{"id":1211,"date":"2007-11-17T11:19:00","date_gmt":"2007-11-17T10:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1211"},"modified":"2007-11-17T11:19:00","modified_gmt":"2007-11-17T10:19:00","slug":"nua-toda-nua-no-seio-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1211","title":{"rendered":"Nua! Toda Nua! No Seio da Igreja!&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>Performance duma Artista Alem\u00e3 na Documenta<\/b><\/p>\n<p>Sim! Mesmo sem nada impuro ou artificial a cobri-la! Uma mulher, na nave da igreja, tal como a m\u00e3e a dera ao mundo! Um esc\u00e2ndalo ali, no rega\u00e7o da Igreja m\u00e3e, a filha duma outra m\u00e3e, nascida na pol\u00f3nia gera uma ideia; uma ideia n\u00e3o, um vendaval de ideias que fazem lembrar dores de parto ou gorjeios de alegria. Enfim, um acontecer maternal na maternidade Igreja: um grito pelas origens ou por uma comunidade mais m\u00e3e?!<\/p>\n<p>Como de costume, os que precisam de mais agasalho, o agasalho da cultura, criticam e os que precisam da natureza com os seus improvisos louvam. Na discuss\u00e3o p\u00fablica duma imprensa imp\u00fadica cada um procura empacotar aquela obra de arte \u00e0 sua maneira!<\/p>\n<p>A Igreja evang\u00e9lica de S. Martinho concorreu para a exposi\u00e7\u00e3o mundial de Arte denominada Documenta, com um contributo sob o tema \u201cO que nos traz (transporta), o que nos suporta (mant\u00e9m)?\u201d A artista Patrycia German no \u00e2mbito duma performance deixou-se levar nua por 4 homens em tronco nu, perante um p\u00fablico de 100 espectadores na Martinskirche em Kassel num programa paralelo \u00e0 Documenta na representa\u00e7\u00e3o \u201c80 vs 4\u201d. Com esta performance a artista diz querer tematizar a falta de defesa bem como o terror da beleza na nossa sociedade na qual as pessoas s\u00e3o reduzidas a uma medida ideal. Pelos vistos a artista n\u00e3o queria ofender nem provocar ningu\u00e9m. Ela mesma sentiu-se levada pelo p\u00fablico sentindo-se ao mesmo tempo fr\u00e1gil e indefesa. Talvez os bra\u00e7os da comunidade sejam demasiado musculosos para n\u00e3o tornar inseguro um indiv\u00edduo cujo escudo \u00e9 apenas a sua nudez!<\/p>\n<p>Uma performance que na sua singeleza feminina deixa mais mat\u00e9ria de reflex\u00e3o e coment\u00e1rios do que a maior parte dos serm\u00f5es dominicais que embora doces e humanos parecem continuar masculinos.<\/p>\n<p>Para uma sociedade civil e uma comunidade religiosa acostumadas a rituais de nudez rude e a actos de desvergonha, esta Performance n\u00e3o foi obscena se bem que estranha. Desculpante \u00e9 o facto da artista n\u00e3o ter actuado dentro duma ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e a paz das paredes das igrejas parece tudo aguentar.<\/p>\n<p>A Igreja foi durante s\u00e9culos o lugar de nascimento da arte. Alguns sentem expressam a necessidade e urg\u00eancia de a arte em toda a sua vitalidade voltar \u00e0 casa paterna, ou melhor, materna. Outros dormem e ainda outros impacientes procuram abrir as portas sacrais ao esp\u00edrito do tempo, promovendo assim um esp\u00edrito leg\u00edtimo mas n\u00e3o oportuno porque contra o Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Talvez a ac\u00e7\u00e3o de Patrycia German possa acordar muita gente nas c\u00farias para reencontrarem a arte no seu meio e fomentarem artistas imbu\u00eddos do esp\u00edrito pentecostal que \u00e9 liberdade. Isto pressup\u00f5e coragem e refer\u00eancia. Muitas institui\u00e7\u00f5es e personalidades da vida p\u00fablica limitam-se a encostar-se ao nome passageiro de alguns artistas bem cotizados no com\u00e9rcio p\u00fablico, levados apenas pelo esp\u00edrito da moda. Assim perdem a oportunidade de fomentar voca\u00e7\u00f5es art\u00edsticas no pr\u00f3prio meio, dan\u00e7ando ao toque do esp\u00edrito do tempo servindo-o ingenuamente.<\/p>\n<p>A direc\u00e7\u00e3o da Martinskirche mostrou coragem manifestando talvez desta maneira a necessidade da Igreja se abrir \u00e0 arte e de se movimentar mais no centro da vida. Uma igreja como lugar aberto ao mundo e ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>Em discuss\u00e3o p\u00f5e-se um problema de fronteiras e limites, de sentido e miss\u00e3o. Precisa-se de uma igreja aberta ao profano mas atenta \u00e0 profana\u00e7\u00e3o. Ela n\u00e3o pode transformar-se no lugar da entropia e da indiferen\u00e7a. O problema \u00e9 que a linha de fronteira entre profano e sagrado passa pela nave central da Igreja e acontece no centro do Homem. O ser do homem \u00e9 ser sagrado em profanidade, uma unidade indissol\u00favel.<\/p>\n<p>Para quem v\u00ea na Igreja um espa\u00e7o de devo\u00e7\u00e3o a liturgia da artista vem questionar a outra liturgia, a dominical, que se realiza na igreja considerada pr\u00f3pria, como lugar de medita\u00e7\u00e3o, espiritualidade e de di\u00e1logo com Deus. Se se procura na igreja consola\u00e7\u00e3o, apoio, sossego, encontro consigo mesmo e viv\u00eancia de f\u00e9 na comunidade, certamente que aquela forma de liturgia pode perturbar. Al\u00e9m disso, num tem em que um mundo secularista fan\u00e1tico s\u00f3 procura olhar para a sanita da Igreja, num tempo em que a Igreja apresenta algumas arranhaduras e demasiada rotina na sua hierarquia, \u00e9 compreens\u00edvel uma certa autodefesa por parte de muitos. De facto a comunidade paroquial, embora tenha necessidade dum rosto pr\u00f3prio, n\u00e3o se pode transformar numa sociedade ao som dos tambores da pra\u00e7a p\u00fablica. A exita\u00e7\u00e3o e reac\u00e7\u00e3o exageradas comuns a acontecimentos como este s\u00f3 servem posi\u00e7\u00f5es e estruturas instaladas que consideram as pessoas como meios ou como s\u00fabditos.<\/p>\n<p>Importante \u00e9 a tematiza\u00e7\u00e3o do problema da abertura da Igreja e o seu significado para a pessoa e para a sociedade num di\u00e1logo equilibrado e calmo entre sagrado e profano.<\/p>\n<p>Relevante \u00e9 que todos tenhamos menos medo de sermos n\u00f3s mesmos e de sermos transportados nos bra\u00e7os duma comunidade, confiantes e sem receio. Ent\u00e3o, nem o medo da nudez nem o da roupagem nos dominar\u00e1.<\/p>\n<p>Da discuss\u00e3o e da cr\u00edtica surge mais luz. A esperan\u00e7a \u00e9 o seu suporte e o amor, o seu ser. De resto a vida \u00e9 um esc\u00e2ndalo! S\u00f3 n\u00e3o se admira quem j\u00e1 resignou, quem j\u00e1 vive no descanso dos mortos!<\/p>\n<p>Talvez a artista tenha saudade duma comunidade com a vitalidade manifestada no gesto de Jesus perante os vendilh\u00f5es do templo. Para isso ela precisa compreens\u00e3o e ajuda de todos.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Performance duma Artista Alem\u00e3 na Documenta Sim! Mesmo sem nada impuro ou artificial a cobri-la! Uma mulher, na nave da igreja, tal como a m\u00e3e a dera ao mundo! Um esc\u00e2ndalo ali, no rega\u00e7o da Igreja m\u00e3e, a filha duma outra m\u00e3e, nascida na pol\u00f3nia gera uma ideia; uma ideia n\u00e3o, um vendaval de ideias &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1211\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">Nua! Toda Nua! 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