f3 por um p\u00f3lo partid\u00e1rio. Espera-se da pol\u00edtica a realiza\u00e7\u00e3o dos dois objectivos Homem e Sociedade numa inter-rela\u00e7\u00e3o e servi\u00e7o m\u00fatuo em que seja poss\u00edvel autonomia e identidade sem a abdica\u00e7\u00e3o no colectivismo. Nesse sentido \u00e9 importante a descentraliza\u00e7\u00e3o e a autodetermina\u00e7\u00e3o. Uma pol\u00edtica contra o interior e de fomento do seu despovoamento no sentido de fomentar o anonimato das grandes cidades, mais aberto a ideologias de ocasi\u00e3o, tem sido oportunista e injusta. \u00c9 irrespons\u00e1vel a desertifica\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es interiores em franco processo. O mesmo se tem dado a nivel da cultura.<\/p>\n<p>A desrtifica\u00e7\u00e3o da cultura, da na\u00e7\u00e3o e da pessoa humana tem sido fomentada especialmente por uma esquerda demasiadamente atenta ao poder e distra\u00edda de si mesma e do povo.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio  Justo                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vias contra o descr\u00e9dito dos partidos e a desertifica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds Os socialistas t\u00eam raz\u00e3o ao quererem imprimir um processo de mudan\u00e7a r\u00e1pido \u00e0 sociedade portuguesa. 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