{"id":1245,"date":"2007-11-17T18:26:00","date_gmt":"2007-11-17T17:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1245"},"modified":"2007-11-17T18:26:00","modified_gmt":"2007-11-17T17:26:00","slug":"europa-indiferente-logo-decadente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1245","title":{"rendered":"Europa Indiferente logo Decadente"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>Turquia n\u00e3o est\u00e1 madura para entrar na Uni\u00e3o Europeia<\/b><\/p>\n<p>Nos anos sessenta a Alemanha, a Europa, abriu as portas \u00e0 Turquia porque precisava de m\u00e3o-de-obra para as suas f\u00e1bricas. Hoje continua aberta, e come e cala, porque as empresas alem\u00e3s t\u00eam grande interesse no mercado turco e na capacidade financeira do mundo \u00e1rabe que \u00e9 bom pagador.<\/p>\n<p>As na\u00e7\u00f5es europeias possuidoras da grande tecnologia fazem o neg\u00f3cio e a Europa paga as favas\u2026<\/p>\n<p>A resigna\u00e7\u00e3o de muitos tribunais alem\u00e3es perante os costumes isl\u00e2micos \u00e9 bastante pragm\u00e1tica na sua toler\u00e2ncia. Acreditam que a economia \u00e9 que faz a f\u00e9. No caso de d\u00favida a f\u00e9 fica para os pobres e os euros para os ricos, para os esclarecidos. Quando chegaremos finalmente a uma sociedade esclarecida?<\/p>\n<p>Sintom\u00e1tico \u00e9 o facto de a opini\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o se colocar ao lado de mulheres e homens turcos defensores do direito das mulheres e do progresso. No caso da advogada turca de Berlim, Seyran Ates, que, por defender mulheres turcas v\u00edtimas dos seus maridos, se viu obrigada a deixar de exercer a profiss\u00e3o devido \u00e0s amea\u00e7as cont\u00ednuas dos homens, ningu\u00e9m se interessou, o mesmo vai acontecendo com pessoas corajosas mu\u00e7ulmanas que se atrevem a defender publicamente os direitos humanos dentro da sua cultura. A solidariedade parece dar-se com os fundamentalistas e suas ac\u00e7\u00f5es propagandistas.<\/p>\n<p>Esta atitude amb\u00edgua pensada at\u00e9 ao fim, parece confirmar a ideia, de alguns, de que a defesa dos direitos humanos no ocidente n\u00e3o passa de uma armadilha para apanhar incautos. Nisto se v\u00ea que na opini\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o h\u00e1 quem se interesse pelos valores da nossa sociedade. Eles est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Euro e do mercado mesmo \u00e0 custa do ser humano. Depois da morte de Deus e do falhan\u00e7o comunista e fascista s\u00f3 parece ficar o dinheiro e, para desenfastiar, a revolu\u00e7\u00e3o. Em tempos de transi\u00e7\u00e3o aceita-se o terrorismo. Ningu\u00e9m leva ningu\u00e9m a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>O medo do Isl\u00e3o n\u00e3o se pode reduzir \u00e0 m\u00e1 consci\u00eancia e ao oportunismo econ\u00f3mico. Isto desprestigia tudo e todos. O mundo ocidental tem tamb\u00e9m muito a aprender do Isl\u00e3o, devendo por isso lev\u00e1-lo a s\u00e9rio e na pr\u00f3pria transforma\u00e7\u00e3o ajudar o Isl\u00e3o a transformar-se. N\u00e3o caminhamos no sentido dum mundo global?<\/p>\n<p>Por tudo isto os europeus n\u00e3o tomam a s\u00e9rio o extremismo turco e \u00e1rabe no desrespeito pela cultura \u00e1rabe e pela cultura ocidental.<\/p>\n<p>Muitos satisfazem-se com a argumenta\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica, segundo a qual, os mu\u00e7ulmanos manifestam um agir de subordina\u00e7\u00e3o hip\u00f3crita perante a pol\u00edtica e perante o estado. Esta constata\u00e7\u00e3o pode ser verdadeira dentro das sociedades maiorit\u00e1rias; nas minorit\u00e1rias tem-se visto pela hist\u00f3ria que esperam pacientemente at\u00e9 ao momento oportuno. Isto n\u00e3o fala contra eles, \u00e9 mais uma estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia e auto-afirma\u00e7\u00e3o na luta cultural. Quem se empenha por um mundo melhor tem que realisticamente dar-se conta da realidade para a poder melhorar no respeito m\u00fatuo.<\/p>\n<p>O \u201cgueto\u201d religioso e espiritual condur ao \u201cgueto\u201d social<br \/>Na Turquia n\u00e3o h\u00e1 liberdade religiosa nem em nenhum pa\u00eds \u00e1rabe. Duma maneira geral as minorias religiosas s\u00e3o consideradas inimigas do estado. Na pr\u00f3pria Turquia, que onde lhe conv\u00e9m se declara como sendo um estado laico a uni\u00e3o entre pol\u00edtica, Isl\u00e3o e imprensa \u00e9 de tal ordem que n\u00e3o permite qualquer liberdade que n\u00e3o seja a dos mu\u00e7ulmanos. S\u00e3o campe\u00f5es na deturpa\u00e7\u00e3o dos factos. Os crist\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o admitidos para empregos do estado. Mesmo no caso da minoria arm\u00e9nia que tem alguma escola privada, esta tem que ter um vice-reitor mu\u00e7ulmano para controlar. Uma sociedade que s\u00f3 reconhece o seu \u201cgueto\u201d religioso e espiritual acaba no \u201cgueto\u201d social. Um grande problema para a Turquia \u00e9 o facto de identificar religi\u00e3o e tradi\u00e7\u00e3o como uma s\u00f3 coisa. Isto, no caso de desenvolvimento, ter\u00e1 como consequ\u00eancia o questionamento fundamental da religi\u00e3o.<\/p>\n<p>A Turquia n\u00e3o reconhece o direito dos crist\u00e3os transmitirem a sua f\u00e9. De 30% de crist\u00e3os no princ\u00edpio do s\u00e9culo XX hoje n\u00e3o resta sequer um por cento. Na execu\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o alem\u00e3o (tradutor) e dos dois crist\u00e3os convertidos ao cristianismo encontra-se a assinatura dum povo que no pr\u00f3prio pa\u00eds n\u00e3o tolera outros e no estrangeiro vive em gueto. A generalidade dos mu\u00e7ulmanos n\u00e3o tolera que haja missiona\u00e7\u00e3o atendendo a que tudo \u00e9 considerado inferior \u00e0 sua religi\u00e3o; consideram naturalmente l\u00f3gico o seu direito de no estrangeiro missionarem.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos a mudan\u00e7a de religi\u00e3o significa para os mu\u00e7ulmanos a pena de morte. N\u00e3o conhecem a maturidade da autocr\u00edtica. O assassinato dos crist\u00e3os \u00e9 o fruto da discrimina\u00e7\u00e3o e da propaganda. Assim os turcos mais abertos recebem regularmente uma advert\u00eancia\u2026 A execu\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece por acaso. O 1\u00b0. Ministro da Turquia Erdogan \u00e9 um islamista que fomenta o extremismo religioso e apoia os fan\u00e1ticos. A religi\u00e3o torna-se meio e fim do seu imperialismo fascista.<\/p>\n<p>Para testarmos a hipocrisia da nossa sociedade que mede com duas medida bastaria imaginarmos que o assass\u00ednio aos crist\u00e3os tivesse sido na Europa a mu\u00e7ulmanos. O mundo mu\u00e7ulmano levantar-se-ia e os europeus fariam manifesta\u00e7\u00f5es por toda a parte a favor dos mu\u00e7ulmanos. Uma quest\u00e3o de diferentes consci\u00eancias e sistemas pol\u00edticos! A toler\u00e2ncia europeia tornou-se indiferen\u00e7a e a pol\u00edtica relativamente \u00e0 conviv\u00eancia cultural, uma pol\u00edtica de avestruz. O recalcamento da nossa cultura, e o relativismo cultural da nossa intelectualidade e pol\u00edtica conduzem ao sil\u00eancio e \u00e0 falsa toler\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A fraca identidade dos alem\u00e3es leva-os a p\u00f4r \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o a pr\u00f3pria cultura e valores numa tentativa inconsciente de lavar a culpa colectiva numa nova identidade de abertura ao mundo. A sua compreens\u00e3o pelo gueto turco talvez lhe provenha tamb\u00e9m do facto de tender a gueto quando se encontra na di\u00e1spora. Correm tamb\u00e9m o perigo de se refugiarem no papel de querer ser modelo para o resto do mundo.<\/p>\n<p>A Alemanha, o El dorado para mu\u00e7ulmanos, tem mais de 3.000 mesquitas em aumento acelerado. Imagine-se como se reagiria na Turquia se l\u00e1 se permitisse a constru\u00e7\u00e3o de duas ou tr\u00eas igrejas! Haveria tumultos.N\u00e3o sou contra que os mu\u00e7ulmanos construam quantas mesquitas quiserem na Europa. S\u00f3 questiono o facto de os mesmos que constroem mesquitas na Europa serem contra que se construam igrejas nos seus pa\u00edses e os pol\u00edticos estarem de acordo. Em parte \u00e9 compreens\u00edvel que estes se calem com medo de fomentar extremistas religiosos tamb\u00e9m na Europa. O facto de n\u00e3o haver bilateralidade, acrescentado da inc\u00faria pol\u00edtica, poder\u00e1 por\u00e9m fortalecer um clima de extremismo resposta numa altura posterior.<\/p>\n<p>No di\u00e1logo com representantes mu\u00e7ulmanos importante \u00e9 informar e argumentar dado tenderem a torcer a realidade. Organiza\u00e7\u00f5es mu\u00e7ulmanas exigem toler\u00e2ncia mas apenas a toler\u00e2ncia que eles pensam, a toler\u00e2ncia das suas coisas. Um bom m\u00e9todo \u00e9 o de fazerem perguntas.<\/p>\n<p>A Turquia n\u00e3o est\u00e1 madura para entrar na Uni\u00e3o Europeia nem os europeus est\u00e3o maduros para compreender os turcos. H\u00e1 quinhentos anos de premei, al\u00e9m do mais!&#8230; Um di\u00e1logo s\u00e9rio e n\u00e3o apenas de hip\u00f3critas ajudaria as duas civiliza\u00e7\u00f5es a aproximarem-se e aprender mais uma da outra.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Turquia n\u00e3o est\u00e1 madura para entrar na Uni\u00e3o Europeia Nos anos sessenta a Alemanha, a Europa, abriu as portas \u00e0 Turquia porque precisava de m\u00e3o-de-obra para as suas f\u00e1bricas. 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