{"id":1247,"date":"2007-11-17T18:27:00","date_gmt":"2007-11-17T17:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1247"},"modified":"2007-11-17T18:27:00","modified_gmt":"2007-11-17T17:27:00","slug":"estado-paternalista-%e2%80%93-escolas-proletarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1247","title":{"rendered":"Estado paternalista \u2013 Escolas Prolet\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>A viol\u00eancia nas escolas atingiu o limite<\/b><br \/>A campanha do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a dar resultados: Nas escolas portuguesas s\u00e3o agredidos mais de um professor por dia, alguns a ponto de terem de ir para o hospital. A ministra diz que s\u00e3o casos \u201cpontuais\u201d. O problema \u00e9 dos professores que persistem em continuar a dar m\u00e1s notas.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo comparativo de alunos de v\u00e1rios pa\u00edses (PISA) a n\u00edvel internacional s\u00e3o p\u00e9ssimos para Portugal. A inefici\u00eancia e o abandono escolar denunciam o sistema.<\/p>\n<p>O governo, num activismo precipitado, determina medidas ineficientes e descarrega a consci\u00eancia na cata de v\u00edtimas que expliquem a mis\u00e9ria. Culpabiliza os professores responsabilizando-os pelo insucesso escolar, por darem m\u00e1s notas. Numa tentativa desesperada passou a castigar os docentes que derem demasiadas notas baixas \u00e0 turma dos alunos.<\/p>\n<p>Foi-me referido um caso t\u00edpico orientador para colegas docentes em Portugal: uma professora de ingl\u00eas, depois de realizadas as provas de avaliamento, verificou que mais de um ter\u00e7o dos alunos tinham reprovado. A consequ\u00eancia seria uma m\u00e1 nota na avalia\u00e7\u00e3o da professora atendendo aos maus resultados dos alunos. A professora de ingl\u00eas, para n\u00e3o ser castigada pelos maus resultados dos alunos resolveu fazer nova prova correspondente ao n\u00edvel dos mais fracos. Assim correspondeu aos interesses do ME, passando a estar todos satisfeitos e ela a ter uma boa nota no seu processo de avalia\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 que \u00e9 ser socialista!<\/p>\n<p>Desautoriza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do professorado e dos mais velhos<br \/>A Ministra da Educa\u00e7\u00e3o afirma: \u201cqueremos escolas novas\u201d e \u201cmelhorar a qualifica\u00e7\u00e3o dos professores\u201d. O problema \u00e9 de mentalidade e de filosofia pol\u00edtica sendo os professores uma pequena pedra sistematicamente desautorizada no grande xadrez do ensino. Progressistas e conservadores deixaram-se levar pelos ventos marxistas que queriam um povo prolet\u00e1rio de aplaudidores cantando e rindo.<\/p>\n<p>Entretanto a Europa arreda caminho desses ideais seguindo uma pol\u00edtica de repara\u00e7\u00e3o dos erros feitos. Portugal teima em viver a mentalidade ideol\u00f3gica dos anos 60 em processo de ser corrigida na Europa do Norte. Aquela, tamb\u00e9m na escola, atribu\u00eda a culpa aos mais velhos e o fracasso ao passado. O ponto cr\u00edtico, o erro colocava-se nos outros, como queria fazer ver at\u00e9 a psicologia em moda. Procedia-se \u00e0 desautoriza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do professorado na suposi\u00e7\u00e3o de que bastaria uma forma\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria numa liberdade contr\u00e1ria \u00e0 autoridade e \u00e0 disciplina. Para o sistema chegariam alguns disciplinados e privilegiados para governar! Como o pensar \u00e9 elitista abaixo com o pensar. No povo ele s\u00f3 estorvaria, portanto, o cidad\u00e3o quer-se Z\u00e9-povinho.<\/p>\n<p>Uma ideologia que desrespeita os mais idosos e a autoridade leg\u00edtima despreza a experi\u00eancia.<br \/>A sociedade moderna tecnol\u00f3gica exige grande precis\u00e3o e disciplina dos seus t\u00e9cnicos. A pol\u00edtica propaga outra mentalidade. A barraca \u00e9 cada vez maior. Verifica-se que n\u00e3o chega alargar os conte\u00fados da prim\u00e1ria antiga para nove anos&#8230;<\/p>\n<p>A pol\u00edtica e a sociedade querem abdicar da responsabilidade e lavar as m\u00e3os nos professores e nos pais. Os pais n\u00e3o est\u00e3o preparados para assumir a responsabilidade que a sociedade lhes roubou. Os professores n\u00e3o podem assumir a responsabilidade que a pol\u00edtica lhes furtou. A culpa morreu solteira! O problema \u00e9 que a irresponsabilidade conduz ao autoritarismo<\/p>\n<p>Portugal parece teimar em continuar na mentira da vida. A vida n\u00e3o perdoa, ela \u00e9 luta, \u00e9 conflituosa. Os alunos t\u00eam que aprender e saber; n\u00e3o chega o comprido sol das f\u00e9rias grandes para fazer esquecer os fracassos e as neglig\u00eancias\u2026 Muitas das pessoas que hoje est\u00e3o bem na vida, sendo embora de origem humilde poder\u00e3o testemunhar com Bill Gates, o dono da maior fortuna pessoal do mundo e da Microsoft:\u201dA tua escola pode ter eliminado a distin\u00e7\u00e3o entre vencedores e perdedores, mas a vida n\u00e3o \u00e9 assim. Nalgumas escolas \u2026 tens quantas chances precisares at\u00e9 acertares. Isto n\u00e3o se passa com absolutamente nada na vida real. Se pisares o risco, est\u00e1s despedido, rua!\u201d<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o est\u00e1 nas notas nem no aprovar ou reprovar os alunos mas sobretudo na falta de disciplina e de respeito reinante nas escolas que n\u00e3o permitem um ambiente sadio de trabalho. O Estado apresenta-se como um patr\u00e3o ben\u00e9volo que s\u00f3 quer filhos pr\u00f3digos. Este estado ideol\u00f3gico n\u00e3o toma a vida a s\u00e9rio, simplificando-a e fomentando uma ideia falsa de educa\u00e7\u00e3o baseada no pensamento de que o sucesso e a auto-estima se adquirem de gra\u00e7a. N\u00e3o chega mandar os alunos ir aos figos ou \u00e0s uvas do vizinho ou dar-lhes a ideia de que algum tio da ma\u00e7onaria ou do partido no momento oportuno lhes alisar\u00e1 a vida oferecendo-lhes um diploma ou um cargo; temos que ensin\u00e1-los a cavar o pr\u00f3prio campo. O sucesso n\u00e3o se atinge sem trabalho. N\u00e3o chega a satisfa\u00e7\u00e3o do c\u00e9u dos cargos inerentes a um mundo que se pretende prolet\u00e1rio!<\/p>\n<p>N\u00e3o chega dar aos pais, aos cidad\u00e3os o direito de protestar e de votar. A factura a pagar por um Estado que se recusa a encarar a realidade ser\u00e1 saldada pelo povo e por uma democracia cada vez mais fragilizada por um estilo de vida alienado.<\/p>\n<p>A filosofia da pol\u00edtica educativa tem que mudar. A sociedade n\u00e3o pode continuar a viver de mezinhas e das esmolas da Uni\u00e3o Europeia e dos emigrantes. \u00c9 fundamental o fomento do respeito pelos valores humanos num mundo frio que olha para as pessoas como se olha para n\u00fameros ou para euros.<\/p>\n<p>Seria um atentado ao povo continuar a apresentar-lhes a miragem da democracia e direitos humanos alheios ao respeito e \u00e0 solidariedade.<\/p>\n<p>A obra \u00e0 nossa frente \u00e9 de tal ordem que exige de todo o cidad\u00e3o sem excep\u00e7\u00e3o grande empenho e responsabilidade. Doutro modo a pol\u00edtica institucionalizada e a democracia sofrer\u00e3o estragos irrepar\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A viol\u00eancia nas escolas atingiu o limiteA campanha do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a dar resultados: Nas escolas portuguesas s\u00e3o agredidos mais de um professor por dia, alguns a ponto de terem de ir para o hospital. A ministra diz que s\u00e3o casos \u201cpontuais\u201d. 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