{"id":1240,"date":"2007-11-17T12:30:00","date_gmt":"2007-11-17T11:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1240"},"modified":"2007-11-17T12:30:00","modified_gmt":"2007-11-17T11:30:00","slug":"democracia-ou-marxismo-camuflado-ao-servico-do-turbo-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1240","title":{"rendered":"Democracia ou marxismo camuflado ao servi\u00e7o do turbo-capitalismo"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\"> Em nome da liberdade cada vez nos encontramos mais presos \u00e0 soga de leis labir\u00ednticas. Sob a apar\u00eancia dum pluralismo partid\u00e1rio legitimamos um sistema autorit\u00e1rio que, entrando paulatinamente pela porta do cavalo, cada vez nos domina mais. \u00c0 sombra dum estado paternalista fomenta-se um estado prolet\u00e1rio. O que se torna preocupante \u00e9 o facto de apenas uma nomenclatura bem enredada em ordens e burocracia estar satisfeita.<\/p>\n<p>A democracia encontra-se doente e desorientada. Cada vez tem menos valores comuns que a autorizem. Parece viver-se em tempos de diletantismo geral.<\/p>\n<p>Por um lado espera-se tudo dos pol\u00edticos e por outro n\u00e3o se confia neles. Um dilema que mostra a pr\u00f3pria impot\u00eancia e contradi\u00e7\u00e3o dos descontentes. O problema \u00e9 grave tornando-nos tamb\u00e9m dependentes duma democracia moralista, \u00e0 tona dos sentimentos, cada vez com menos valores comuns.<\/p>\n<p>Os pol\u00edticos n\u00e3o falam claro. Vivemos cada vez mais num sistema de grupos de interesse complicado. Na complica\u00e7\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil iludir porque esta favorece a falta de transpar\u00eancia que ajuda os intermedi\u00e1rios. Dela vivem os interesses de institui\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, pol\u00edticas, sociais e econ\u00f3micas. Uma sociedade de bastidores e com muitos biombos! Um sistema bom para iniciados e \u201coportunistas esclarecidos\u201d. Estes vivem bem na sua coutada.<\/p>\n<p>Pode haver da parte de algumas personalidades e pol\u00edticos interesse numa mudan\u00e7a para melhor s\u00f3 que estes, ao depararem com os coutos do pr\u00f3prio partido ou dos lobies, acomodam-se. Pol\u00edtica n\u00e3o se pode reduzir a lobiismo. Os pol\u00edticos est\u00e3o dependentes da arbitrariedade das multinacionais. Para estas o que conta s\u00e3o os postos de trabalho mais baratos \u00e0 custa das democracias. Hoje vivemos a ditadura do globalismo. O bem-comum das economias europeias \u00e9 posto \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos especuladores accionistas internacionais. Processa-se um transfer de capital das camadas baixas e m\u00e9dias para as grandes multinacionais. Se o transfer fosse feito em benef\u00edcio das economias mais fracas ainda se compreenderia. Os pol\u00edticos que agora andam ao sabor das ondas da economia sabem que um dia podem nacionalizar as empresas mas a que custo? Uma outra grande possibilidade \u00e9 o recurso \u00e0 bancarrota da moeda a n\u00edvel internacional.<\/p>\n<p>A vontade popular perde sentido neste contexto. Por outro lado, os pol\u00edticos nacionais reduzem-se a meros aplicadores das normas europeias. O estado entre a alternativa de seguir a vontade dos investidores e a vontade popular v\u00ea-se obrigado a optar pela primeira. Os pol\u00edticos n\u00e3o o podem dizer publicamente ao povo porque ent\u00e3o isso desagradaria os investidores que querem explorar \u00e0 vontade e sem m\u00e1 consci\u00eancia. Assim os pol\u00edticos s\u00e3o reduzidos a transmissores e legitimadores do anonimato de irresponsabilidades ilimitadas.<\/p>\n<p>A n\u00edvel pol\u00edtico europeu os pol\u00edticos mostram-se cobardes n\u00e3o deixando o povo votar para a Constitui\u00e7\u00e3o. O povo torna-se apenas pretexto! H\u00e1 apenas um problema atmosf\u00e9rico: \u00e9 que o povo cada vez nota mais o que se passa, mas, como \u00e9 povo, contenta-se com o sofrer.<\/p>\n<p>Se surgem alguns \u201cpopulistas\u201d logo os pol\u00edticos se insurgem contra eles esquecendo que tamb\u00e9m eles n\u00e3o respeitam a vontade popular ou n\u00e3o intentam nada para a mudar. A democracia tal como outros sistemas n\u00e3o suporta nas suas estruturas pessoas que pensem por si mesmas. Corrijo, a democracia n\u00e3o, mas sim aqueles que se apoderaram dela. Falam da diferen\u00e7a mas n\u00e3o lhe d\u00e3o espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Numa noite de ins\u00f3nia democr\u00e1tica!<br \/>Com os representantes dos partidos corre-se o perigo de se caminhar para os mesmos problemas que cometeram as ditaduras comunistas: esquecerem o povo e confiarem apenas na nomenclatura, no aparelho administrativo dependentes dum comit\u00e9 central. Enquanto que os comunistas puseram o povo na rua os \u201cdemocratas\u201d parecem encurral\u00e1-lo simbolicamente no parlamento.<\/p>\n<p>Os partidos formaram-se e retalharam o povo no parlamento. A princ\u00edpio cada partido tinha uma filosofia pr\u00f3pria, a sua verdade. Como o povo n\u00e3o mastiga filosofia faz-se uma a\u00e7orda parlamentar. Cada partido mete no panel\u00e3o parlamentar o seu tempero. Na mistura n\u00e3o se preocuparam com os problemas estomacais do povo. A princ\u00edpio ainda afirmavam que o segredo da receita estava no mexer da mistura. Por fim, \u00e0 vontade, acordaram entre eles que o importante do guisado estava no cheiro. De facto n\u00e3o consta que tenha morrido algu\u00e9m por causa do cheiro. Muito menos ainda do cheiro a democracia! Entretanto nalguns meios a democracia j\u00e1 tresanda e o povo, de tanto cheirar, at\u00e9 parece que tresanda tamb\u00e9m. Em compensa\u00e7\u00e3o os homens da colher de pau cada vez s\u00e3o mais iguais e cheiram mais a pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Nos partidos, a princ\u00edpio, ainda havia homens com opini\u00e3o. Como agora o que importa \u00e9 o cheiro esses homens baixaram a bola e em vez deles surgiu a opini\u00e3o da m\u00e1quina, a opini\u00e3o da frac\u00e7\u00e3o parlamentar. Reduzidos a cozinheiros, os parlamentares desabituaram-se de pensar porque bastava a\u00e7orda. Como o povo s\u00f3 podia levantar a m\u00e3o de quatro em quatro anos esqueceram-se dele tamb\u00e9m. Como o povo tem mem\u00f3ria curta esqueceram-se uns dos outros. Em quatro anos acontece muita coisa! E no fim resta um estado de tachos.<\/p>\n<p>Entretanto os parlamentares depois de tanta a\u00e7orda e de tantos tachos j\u00e1 nem o cheiro distinguem e adquirem tamb\u00e9m qualidades de mimetismo. A diferen\u00e7a apenas est\u00e1 nos tachos. N\u00e3o importa o que vai dentro. O progresso \u00e9 de tal ordem que at\u00e9 a cor dos tachos se torna mim\u00e9tica tamb\u00e9m. Os nossos pol\u00edticos s\u00e3o cada vez mais soci\u00e1veis, mais socialistas. Na a\u00e7orda que fazem metem tanta droga que cada vez nos amarra mais ao sistema! Sem notar bebemos todos a mezinha marxista. Cada vez nos encontramos mais amarrados, nos sentimos mais dependentes, tendo a impress\u00e3o de nos tornarmos prolet\u00e1rios dum estado ordenador. Basta o cheiro a democracia ao som do canto das liberdades abstractas, ou melhor, dos outros! Entramos num estado gasoso, num estado de gra\u00e7a. Prescinde-se do pensar. Se antigamente a religi\u00e3o era o \u00f3pio do povo hoje \u00e9 o pensar, o pensar correcto. Em nome da igualdade e do progresso acaba-se com as cabe\u00e7as, com as diferen\u00e7as, bastam bra\u00e7os e bocas!<\/p>\n<p>A ideologia \u00e9 t\u00e3o forte que at\u00e9 a natureza \u00e9 envolvida: as \u00e1rvores maiores s\u00e3o fascistas. Quem sobressai \u00e9 fascista, a n\u00e3o ser que tenha engordado \u00e0 conta da ideologia, do partido. Para melhor viver ser\u00e1 melhor amputar parte das fun\u00e7\u00f5es cerebrais.<\/p>\n<p>O povo cada vez vai tendo mais a impress\u00e3o de que quem ganhou com a revolu\u00e7\u00e3o foram os ardinas da revolu\u00e7\u00e3o. Para estes os postos, para o povo as tais liberdades democr\u00e1ticas que geralmente mais interessam aos sempre novos \u201cburgueses\u201d. Os lugares dos tais fascistas de ontem s\u00e3o ocupados pelos democratas de hoje. Os primeiros pediam disciplina e reten\u00e7\u00e3o ao povo, os novos pedem apenas os votos de quatro em quatro anos e mais impostos, oferecendo em contrapartida a liberdade e igualdade no sofrer. Aqueles exploravam individualmente, estes anonimamente. A pequena diferen\u00e7a \u00e9 que estes s\u00e3o legitimados pelo domesticado povo.<br \/>Presos ao obscurantismo dos factos falam de liberdade no seu mundo servo.<\/p>\n<p>Para possibilitarmos o exerc\u00edcio duma democracia mais humana teremos todos que nos co-responsabilizar na constru\u00e7\u00e3o dum povo digno. Para isso ser\u00e1 necess\u00e1rio o trabalho individual e colectivo no fomento duma nova mentalidade. Doutro modo correremos o perigo de continuarmos a ser narcisistas aprisionados na fortaleza da normalidade, do habitual. Ent\u00e3o as elites continuar\u00e3o a ter raz\u00e3o com a sua desculpa para n\u00e3o ouvirem nem ligarem: na casa sem p\u00e3o todos ralham e ningu\u00e9m tem raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma recomenda\u00e7\u00e3o: Limite de mandatos para funcion\u00e1rios superiores seria uma medida contra a corrup\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso n\u00e3o permitiria que pessoas como M\u00e1rio Soares descessem t\u00e3o baixo impedindo-os de estragar a sua figura.<\/p>\n<p>N\u00e3o chega viver e deixar viver. Confian\u00e7a \u00e9 boa mas controlo \u00e9 melhor!<br \/>Se estamos verdadeiramente interessados no fortalecimento da democracia temos que lhe dar mais possibilidade de participa\u00e7\u00e3o, tal como na Sui\u00e7a.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nome da liberdade cada vez nos encontramos mais presos \u00e0 soga de leis labir\u00ednticas. Sob a apar\u00eancia dum pluralismo partid\u00e1rio legitimamos um sistema autorit\u00e1rio que, entrando paulatinamente pela porta do cavalo, cada vez nos domina mais. \u00c0 sombra dum estado paternalista fomenta-se um estado prolet\u00e1rio. 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