{"id":1196,"date":"2007-01-10T14:17:14","date_gmt":"2007-01-10T13:17:14","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1196"},"modified":"2025-10-10T14:18:02","modified_gmt":"2025-10-10T13:18:02","slug":"casamento-escolha-ou-destino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1196","title":{"rendered":"Casamento \u2013 Escolha ou Destino"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\"> Porque \u00e9 que apesar de tantos problemas as pessoas continuam a sentir grande atrac\u00e7\u00e3o para o casamento?<\/span><\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o de sessenta via o casamento como um modelo a desaparecer. O Estado cada vez elaborou mais leis no sentido de desproteger pessoas casadas ou divorciadas. Um certo modernismo continua a ver no casamento um empecilho ao ego\u00edsmo da realiza\u00e7\u00e3o individualista. Por outro lado a sociedade continua a considerar o casamento como uma unidade da ordem. Especialmente nas sociedades industrialmente mais desenvolvidas, ele continua a merecer o interesse e a interven\u00e7\u00e3o do Estado particularmente agora que a sociedade se torna cada vez mais velha.<\/p>\n<p>A necessidade da defesa da fam\u00edlia por parte do estado aumenta. Naturalmente que tamb\u00e9m o casamento deveria ser protegido pelo Estado e n\u00e3o s\u00f3 a fam\u00edlia. Logicamente pode haver um casamento religioso sem o casamento civil. Pessoas que querem casar deviam poder faz\u00ea-lo sem necessidade do casamento civil. Para impedir trag\u00e9dias com as crian\u00e7as o Estado deveria dar um sal\u00e1rio a quem assume a responsabilidade dos filhos. O medo da depend\u00eancia \u00e9 um grande cadeado a pesar muito. As mulheres que esperavam uma certa protec\u00e7\u00e3o para a fam\u00edlia no contrato de casamento, sentem-se cada vez mais desprotegidas. Os filhos sofrem o peso da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Casamento pode tamb\u00e9m ser um s\u00edmbolo de estatuto e o atingir duma certa fase da vida.<\/p>\n<p>A partilha a dois parece simplificar a vida. No casamento h\u00e1 tempos muito bonitos de bonan\u00e7a mas tamb\u00e9m n\u00e3o faltam as tempestades em alto mar. A vida \u00e9 dolorosa e obedece \u00e0s leis do p\u00eandulo. Na vida de casal ou se desenvolvem estrat\u00e9gias para se desenvolver e progredir modificando-se ou ent\u00e3o resignar divorciando-se para depois de 5 anos voltar a fazer o mesmo com outro. Naturalmente que tamb\u00e9m h\u00e1 div\u00f3rcio em que tal op\u00e7\u00e3o \u00e9 boa.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que o casamento n\u00e3o oferece uma protec\u00e7\u00e3o m\u00e1gica contra as intemp\u00e9ries da vida, como se espera no entusiasmo juvenil. Na vida h\u00e1 sol e chuva por onde quer que se ande. O problema \u00e9 que com o casamento n\u00e3o se entra numa ilha fechada em si, fora das condi\u00e7\u00f5es do tempo e das esta\u00e7\u00f5es do ano. As nuvens que passam ao largo e as bategadas que se sofrem na ilha t\u00eam a ver tamb\u00e9m com o tempo l\u00e1 fora fora; a pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o depende das rela\u00e7\u00f5es do tempo em geral e das rela\u00e7\u00f5es sociais (geogr\u00e1ficas) tamb\u00e9m, bem como do estado de desenvolvimento individual e das pr\u00f3prias neuroses.<\/p>\n<p>Muitas das esperan\u00e7as colocadas no casamento n\u00e3o podem ser satisfeitas porque irrealistas. Falta o substrato para uma rela\u00e7\u00e3o entre dois sujeitos reduzindo-se a liga\u00e7\u00e3o por vezes \u00e0 limita\u00e7\u00e3o do outro a objecto. A rela\u00e7\u00e3o complica-se tamb\u00e9m devido \u00e0 desigualdade de desenvolvimento dos dois, \u00e0 diversidade de finalidades e de sentido e cada pessoa acarreta consigo uma carga de pesos e problemas herdados de que n\u00e3o \u00e9 consciente servindo o parceiro para p\u00f4r em dia psicoses herdadas e n\u00e3o resolvidas.<\/p>\n<p>A polis n\u00e3o fomenta o ser-se, nem um modo de estar equilibrado e adulto. A sociedade n\u00e3o tem lugar para a subjectividade respons\u00e1vel. As pessoas encontram-se abandonadas a si mesmas num emaranhado de condicionalismos de que por vezes n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis ou conscientes. A outra face da liberdade \u00e9 a inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p>No casamento manifesta-se o desejo de felicidade e de se sair bem na vida, procura-se protec\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo a satisfa\u00e7\u00e3o de desejos de depend\u00eancia. A encena\u00e7\u00e3o p\u00fablica do casamento \u00e9 tamb\u00e9m um factor estabilizador e cria um espa\u00e7o solid\u00e1rio e de reconhecimento.<\/p>\n<p>Se por um lado hoje n\u00e3o h\u00e1 a press\u00e3o social para se casar, depois do casamento manifesta-se a press\u00e3o social com o desejo de filhos, uma casa, etc. H\u00e1 muitos suic\u00eddios em consequ\u00eancia de problemas de separa\u00e7\u00e3o e de conflitos o que mostra a import\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos problemas \u00e9 o facto de muitos casais n\u00e3o falarem um com o outro nem sobre os pr\u00f3prios problemas. O homem n\u00e3o tem tanta necessidade de se manifestar e trocar impress\u00f5es. Por vezes procura sossego no seu escrit\u00f3rio. Ent\u00e3o a mulher sente-se instrumentalizada, apenas um ser em fun\u00e7\u00e3o de\u2026 um objecto!<\/p>\n<p>Hoje o medo da separa\u00e7\u00e3o leva muitos jovens ao medo do casamento. Muitos j\u00e1 t\u00eam a experi\u00eancia do falhan\u00e7o de rela\u00e7\u00f5es dos pais. Apesar disso muitos querem o casamento pela igreja para assim testemunharem publicamente a seriedade da sua decis\u00e3o. O pacto para a vida pressup\u00f5e a disposi\u00e7\u00e3o de aumentar o amor no desenvolvimento individual e comunit\u00e1rio. O amor \u00e9 uma oferta.<\/p>\n<p>O casamento \u00e9 um fen\u00f3meno natural e social. O ser humano completo \u00e9 virilidade e feminilidade, \u00e9 pensar mental e pensar m\u00edstico, corpo e alma num processo de integra\u00e7\u00e3o bipolar \u00e0 imagem do Yn und Yang, da mesma realidade no Jesus e no Cristo. A concep\u00e7\u00e3o\/cria\u00e7\u00e3o e incarna\u00e7\u00e3o s\u00e3o dois momentos do mesmo acto.<\/p>\n<p>A \u00e2nsia de se ser carne e esp\u00edrito num s\u00f3 corresponde ao chamamento a ser, quer a n\u00edvel individual, de casal ou universal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div align=\"right\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porque \u00e9 que apesar de tantos problemas as pessoas continuam a sentir grande atrac\u00e7\u00e3o para o casamento? A gera\u00e7\u00e3o de sessenta via o casamento como um modelo a desaparecer. O Estado cada vez elaborou mais leis no sentido de desproteger pessoas casadas ou divorciadas. 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