{"id":1230,"date":"2007-11-17T11:30:00","date_gmt":"2007-11-17T10:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1230"},"modified":"2007-11-17T11:30:00","modified_gmt":"2007-11-17T10:30:00","slug":"10-de-junho-na-tradicao-do-%e2%80%9ccolonialismo%e2%80%9d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1230","title":{"rendered":"10 de Junho na Tradi\u00e7\u00e3o do \u201cColonialismo\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\"><b>A Ideologia Prolet\u00e1ria Campeia em Portugal<\/b><\/p>\n<p>                                  <b>Na\u00e7\u00e3o sacrificada<\/b><\/p>\n<p>O 10 de Junho, um dia que poderia ser utilizado para o encontro das comunidades em foro aberto e criativo, \u00e9 transformado em plataforma para auto-propaganda e defesa dos interesses do regime (1). O Dia das Comunidades \u00e9, como outras festas da na\u00e7\u00e3o, um dia alto para a ideologia. Vive-se em estado de campanha pela coloniza\u00e7\u00e3o interna de Portugal e dos portugueses.<\/p>\n<p>O golpe de Estado ocorrido em 25\/4\/74 tem sido aproveitado por uma ideologia vigilante decidida a viver da partidariza\u00e7\u00e3o da concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Estado.<\/p>\n<p>Estado e Povo s\u00e3o usados pela ideologia neo-marxista (e neo-liberal) no sentido de se criar uma consci\u00eancia de povo prolet\u00e1ria num regime partid\u00e1rio paternalista. Ontem sacrificaram a Na\u00e7\u00e3o, as prov\u00edncias ultramarinas, com entusiasmo no altar do 25 de Abril \u00e0 hegemonia da f\u00e9 internacionalista ent\u00e3o cultivada em alfobres \u00e0 sombra dos muros do Bloco de Leste. Hoje sacrificam Portugal a campanhas ideol\u00f3gicas e a modas internacionais. Ocupam tudo n\u00e3o dando lugar a um espa\u00e7o onde Portugal se possa encontrar a si mesmo.<\/p>\n<p>A na\u00e7\u00e3o de imediato ajoelhada na alvorada de Abril mais uma vez teve medo da devo\u00e7\u00e3o da sua ora\u00e7\u00e3o. A nova elite tamb\u00e9m receosa que o povo acordasse para a auto-responsabilidade, apressa-se em passar o poder das m\u00e3os dos militares para as m\u00e3os dos partidos, impedindo assim o processo de mentaliza\u00e7\u00e3o do povo ent\u00e3o nas m\u00e3os dumas for\u00e7as armadas demasiado idealistas.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica oficial envergonha-se de 5 s\u00e9culos de hist\u00f3ria renegando a cultura portuguesa e a sua especificidade democr\u00e1tica que assentava nas regi\u00f5es e n\u00e3o nas ideologias. Veja-se a tradi\u00e7\u00e3o visig\u00f3tica e dos concelhos\u2026 Uma via alternativa de democracia com tradi\u00e7\u00e3o portuguesa cheirava-lhes a provincianismo. Optam por um projecto de povo desenraizado! Atrai\u00e7oam assim o sentir da alma colectiva portuguesa, e tudo isto em nome do modernismo e do progresso. O Poder Nacional era, na vis\u00e3o dos internacionalistas estrangeirados uma afronta \u00e0 sua f\u00e9 internacionalista levando-os a p\u00f4r \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de sistemas formais estrangeiros a identidade portuguesa, a soberania portuguesa. No desconhecimento do universalismo do esp\u00edrito portugu\u00eas encostam-se ao imperialismo internacional concebido mais em termos de posse do que humanos.<\/p>\n<p>A oportunidade da decad\u00eancia<br \/>A bandeira da na\u00e7\u00e3o passa a ser desfraldada aos ventos do neo-marxismo. Estrangeirados incapazes de reconhecer a consci\u00eancia nacional universal portuguesa, levantam-se como arautos duma nova ilus\u00e3o. Sem bases filos\u00f3ficas e culturais dedicam-se \u00e0 lavagem do c\u00e9rebro do povo. Ao mesmo tempo, correspondendo \u00e0 necessidade de se legitimarem recorrem \u00e0 difama\u00e7\u00e3o do regime caduco, \u00e0 argumenta\u00e7\u00e3o da guerra injusta e ao exemplo da modernidade das ideologias e dos costumes decadentes estrangeiros. Em vez duma burguesia incarnada no povo, como ainda presente na mem\u00f3ria do povo do Norte de Portugal, querem uma nova classe dominante mas de novos-ricos desenraizados, de boys amamentados pelo aparelho do Estado, \u00e0 moda da administra\u00e7\u00e3o comunista sovi\u00e9tica. Como exemplo do sistema de vida portugu\u00eas apenas se interessaram pelo Alentejano que se prestava para justificar o regime prolet\u00e1rio socialista. A alma portuguesa, o seu sentir, o seu universalismo \u00e9 defraudado e negado. O h\u00famus da decad\u00eancia \u00e9 frut\u00edfero possibilitando sem esfor\u00e7o a superficialidade do bom viver a irrespons\u00e1veis.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito militar que antes estava reservado aos quart\u00e9is passa a banalizar-se na arena pol\u00edtica. O campo de batalha \u00e9 agora a na\u00e7\u00e3o, o inimigo o povo, considerado ignorante, a quem \u00e9 preciso educar e converter para a ideologia prolet\u00e1ria. Vive-se em estado de subvers\u00e3o. Os novos combatentes preferem cargos e mordomias usando a pra\u00e7a p\u00fablica, as escolas e a comunica\u00e7\u00e3o social como bandeira atr\u00e1s da qual segue um povo desejado plebeu prolet\u00e1rio.<\/p>\n<p>Descoloniza\u00e7\u00e3o \u2013 o cavalo de Tr\u00f3ia socialista: A hipoteca que a Na\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode esquecer<br \/>As opera\u00e7\u00f5es travadas nas prov\u00edncias ultramarinas entre 1954 e 1974 s\u00e3o mal-interpretadas sem se considerar o contexto internacional da luta que desde 1917 se dava entre os dois blocos ent\u00e3o existentes. A m\u00e1 vis\u00e3o do Ocidente e a cegueira ideol\u00f3gica marxista s\u00f3 estava interessada em referir os aspectos negativos da pol\u00edtica anticomunista de Salazar. (Naturalmente que Salazar fez muitos erros mas n\u00e3o o de apostar no sistema comunista que depois cairia por fraqueza pr\u00f3pria).<\/p>\n<p>O processo da descoloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 humilhante para a na\u00e7\u00e3o e o regresso de portugueses considerados n\u00e3o gratos constituem a maior hipoteca que o novo regime deixa \u00e0 na\u00e7\u00e3o; rouba-lhe o futuro e a dignidade. Por lentilhas da f\u00e9 marxista actua-se a n\u00edvel nacional como se estivesse num com\u00edcio a altas horas da noite.<\/p>\n<p>Argumentam que a guerra n\u00e3o era justa mas transp\u00f5em-na para a ideologia, apenas mudam de campo de batalha. Os vitoriosos de Abril em vez do h\u00e1bito do bom senso vestem as coura\u00e7as da ideologia para vencerem o povo e o amarrarem aos seus credos. Para isso optam pela destrui\u00e7\u00e3o de valores que cheirem a terra e n\u00e3o a ideologia. A gravidade destes ocupantes \u00e9 acrescentada porque n\u00e3o se serviram apenas do povo como fazem os golpistas das revolu\u00e7\u00f5es mas estiveram-se marimbando para os interesses de Portugal como na\u00e7\u00e3o atrai\u00e7oando-a. Mercen\u00e1rios ao servi\u00e7o de interesses ileg\u00edtimos estrangeiros, tornaram-se num cavalo troiano dentro da na\u00e7\u00e3o. Contra uma ideologia constroem outra. Portugal n\u00e3o age apenas reage! A nova ideologia pseudo-terceiromundista entrega os povos a uma situa\u00e7\u00e3o de maior depend\u00eancia e injusti\u00e7a. Denigrem a presen\u00e7a portuguesa no ultramar.<\/p>\n<p>Esquecem que as ac\u00e7\u00f5es militares dos descobrimentos se deram na rivalidade de influ\u00eancias \u00e1rabe-turca e portuguesa e n\u00e3o contra os nativos. N\u00e3o atacamos os ind\u00edgenas mas os ocupantes turcos e \u00e1rabes que se tinham assenhoreado de sociedades abertas da \u00cdndia onde Portugal tamb\u00e9m queria entrar. Naturalmente que todo o colonialismo \u00e9 ileg\u00edtimo e injusto quer a n\u00edvel de povos quer de pessoas. Aplica-se a Portugal indiferenciadamente o atributo de colonialista conotando-o com a ferocidade do colonialismo praticado por outras na\u00e7\u00f5es. Isto tem a ver com consci\u00eancia, forma de organiza\u00e7\u00e3o territorial e de povo, defini\u00e7\u00e3o territorial, vontade pol\u00edtico-social e humana. Aqui seria oportuno considerar-se a hist\u00f3ria das migra\u00e7\u00f5es humanas, o colonialismo interno na concorr\u00eancia dos grupos uns com os outros, a cor local, a filosofia\/mentalidade e princ\u00edpios de ent\u00e3o.<\/p>\n<p>As interven\u00e7\u00f5es militares de Portugal em \u00c1frica eram, tamb\u00e9m elas, guerras de influ\u00eancia entre capitalismo e comunismo. As tribos eram instrumentalizadas pela ideologia por gente de fora que n\u00e3o viviam as preocupa\u00e7\u00f5es do dia a dia como nativos. Como nestes territ\u00f3rios n\u00e3o havia a consci\u00eancia de na\u00e7\u00e3o torna-se f\u00e1cil aos marxistas arranjar mercen\u00e1rios que tentam atrav\u00e9s da luta p\u00f4r as popula\u00e7\u00f5es ao servi\u00e7o duma ideologia unificadora e pretensamente legitimadora. Apesar de tudo a grande massa das popula\u00e7\u00f5es nativas n\u00e3o colabora com as iniciativas de assassinato de brancos; pelo contr\u00e1rio avisam-nos. Pressentiam que a troca de jugo os n\u00e3o favoreceria. Os golpes de estado est\u00e3o sempre interessados apenas na troca de jugo e na mudan\u00e7a de m\u00e3os dos cabrestos. Nenhuma revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 interessada numa Revolu\u00e7\u00e3o digna do nome porque \u00e9 sempre feita por alguns espertos contra outros espertos para os espertos; as elites s\u00f3 querem massa male\u00e1vel e acomod\u00e1vel. Maturidade implicaria um estado de cont\u00ednua revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se compararmos a \u00e9tica hodierna no trato das na\u00e7\u00f5es\/povos e pessoas n\u00e3o progredimos qualitativamente. A explora\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma, os explorados s\u00e3o os mesmos, s\u00f3 os meios se tornaram mais refinados. Assim, se quisermos saber, a n\u00edvel interno, o que \u00e9 escravid\u00e3o hoje, basta-nos considerar o sector da imigra\u00e7\u00e3o\/emigra\u00e7\u00e3o, da assist\u00eancia m\u00e9dica, do mercado de mulheres e da droga em Portugal (2). Portugal estava \u00e0 frente do mundo at\u00e9 se tornar subserviente do esp\u00edrito estrangeiro. Preparam o \u201cfim da P\u00e1tria\u201d em nome dum internacionalismo socialista de cunho sovi\u00e9tico insurgindo-se contra todo o esp\u00edrito cr\u00edtico, interessados apenas em ideias peregrinas folcl\u00f3ricas.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito global portugu\u00eas rende-se ao pensar particular nacionalista europeu<br \/>Para compreendermos aquilo que fez Portugal grande, o seu papel na Europa e a sua decad\u00eancia temos de tentar perceber o esp\u00edrito que o regeu at\u00e9 1580. Este determinou um modo diferente de ser e de estar de Portugal na hist\u00f3ria, uma consci\u00eancia pr\u00f3pria interrompida no in\u00edcio da decad\u00eancia. O processo de aliena\u00e7\u00e3o ent\u00e3o iniciado deve-se \u00e0 abdica\u00e7\u00e3o do pensar pr\u00f3prio.<br \/>A maneira de estar em \u00c1frica de Portugal, pa\u00eds de costumes mitigados por um catolicismo aliado a um sistema subsidi\u00e1rio entre senhores e servi\u00e7ais, \u00e9 incompar\u00e1vel com o esp\u00edrito capitalista e individualista de car\u00e1cter protestante que se instalou a partir da Europa n\u00f3rdica.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIV e XV as na\u00e7\u00f5es europeias ainda demasiadamente empenhadas na luta pela sua identidade nacional deixam a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, deixam Portugal experimentar aquilo que ser\u00e1 o pr\u00f3ximo passo no seu desenvolvimento europeu: o do com\u00e9rcio e da cristianiza\u00e7\u00e3o. A Europa ainda n\u00e3o tinha descoberto a sua voca\u00e7\u00e3o europeia que Portugal j\u00e1 tinha assumido do papado devido \u00e0 sua unidade geogr\u00e1fica, \u00e0 sua necessidade de uma miss\u00e3o hist\u00f3rica e ao sentimento cat\u00f3lico do povo aliados \u00e0 vontade duma elite de esp\u00edrito templ\u00e1rio&#8230; Em Portugal a consci\u00eancia hist\u00f3rica civilizacional atingiu precocemente o auge em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras na\u00e7\u00f5es europeias que na altura ainda se encontravam demasiadamente preocupadas consigo mesmas. Em Portugal express\u00e3o e interesses econ\u00f3micos e de f\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o se reduziam aos limites f\u00edsicos territoriais nacionalistas ou de rivalidade de vizinhos. A consci\u00eancia de povo e a sua vontade pol\u00edtica enquadram-se dentro duma concep\u00e7\u00e3o j\u00e1 global, tendente a alargar a sua ac\u00e7\u00e3o para l\u00e1 das fronteiras culturais e religiosas (3).<\/p>\n<p>Da\u00ed que Portugal e Espanha resolvessem os conflitos e interesses nacionais no \u00e2mbito duma consci\u00eancia supra-nacional que n\u00e3o contrarie a voca\u00e7\u00e3o universal e religiosa comum. Em nome da miss\u00e3o a realizar celebra-se o tratado de Tordesilhas dividindo tarefas e interesses a n\u00edvel global e em termos de cristandade. A Europa (Inglaterra, Fran\u00e7a e Holanda) continua fechada nos seus nacionalismos dedicando-se ao corso, ao roubo daqueles que se dedicam \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia civilizacional crist\u00e3 europeia. O facto do corso ser oficiosamente aprovado pelos estados interessados na presa mostra que a consci\u00eancia duma Europa cultural com um destino superior ainda n\u00e3o tinha chegado \u00e0s suas cortes.<\/p>\n<p>Os interesses nacionalistas dos Filipes (1580) levaram-nos a desprezar o car\u00e1cter civilizacional de espalhar a cristandade e a defender interesses de prepot\u00eancia. Estes provocam um retrocesso na consci\u00eancia e na defini\u00e7\u00e3o de prioridades agora meramente nacionais.<\/p>\n<p>A Europa n\u00e3o se deixa motivar por valores super-ordenados reduzindo a sua ac\u00e7\u00e3o a interesses comerciais e econ\u00f3micos. Portugal passa a viver nas sombras da concorr\u00eancia dos mais poderosos n\u00e3o mais se regenerando. A partir daqui Portugal perde a grandeza dos seus horizontes e da sua miss\u00e3o para se encerrar nos limites do rect\u00e2ngulo peninsular. A partir de agora Portugal deixa de agir para passar a sonhar ou a viver encostado aos outros. Durante a ocupa\u00e7\u00e3o espanhola o mar abre-se j\u00e1 n\u00e3o para espalhar a civiliza\u00e7\u00e3o mas para explorar as mat\u00e9rias-primas. No mundo agora apenas mercantilista j\u00e1 n\u00e3o interessam as almas. Estas subjugam-se \u00e0 economia como quer e propaga a teologia de Calvino e posteriormente o materialismo. N\u00e3o \u00e9 j\u00e1 a consci\u00eancia de povo ou de civiliza\u00e7\u00e3o que \u00e9 motivadora da ac\u00e7\u00e3o mas o individualismo n\u00f3rdico que desde ent\u00e3o se imp\u00f4s a todo o Ocidente. No individualismo Deus est\u00e1 com os ricos. Este individualismo a n\u00edvel pessoal e nacional afirma-se reprimindo o car\u00e1cter comunit\u00e1rio, o esp\u00edrito romano, a vis\u00e3o global dos papas.<\/p>\n<p>O nacionalismo ingl\u00eas e a sua pol\u00edtica monopolista comercial nacionalista leva Napole\u00e3o a decretar o Bloqueio continental aos navios ingleses e com as consequ\u00eancias colaterais conhecidas para Portugal&#8230; A ideia inicial cultural de Portugal deturpa-se na ideia colonialista e materialista do s\u00e9culo XIX acarretando consequ\u00eancias fatais para as antigas \u201cprov\u00edncias\u201d ultramarinas de Portugal e para Portugal.<br \/>A concorr\u00eancia das na\u00e7\u00f5es europeias na procura de novas mat\u00e9rias-primas reduz o mundo descoberto a col\u00f3nias de mero interesse econ\u00f3mico (depois interesses estrat\u00e9gico). Agora j\u00e1 n\u00e3o se trata de cristianizar mas de civilizar os povos sob a ideia condutora mercantil. A Confer\u00eancia de Berlim de 1885 reduz definitivamente a miss\u00e3o cristianizadora universal a uma miss\u00e3o econ\u00f3mica colonialista recorrendo tamb\u00e9m \u00e0 interven\u00e7\u00e3o militar. (Portugal s\u00f3 se podia manter pela convic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pelo poder porque n\u00e3o tinha recursos para isso). O direito de posse passa a ser legitimado pela for\u00e7a militar, pela ocupa\u00e7\u00e3o de facto. A mat\u00e9ria vence sobre o esp\u00edrito.<\/p>\n<p>O dom\u00ednio portugu\u00eas era regulado por uma m\u00edstica cat\u00f3lica de respeito pelo indiv\u00edduo e pela cultura. Portugal seguia a estrat\u00e9gia romana de expans\u00e3o no respeito individual e cultural atrav\u00e9s duma inser\u00e7\u00e3o pela acultura\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pela imposi\u00e7\u00e3o. O resultado deste esp\u00edrito ent\u00e3o vigente podemos verific\u00e1-lo na coexist\u00eancia pac\u00edfica de costumes e religi\u00f5es ao longo de 600 anos no territ\u00f3rio de dom\u00ednio portugu\u00eas. O colonialismo moderno, a exemplo do fascismo mu\u00e7ulmano, \u00e9 absorvente impondo por toda a parte o mesmo modo de pensar, agir e consumir. N\u00f3s \u00edamos para ficar, n\u00e3o \u00edamos para explorar e trazer os lucros como \u00e9 pr\u00e1tica do colonialismo hodierno.<\/p>\n<p>J\u00e1 a pol\u00edtica de miscigenacao levada a efeito pelos vice-reis da \u00cdndia sup\u00f5e uma outra mentalidade totalmente contr\u00e1ria \u00e0 dos povos colonizadores s\u00f3 interessados no lucro. Portugal, nas suas possess\u00f5es, como pa\u00eds modesto, n\u00e3o instrumentaliza o cristianismo como meio de dom\u00ednio. O cristianismo era para os portugueses um modo de vida e esta \u00e9 subjectiva n\u00e3o podendo reduzir a alteridade a mero objecto. H\u00e1 boas raz\u00f5es para Portugal ter recebido do Papa o atributo de cristian\u00edssima na\u00e7\u00e3o e o bispo de Lisboa a categoria de Patriarca&#8230;.<\/p>\n<p>Portugal, apesar de Estado soube manter-se povo porque mantinha o seu esp\u00edrito cat\u00f3lico pr\u00f3prio&#8230; Com a aplica\u00e7\u00e3o da ideologia francesa pura no s\u00e9culo XIX e com o 25 de Abril, sob o manto da ideologia marxista cada vez se tem tornado menos povo para se tornar mais regime, mais prolet\u00e1rio. Deixou se ser portugu\u00eas para se tornar republicano, socialista. O neo-marxismo vive da program\u00e1tica de considerar o cristianismo como seu rival. O catolicismo portugu\u00eas \u00e9 por\u00e9m uma mais valia, um capital onde investir e transformar. O neo-marxismo pretende instalar o globalismo prolet\u00e1rio, querer a instrumentaliza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo reduzido a objecto dum Estado absoluto enquanto que o cristianismo s\u00f3 reconhece um absoluto: o indiv\u00edduo. Se um aposta na fraqueza do indiv\u00edduo o outro aposta no seu car\u00e1cter divino.<\/p>\n<p>Com as guerras mundiais a Europa perde a hegemonia do poder internacional a ser ambicionado agora pela USA, R\u00fassia e \u201cnao alinhados\u201d( o Terceiro Mundo). A R\u00fassia consegue o dom\u00ednio sobre o Terceiro Mundo tornando-se a ideologia comunista em ve\u00edculo das esperan\u00e7as a surgir. A descoloniza\u00e7\u00e3o processa-se a n\u00edvel internacional. Portugal, que considerava os territ\u00f3rios ultramarinos como prov\u00edncias em que vigoravam as mesmas leis que no continente, n\u00e3o se sentiu envolvida no processo de descoloniza\u00e7\u00e3o pela raz\u00e3o de se considerar uma unidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Os interesses dos blocos internacionais passam a ser muito determinantes na sua estrat\u00e9gia imperialista de ocupa\u00e7\u00e3o e de arranjar pontos estrat\u00e9gicos de influ\u00eancia. O comunismo torna-se muito activo em Portugal devido ao seu papel estrat\u00e9gico e \u00e0 presa prometedora. Salazar, que conhecia a hist\u00f3ria da infiltra\u00e7\u00e3o das ideologias francesas por altura das invas\u00f5es francesas e a ac\u00e7\u00e3o ma\u00e7\u00f3nica na guerra civil liberal e na implanta\u00e7\u00e3o de rep\u00fablica persegue o comunismo. N\u00e3o v\u00ea l\u00f3gica no imperialismo americano desalmado e \u00e9 inimigo figadal do imperialismo comunista russo.<br \/>Os Americanos interessados apenas na economia e os russos na expans\u00e3o ideol\u00f3gica e militar t\u00eam interesses diferentes nas nossas possess\u00f5es de \u00c1frica.<\/p>\n<p>A ideologia sovi\u00e9tica (com a MPLA) serve-se da guerrilha matando indistintamente para provocar a rebeldia. O povo angolano mant\u00e9m-se fiel a si mesma e a Portugal contra o plano sovi\u00e9tico de ocupa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da guerrilha. Com a ideologia tamb\u00e9m dentro dos militares portugueses em popa torna-se mais f\u00e1cil o plano estrangeiro.<\/p>\n<p>Na revolu\u00e7\u00e3o cultural ao servi\u00e7o do marxismo provocam-se agora mais v\u00edtimas do que em 600 anos da pretensa \u201cocupa\u00e7\u00e3o portuguesa\u201d.Esta estadia pac\u00edfica de 600 anos justifica a vontade portuguesa de continuar a n\u00e3o ceder \u00e0 ideologia marxista, ao imperialismo sovi\u00e9tico. Os agentes de ent\u00e3o estavam t\u00e3o fascinados que viam na trai\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o uma mais valia. N\u00e3o estava em jogo o bem das populacoes nativas mas a subordina\u00e7\u00e3o a n\u00edvel de blocos. A mudan\u00e7a consistiria na passagem dum regime autorit\u00e1rio para um regime totalit\u00e1rio. O que se comprovou depois e que deu raz\u00e3o a Salazar.<\/p>\n<p>A defesa da independ\u00eancia dos povos s\u00f3 surge num contexto supranacional de blocos imperialistas. A defesa da independ\u00eancia tem a ver n\u00e3o com uma atitude superior de moral mas com uma maior decis\u00e3o de dom\u00ednio e sua auto-justifica\u00e7\u00e3o. Tanto a ideia de na\u00e7\u00e3o com a de imp\u00e9rio eram contr\u00e1rias \u00e0 realidade tribal que n\u00e3o tinha a consci\u00eancia de na\u00e7\u00e3o ou de imp\u00e9rio. Os neo-marxistas cometeram o mesmo erro que os parceiros da confer\u00eancia de Berlim ao dividirem a \u00c1frica com a r\u00e9gua: o desrespeito dos africanos e das suas tradi\u00e7\u00f5es. Sob o dom\u00ednio portugu\u00eas \u00e9 verdade que se impediu a coloniza\u00e7\u00e3o internas das tribos entre elas.<\/p>\n<p>Estar\u00edamos dispostos a dar a independ\u00eancia aos a\u00e7orianos que teriam mais proveitos dos americanos, ou aos curdos, aos bascos, etc. Qual a congru\u00eancia do socialismo marxista que em nome da liberdade e da liberta\u00e7\u00e3o cometeram tantas barbaridades e hoje se agarram aos tachos do poder?<\/p>\n<p>Dito duma maneira exagerada: n\u00f3s colonizamos, os outros exploram! A explora\u00e7\u00e3o da ideia colonialista importa a um neo-marxismo envergonhado do seu actuar capitalista. Est\u00e1 interessada em enegrecer o passado para que a sua irracionalidade receba foros de modernidade, e progresso.<\/p>\n<p>\u00c9 pobre o testemunho dado por um socialismo portugu\u00eas reinante desrespeitador dum ambiente cat\u00f3lico em processo. Estes modernistas iluminados interpretam mal a hist\u00f3ria portuguesa aplicando-lhe os crit\u00e9rios e as medidas dum actuar extremo das outras na\u00e7\u00f5es europeias para poderem justificar campanhas ideol\u00f3gicas de pretenso modernismo ou internacionalismo superficial. Revelam-se em estrangeirados que n\u00e3o percebem a pr\u00f3pria cultura subjugando-a a crit\u00e9rios de explora\u00e7\u00e3o internacionais fora de contexto. Esperemos que surja uma fac\u00e7\u00e3o de socialismo portuguesa n\u00e3o nacionalista mas aferida ao esp\u00edrito e \u00e0 cultura portuguesa para n\u00e3o termos de continuar a ser alienados por estrangeirados internacionalistas que percebem muito de tacho e de conluio mas n\u00e3o de estruturas culturais. Se o grande Portugal seguia a m\u00e1xima crist\u00e3 de respeito pelo indiv\u00edduo e pela cultura recorrendo ao progresso atrav\u00e9s da acultura\u00e7\u00e3o, o esp\u00edrito do Portugal modernista, republicano socialista \u00e9 materialista n\u00e3o respeitando o indiv\u00edduo. Este perdeu o caminho seguindo a voz das sereias internacionais sem o humanismo que se tem mantido mais entre os pobres.<\/p>\n<p>\u00c9 abstruso querer impingir a ideia de racismo como uma ideia do sistema de Salazar, altura em que n\u00e3o havia cargos em que n\u00e3o houvesse pretos e em que nunca se assistia a persegui\u00e7\u00f5es da rua a africanos.<\/p>\n<p>Errare humanum est. O problema torna-se apenas mais agudo quando uns desumanos querem legitimar a sua desumanidade \u00e0 custa da desumanidade dos outros.<\/p>\n<p>A agress\u00e3o das for\u00e7as exteriores em Angola, Guin\u00e9 e Mo\u00e7ambique foram coroadas com a irresponsabilidade de pessoas m\u00edopes. O desenvolvimento da hist\u00f3ria segue de erro em erro, de poder em poder. Os mesmos problemas repetem-se e os governantes tamb\u00e9m. O que h\u00e1 a mudar \u00e9 o homem e este por si mesmo.<\/p>\n<p>A miopia hist\u00f3rica p\u00f4s na m\u00e3o de interesses imperialistas as regi\u00f5es de interesse e influ\u00eancia portuguesa, n\u00e3o para bem dos ind\u00edgenas mas do poder ideol\u00f3gico e econ\u00f3mico. O desenvolvimento natural deu lugar \u00e0 arbitrariedade externa em nome dum socialismo e do progresso s\u00f3 a n\u00edvel de ideologia. Acabou-se com uma sociedade multiracial para se dar lugar a uma mono-ideologia. Irresponsavelmente desbarataram o futuro portugu\u00eas e a sua honra tomando a mesma altitude de Judas vendendo o povo pelos patacos da ideologia.<\/p>\n<p>Deixaram de ser portugueses para se orientarem por padr\u00f5es internacionais sacrificando o desenvolvimento humano e natural de Portugal a ideologias estranhas e alienantes.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>\u201cNas Pegadas de Portugal\u201d<\/p>\n<p>(1) A classe dominante, numa tentativa de auto-legitima\u00e7\u00e3o tem-se procurado justificar moralmente, ao longo dos \u00faltimos trinta anos, instrumentalizando e propagando o tema do colonialismo portugu\u00eas como dogma da ideologia vigente porque doutro modo neste sector Salazar poderia vir a ter raz\u00e3o. Da\u00ed servir-se de temas questionadores da ideia de na\u00e7\u00e3o e de tradi\u00e7\u00e3o, como imperialismo, colonialismo, escravid\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, multicultura, etc., numa tentativa premeditada de virar o bico ao prego. Pretende instaurar preconceitos n\u00e3o menos question\u00e1veis do que os que quer combater. Deseja lavar roupa velha com \u00e1gua suja. Tenta-se a legitima\u00e7\u00e3o do novo regime deslegitimando o velho. A afirma\u00e7\u00e3o de interesses atrav\u00e9s da legitima\u00e7\u00e3o dum sistema alienador \u00e9 normal numa sociedade em que se parta do princ\u00edpio que o cidad\u00e3o \u00e9 objecto. Para isso recorrem ao estratagema de dividirem o indiv\u00edduo (individuum = indivis\u00edvel) e fazer dele cidad\u00e3o, s\u00f3cio, camarada, partido, coisa. A coisa p\u00fablica (Respublica) vive de coisas e da coisifica\u00e7\u00e3o. Partem da desresponsabiliza\u00e7\u00e3o e desautoriza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo para o tornarem sequaz, adaptado. Por isso se verifica uma constante comum ao longo dos s\u00e9culos, nas celebra\u00e7\u00f5es nacionais: dum lado, os aproveitadores do regime justificando-o e do outro lado o povo a alienar ouvindo. Regimes de alienados alienando onde por isso tudo \u00e9 leg\u00edtimo. Aqui interessa falar do regime democr\u00e1tico de Abril porque \u00e9 o que se aliena e nos aliena agora.<br \/>(2) Os nossos iluminados modernos sentem-se honrados por Portugal tamb\u00e9m pertencer ao clube dos que importam for\u00e7as de trabalho tal como outrora os seus comparsas se alegravam com o com\u00e9rcio dos negreiros. Hoje est\u00e3o mais modernizados os meios utilizados na opress\u00e3o da pessoa humana. A opress\u00e3o \u00e9 a mesma o que muda \u00e9 a consci\u00eancia e os m\u00e9todos. Por isso mesmo nos insurgimos contra umas opress\u00f5es e consideramos outras leg\u00edtimas. A nossa mem\u00f3ria no desenvolvimento hist\u00f3rico de povos como fen\u00edcios, gregos e romanos \u00e9 grata em rela\u00e7\u00e3o a estes colonizadores ocupantes. Se n\u00e3o tivesse sido a coloniza\u00e7\u00e3o greco-romana talvez ainda hoje n\u00e3o pass\u00e1ssemos de tribos pastor\u00edcias \u00e0 sombra dos montes herm\u00ednios. Tudo muito ambivalente!<br \/>(3) A aberra\u00e7\u00e3o da elite moderna portuguesa est\u00e1 em meter o esp\u00edrito universal e intercultural portugu\u00eas nas fronteiras restritas de ideologias redutoras. <\/p>\n<div align=\"right\"> <b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/div>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ideologia Prolet\u00e1ria Campeia em Portugal Na\u00e7\u00e3o sacrificada O 10 de Junho, um dia que poderia ser utilizado para o encontro das comunidades em foro aberto e criativo, \u00e9 transformado em plataforma para auto-propaganda e defesa dos interesses do regime (1). O Dia das Comunidades \u00e9, como outras festas da na\u00e7\u00e3o, um dia alto para &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1230\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">10 de Junho na Tradi\u00e7\u00e3o do \u201cColonialismo\u201d<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1230","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1230"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1230\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}