{"id":1217,"date":"2007-11-17T11:22:00","date_gmt":"2007-11-17T10:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1217"},"modified":"2007-11-17T11:22:00","modified_gmt":"2007-11-17T10:22:00","slug":"a-economia-nacionalista-e-a-europa-dos-patriotas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1217","title":{"rendered":"A Economia Nacionalista e a Europa dos Patriotas"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\"> Com a vit\u00f3ria da democracia na Europa em 1989, a ideia duma Europa com um rosto social e democr\u00e1tico ganha uma din\u00e2mica nova. Todo o Leste Europeu se sente liberto do jugo comunista com novas esperan\u00e7as de liberdade e de justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>O ocidente europeu esquece os anseios do povo para pensar apenas em termos de estrat\u00e9gia militar e econ\u00f3mica. Esquece os sonhos dos povos passando logo \u00e0 ordem do dia, ditada esta apenas pela economia. Sem ideais aposta no liberalismo econ\u00f3mico e nas leis do mercado como reguladores de todas as necessidades sociais e na capacidade do eixo da Europa (Alemanha, Fran\u00e7a, Inglaterra e em parte It\u00e1lia) para puxar o resto da caravana. Consequentemente reduz-se o n\u00edvel de vida da pequena burguesia e os direitos sociais e tarif\u00e1rios do operariado.<\/p>\n<p>O povo dos pa\u00edses da periferia, que tinha colocado grandes esperan\u00e7as no processo da unifica\u00e7\u00e3o europeia, verifica que se melhoram as infra-estruturas do pa\u00eds mas que o melhoramento do n\u00edvel de vida s\u00f3 beneficiou propriamente os funcion\u00e1rios p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A Pol\u00f3nia d\u00e1-se conta do que se passa e protesta. Logo \u00e9 vista como factor perturbador dum processo econ\u00f3mico de car\u00e1cter anglo-sax\u00f3nico: fortalecimento da na\u00e7\u00e3o \u00e0 custa do seu povo e da sua cultura transferindo riqueza do povo para as grandes empresas. Estas s\u00e3o a ponta de lan\u00e7a da nova economia na conquista do mundo. Assim nas economias fortes processa-se um empobrecimento do povo; d\u00e1-se, a n\u00edvel popular, um nivelamento de depend\u00eancia em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 plataforma dos pobres das na\u00e7\u00f5es da periferia. Pretende-se uma socializa\u00e7\u00e3o da pobreza a n\u00edvel internacional, um substrato comum.<\/p>\n<p>\u00c0 queda das conquistas socialistas no Leste segue-se no Ocidente o processo da derrocada das conquistas laborais e sociais do operariado.<\/p>\n<p>Se o comunismo nunca partiu duma base democr\u00e1tica tendo sido sempre imposto de cima torna-se agora constrangedor passar-se ao ditado do determinismo mercantil.<\/p>\n<p>                      <b>A periferia \u00e9 que possibilita o centro<\/b><br \/>A periferia, uma vez na Uni\u00e3o Europeia, constata que continuar\u00e1 periferia; n\u00e3o haver\u00e1 processo din\u00e2mico&#8230; As na\u00e7\u00f5es mais fortes continuam com o seu nacionalismo econ\u00f3mico a vergar a Europa aos seus interesses.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses de leste observa-se uma crescente resist\u00eancia popular, um cepticismo perante a pr\u00e1tica europeia em curso. A\u00ed o povo reage surgindo movimentos nacionalistas, que escandalizam a vizinhan\u00e7a ordeira.<\/p>\n<p>Ao nacionalismo estatal econ\u00f3mico das na\u00e7\u00f5es ricas contrap\u00f5em-se as tend\u00eancias nacionalistas que fervilham j\u00e1 no subconsciente das na\u00e7\u00f5es da perefiria. Nas grandes pot\u00eancias o povo cala porque o governo actua de modo nacionalista. Os cidad\u00e3os da Europa rica podem dar-se ao luxo de renunciarem ao patriotismo, conscientes de que os seus governantes defendem com unhas e dentes os interesses nacionais, uma economia nacionalista. Assim \u00e9 f\u00e1cil ser-se liberal! Nos pa\u00edses marginais as elites parecem mais na disposi\u00e7\u00e3o de sacrificarem os interesses nacionais e culturais vivendo do dia a dia o que provoca descontentamentos populares.<\/p>\n<p>                  <b>Nacionalismo inteligentemente empacotado<\/b><br \/>Um Facto: Na Alemanha \u00e9 proibido vender-se aparelhos com consumo excessivo de energia. Em Portugal comprei 3 fog\u00f5es el\u00e9ctricos de cozinha para a minha casa, confiando na qualidade alem\u00e3. Depois de os ter instalado verifiquei com admira\u00e7\u00e3o e consterna\u00e7\u00e3o, ao ler as instru\u00e7\u00f5es em portugu\u00eas que havia tamb\u00e9m um aviso s\u00f3 em alem\u00e3o. Este indicava que aqueles fug\u00f5es n\u00e3o podiam ser vendidos na Alemanha devido a consumirem demasiada energia. Intelig\u00eancia saloia arrogante! Isto \u00e9 exemplar para o modo de agir duma economia nacionalista e do comportamento dos pa\u00edses da periferia. E isto d\u00e1-se em plena Uni\u00e3o Europa! Para os pa\u00edses ainda menos desenvolvidos ir\u00e1 ent\u00e3o o ferro-velho! Na Alemanha teria dado menos dinheiro por um fog\u00e3o de menor consumo de energia do que dei em Portugal por aquele e com a agravante de que a energia em Portugal \u00e9 mais cara do que na Alemanha. Seria de esperar dos nossos diplomatas mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 tecnologia e \u00e0s leis na defesa dos interesses nacionais. (Ser\u00e1 este um servi\u00e7o de Portugal \u00e0 EDP?!&#8230;)<\/p>\n<p>Os cidad\u00e3os europeus sentem na pr\u00e1tica uma pol\u00edtica europeia contra as pessoas. Uma Uni\u00e3o Europeia s\u00f3 interessada na economia dos mais fortes \u00e9 b\u00edfida e fomentar\u00e1 a demagogia. No fundo temos demagogos de gravata contra os demagogos do p\u00e9 descal\u00e7o! Meio mundo a enganar o outro meio.<\/p>\n<p>N\u00e3o se constr\u00f3i futuro duradouro baseado apenas numa estrat\u00e9gia da for\u00e7a das institui\u00e7\u00f5es europeias e de na\u00e7\u00f5es fortes com as outras a elas atreladas. Precisa-se de uma coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, pol\u00edtica e cultural menos hip\u00f3crita e nacionalista. Uma Europa forte e justa n\u00e3o pode ser constru\u00edda apenas com na\u00e7\u00f5es ricas e institui\u00e7\u00f5es fortes \u00e0 custa dum povo enfraquecido. O povo paciente e mole tem-se contentado com parolen de liberdade e de mercado. Por quanto tempo? A classe m\u00e9dia tem sido sistematicamente expropriada em favor da grande ind\u00fastria e em benef\u00edcio dum Estado irresponsavelmente paternalista (comunismo pela porta traseira!) e \u00e0 custa duma popula\u00e7\u00e3o cada vez mais \u201cprolet\u00e1ria\u201d! N\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a social nem interesse em dar-lhe resposta. Quer-se uma popula\u00e7\u00e3o assalariada dispon\u00edvel a n\u00edvel nacional e disciplinada pela concorr\u00eancia da imigra\u00e7\u00e3o carenciada importada. Ao n\u00edvel de Estado exportam-se os produtos industriais de alta qualidade e a n\u00edvel de na\u00e7\u00e3o importa-se a pobreza global. Uma forma de escravid\u00e3o refinada! Esta imigra\u00e7\u00e3o barata possibilita, atrav\u00e9s das suas remessas, \u00e0s elites das suas na\u00e7\u00f5es de origem a compra de produtos tecnol\u00f3gicos caros. A pobreza do patamar baixo anima o mercado! Tudo com\u00e9rcio leg\u00edtimo, mas muito longe duma justi\u00e7a humana aceit\u00e1vel. Tudo em nome da democracia, da liberdade, da solidariedade e do liberalismo do mercado. Para iludir o esp\u00edrito cr\u00edtico sobre o presente basta, para quem se julga algu\u00e9m, recorrer a uma cr\u00edtica apelativa e repetitiva de certos lugares comuns das vergonhas da nossa hist\u00f3ria e institui\u00e7\u00f5es, na omiss\u00e3o benigna do presente!<\/p>\n<p>Na Uni\u00e3o Europeia, uma tal pr\u00e1tica democr\u00e1tica come\u00e7a a dar j\u00e1 sinais de n\u00e3o convencer e a dar argumentos ao populismo de esquerda e de direita, j\u00e1 pronto para atacar a democracia. Se compararmos o tempo e a circunscri\u00e7\u00e3o da democracia com a Hist\u00f3ria e com o mundo bem como a realidade do que acontece fora da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental, a democracia correr\u00e1 perigo de se tornar num epis\u00f3dio espor\u00e1dico. Al\u00e9m dos problemas de casa criam-se outros promovendo mundivis\u00f5es al\u00e9rgicas \u00e0 democracia em nome da toler\u00e2ncia e dum internacionalismo progressista irrespons\u00e1vel. A ingenuidade pol\u00edtica e social \u00e9 hoje tal que n\u00e3o v\u00ea a trave nos olhos dos outros para se preocuparem com o cisco nos pr\u00f3prios olhos. As pessoas do s\u00e9culo XXI querem felicidade, n\u00e3o chega o p\u00e3o e a ideologia.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta que \u00e0 monarquia heredit\u00e1ria se tenha seguido a altern\u00e2ncia partid\u00e1ria no governo. Se se quer uma consci\u00eancia democr\u00e1tica no povo para l\u00e1 de preconceitos e de estere\u00f3tipos \u00e9 preciso fomentar-se uma democracia plebiscit\u00e1ria em que o povo tenha de reflectir sobre aquilo que decide porque lhe toca directamente e n\u00e3o de abdicar do saber para seguir o patu\u00e1 dum partido ou ideologia. O plebiscito obrigaria os pol\u00edticos a descerem ao povoado e a viverem em discuss\u00e3o s\u00e9ria permanente com o cidad\u00e3o com a consequente humaniza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e dos pol\u00edticos e a responsabiliza\u00e7\u00e3o do povo. N\u00e3o \u00e9 suficiente \u00f3pio partid\u00e1rio nem t\u00e3o-pouco apenas transmitir saber sobre democracia como querem muitos pol\u00edticos mas de fomentar uma atitude participativa nobilitante. A representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica cederia em favor duma ac\u00e7\u00e3o, duma consci\u00eancia pol\u00edtica de povo adulto. Porque n\u00e3o seguir o exemplo da Sui\u00e7a? <\/p>\n<div align=\"right\"> <b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/div>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a vit\u00f3ria da democracia na Europa em 1989, a ideia duma Europa com um rosto social e democr\u00e1tico ganha uma din\u00e2mica nova. Todo o Leste Europeu se sente liberto do jugo comunista com novas esperan\u00e7as de liberdade e de justi\u00e7a social. 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