{"id":1232,"date":"2007-11-17T11:31:00","date_gmt":"2007-11-17T10:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1232"},"modified":"2007-11-17T11:31:00","modified_gmt":"2007-11-17T10:31:00","slug":"decidir-para-agir-%e2%80%93-uma-questao-de-auto-consciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1232","title":{"rendered":"Decidir para Agir \u2013 Uma Quest\u00e3o de Auto-consci\u00eancia!"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\"><b>Quando a auto-sabotagem e a hipocrisia s\u00e3o mais fortes<\/b><\/p>\n<p>Auto-sabotagem \u00e9 um perigo cont\u00ednuo que amea\u00e7a pessoas, autoridades e na\u00e7\u00f5es. O que acontece na vida privada das pessoas repete-se na vida p\u00fablica da sociedade.<\/p>\n<p>No dia a dia h\u00e1 sempre um motivo que nos leva a desculpar-nos do que fazemos ou deixamos de fazer. Parece mais simples colocar-nos sob a sombra de algu\u00e9m e abdicar de n\u00f3s mesmos vivendo na regress\u00e3o da lam\u00faria e do queixume. Tudo se queixa e raz\u00f5es n\u00e3o faltam para isso. O problema \u00e9 o pranto tornado estrutural duma sociedade que passa a viver de queixume em queixume mas sempre bem alinhada na tropa do \u201cesquerda \u2013 direita\u201d!&#8230; At\u00e9 parece que n\u00e3o se passa de recruta adiante!&#8230; Este est\u00e1dio social n\u00e3o prov\u00e9m do fado. Talvez seja mais a in\u00e9rcia do h\u00e1bito, do repetitivo que se torna caseiro. Talvez um instinto cort\u00eas, uma atitude rafeira pretendente a bem educada.<\/p>\n<p>A vida comprometer-nos-ia demais se arrisc\u00e1ssemos tomar decis\u00f5es aut\u00f3nomas e conscientes. \u00c9 mais f\u00e1cil brincar-se com o fogo da vida ou refugiar-se na sua lareira aquecendo-se no borralho de sentimentos masoquistas ou na culpabiliza\u00e7\u00e3o de outros do que arriscar assumir responsabilidade por si mesmo e dar forma ao futuro. Em vez de activarmos as nossas energias, reagimos como a avestruz. Em momentos de perigo ou de necessidade de decidir torna-se mais c\u00f3modo meter a cabe\u00e7a debaixo das circunst\u00e2ncias para nos aconchegarmos na ilus\u00e3o da impossibilidade de decidir. A responsabilidade est\u00e1 sempre nos outros, a irresponsabilidade tem sempre uma desculpa. Para mau pagador meia palavra basta!<\/p>\n<p>Esquecemos que n\u00f3s somos n\u00f3s e as nossas circunst\u00e2ncias, vivendo despreocupadamente entregues a uma cultura dos espertos interessados em fazer de n\u00f3s as nossas circunst\u00e2ncias. A cultura Z\u00e9 \u00e9 uma cultura do colectivo, da abdica\u00e7\u00e3o, do viver no mundo por ver andar os outros. Uma cultura dos apetites que prescinde da vontade. Assim refugiados na toca duma impot\u00eancia irrespons\u00e1vel queixamo-nos de tudo e de todos. Queixamo-nos de Deus, do tempo, do Papa, do Presidente, do Chefe, dos Pais, dos pol\u00edticos, etc. como se a nossa vontade e poder de decis\u00e3o dependesse do acaso.<\/p>\n<p>O pol\u00edtico \u00e9 o resultado das situa\u00e7\u00f5es e n\u00e3o o contr\u00e1rio. \u00c9 natural que o pol\u00edtico faz tudo por ser eleito mas o Z\u00e9 \u00e9 que elege. Salazar foi o que n\u00f3s \u00e9ramos e S\u00f3crates \u00e9 o que n\u00f3s somos. N\u00e3o \u00e9 l\u00edcito escondermo-nos por de tr\u00e1s do anonimato das circunst\u00e2ncias que atrav\u00e9s de n\u00f3s ganharam express\u00e3o. O fato de darmos asas \u00e0s circunst\u00e2ncias n\u00e3o nos iliba da pr\u00f3pria parte na decis\u00e3o ou indecis\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 fatal o facto de povo e respons\u00e1veis se sentirem v\u00edtimas irrespons\u00e1veis das pr\u00f3prias esperan\u00e7as e projec\u00e7\u00f5es. Todos esperam que outros fa\u00e7am o que lhes pertenceria fazer a eles.<\/p>\n<p>O estado, o governo, a igreja, a sociedade t\u00eam as costas largas. Fomos habituados a reagir e a n\u00e3o a agir. \u00c9 mais f\u00e1cil ser seduzido do que ser sedutor!&#8230; Torna-se mais f\u00e1cil refugiar-se no pensamento ou na imagina\u00e7\u00e3o do que dedicar-se ao acto criativo do agir. Assim passa-se o tempo a adiar a vida responsabilizando outros ou servindo a pr\u00f3pria fraqueza camuflada sob o argumento de se fazer o que os outros esperam de n\u00f3s. A pressuposta expectativa dos outros \u00e9 posta ao servi\u00e7o do nosso preconceito sobre eles, num h\u00e1bito de desobriga.<\/p>\n<p>A expectativa dos outros poder\u00e1 at\u00e9 ser real e muito leg\u00edtima mas depende s\u00f3 de mim satisfaz\u00ea-la ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Numa sociedade formalista como a portuguesa, o peso da opini\u00e3o do que poder\u00e1 pensar o outro, o vizinho, torna-se num fardo muito penoso. Muitas vezes para se ceder a esta press\u00e3o cria-se mal-estar na pr\u00f3pria fam\u00edlia para se dar continuidade a uma cultura da hipocrisia.<\/p>\n<p>Quando algo n\u00e3o corre segundo o ditame do ordin\u00e1rio, logo se deita m\u00e3o da tropa de reserva das lamenta\u00e7\u00f5es e das acusa\u00e7\u00f5es. O queixume \u00e9 desonrante porque geralmente lava as m\u00e3os na culpa dos outros e justifica a falta de iniciativa pr\u00f3pria com a impot\u00eancia e com a arrog\u00e2ncia do subterf\u00fagio no mundo das ideias abstractas, esquecendo-se que quem trabalha tem necessariamente de sujar as m\u00e3os.<\/p>\n<p>Na queixa est\u00e1 sempre um momento de abdica\u00e7\u00e3o. O esp\u00edrito criativo e de iniciativa est\u00e1 em cada um de n\u00f3s dependendo da nossa capacidade de agir. Os fracos lamentam-se: os partidos, o stress, o signo astrol\u00f3gico, o v\u00edcio\/h\u00e1bito, a fam\u00edlia, o chefe, o trabalho, o \u201cn\u00e3o consigo\u2026\u201d, a falta de tempo, o dia 13, o transito\u2026 telefonemas, o calor, o frio. Todos se tornaram culpados; tudo desculpas de mau pagador! Na maior parte dos casos a responsabilidade pr\u00f3pria anda de f\u00e9rias.<\/p>\n<p>Queixamo-nos do telefone esquecendo que a curiosidade ou a rotina \u00e9 que determinou em n\u00f3s a escolha de ir atend\u00ea-lo. Desculpamo-nos com raz\u00f5es que nos despersonalizam. Recorremos ao conjuntivo que \u00e9 a l\u00edngua da cortesia e da impot\u00eancia. Quem n\u00e3o quer, diz: \u201cvou procurar fazer\u201d\u2026 A desculpa com a falta de tempo e com o stress s\u00e3o muito comuns. Tudo uma quest\u00e3o de prioridades! Se n\u00e3o tenho tempo para algu\u00e9m \u00e9 porque naquele momento n\u00e3o faz parte das minhas prioridades.<\/p>\n<p>Reinhard Sprenger, autor do livro \u201cDie Entscheidung liegt bei dir\u201c (A decis\u00e3o \u00e9 tua) escreve \u201eS\u00f3 h\u00e1 Stress quando voc\u00ea diz sim e pensa n\u00e3o\u201d. Ent\u00e3o vira-se o bico ao prego atribuindo-se a pr\u00f3pria responsabilidade aos outros. Sim, sim, queijo, queijo!&#8230;<\/p>\n<p>Importante \u00e9 colocar tudo na balan\u00e7a, reflectir e decidir. Naturalmente que nem sempre ser\u00e1 poss\u00edvel encontrar a melhor sa\u00edda para um problema, mas sem a aceita\u00e7\u00e3o do erro n\u00e3o se sai da cepa torta! Al\u00e9m disso o colocar-se na pele dos outros \u00e9 uma capacidade de dif\u00edcil aquisi\u00e7\u00e3o. Importante \u00e9 respeitar o outro sem se desrespeitar a si mesmo na consci\u00eancia de que o queixume \u00e9 infantil.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo                   <\/p>\n<div align=\"right\"> <b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/div>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a auto-sabotagem e a hipocrisia s\u00e3o mais fortes Auto-sabotagem \u00e9 um perigo cont\u00ednuo que amea\u00e7a pessoas, autoridades e na\u00e7\u00f5es. O que acontece na vida privada das pessoas repete-se na vida p\u00fablica da sociedade. 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