{"id":1192,"date":"2007-11-17T11:09:00","date_gmt":"2007-11-17T10:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1192"},"modified":"2007-11-17T11:09:00","modified_gmt":"2007-11-17T10:09:00","slug":"domingo-um-valor-cultural-a-defender","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1192","title":{"rendered":"Domingo &#8211; Um Valor Cultural a Defender"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    Domingo \u2013 Um O\u00e1sis \u00e0 Margem do Consumo<\/p>\n<p>As Igrejas, Cat\u00f3lica e Evang\u00e9lica, recorreram ao Tribunal Constitucional Alem\u00e3o, para impedirem que o Estado de Berlim imponha a abertura do com\u00e9rcio ao p\u00fablico, durante dez domingos por ano. Noutras partes da Alemanha as igrejas t\u00eam tido sucesso no impedimento de transformar o Domingo em dia de trabalho tendo recebido o apoio das mais diferentes iniciativas e at\u00e9 mesmo de muitas C\u00e2maras Municipais.<\/p>\n<p>As Igrejas s\u00e3o de opini\u00e3o que uma sociedade precisa de dias livres para descansar e se dedicar ao cultivo do esp\u00edrito, ter espa\u00e7o e tempo para o cultivo de valores imateriais.<\/p>\n<p>O consumo tornou-se num substituto de religi\u00e3o pelo que, para muitos, os templos de consumo dever\u00e3o estar sempre abertos. Antigamente nas cidades sobressa\u00edam as torres das Igrejas, hoje sobressaem as torres dos bancos e dos Centros Comerciais. \u00d3bvio seria que sobressa\u00edsse a grande \u201cTorre\u201d, o Homem, do mais pequeno ao maior.<br \/>.<br \/>A sociedade precisa de tempos livres de trabalho, de tempos festivos. \u00c9 verdade que muita gente (sem acesso ou sem consci\u00eancia da necessidade de consumir cultura) n\u00e3o sabe que fazer com o tempo livre. Os templos do consumo, no seu pr\u00f3prio interesse, para atra\u00edrem o pessoal e as crian\u00e7as, criam ofertas de distrac\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para as fam\u00edlias. As Juntas de Freguesia, as Par\u00f3quias e outros agrupamentos culturais est\u00e3o empenhados em oferecer actividades de tempos livres para cultivarem nos seus \u201cclientes\u201d interesse por valores culturais. A Alemanha na\u00e7\u00e3o da cultura e da inova\u00e7\u00e3o consegue manter a import\u00e2ncia da tradi\u00e7\u00e3o e da cultura e ao mesmo tempo estar na vanguarda do desenvolvimento. A insidiosa tentativa do Burgomestre de Berlim, da mesma cria\u00e7\u00e3o de Sapateiro e de S\u00f3crates, sem respeito pela tradi\u00e7\u00e3o, dificilmente ir\u00e1 \u00e0 frente. O tempo das ramboiadas e das vacas gordas j\u00e1 passou!<\/p>\n<p>Muitos cidad\u00e3os criam d\u00edvidas nos bancos ou vivem ao Deus dar\u00e1, sempre na depend\u00eancia. A sociedade de consumo n\u00e3o conhece pessoas, s\u00f3 lhe interessam consumidores; quanto mais eles irreflectidos forem melhor para o com\u00e9rcio e para o Estado. O com\u00e9rcio vive das compras e o Estado dos impostos, quanto menos dinheiro ficar na bolsa dos cidad\u00e3os maior \u00e9 o proveito para o Estado. Por cada dia santo a menos, o Estado v\u00ea a sua bolsa aumentar. Por isso o Estado, de m\u00e3os dadas com o capital, n\u00e3o quer dar a hip\u00f3tese de se pensar sobre a vida e o seu sentido, aquilo que pretendem as Igrejas ao pretenderem manter o domingo livre do trabalho.<\/p>\n<p>O Domingo oferece uma outra atmosfera ao pa\u00eds, tamb\u00e9m nas ruas e nas estradas h\u00e1 mais paz.<br \/>No Domingo sai-se do normal, do rotineiro ficando mais tempo dispon\u00edvel para si pr\u00f3prio, para a fam\u00edlia e amigos.<\/p>\n<p>O homem n\u00e3o vive s\u00f3 de p\u00e3o. Para os crist\u00e3os o Domingo \u00e9 o primeiro dia da semana, dedicado a Deus e ao Homem. J\u00e1 no Antigo Testamento a religi\u00e3o ordenava o descanso sab\u00e1tico para animais e servi\u00e7ais. Na Idade M\u00e9dia a redu\u00e7\u00e3o do Homem a homo faber era contrariada com o mandamento de absten\u00e7\u00e3o de trabalho nos Domingos e Dias Santos. Estes ocupavam uma significante parte do ano. N\u00e3o se trata de defender aumentar os dias de descanso, mas de n\u00e3o deixar reduzir a pessoa humana a mero instrumento do Com\u00e9rcio e do Estado. A avidez do Estado cada vez escava mais o interior das pessoas no sentido do \u201cn\u00e3o importa\u201d e dum \u201c\u00e9 igual\u201dindiferente. A precariedade e a falta de refer\u00eancias das pessoas tornam mais f\u00e1cil a sua manipula\u00e7\u00e3o e escraviza\u00e7\u00e3o. Certas elites, ligadas ao neg\u00f3cio da economia e da pol\u00edtica, querem ver o cidad\u00e3o reduzido a proletariado, a colectivo preocupado s\u00f3 com o p\u00e3o. O bem cultural do Domingo \u00e9 um impedimento aos seus interesses pelo que fazem tudo por tudo para o colocar \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o e servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n<p><span class=\"texto\">                  <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Domingo \u2013 Um O\u00e1sis \u00e0 Margem do Consumo As Igrejas, Cat\u00f3lica e Evang\u00e9lica, recorreram ao Tribunal Constitucional Alem\u00e3o, para impedirem que o Estado de Berlim imponha a abertura do com\u00e9rcio ao p\u00fablico, durante dez domingos por ano. 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